“O tempero da minha mãe”

Admiro muito a Silmara Franco! A mulher, cronista, escritora, mãe, amante dos animais e amiga virtual( que tive o privilégio de conhecer pessoalmente, um tempo atrás)!
Esta crônica, que ela escreveu há pouco, é apenas um preâmbulo para o post seguinte:

O tempero da minha mãe
Silmara Franco

Junte cebola, alho, cheiro verde, óleo e sal. Ponha tudo no liquidificador e bata bem. Despeje a mistura em vidros vazios, tampe e leve à geladeira. Use para refogar qualquer coisa. Em cinco ingredientes, eis a receita das minhas lembranças. Rendimento: uma infância inteira.

Dona Angelina preparava o próprio tempero. Para economizar tempo e dinheiro – talvez mais dinheiro que tempo. Lembro do óleo aquecendo na panela, afoito, esperando pelo tempero, que vinha em generosa colherada. Quando eles se encontravam, era uma farra, chiiiiiii. A casa inteira ficava sabendo do abraço dos dois. Logo em seguida, chegavam os grãos de arroz, lavados e escorridos. Noutra panela, outra farra, agora com centenas de feijões recém-cozidos na pressão. Era sempre festa no fogão da minha mãe. Na cozinha, sua oração. E o tempero, artesanal, era sua pegada. O rastro saboroso pontuando o alimento que nos fez crescer, feito planta.

Bem que tento. Mas é impossível reproduzir o tempero dela. Por mais que eu siga o modo de fazer (afinal, cebola é cebola, alho é alho), falta um ingrediente etéreo, invisível, secreto. Falta ela.

Liquidifiquei minhas recordações no turbilhão impiedoso do tempo. Misturei tudo, Natal com Páscoa, aniversário com Dia das Crianças. Mas o aroma do tempero dela está bem guardado no nariz da minha memória. De vez em quando, ele surge d’algum vento brincalhão. Inspiro o quanto posso, para tentar retê-lo e guardá-lo num vidro bem tampado, à prova de despedidas. Se eu fosse descrever a cor desse cheiro, seria verde.

Será que meus filhos terão alguma reminiscência da maneira como tempero nossa comida? A gente nunca sabe o momento, exato ou inexato, em que vai entrar para o rol de lembranças de alguém. Qualquer ação ou atitude podem virar protagonistas; preciso me lembrar disso, para caprichar mais nas coisas.

Será que, n’algum momento da vida, eles tentarão recuperar algum sabor de suas infâncias? Experimentarão, quando grandes, algo que não tenha sido feito por mim, fecharão os olhos por alguns segundos e se pegarão dizendo “Parece a torta de legumes da mamãe” ou “É igual ao creme de abóbora que ela fazia”?

No fundo, a gente quer é ser lembrada. E o alimento é a memória afetiva mais forte que existe. É o primeiro presente que ganhamos, ao nascer. Onde fica a boca do mundo?

Tantas coisas faço igual à minha mãe, e nem sei que faço. É a herança genética e silenciosa, a perpetuar a nossa espécie e algum tipo de amor. Talvez eu dobre roupas como ela, talvez eu lave pratos como ela, talvez eu abotoe um vestido como ela, talvez eu tenha um jeito de mexer nos cabelos como ela. Talvez até meu tempero guarde em seu DNA a centelha materna. Não podemos mais medir nossas semelhanças em tempo real. É uma constatação, não um lamento.

Há quatro vidros repletos de tempero na geladeira, fiz no comecinho do mês. Ficou bom. Mas não é igual ao dela. É idêntico a mim. Sou eu, deixando a minha pegada no caminho da minha gente.

O texto bem temperado é da Silmara, mas o filho é meu:
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Vinícius veio da Alemanha fazer uma prova e passar uns dias conosco. Foi uma semana intensa, que passou mais rápido do que desejaríamos…

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“O quase avesso de um elogio à beleza”

Em tempos de internet e redes sociais alimentando vaidades pessoais, vale a leitura da crônica da Maria Sanz Martins, na revista.AG de hoje:
E só pra não nos cobrarmos tanto, gostar de ser “curtido”, “seguido”, “compartilhado” e elogiado vem de berço.
Enjoy it!

