Noite de Talentos, quarta edição!

Pelo quarto ano consecutivo fizemos, no início deste mês, nossa tradicional “Noite de Talentos“.
A ideia é juntar os amigos da igreja para uma noite descontraída, com comida típica da época, música e representações.
Desta vez o tempo colaborou: nada de chuva e o frio, moderado, ideal para uma comemoração ao ar livre!
Arrumei a mesa no quintal, com tudo de mais colorido que tinha em casa:

Colchas, de crochê e fuxico, serviram de pano de fundo e a chita cobriu a mesa.
Servi primeiramente os alimentos quentes e salgados: foram dois tipos de caldo, agnoline e creme de aipim com carne seca, acompanhados por focaccia e pipoca.

Depois, os doces: mini-pretzels de canela, broinhas alemães, bolo de fubá, bolo de mamão, queijadinhas, canjicão, mini-tarteletes de banana com chantilly.
Para beber, refrigerantes e chás.

Tão corrido, que não deu pra fotografar todos os detalhes mas, uma dica, pra quem planeja algo parecido: faça uma lista dos ítens do cardápio e adiante o que puder.
Preparei antecipadamente os pretzels, focaccia e broinhas alemães já que, obrigatoriamente, devem ser servidos, assim que saírem do forno. Para isso, já congelei tudo nas fôrmas. Na tarde da festa tirei tudo do freezer e deixei descongelar, à temperatura ambiente, crescer para, depois, assar( é bom planejar, para sincronizar com o horário de servir).


Depois do lanchinho coletivo, a hora do “show”, que começou com a exibição de um vídeo, produzido pelo marido para o evento, com a participação especial do filho mais novo, como dublador do Lula.

Histórias, cantoria…

Música instrumental…


E, para os que não foram, a ideia do que perderam:

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Machismo, feminismo e outros “ismos”

2013 vai entrar para a história como o ano de protestos de rua, no Brasil. Mas nada que se compare, em efervescência política e cultural, como o final dos anos 60!

-1968-
30 de janeiro – O Exército vietcong inicia a chamada Ofensiva de Tet, invadindo 34 capitais de Província vietnamitas e a cidade de Hue.
15 de março – São desapropriados, em Cuba, os últimos estabelecimentos privados –bares, livrarias e oficinas.
16 de março – Militares norte-americanos massacram cerca de 150 civis vietnamitas na aldeia de My Lai, no Vietnã.
28 de março – O governo da África do Sul apresenta três leis que culminam no apartheid.
4 de abril – É assassinado a tiros, aos 39 anos, o pastor negro Martin Luther King. No dia seguinte, ocorrem conflitos raciais em 125 cidades, e a morte de 46 pessoas em Washington.
5 de abril – É lançado, na Tchecoslováquia, o programa de reformas políticas que ficou conhecido como Primavera de Praga.
28 de abril – Cerca de 60 mil manifestantes protestam, no Central Park, em Nova York, exigindo o fim da Guerra do Vietnã (1959-1975).
30 de abril – Estréia na Broadway o musical “Hair”.
26 de junho – É realizada, no Rio de Janeiro, a “Passeata dos Cem Mil”, reunindo principalmente estudantes, intelectuais, artistas, padres e mães, autorizada pelo governo federal.
21 de agosto – A Tchecoslováquia é invadida por tropas do Pacto de Varsóvia, em represália à “Primavera de Praga”.
(Fonte: Folha de São Paulo)

Em 7 de setembro, 400 ativistas do WLM (Women’s Liberation Movement) reuniram-se no Atlantic City Convention Hall, em Atlantic City, EUA, para protestar contra o concurso “Miss America”, uma das ferramentas promotoras dos estereótipos de beleza que oprimiam as mulheres( segundo as manifestantes).
Espalharam pelo chão alguns “instrumentos de tortura”: sutiãs, sapatos de salto alto, cílios postiços, sprays de laquê, maquiagens, revistas, espartilhos, cintas e outros. Alguém deu ideia de queimar os objetos, mas a atitude performática foi mais eloquente( e não havia, infiltrados entre elas, os vândalos de hoje em dia).
O episódio ficou conhecido como “Bra-Burning”, ou “A Queima dos Sutiãs”( na verdade, nunca literal!).
Quarenta e cinco anos depois, muita coisa mudou. Outras, nem tanto.
Mulheres continuam lutando por direitos iguais mas, ainda escravas de estereótipos de belezas e convenções sociais. Deformam o rosto, esperando esconder as marcas do tempo, colocam litros de silicone, inflam músculos( uns, que nunca tínhamos ouvido falar antes, muito menos, ver!), submetem-se a toda sorte de tortura (e até, automutilação!), de livre e espontânea vontade, só para se “enquadrar”…
Há pouco estreou, no GNT, Beleza S/A, uma série que trata justamente disso: a busca da perfeição!

