Lembranças de um pão de queijo


Daquelas histórias que nos encantam, logo de cara, pela riqueza de cores, sons, cheiros, apresentação e sabores*, “A 100 Passos de um Sonho” é despretensioso, aparentemente, mas provoca riso, salivação, choro e…lembranças! * Siim! porque, se já existe cinema 3D, ainda hão de inventar o cinema 5S: 5 Sentidos!
É impossível não linkar com outros, tão bons quanto, onde a cozinha é o cenário principal, como em “A Festa de Babette” e “Como Água para Chocolate”!
Seria um “Romeu e Julieta” adaptado a um jogo de panelas, onde as famílias conflitantes perseguem uma estrela no Michelin.
Uma das frases repetidas pelo casal de pombinhos e/ou concorrentes do filme, é:
“Comida é memória!”

“Elementar, meu caro Watson!” Você já deve ter pensado nisso, antes, mas o que parece clichê é a mais límpida verdade!: Memória. Boa ou ruim mas, memória!

Há pouco conhecemos a alemã Margot Woelk, 95 anos, que por dois anos e meio “trabalhou” na “Toca do Lobo” como provadora oficial da comida de Hitler, segredo esse guardado por mais de meio século. Fazia parte de um grupo de 15 moças que “testava” tudo que fosse servido à mesa dele, assegurando-lhe não ser envenenado.
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A lembrança que essa mulher carregou pela vida:
“A comida era deliciosa, apenas os melhores legumes, aspargos, pimentão, tudo o que você pode imaginar. E sempre acompanhados de arroz ou macarrão”, lembra. “Mas este medo constante – nós sabiamos de todos esses rumores de envenenamento e nunca podíamos desfrutar da comida. Cada dia nós temíamos que fosse ser a nossa última refeição”.

Espero que Margot tenha preenchido seu livro de memórias sensoriais com outras, bem mais agradáveis. Assim, a imagino: uma simpática vovó enchendo a boca de pretzel, sem medo, sorrindo!

Millôr Fernandes, que entendia de tudo e mais um pouco, descreveu:
“Gastronomia é comer olhando pro céu!”

Ou, para um passado, recente ou longínquo!

Ainda lembro da primeira vez que comi um pão de queijo, na vida: era a novidade da tarde servida na padaria, perto da casa da minha avó. Grande, cheiroso, cascudo, salivador!…Foi amor à primeira mordida!
De lá pra cá a iguaria transformou-se, praticamente, em símbolo nacional. Deveria constar, na bandeira oficial: café, pão de queijo e futebol!
Mas, assim como o bom futebol, pão de queijo “bão” anda cada vez mais raro!
Ainda vago por aí, como Indiana Jones à caça do cálice do Santo Graal, procurando o pão de queijo ideal. Olha, que tenho me decepcionado!
Mas, nem tudo está perdido!
O legítimo( cascudo por fora, macio e puxento por dentro) ainda existe, guardado em algum livro antigo de receitas ou, na cabeça branquinha de alguma vó mineira.
Resgatei há pouco, como a história de Margot, essa memória de infância.
Um bom pão de queijo não está mais fadado à extinção!

Pode argumentar que, em tempos de “fast food” é muito mais prático comprar um, ali, na próxima esquina, ou encher o freezer com pacotes de industrializados congelados.
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Peço licença pra tentar persuadi-lo a testar essa receita, ao menos uma vez:
-É mais gostoso!
-Rende muito.
-Pode congelar.
-É mais barato.
-É resgatar boas lembranças!

À primeira vista tudo parece desandar mas, fique tranquilo: o resultado é compensador!

Os ingredientes para esse simples e delicioso Pão de Queijo:
-500 g de polvilho doce
-600 g de queijo curado*
-200 ml de água
-200 ml de leite
-200 ml de óleo
-3 ovos
-Sal a gosto
-Polvilho azedo( o suficiente pra ajudar a desgrudar a massa das mãos, na hora de sovar.)