O quase avesso de um elogio à beleza
Antes de conversarmos um pouco sobre o elogio, cuidemos mais da beleza

MARIA SANZ MARTINS | marysnt@hotmail.com

 

Encantadora, hipnotiza.

Sedutora, suborna a atenção.

Imperativa, provoca elogios – não necessariamente verbais, claro.

Elogios são formas de gentileza, atenção, olhares, ou simples, cooperação. Tudo automático porque a beleza, literalmente, impulsiona.

Para além do racional, reagimos quimicamente às substâncias que são instantaneamente produzidas no cérebro diante do sinal de qualquer coisa que nos pareça bela.

Sabia que no livro “A lei do mais Belo”, escrito pela cientista norte-americana Nancy Etcoff, existe um dado curioso: “Da infância à idade adulta, as pessoas bonitas são tratadas preferencialmente e vistas positivamente (…). Indivíduos belos têm mais chance de obter clemência no tribunal e conseguir cooperação de estranhos”.

Também dia desses uma amiga me contou sobre um estudo feito em colégios de ensino fundamental, onde foram colocadas câmeras dentro das salas de aula, sem o conhecimento dos professores, para observar seus comportamentos com relação aos alunos. O que se pode observar, e que chamou a atenção dos estudiosos, foi a diferença na atenção dispensada aos alunos bonitos. Constatou-se que, de forma inconsciente, os professores davam preferência às crianças mais bonitas. Mas como bem se sabe, não são apenas as crianças que gostam e imploram atenção.

É da própria natureza… O pavão quer ser apreciado, a criança quer ser notada, o homem quer ser desejado e a mulher quer ser elogiada.

Mas por que esperamos tanto por esse olhar que aplaude?

Por causa da lei da ação e reação. Ora, assim como a beleza, um elogio também pode provocar uma reação bioquímica para além do racional. Uma sensação que colore, fazendo acender um sinal de que não estamos sozinhos – e não duvide, o mero fato de sermos “aceitos” é o bastante para nos fazermos sentir aquecidos.

É que passada a infância, todos nós conhecemos um pouco da solidão (e deste ponto em diante, lutamos para afastá-la o quanto possível).

Saímos de um útero quentinho, para sentir nos lábios a pele nua do seio e sermos banhados por um olhar que tudo premia – seja um sorriso ou um espirro. Somos beijados, abraçados e, mesmo sem saber falar uma única palavra, plenamente compreendidos. Mas com o passar do tempo, o seio é trocado por uma papinha nem-salgada-nem-doce, nem-quente-nem-fria (horrível). Pouco a pouco deixam de nos tocar e fazer carinho com a frequência que faziam. De repente passamos a ter vergonha do nosso corpo e de nossas partes íntimas. Passamos a ser cobrados e a receber castigos.

Se olhássemos num gráfico, depois dos primeiros anos de vida os sinais de que nossa mera existência proporciona prazer a outras pessoas, declinam. (É drástico).

O entusiasmo que nos é dispensado passa a depender exclusivamente da nossa performance. Se antes, cortar a franja com a tesoura de cozinha era engraçado, agora é preciso cuidar do que dizemos, do que vestimos, do que comemos e de como penteamos os cabelos. Viramos adultos, definitivamente expulsos do paraíso.

Por isso, no fundo, no fundo, estamos sempre perseguindo o desejo de sermos amados, beijados, abraçados, aceitos, ou, simplesmente, elogiados.

E quanto mais, melhor!

(Será mesmo?)

É perfeitamente possível dizer que a vaidade é capaz de gerar alguma insanidade. Ora, desde que o mundo é mundo mulheres (lindas) fazem de tudo em nome da beleza. Mas hoje em dia, o gato saiu do saco! Com a opulência de imagens que circulam nas redes sociais e na TV, mulheres e meninas entram em colapso para atingirem o último grito da moda ou da forma física.

