…Chamado Pretinho: na verdade, apenas um apelido carinhoso. Seu nome oficial, mesmo, era Tonico.
Tonico, porque fazia dupla com o irmão de sangue e travessuras, o inseparável Tinoco.
Era o mais forte, de uma ninhada de 4 tigrinhos cinzas.
Mesmo não planejado( e isso acontece nas melhores famílias…), aquele quádruplo nascimento foi muito festejado.
Mamãe gata, apesar de precoce e inexperiente, acertadamente escolheu o sótão como o seguro ninho dos filhotes.
À medida que cresciam, permitia-lhes maior liberdade. Aproveitavam-na, explorando cada cantinho da casa.
Depois, o quintal…
O único a impor-lhes algum limite era o felino mais antigo na família, um tigrão laranja. Logo aprenderam que, àquele senhor gato deviam respeito: “questão de hierarquia”, mamãe ensinou-lhes.
Pretinho tinha uma pelagem escura, farta e brilhante. Podia virar um modelo felino! De todos era o mais dócil e carinhoso. Realmente ele apreciava a companhia de humanos: enroscava-se-lhes nas pernas e miava dengosamente, numa estratégia infalível para chamar-lhes a atenção!
Como todo gatinho, adorava brincar de esconde-esconde!
Cumpria uma agenda diária cheia de atividades, como: subir em árvores…
À noite, pulava no sofá e aninhava-se ao lado da sua humana preferida.
Logo pela manhã, alinhava-se com os demais gatos da casa( 4, ao todo!) ao pé da cama dos preguiçosos humanos, esperando pelo lauto café da manhã: um pote, cheio de ração. De sobremesa, cafuné na cabeça, um carinho na barriga e: “mundão, aí vou eu!”
Mas, numa fria manhã de primavera, tal ritual matinal não se repetiu:
Pretinho não veio fazer número, entre os gatos da casa, esperando ansiosamente pelo pote cheio de ração.
Nem aguentou, pacientemente, a sessão de cafuné na cabeça e carinho na barriga impingida pelos humanos que lhe serviam.
Nem correu, apressado, quintal afora, atrás da primeira lagartixa azarada que lhe cruzasse o caminho.
Em vez disso foi encontrado, naquela fatídica manhã, deitado ao lado do carro da sua humana preferida. Parecia ainda dormir tranquilamente, mas, ei-lo: inerte, frio, sem reação…
Não sabemos como morreu: se de morte matada, ou morte morrida…
Mas, sabemos como viveu: foi feliz, fez-nos felizes!
Uma curta vida, apenas 11 meses, porém, muito mais profícua que a vida de muito bípede por aí…
O que nos resta?
Guardá-lo na memória, contar essa história…
Para os outros, somente mais um gatinho. Para nós, o inesquecível Pretinho…
Era uma vez um gatinho…




















