Na mesma semana em que a visita do papa ocupava as manchetes dos jornais e a programação na TV, a protagonista de um “conto de fadas real”, literalmente, aparece em frente à maternidade com o herdeiro nos braços, ao lado do marido. Talvez o casal nem tenha percebido( porque felicidade redimensiona valores: eleva o que é realmente importante e, releva pequenezas), mas o mundo notou a barriga de Kate…

O assunto ganhou as redes sociais, mas, o que importa? A duquesa e o príncipe simplesmente sorriam, ignorando a surpresa alheia.
Espanto, por quê? Por admitirem normalidade?

A blogueira e escritora Nadia Lapa tentou aprofundar a questão, em: “A barriga da princesa-e o que ela tem a ver com a sua”
Recomendo a leitura do texto, na íntegra, incluindo os comentários mas, destaco aqui, alguns trechos:
“É uma corrida sem linha de chegada. As mulheres precisam ser bonitas para serem amadas. Sendo amadas, precisam ser mães. Sendo mães, precisam continuar bonitas para não serem abandonadas por aquele homem lá que lhe dá valor. Porque o valor está nele, claro, e não nela.

Essa busca insana e doentia por um padrão de beleza machuca pessoas, especialmente mulheres. Nós representamos 90% dos casos de transtornos alimentares. O índice de mortalidade de pacientes com anorexia nervosa chega a 20%. Uma mulher comum não pode levantar às 5h da manhã para fazer ginástica, a exemplo da cantora Beyoncé, simplesmente porque não dormiu a noite inteira com o bebê chorando. No entanto, a pressão por corpos perfeitos atinge todas nós, celebridades ou não, porque estamos permanentemente sendo julgadas por nossa aparência.

Não precisa ir muito longe.
Mês passado, quando Betty Faria apareceu na praia do Leblon, de biquini, foi atacada ferozmente na internet por exibir, sem preocupação, o que o tempo faz no corpo da maioria das mulheres( famosas, ou não)! Defendeu-se, em artigo à “Lola”:
“Então querem que eu vá à praia de burca, que eu me esconda, que me envergonhe de ter envelhecido? E a minha liberdade? Depois de tantas restrições alimentares, remédios para tomar, exercícios a fazer, vícios a evitar, todos próprios da idade, ainda preciso andar de burca? E o prazer, a alegria, meu humor?”

Expor o corpo é coisa natural, no Brasil. Estar fora dos padrões de beleza, não. Santa hipocrisia, Batman!
Conhece alguém, que passou experiência similar? Eu, sim.
Era o terceiro filho e minha rotina dividia-se entre amamentar, trocar fraldas e, quando possível, descansar.
Uma pessoa da família( alguém que, como eu, já passara pela experiência da maternidade) chamou-me num canto( ao menos, foi discreta!):
-Estou preocupada com você. O bebê tem quantos meses?
-Quatro( respondi, desconcertada).
-É que o seu corpo ainda não voltou ao normal…

O bebê cresceu e hoje é maior que eu e eu, bem menor do que, àquela época. Mas a “frase inocente” deixou marca indelével na memória( além, de um estrago na minha autoestima), afinal, estava numa fase em que beleza não era fundamental. Dormir, sim.
Mas, quem precisa de “instrumentos de tortura” machistas, quando nós, mulheres, podemos fazer o “trabalhinho sujo”?

Essa semana reestreou, no “Vale a Pena Ver de Novo”, “O Cravo e a Rosa”. Embora não seja fã do gênero, novelas de época me atraem, especialmente, pelos cenários, figurinos e costumes.
Adriana Esteves é Catarina, uma mulher bem à frente do seu tempo: feminista de “cabelos nas ventas”, rebelde e irascível, enfim, a “megera (in)domada”.

E, naquela época, era mais ou menos, assim:
A mocinha saiu à rua, acompanhada( porque moças de família não andavam por aí, “dando sopa”); ao avistar o amado, não esconde o entusiasmo e, acena. A mulher mais velha, ao seu lado, chama-lhe a atenção:
“Desse jeito vai ficar mal falada!”