*Como não tinha esse tipo queijo, usei:”Minas padrão” e “Grana Padano”, em proporções iguais.

Modo de fazer:
Pré-aqueça o forno em temperatura alta.
Ferva os líquidos juntos( água, leite e óleo) e escalde o polvilho doce.
Quando o polvilho esfriar, acrescente os ovos, um a um, sovando a massa.
Acrescente o queijo, acerte o sal.
A massa ficará grudenta e puxenta. Não se desespere!
Polvilhe o balcão ucom polvilho azedo e sove mais um pouco, até começar a soltar das mãos.}
Unte um tabuleiro com óleo.
Faça bolinhas com a massa e leve pra assar, em forno alto e pré-aquecido.
IMG_8704Congele o restante da massa: faça as bolinhas, espalhe num tabuleiro untado e, direto ao freezer. Quando quiser usar é só levar, congelado ainda, ao forno pré-aquecido brando até começar a crescer. Depois, forno alto, até corar!

Ganhou confiança? Hora de inventar: acrescente ervas( alecrim, orégano…), ou recheie com brie ou gorgonzola, ou tomate seco, enfim, o céu é o limite-pra onde pode olhar, ao saborear esse pedaço de história!…

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“Cinnamon rolls” pra te fazer feliz!

Daquelas propagandas que chamam a atenção, essa, do Pão de Açúcar, com a Clarice Falcão:

Não é um produto que se vende, ali, mas, uma ideia: de que somos os maiores responsáveis pela nossa felicidade, de que podemos( e devemos!) interferir, agir, assumir-nos donos do próprio destino. Ficar de braços cruzados, esperando que um Chapolin Colorado venha nos salvar é cilada, um convite à frustração.
Atitudes simples podem mudar a vida, o entorno, torná-la mais leve.
E a perguntinha básica da música chiclete pode parecer boba mas, não é. Antes, um exercício de autoconhecimento:
O que faz você feliz e, você feliz, o que é que faz?
Parou, pra pensar?:
Quando, a última vez que deu gargalhadas( sem preocupar em parecer ridículo!) relaxou, gozou, gritou de excitação, deu pulinhos, fez dancinha, fechou os olhos e, sorriu por dentro…
Que ocasião foi isso, há quanto, quem, ou o que provocou?…
Porque felicidade não se resume num momento, euforia, ou devaneio. Antes, sim, uma atitude e compromisso em relação à vida e ao que nos traz, de bom e/ou ruim.
Você pode estar triste e, ser feliz. Pode estar alegre e, ao contrário…Pode se sentir feliz, em fazer alguém feliz e, ao contrário, de novo…quando estamos bem, como é mais fácil fazer com que os outros também se sintam!…
É simples, mas não é fácil, como se costuma dizer.
Então, proponha-se esse pequeno exercício:
“O que me faz feliz e, feliz, o que faço?”
É diferente, pra cada um. Pessoal, intransferível!
Eu, por exemplo, viajo numa música que me toca…na lembrança de um momento especial…sorrio, quando minha gatinha vem aninhar-se aos meus pés…converso numa linguagem infantil com ela, quando lhe acaricio a barriguinha peluda…sofro e me canso, numa corrida de longa distância, mas abro um sorriso, de orelha à orelha, quando ultrapasso a linha de chegada…
Assim, uma das ocasiões em que me defino “feliz”: ora corpo suado, molhado, esforçado num treino ou prova, ora coberto de trigo, à beira do balcão da cozinha, fazendo pão, ou outra receita gostosa…
Sovar a massa, esperar que levede, moldar pãezinhos como quem esculpe uma Pietà, depois, vê-los corar ao forno, como se fossem corpos de mulheres gostosas bronzeand0-se na praia de Ipanema…E o perfume, que invade a casa?…
Felicidade tem cheiro?
Tem. Muitos! Cheiro de pão, um deles! Mas pode ser cheiro de mato, cheiro de gente( uma “gente”, em especial…), cheiro de capim gordura( no caso do meu gatinho, que costuma embrenhar-se no mato)…

Quem me conhece um pouco sabe que me faz feliz falar de comida, de cozinha, trocar receitas, dicas…
Fez-me feliz fazer esta receitinha de “cinnamon rolls de um site que, só de olhar as fotos, ler o texto delicioso que a Paula escreve já levanta o astral de qualquer mortal!
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(Foto: “The Cookie Shop“)

Meus rolinhos de felicidade, sem fondant:
CInnamon rolls
Isto é panificoterapia!
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Massa levinha, que desmancha na boca!
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Tá esperando o que, pra ser feliz?!

