Bolinho cremoso de tangerina e limão

Tem gente que, quando bate aquela vontade de ir pra cozinha, preparar algo diferente e gostoso, deita na rede e ali fica, quietinho, esperando que passe…Não, o meu caso. Vontade boa é pra ser saciada, mesmo que dê algum trabalho.

Começou com uma imagem, vista de relance: uma torta de limão! Uhmm…Lembrei “daquela“, escultural!
Imprimi a receita numa folha de papel e a guardei, junto de várias outras( até comentaram, entre si: “Mais uma chegou, iludida. Coitada! Garanto que deve ter ouvido a mesma promessa que nós, de um dia ser registrada oficialmente, no caderno!…).

Procurava por “aquela” receita e, encontrei. Outra. Uma “bastarda”. Sem pai, sem mãe, sem proprietário intelectual, sem link…
Como os cítricos estavam na preferência do dia seria essa, depois, “aquela“! Pra limpar as papilas!
-Mas não estamos em época de tangerinas!
-“Seus problemas acabaram” ou, as desculpas: podem usar suco de caixinha( uma boa marca, por favor!)!

A sobremesa é leve e delicada. Lembrou-me um bolo-pudim que minha mãe costumava fazer, quando criança.
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Supersimples, como tudo o que compartilho por aqui porém, confesso: achei que não daria certo. Muito líquido para pouco trigo, além de não levar fermento químico.
O segredo do sucesso, não sou Lair Ribeiro mas, darei: claras em neve e banho-maria!
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A textura aerada, no topo, cremosa como um pudim, na base, vai fazer com que queiram levantar-se da rede…Pra voltar, logo em seguida, afinal, é rapidinho!
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Como sou gulosa, ao ver aquela receita tão enxuta de ingredientes achei que deveria dobrá-la. Assim, fiz. Rendeu tanto, que me faltaram ramequins. Usei xícaras de porcelana. Há males que vêm para bem…
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Bolo cremoso de tangerina e limão
Ingredientes
-2 ovos separados( claras e gemas)
-100 g de acúcar( uso menos)
-200 ml de leite( pode ser o desnatado)
-80 ml de suco de tangerina
-30 g de farinha de trigo( 2 colheres de sopa, bem cheias)
-1 colher de sopa de raspas de tangerina
-1 colher de raspas de limão( usei siciliano, mas pode ser o verde)
-Pitada de sal

Modo de fazer
Pré-aqueça o forno, em 180°C.
Unte ramequins com manteiga. Polvilhe trigo. Arrume-os, numa assadeira.
Ferva água para o banho-maria.
Peneire as gemas numa vasilha, junto com o açúcar. Bata, até ficar um creme branco e aerado. Acrescente o suco, o leite, as raspas, peneire a farinha sobre e misture tudo. Reserve.
Noutra vasilha bata as claras em neve( com a pitada de sal).
Despeje sobre elas a mistura anterior, aos poucos, incorporando com um fouet. Muita calma, nessa hora! Todo o cuidado, para que não murchem.
Distribua a mistura nos ramequins preparados.
Leve ao forno pré-aquecido. Despeje a água fervente na bandeja, até um pouco menos da metade da lateral dos potinhos.
Asse por 30-40′, ou até que comece a desprender da lateral da fôrma.
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Precisar, não precisava mas, lembram “daquela receita“? Tem um creme cítrico aveludado, que é escandalosamente gostoso!
Como estava preparando a base para as tarteletes, já fiz o recheio. Usei o mesmo suco de tangerina do bolo cremoso; o creme ficou até mais bonito, de uma cor mais viva!
Se quiserem consistência de calda pra jogar em cima é só acrescentar mais suco, ou creme de leite fresco, mas, para decorar o topo, a versão mais encorpada é melhor.
Se não quiserem mais trabalho a opção é polvilhar por cima açúcar de confeiteiro, com raspinhas de limão.
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Então, não vale a pena um pouco de dedicação?

(p.s. Às vezes passo um tempo sem escrever, aqui, embora não me pareça tanto, já que faço atualizações constantes, no meu perfil do Faceboook, mantendo, assim, contato com o mundo virtual. Oportunidade pra refazer o convite de me encontrarem por lá!)

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“Você tem fome de quê?”