Estamos em 2013, algumas décadas à frente. As mulheres conquistaram espaços, antes, só permitido aos homens: Comandam negócios, empresas, até um país; tomam a iniciativa, na hora da conquista, sem se preocupar se ficarão “mal faladas”.
Umas vão além e não só conquistam, como os homens, como contam aos quatro ventos( com quem, onde, quando e o que fizeram, entre quatro paredes), afinal, não basta ficar e curtir, têm de compartilhar( e, de preferência, lucrar, nem que seja aparecendo na mídia com factóides)! Mas, contenho-me. Não posso afirmar que seja atitude tipicamente masculina porque estaria sendo sexista. Oportunismo não escolhe gênero( que o diga, Félix)!
“Queimamos” sutiãs, então, pra quê?
E, “Só pra contrariar”: “o que vamos fazer com essa tal liberdade?”

Entre a barriga pós-parto da duquesa( grande, flácida, mas bem resolvida) e as bundas( plastificadas, tonificadas, mas pertencentes à mentes deformadas) fico com a primeira e, não é por recalque ou revanchismo!

“Hay que endurecerse, pero sin perder la ternura, jamás!”

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Dicas da semana

Não costumo tirar férias, no máximo, uns dias de folga no ano, que trato de aproveitar pra sair da rotina.
Pausas são necessárias pra arejar as ideias e manter “a mente quieta e a espinha ereta”. Não precisa muito: Pode ser um dia na cozinha, testando novas receitas, ou uma tarde no cinema, ou uma noite assistindo aos programas favoritos, ou lendo um livro interessante, uma viagem de fim de semana…
Quando fui ao Rio no último mês, pra correr a maratona, agendei um retorno ao Jardim Botânico. Lá encontrei um casal de amigos que curte fotografia, porque esse belo cenário serviu de pano de fundo para a última exposição do fotógrafo Sebastião Salgado: “Gênesis“.

Na alameda principal, sob a sombra das palmeiras imperiais centenárias, era possível apreciar algumas das fotos ampliadas, uma pequena amostra da exposição, de quase 250 fotografias, sediada no Museu do Meio Ambiente do Jardim Botânico.

Sebastião Salgado é um fotojornalista brasileiro, natural de Aimorés-MG, mundialmente reconhecido. Este seu último trabalho, “Gênesis”, demorou 8 anos para ser concluído. Foram “30 viagens utilizando aviões de pequeno porte, helicópteros, barcos e canoas para atingir os pontos mais remotos do planeta”( Fonte: G1).
Em vez de mostrar a degradação, lugares, paisagens, culturas, fauna e flora ainda intocados.
Uma viagem no tempo/espaço e  imersão noutras culturas.

( Euzinha, dentro, literalmente, da exposição. Imagem: José Rodrigo Otávio.)
Todas as fotos são em preto e branco(marca registrada do fotógrafo*), conferindo um realismo dramático e clareza de detalhes que chamam a atenção! Obras de arte, esculpidas pela natureza e registradas por um homem.
*”Transformar cores em cinza me permite fazer a abstração da cor e focar no que realmente quero fotografar. Além disso, a pessoa vê a foto em preto e branco e pode imaginar a cor como ela quiser e interagir com a obra”.( Sebastião Salgado)

Dá pra se sentir dentro de um documentário da BBC!
A exposição é dividida em 5 sessões, conforme os lugares visitados pelo fotógrafo: Planeta Sul, Santuários, África, Terras do Norte e Amazônia&Pantanal. Cada uma dessas é separada em ambientes de cores diferentes, relacionadas ao tema.
Sobre seu encontro com etnias e tribos tão isoladas no planeta, Salgado afirmou:  “É um reencontro com nós mesmos, não evoluímos nada no que é essencial a vida, somos os mesmos.”

A exposição já passou por Londres, Toronto e Roma. Terminou no Rio, essa semana, seguindo para São Paulo( a partir de setembro, no SESC Belenzinho). Gaúchos, mineiros e capixabas terão o mesmo privilégio.
Um ótimo programa pra se fazer em família, especialmente, com crianças curiosas. Mas, para aproveitar a “viagem” é preciso ir com calma, esquecer do tempo, ler as legendas, saber onde foram feitas as imagens e, em que condições. Assim, vale!
Ficou triste porque a exposição não passará pelo seu estado ou, se já viu, gostaria de rever? Seus problemas acabaram! A editora Taschen e Benedikt Taschen publicaram o trabalho num livro e o preço é bem acessível(R$140,00).