Imagino que para as mães de adolescentes a coisa deve estar difícil. Como explicar para um filho ou uma filha que, sim, é bom ser apreciado (curtido, seguido, aplaudido, elogiado, sei lá), mas o que realmente importa não é nada disso? E fazê-lo entender que ser bacana é muito, mas muito melhor (e mais interessante, mais surpreendente, mais gostoso e mais sabido) do que ser só bonito.

Digo porque, pessoalmente, tenho olhos que checam o físico, mas só aplaudem o espírito.

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Fast food saudável!

Há menos de um mês voltei à nutricionista para uma reavaliação de rotina. Andei relaxando um pouco, nos meses anteriores, e a meta estipulada não foi atingida. Depois de ouvir bronca, novo compromisso firmado: agora é tudo, ou nada, até o fim do ano, pra começar 2014 leve como uma pluma! Nova maratona está programada para o primeiro semestre e resolvi encarar uma dieta, ainda mais enxuta em carboidratos.
“No que diz respeito ao empenho, ao compromisso, ao esforço, à dedicação, não existe meio termo. Ou você faz uma coisa bem feita ou não faz.” Ayrton Senna
E pra quem acha que estaria me submetendo a algum tipo de tortura, empresto a frase de Gandhi:
“A satisfação está no esforço e não apenas na realização final.”
Comer direito não é tarefa difícil pra mim, a não ser a parte de restringir carboidratos. Sem falar que, amo cozinhar!
E se, além de saudável e saborosa, a receita for de fácil e rápida execução, bin-go! Ganhou meu estômago e coração! Como esta broa de aveia e cerveja preta, que fica pronta(acreditem!), em menos de 30′!
Cheirosa e macia por dentro, além de substanciosa, perfeita para um lanche vespertino, ou pra quando receber aquela visita de última hora.
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Do livro da Nigella Lawson: “Na Cozinha com Nigella”.
Como uma boa receita irlandesa que se preze, ingrediente indispensável é a cerveja preta. Em relação ao teor alcoólico não há o que se preocupar, porque ocorre evaporação durante o período de cozimento mas, se mesmo assim, não quiser usar, pode-se substituir os 300 ml de cerveja pela mesma quantidade de leite desnatado.

Então, já que não está de regime “low carb”, como eu, que tal se atirar?:
Pãozinhos de aveia irlandeses
Ingredientes:
400 g de farinha de trigo integral
100 g de aveia( não instantânea)+ 2 colheres de sopa( para salpicar por cima)
1 colher de chá de sal marinho
2 colheres de chá de bicarbonato de sódio
300 ml de cerveja preta
150 ml de leite azedo*, ou iogurte(*acrescente 1 cs de limão ao leite e espero coalhar)
4 colheres de sopa de óleo de canola( a receita original pede óleo de amendoim, difícil de encontrar por aqui)
4 colheres de sopa de mel

Modo de fazer:
-Pré-aqueça o forno a 220°C.
-Prepare dois tabuleiros, forrando-os com papel vegetal.
-Misture os ingredientes secos numa vasilha. Noutra, os ingredientes líquidos.
-Misture os secos ao líquido, aos poucos, até incorporar tudo.
-Com uma colher de sopa meça uma quantidade de massa e forme montinhos, no tabuleiro.
-Leve ao forno pré-aquecido, por aproximadamente 15′.
Coma puro, ou com queijo cottage e/ou geleia, ou mel.
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Então, quando não resisto a tentações, o jeito é queimar calorias correndo. Esta, é da última prova de 9 km, em Vitória, no fim de semana:
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E falando em receitas práticas e saborosas, o que salvou o almoço, depois da corrida de domingo:
truta
Em 30′, tudo prontinho: Truta salmonada em crosta de gergelim, caminha de rúcula, cuscuz marroquino com tomate cereja.
É fast food, mas é saudável!