“O peixe morre pela boca”.
“Você é o que come”.
“Tem o olho maior que a barriga”.
Clichês, que expressam verdades.
Tendemos a transformar nossa relação natural com a comida nalgo complicado e patológico.
Comer é uma necessidade física; também, um ato social e cultural porém, comumente, deturpado: usa-se como moeda de troca, prêmio ou instrumento de tortura, ou autoflagelação.
Exemplo clássico é o da mãe desesperada, que leva a criança ao médico, porque: “ele não come nada, doutor!” Come chips, biscoito, x-burger, nuggets, bala…mas, insiste a mãe, “não come nada!”
Não precisa ser criança. Nem mãe manipulada.
Essa semana terminava meu almoço* num restaurante self-service, quando sentou à mesa ao lado uma senhora, acompanhada pela família( filhas e genros, deduzi). Tinha idade pra ser minha avó e aparência, não muito saudável( coisa que, só olho clínico explica!). O prato que montou pra si chamou minha atenção: um punhado de batata e banana fritas, macarrão e um pedaço de sardinha. Um prato cara pálida! Pra “compensar” pediu suco. No copo esguichou adoçante. Sim: esguichou, uma vez. Mexeu, provou, esguichou outra vez! “Ah, se fosse minha filha!”, pensei.
Às vezes demora uma vida inteira e, mesmo assim, alguns não ensinam, nem aprendem!
Alguns aprendem que, tomando aquele “shake” milagroso podem emagrecer a tempo de pegar uma praia, no verão! Verão passa e a comida volta a ser um problema. Não deveria.
Nem 8, nem 80! Equilíbrio é o ideal.
“Te fiz comida, velei teu sono
Fui teu amigo, te levei comigo
E me diz: pra mim o que é que ficou?”, cantava o Renato Russo, reconhecendo que, cozinhar também é um ato de carinho. Fazer comida saudável e gostosa, uma arte, que nem todos dominam.
Nigella Lawson é daquelas cozinheiras que amam comer! Tem uma relação voluptuosa com a comida. Imagino os filhinhos dela, reclamando: “Oh, mamãe! Não, não! Não aguentamos mais, toda essa comida deliciosa!” Dá-nos aquela sensação de que é chique comer, até lamber os beiços e os dedos! Eu a perdoo. Eu a admiro. Assim como Jamie Oliver e Rita Lobo, mostra que, cozinhar pode ser simples e prazeroso. Saudável, quando é possível.
Pensando em pequenas decisões que podem fazer grandes diferenças, há algum tempo evito comprar alimentos industrializados( principalmente: refeições congeladas, biscoitos recheados e embutidos). Descobri ser absolutamente possível viver sem isso.
Ultimamente, não tem me sobrado muito tempo pra testar novas receitas. Mas bateu uma vontade de comer uns biscoitos caseiros. Lembrei do cookie triplo de chocolate, da Nigella. Abri o “Nigella Express”, na página 211:
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Era perto da hora do almoço. Não teria muito tempo. Pareceu-me fácil. Bingo! E nessa que eu vou!
A receita pedia um chocolate com recheio de caramelo, o Crunchie, para a cobertura. Pensei numa possível substituição. Comprei Lollo. Testei um pedacinho. Pensei: “que espécie de mãe daria um doce, tão terrivelmente doce quanto este a seu próprio filho?!” Esse chocolate deveria ser proibido pela Anvisa! Deixei a ideia, a do Lollo, de lado. Optei por fazer o caramelo.
Em questão de minutos a massa estava pronta: meus bolinhos cresceram, cresceram, no forno…depois, desceram, desceram fora dele, até formar uma depressão, no centro, ideal para acomodar uma calda aveludada de chocolate com caramelo( e/ou, uma bola de sorvete, como queiram!) e castanhas.
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Quer tentar?:

BOLINHOS EXIBIDOS DE CHOCOLATE
100g de chocolate amargo com 70% de cacau( usei meio amargo)
100g de manteiga amolecida
200g de açúcar
4 ovos
50g de farinha de trigo
1/4 colher (chá) de bicarbonato de sódio
sal

Para a cobertura
150 g de chocolate meio amargo
1 cs de manteiga
2 barras de chocolate Crunchie em pedaços**