Na entrada da exposição é possível conhecer uma edição especial para colecionador, bem maior que a comum( e, bem mais cara!):

Um documentário sobre o projeto e obra de Salgado também será lançado em breve, dirigido pelo cineasta alemão Wim Wenders e pelo filho do fotógrafo, Juliano Salgado.
Criador explica a criatura, num cenário que conheço muito bem: o encontro das águas do Rio Negro com o Solimões!

Ainda como dica de leitura para esse finalzinho de férias, sugiro outros dois lançamentos:
Moda Intuitiva“(Editora LaFonte), da publicitária, escritora, cronista de moda e “modelo uma vez por dia” Cris Guerra( antes que blogs de looks diários virassem uma febre, Cris já tinha o “Hoje Vou Assim“, hoje, um site).

Leitura leve e agradável, o mote do livro é ser um “não manual de moda”.”Este livro se presta a uma função, mais do que qualquer outra: afastar você das regras e o aproximar da sua essência.”

“Se um striptease desnuda uma mulher completamente, o ato de vestir fala ainda mais sobre ela. Roupas contam trechos da nossa história-quanto mais vestimos, mais revelamos.”
Mestre de cerimônias muito respeitado, o estilista Ronaldo Fraga apresenta a autora: “No seu corpo, roupa é frase, cor é sintaxe, botão é letra”.
Precisa de mais recomendação?
Muitas dicas de como usar a moda, do seu modo, e belas fotos da modelo-escritora( mas, não necessariamente nessa mesma ordem!).

Um Gato de Rua Chamado Bob“- A história da amizade entre um homem e seu gato, Editora Novo Conceito, virou best seller( “London Times”).
A história de um gatinho laranja, que deu novo sentido à vida de um músico, dependente químico e morador de rua.

Além de ser completamente apaixonada por felinos, gosto de ler histórias reais de superação.
Este já veio muito bem recomendado:

Vai resistir?…

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Maratona do Rio: eu estive lá!

O desafio é pessoal e intransferível mas, aos poucos, percebo não estar sozinha.

Levanto às 4:30h da madruga e visto-me, a caráter, como se fosse a uma cerimônia de graduação: meias acolchoadas, tênis com amortecimento, short, camiseta, boné, chip e número de peito, celular e MP3 na braçadeira, confiro protetor solar e os sachês de carbogel…
No restaurante do hotel, movimentação incomum, para o horário. Todos, corredores como eu. Tipos e idades diferentes, sotaques diversos( mineiro, gaúcho, nordestino…estrangeiro). “Tudo maluco”( como eu), penso!
Participar de uma maratona é como inscrever-se para o vestibular de uma faculdade muito concorrida. Completá-la, a aprovação( e, sem sistema de cotas!)! Um “upgrade”, no seu currículo de corredor. Aventureiro não encara 42Km. É preciso preparo, planejamento, disciplina; equilibrar a mente, tanto quanto exercitar o corpo!
Há 3 dias não dormia bem. E esse é um dos problemas a resolver, daqui pra frente: controlar a TPM( Tensão Pré-Maratona).
Durante o longo percurso, de ônibus, até o Recreio dos Bandeirante, escuto trechos de conversas, todas, sobre corrida( algo incompreensível e chato, pra quem está de fora)!
Por volta das 7:00h h os corredores começam a aglomerar-se na largada, esperando a contagem regressiva. Tanta gente, que mal se consegue andar( muito menos, ver celebridades como o Dr. Dráuzio Varella, 68 anos e maratonista bem mais experiente que eu!), quanto mais, correr!

Às 7:30h o relógio dispara. O coração, também. Aos poucos, a multidão começa a diluir-se, cada um, no seu ritmo.
No MP3, companheiros tão variados quanto os de corrida: Queen, Beatles, Pato Fu, She&Him, Cartola…( Diferente da maioria dos corredores, som “batidão” me cansa.)
A primeira parte da corrida é uma meia maratona, da Praça do Pontal Tim Maia até a Praia do Pepê: 21 km, em linha reta, paisagem bonita porém, tediosa.
Quando deixo a Barra, a ficha cai: agora é que “o bicho vai pegar”!

Há recompensas!
Correr toda a orla do Rio, num dia lindo de Sol é um privilégio!