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Uma pitada de energia


(Foto, dAqui)

Final do mês passado, quando Cléo Pires completou 30 anos, concedeu entrevista ao site Extra. Perguntada se temia “envelhecer” deu uma resposta ambígua: primeiro, disse que, sim. Depois, que estava “gostando muito de envelhecer”.
Eu, mera mortal, sem nem metade da beleza de Cleo e, com muitos anos a mais( às vésperas de completar 44!) fiquei injuriada!
“Como, assim? A pessoa acaba de fazer 30 anos e diz que está ‘gostando muito de envelhecer’?!” É algum tipo de gozação conosco, mulheres normais?!…
Particularmente, acho que se envelhece quando se abdica dos sonhos, quando se desiste dos planos…
Por isso, embora o tempo aponte-me uma ruguinha aqui, uma flacidez ali sinto-me uma jovem empreendedora, no terreno dos grandes e pequenos sonhos.
Completar uma maratona é um desses.
É um caminho longo, que faz aos poucos.

Domingo passado: uma corrida intermunicipal saindo da minha cidade, Santa Teresa, e chegando em Santa Maria, 28 Km distante.

Esse é um tipo de projeto que exige preparo físico, mas também e, principalmente, preparo psicológico. É preciso ter confiança na sua capacidade, sem deixar de levar em conta as incapacidades e limites do corpo.

Citando uma outra frase de “Alice no País das Maravilhas”:
“A única forma de chegar ao impossível é acreditar que é possível.”

Mas não sou uma lebre. Só quero chegar ao fim, como a tartaruga…

E uma hora ele chega….

Outro dos pequenos sonhos é fazer Gastronomia…
Mas antes, um curso de fotografia…
(Peraí, que eu tenho de consultar minha agenda, no tópico: “Planos a cumprir, a médio e longo prazo”!…)

Talvez por isso tenha ficado encantada com o blog e me identificado com a autora, de: Suvelle Cuisine.
Mãe, escritora, bailarina, apaixonada por fotografia e pela boa cozinha:
“Acredito piamente que somos aquilo que comemos e encontro um prazer tremendo em procurar incessantemente alternativas deliciosas para que a minha família e eu possamos ter uma alimentação saudável e equilibrada.”

As fotos são simplesmente ma-ra-vi-lho-sas! As receitas, simples, mas que dão água na boca!
Querem uma prova?:

Quando vi os( poucos) ingredientes e a maneira( simples) de fazer esse pão tipo pita duvidei que desse certo. Mas, arrisquei. E fiquei feliz com o resultado!

É tão simples, mas tão simples de fazer, que também vai duvidar!

Mas é tão fofo, tão macio, que não vai se arrepender!
Usei a máquina de fazer pão, como o post sugere, mas quem não a tem pode fazer manualmente, também.
Pode acompanhar o lanche da tarde ou, como entradinha, servido com azeite, acompanhando um caldo, nessas noites frias.

Pão tipo pita“, receita, aqui!
Minhas dicas e adaptações:
-Usei 3 colheres de chá de fermento seco granulado para pão+1 colher de sopa de açúcar+1/2 colher de sopa de sal.
-Ela orienta que se assem os pães( depois de, novamente crescidos) em forno brando. Achei que os meus ficaram mais branquinhos que os dela por conta disso, além de demorar mais para assar. Próxima vez deixarei em forno médio a alto.
-Apesar de branquinhos ficaram muito bem assados e muito levinhos.