**Preparei o caramelo derretendo acúcar, até caramelizar, depois acrescentei creme de leite fresco. Deixei dissolver, mexendo, em fogo baixo. Arrematei, com o chocolate picado e a manteiga.
Não quer mais trabalho?: Use doce de leite( com, ou sem chocolate meio amargo derretido) como cobertura dos bolinhos.
Castanhas, ou pistache picados

Modo de Preparo:
Picar o chocolate em pedaços e derreter com a manteiga no microondas ou banho-maria. Assim que derreter, ponha a vasilha sobre uma superfície fria, para ajudar a esfriar o chocolate.
Bater os ovos e o açúcar até que engrossem e formem um creme pálido. Junte gentilmente a farinha, o bicarbonato de sódio e uma pitada de sal.
Misture o chocolate e então divida a massa entre 8 tigelinhas, ou ramequins.
Levar ao forno preaquecido, 180ºC, por 25 minutos.

Deite a cobertura sobre eles e salpique as castanhas.

Coma com moderação. Lambuze-se e seja feliz, sem!

*Curioso pra saber o que eu comia, no restaurante?: Um prato de salada crua, com bife.

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Uma causa pra chamar de minha!

Em 1955, a prioridade nos assentos dos ônibus do Alabama não era para cadeirantes, mulheres grávidas ou idosos…
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Como fazia rotineiramente depois do trabalho, a costureira Rosa Parks tomou um ônibus, de volta pra casa; devia estar cansada e, como os assentos no fundo já estavam todos ocupados por negros, sentou-se numa das cadeiras reservadas aos brancos, no meio do coletivo.
Mas algo, naquele 1° de dezembro, sairia da rotina: ignorando a ordem do motorista para que cedesse lugar ao passageiro branco que acabara de entrar, permaneceu no lugar escolhido. Quando ele ameaçou chamar a polícia, a resposta dela foi: “Então, prenda-me!”.
O protesto silencioso e solitário, a princípio, rendeu a Rose ficha na polícia e multa, mas foi o estopim de um movimento que cresceu e mudou a história de segregação racial, nos Estados Unidos!
Depois do episódio, milhares de negros resolveram boicotar o sistema de transporte coletivo indo para o trabalho a pé( alguns, cantando, fazendo barulho), o que causou prejuízos financeiros aos empresários locais.
Martin Luther King foi um dos que apoiou a atitude espontânea de Rosa Parks.
Alguns anos depois, em 28 de agosto de 1963, ele liderou a “Grande Marcha sobre Washington por Trabalho e Liberdade”, que reuniu 250.000 pessoas, vindas de todas as partes do país.
Ao contrário do que temia o então presidente Kennedy, a megamanifestação transcorreu em clima pacífico e ajudou a aprovar leis de direitos civis dos negros( inclusive, direito a voto), em curso no Congresso.
“I have a dream…” foi a frase inicial do discurso mais famoso da História, proferido por Luther King nesse dia.
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Há exatos 30 anos, em pleno período de ditadura militar no Brasil, 300.000 reuniram-se na Praça da Sé, em São Paulo, liderados por políticos, artistas e intelectuais, a favor da aprovação da “Emenda Dante de Oliveira”.
O “Movimento Diretas Já” ganhou corpo: um milhão de pessoas, no comício do Rio de Janeiro, 3 meses depois e, novamente em São Paulo, com mais de um milhão.
A onda provocada pela pressão popular não demoveu os deputados de sua posição conservadora: a emenda não foi aprovada. Mas respingou no governo militar: demonstrando mais “sensibilidade”, propôs saída alternativa permitindo a participação de civis, no pleito indireto que elegeu Tancredo Neves( o triste fim dessa história e o início da era Sarney, todos conhecem…).
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Um salto, no tempo e na história:
Estamos em meados de 2013.
Como rastilho de pólvora, o desconhecido Movimento Passe Livre consegue cooptar simpatizantes de todos os tipos, credos e bandeiras, numa série de manifestações que tomaram conta do país.
Ao contrário da mulher, que procura o programa do Ratinho pra fazer teste e provar quem é o pai do filho dela, a manifestação não ficou muito tempo “bastarda”. Logo choveram candidatos a pai, mesmo sem DNA comprovando; muitas ideologias quiseram abraçar a “causa”, mesmo sem saber, ao certo, qual era.
Do ponto de vista do MPL, o movimento foi um sucesso: além de São Paulo, outros estados cancelaram o aumento das passagens de ônibus.
Na pluralidade de demandas, o movimento dissipou-se mais rápido que nuvem de chuva, em dia de verão.
“Exercitamos nossa cidadania”( quem nunca escutou esse chavão?!), mas a pouco, ou nenhum resultado prático  chegamos.
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( Ops! Esqueci da aprovação-relâmpago do projeto “Mais Médicos”, uma vitória do Governo!)
Agora, são os “rolezinhos” que ocupam as manchetes e debates na internet, dando trabalho aos “especialistas” de plantão.
Já quiseram batizar o “rolê” da periferia, nos centros de consumo, como um movimento social de inclusão, ou libertação. MST tirou casquinha. A ministra da Igualdade Racial, Luiza Bairros (PT), tentou a sua: “As manifestações são pacíficas. Os problemas são derivados da reação de pessoas brancas que frequentam esses lugares e se assustam com a presença dos jovens”. Como diria Sartre: “O inferno são os outros”.
Há pouco, novo movimento( financeiro) surgiu, na internet: uma vaquinha, para pagar a multa do mensaleiro Genoino que, recebendo a bagatela de R$23.000 mensais como deputado aposentado, não dispõe de recursos para quitar a dívida “imposta injustamente”.
Não acreditei que fosse vingar mas, essa semana o ex-deputado publicou no seu Twitter:
genoino
Não são os resultados, que comprovam a relevância de uma causa.
A curtíssimo prazo, a resistência de Rosa Parks só lhe trouxe dor de cabeça. Não imaginou que sua antiação provocasse tantas mudanças, a ponto de, em questão de poucos anos, um negro ocupar, não apenas um lugar no ônibus, mas um assento na Casa Branca.
Os acontecimentos descritos aqui não são, necessariamente, uma evolução cronológica( uma involução ideológica, talvez…). Foram escolhidos a esmo, apenas para ilustrar uma ideia muito particular, que surgiu na cabeça desta que lhes escreve, mas não entende muito bem o que anda na cabeça dos outros; o que as move.
Em 45 anos, o mundo mudou muito! Conquistamos espaços, até à Lua!
Estamos ávidos por novas causas a defender!
Hoje em dia, parece que elas é que desejam nos abraçar, adotar, como a um cachorrinho carente. Faltam-nos, entretanto, as boas. Restaram-nos, o que, mesmo?: Os 20 centavos, a multa de Genoíno, os rolezinhos?…
O Ricardo III, de Shakespeare, adaptado aos novos tempos bradaria:
“Uma causa! Uma causa! Meu reino por uma causa!”
A pergunta que me faço, é: estamos mais sensíveis, ou ficaremos mais cínicos, diante da escassez delas( ou, do bom senso)?
Uma música não me sai da cabeça. Dizem que Cartola a compôs para sua enteada, disposta a sair de casa precocemente e, cair na vida. Aconselhou-a, mostrando um mundo nada colorido e a dura realidade que a esperava:
“…Ouça-me bem, amor
Preste atenção, o mundo é um moinho
Vai triturar teus sonhos, tão mesquinho
Vai reduzir as ilusões a pó…”

Encerra, com um vaticínio sobre nossos dias(?!):
“De cada amor tu herdarás só o cinismo…”

(Nem tudo está perdido. Até “maus agouros” podem ser poéticos):

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Antes que as luzes se apaguem…