Mas é doído. Muito! Literalmente.
Antes de decidir participar da maratona, pensava: isso é inumano! Meiamaratonista já me era suficiente. Mas, quem explica essa necessidade, tão humana, de autossuperação?
Já na Avenida Niemeyer sinto a coxa esquerda. A subida parece interminável.

Apalpo o cinto de hidratação e, percebo: calculei mal a quantidade de sachês de carbogel. Terei de dosar a quantidade extra de energia pra que dure, até o final da prova.
Inexplicavelmente, em Copacabana, um corredor desconhecido emparelha comigo; sem falar nada, oferece-me o que preciso. Surpresa, agradeci e, deixei-o pra trás. Não o vi mais. Talvez, tivesse batido as asinhas e voltado ao céu…
No Km 39, já no Aterro do Flamengo, começo a acreditar na frase de Lewiss Carroll:
“A única forma de chegar ao impossível, é acreditar que é possível.”

Quando finalmente ultrapasso a linha de chegada, depois de 5:26h de prova, eu caio. Não, no chão, mas, no choro. Convulsivamente, como uma criança. E aquela frase clichê: “um filme de ação, drama, comédia passa pela cabeça!” Tantos percalços, dias bons, ruins, fases de desânimo…Aprendi tanto, nesses 4 meses de treino!

Mas sou apenas uma caloura, estudando a próxima prova…

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“A Datilógrafa”

A-S-D-F-G…Virei fã do cinema francês, mais especificamente, comédia francesa.
Há algum tempo fiz aqui uma resenha sobre “O Pequeno Nicolau” e, posteriormente, “Potiche Esposa Troféu“.  Coincidentemente, dois filmes de época( anos 50), cheirando naftalina: fotografia, cenários, trilha sonora e figurinos pra amante de vintage nenhum colocar defeito! Assim como este último, que acabei de assistir: “A Datilógrafa” ou, como o título, mais ambíguo e menos óbvio em francês sugere, “Populaire”( uma das marcas de máquina de escrever, mencionadas no filme).

Classificado como “comédia romântica”, acho que não se enquadraria bem nem numa categoria, nem noutra. Não, ao menos, como estamos acostumados a ver no cinema americano. Daí, a (boa)surpresa.
Não espere gargalhadas. A graça está nas entrelinhas, situações, época( se comparada à nossa).  Época em que fumar era glamouroso e contestador e as mocinhas sonhavam ser, não modelos e artistas da Globo mas sim, secretárias.

O casal protagonista, Déborah François (Rose Pamphyle) e Romain Duris (Louis Échard) também foge à obviedade. O espectador, porém, é enredado de tal forma, que se sente cúmplice dessa história de amor nada comum.

Assim como a Elizabeth Benett de Jane Austen em, “Orgulho e preconceito”, Rose é uma garota à frente do seu tempo, apesar da aparente fragilidade. Disposta a investir no sonho de um futuro melhor, contraria a vontade do pai, dono de um mercadinho no interior da França, e segue para uma cidade maior, esperando seleção como secretária na agência de seguros de Louis Échard. É desajeitada para o cargo almejado mas, devido sua obstinação e poder de persuasão, além de um dom especial para datilografar a uma velocidade impressionante, acaba chamando a atenção do futuro patrão, um (ex) atleta nato. Como um “headhunter”, um descobridor de novos talentos, ele antevê no talento de Rose a possibilidade de ganharem o concurso nacional de velocidade datilográfica( acreditem: existia, àquela época). Evento tão importante, quanto um campeonato de MMA dos nossos dias! Rose só precisava aceitar ser “treinada” pelo seu chefe, de forma nada convencional, quase torturante!
Usar como pano de fundo da história um campeonato de datilografia, numa época em que máquinas de escrever são apenas peças de museu, pode parecer uma cilada de tédio. Enganam-se! “Populaire” prende, do início ao fim!
Tantos anos, desde o final dos anos cinquenta se passaram e, muita coisa não mudou: machismo, hipocrisia da sociedade, competitividade, falta de ética e, claro, o amor, afinal, estamos na França!


Atenção, senhores passageiros! Caso lágrimas brotem dos olhos ao final do filme, lencinhos deverão cair à sua frente!

( p.s. Havia escrito a resenha antes da maratona porém, houve um problema na hora da publicação e acabei perdendo metade do post, por isso, depois volto com as notícias da corrida.)

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