Falando em corrida e carboidratos( duas coisas que combinam muito bem!), minha próxima dica é um macarrão cremoso energético e aromático, superfácil de fazer, assim como esse pão pita, para salvar o seu (e o meu!) almoço de domingo!…

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Para agradar o estômago e coração!

Temporada de férias com meninos em casa é trabalho dobrado, na cozinha: atividade exercida com prazer, ainda mais, se for pra mimar um filho.
Como a cevar um porco, desde que chegou da Alemanha tenho testado receitas novas e repetido pratos que ele aprecia(embora um dos pedidos especiais tenha sido a trivial dobradinha arroz com feijão): torta de limão, pavê de cupuaçu, bolo de cenoura, cookies integrais, alfajores, pudim, bolo de mamão e de maçã, sem falar nos pães caseiros…
Algumas dessas gostosuras( fáceis e saudáveis!) foram tiradas do livro e/ou site Panelinha. E desta vez, de uma tacada só, indico 3 receitas imperdíveis, de lá:
Bolo de banana integral com aveia

Pode substituir o pão e, como sugestão da Rita Lobo, ser servido quentinho( ou, tostado na torradeira), com manteiga.

Como tinha uma bandejinha de mirtilos na geladeira resolvi aproveitá-los, acrescentando-os à massa.
Rende uma fôrma de bolo inglês. Não durou mais que uma refeição.

Já dei umas duas receitas de panquecas, aqui, mas gostei da praticidade e facilidade desta:

Receita, aqui.
O menino gostou tanto que pediu bis, hoje. E pedido dele é uma ordem!
Se quiser fazê-las para o café da manhã pode adiantar serviço deixando a massa preparada na geladeira, de um dia para o outro.

A última receita do dia é um pão integral, leve e fofinho:

Pão integral com nozes

Como não tinha nozes em casa usei um mix de frutas secas e castanhas: ficou uma delícia!
Outra dica que recebi de uma amiga do Facebook foi acrescentar mais 3 colheres de sopa de óleo, além daquelas solicitadas na receita, pra deixar o pão ainda mais macio.
Espero que se animem pra o fim de semana!
( Todas as receitas têm link no post!)

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Pão de cenoura

Sabe aquela época de entressafra? Tô na minha, de criatividade: muito cansaço e pouco tempo têm me afetado negativamente. Resultado: desânimo. Pra piorar, um quadro gripal.
Independente do nosso estado de humor a vida continua com as suas demandas. Uma delas: satisfazer a necessidade das crianças. Não é preciso muito.
Meu menino mais novo cobrou-me, esses dias: em fase de crescimento ele anda ávido por novidades na cozinha. Provador exigente, aprovou este pão de cenoura, receita trazida pela minha ajudante Rose:

Hoje foi dia de ir pra cozinha afinal, domingo o filho mais velho completará 21 anos.
Da padaria caseira saíram: massas de pizza, bolo de chocolate, torta de ricota, além de bolo de maçã e os pães da foto( australiano e de cenoura)-todas, receitas já postadas aqui no blog.
Pão de cenoura
Ingredientes:
-1 batata média cozida
-3 cenouras médias cozidas
-2 colheres de sopa de margarina
-1/3 de xícara de óleo
-4 colheres de sopa de açúcar
-1 colher de chá rasa de sal
-2 colheres de sopa rasas de fermento para pão( granulado seco)
-2 ovos

Modo de fazer:
Bater todos os ingredientes no liquidificador, menos o fermento. Derramar a mistura numa vasilha funda, acrescentando o fermento e o trigo, aos poucos, até dar ponto e sova. Sovar a massa, colocar para descansar e crescer em local protegido. Moldar os pães( rende 2) e acomodá-los em fôrmas de bolo inglês. Após crescer novamente levar a assar em forno médio, pré-aquecido, por aproximadamente 30′, ou até corar levemente na superfície.

Esperando que o fim de semana prolongado seja suficiente para refazer nossas forças.

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