Quer um plano simples, para o novo ano:
Tire um tempo pra você.
Pode até não ser um ano sabático. Podem não ser meses, dias, mas devem ser horas, minutos dedicados a fazer algo que fuja à sua rotina e que, realmente goste. Ou, que aprenda a gostar: um sabor a experimentar, um tipo de música que não está acostumado a ouvir, um caminho nunca percorrido, um novo penteado, ou roupa( por que não, lingerie?…), alguém com quem ainda não conversou, talvez, a hora de começar a praticar algum esporte…
Hoje eu me dei esse tempo, umas horas sabáticas. Com a licença da família viajei pra cumprir um sonho antigo: correr a prova mais tradicional do país. As experiências que vêm, como bônus, depende do quanto a gente se dispõe.
Acordei, na hora que o corpo achou que devia. Não contei calorias, no café da manhã, aliás, tomei café! Andei, sem rumo e sem contar o tempo, pela avenida mais famosa de São Paulo. Entrei numa grande livraria e, mais olhei, ouvi do que comprei. Comi num lugar, que nem sei o nome, refeição completa, digna de rainha: entrada de salada de folhas verdes salpicada de gergelim e granola salgada, cheeseburguer em bagel integral com linhaça e a sobremesa…Ah, a sobremesa!: Delicioso bolo de maçã que derretia na boca, de tão macio, com calda quente de açúcar mascavo e uma bola de sorvete de canela…Depois assisti a um filme. Nada digestivo mas, encantador!
Não precisei rodar o mundo. Encontrei tantos prazeres, a poucas quadras de distância um do outro. Foi uma questão de, caminhar e aproveitar as chances.
Prestenção, em 2014!
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A gente continua por aqui. ( E, no Facebook! Pode me procurar, que lá me encontra!)

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“O dente mole de todos nós”

A gente se apega a tanta coisa que considera importante, indispensável, só por medo de  mudar.
Silmara Franco* tirou as palavras da minha boca. Fiquei sem, mas às vezes é preciso calar e pensar…

O dente mole de todos nós

Nina passou semanas com um dente-de-leite mole. Preso apenas por um fiapo, num cai-não-cai de dar aflição. Mas ela se recusava a deixá-lo ir. Não permitia que ninguém chegasse perto do dente moribundo. Enfrentou situações complicadas. O dente mole a atrapalhava para mastigar, beber, tomar sorvete, falar. Sem abrir mão dele, seu lema parecia ser: “Mais vale um dente velho, mole e conhecido que uma “janelinha” aberta para o (dente) novo e desconhecido.

Eu, encarnando a mãe-dentista, tentava persuadi-la, “Não vai doer nada”, “Vou bem devagar”. Nem. Ela travava os lábios, fazendo a guarda do dente frouxo.

Vaidade? Talvez. A Barbie nunca ficou banguela na vida.

Medo? Sim. De um possível sofrimento, de uma eventual dor. Medo do novo, enfim. Ou nem tanto, posto que não era o primeiro dente a cair. Mas o medo velhaco, às vezes, se traveste de novidade. Só para assustar quem não arrisca. Buuu.

***

Todo mundo tem um “dente mole” na vida. Ou mais de um. Vai dizer que não? Aquele incômodo – físico, mental, material – com o qual se aprendeu, ou se acostumou, a conviver. Aquele, tão de casa. Aquele, que passou da hora de ser resolvido. Aquele, que nem precisava mais estar ali, mas está. Aquele, que simplesmente vai ficando.

O MBA medíocre e sem sentido. O trabalho tedioso e o chefe massacrante. O namorado ogro e babaca. O apartamento mal iluminado e estreito, onde não cabe nem um sonho. A rede social viciante, sugadora de tempo e energia. A operadora de celular que age de má fé e a loja que atende mal. O excesso de peso e a falta de dinheiro. A dor nas costas, a enxaqueca, a alergia.

Tem pessoas que, tão logo a coisa fique antiga ou desconfortável, como um simbólico dente que começa a amolecer e implorar pelo caminho natural da renovação, o extraem, sem dó, nem piedade. Livram-se num piscar de olhos, sem dramas, sem delongas, sem chorumela. Xô!

E tem as que mantêm seus “dentes moles” ad aeternum. Numa espécie de validação do hábito, de apego à rotina, de receio do que vem depois. Ainda que seja um estorvo.

***

Acabou que o dente da Nina se foi. Estavam unidos por um breve fio de pensamento. Ela deixou, enfim, que eu o tocasse. O suficiente para que o pedaço de osso sem vida, ploc!, saísse na minha mão. Ela abriu um olhão deste tamanho, aliviada. Ela, que já tem outras janelinhas, agora exibe um sorriso-varanda.

***

Anda. Arranca você também o seu “dente mole”. Quem sabe a Fada, não a do Dente, mas a da Atitude, passe pela sua casa à noite e deixe um presente sob seu travesseiro.

( *Silmara Franco é paulistana, publicitária e escritora, autora do Fio da Meada.)

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