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Cookies de aveia e passas

Primavera estreou por aqui em clima de alto verão mas, felizmente,  depois da chegada de uma frente fria, o calor deu uma trégua.
Nada melhor, que aproveitar o friozinho fora de época acompanhado de chá ou chocolate quente com biscoitos.
Apesar de já ter testado várias receitas diferentes, cookies ainda são um desafio, pra mim: o biscoito ideal tem textura crocante, por fora, macia, por dentro, e craquelado na superfície.
Olho cresceu, ao ver este, de aveia e passas:
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Receita da tia Martha Stewart publicada, bem explicadinha, no blog Dona das Coisinhas.
Não foi nada complicado executá-la.
O resultado da experiência:
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A orientação é usar uma colher de sorvete para moldar as bolinhas de massa, assando os biscoitos, por 14′.
Dessa forma, achei que ficaram muito grandes e o tempo no forno teve de ser prolongado, cerca de 20′.
Prefiro-os mais sequinhos, então, próxima vez, farei como de costume: bolinhas menores e, achatadas.
Depois de desligar o forno mantenho os biscoitos lá dentro, até esfriarem por completo.
Guardar, em recipiente hermeticamente fechado.
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Último apelo: quem souber do “pulo do gato” pra se conseguir cookies perfeitos, divida aqui conosco, nos comentários!

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Noite especial

Há cerca de 1 mês fiz aniversário: 25 anos de casamento. Uma data a ser comemorada com pompa e circunstância, mas preferi um jantar íntimo, pra família e os amigos mais chegados:
nina
Nina e Chanel foram as primeiras a chegar…
chanel
Enquanto elas conferiam a decoração da sala, eu preparava a mesa:
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A entrada fria foi uma salada mix de folhas(incluindo folhas baby), figo assado com queijo gorgonzola e redução de vinagre balsâmico:
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O prato principal foi medalhão de filé mignon ao molho de vinho tinto, purê de batata baroa e arroz negro. Na hora da correria pra montar todos os pratos acabei não fotografando.
Uma dica pra quem vai receber é antes certificar-se, se algum dos convidados tem alguma restrição alimentar. Meu marido, por exemplo, não come cebola, de jeito nenhum! Pois achava que conhecia a todos muito bem mas, na hora de servir, descobri que um deles não comia carne. Nessas horas é bom ter uma segunda opção: o que me salvou foram os cogumelos frescos( shitake), que tinha na geladeira. Passei-os na manteiga e, zás-trás, tudo pronto!

Para sobremesa, um doce, não muito doce, de textura aerada, que eu amo!
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“Tiramissu”
Ingredientes:
-300g de cream cheese
-1 xícara de creme de leite fresco
-3/4 de açúcar refinado
-1 colher de sopa de Marula
-1 colher de sopa de rum
-3 claras separadas
-3 colheres de sopa de açúcar( para acrescentar às claras, batidas em neve)
-Biscoito champagne
-1 copo de café forte+1 cs de Marula+1 cs de rum( para umedecer o biscoito)
-Cacau, para polvilhar

Modo de fazer:
Bata as claras em neve, acrescentando, uma a uma, as 3 colheres de sopa de açúcar. Reserve.
Noutra tigela bata o cream cheese com o creme de leite fresco, gelados. Acrescente o açúcar, a Marula e o rum. Bata, até ficar mais consistente, como chantilly.
Misture 2/3 das claras em neve ao creme. Depois incorpore o restante das claras, delicadamente.
Forre o fundo de uma grande taça de vidro com os biscoitos umedecidos no café, rum e licor.
Deite uma porção do creme sobre eles.
Polvilhe o cacau.
Faça camadas: biscoito úmido, creme e cacau, até terminar.
Deixe na geladeira por, no mínimo, 6 horas.
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Outra opção foi o bolo de chocolate mais tradicional, aqui em casa:
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Queria um bolo simples, mas com cara de festa: recheei de chantilly com geleia artesanal de morango e cobri com frutas vermelhas, polvilhadas com açúcar de confeiteiro. A receita é daqui, daquelas que sempre dão certo!

O tiramissu leva apenas claras de ovos. Sobraram-me as gemas. Resolvi aproveitá-las, num biscoitinho superdelicado:
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E presenteei cada convidado com alfajores, embalados em marmitinhas de alumínio:
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