Sobre a maternidade


A artista plástica, escritora, filósofa, professora, conferencista…Márcia Tiburi( também atuou como debatedora, no programa do semanal do GNT, Saia Justa) concedeu entrevista à Anelise Csapo, do blog Manhê…abaixa o som!, e a publicou, integralmente e sem edição, em seu próprio blog “Filosofia Cinza“.

Você pode não concordar, assim como eu, com todas a ideias da filósofa mas, a intenção é provocar e fazer pensar.
Compartilhei no Facebook e aqui, também.
A seguir, Márcia, sem cortes:

Manifesto breve de um movimento sutil

MLM precisa continuar!

E foi com essa recente e necessária afirmação acima, que a filósofa, professora, escritora, mãe, feminista e livre pensadora (não necessariamente nessa ordem e muito menos categoricamente), Marcia Tiburi, criou o Movimento pela Libertação das Mães – Manifesto Breve de um Movimento Sutil – ao qual, o “manhê” destrincha numa entrevista de cair de queixo (e eu nem sei se essa expressão existe)!

Uma reflexão nada sutil partindo do ponto de vista da maternidade, onde nada é breve, efêmero ou superficial, mas insistimos socialmente em tratar a questão sempre em tons do nada bom e velho mais do mesmo!

Eu quero parar prá pensar mais! Você também vem nessa?

Então reflete que nem espelho:

Você dá as mãos à Elisabeth Badinter quando ela diz que a Maternidade é um mito?

Antes de mais nada, deixe-me comentar como é divertido o seu jeito de perguntar. Agora vamos à resposta à pergunta, em si mesmo, libertadora. A maternidade é um mito? Sim, podemos dizer que em alguns aspectos, a maternidade é um mito. Mas o é, sobretudo, por ser uma peculiar condição política. Uma condição em que a figura denominada mãe ocupa um lugar especial em um contexto social. Só que este lugar guarda uma contradição, mais ainda, guarda um paradoxo. Aquele que implica que a maternidade é a política da dominação das mulheres por meio de seu culto. De uma lado, temos o posicionamento da mãe como a “rainha” do lar. De outro ela é uma espécie de escrava. As de antigamente, quando não eram ricas, deviam cuidar da casa e dos filhos, as de hoje tem tripla ou quádrupla jornada de trabalho. Sem falar no fato de que a mãe é sempre a culpada de tudo do que ocorre ao filho. Se um filho tiver sucesso na vida, dificilmente lembrarão da mãe. Se um filho cair no crime ou tiver qualquer outro tipo de problema, a culpa será da mãe. O que temos que nos perguntar é o que esta figura denominada mãe ganha aceitando a mística da “rainha” do lar? Penso que as mães são eleitas (e elas caem nisso tão facilmente) para um lugar que é de bode expiatório, sagradas e profanadas ao mesmo tempo. Tudo o que é sagrado pode ser sacrificado. É isso o que acontece com as mães. Elas caem facilmente nesta armadilha deste lugar especial, quando na verdade, são as eleitas para um grande sacrifício. Vivem num limbo, num estranho estado de exceção, adoradas desde que façam tudo certinho, execradas desde que cometam qualquer tipo de “erro” em relação ao que se esperava delas, que não correspondam ao padrão, à regra, à verdadeira ordem que é a maternidade. A maternidade pode ser muito bacana, mas é muito mais fácil que seja para as mulheres uma tirania que não deixa para elas outras escolhas e possibilidades. Não desejo a maternidade para ninguém que não conheça suas armadilhas. E quase ninguém conhece essas armadilhas. Quem quiser ser mãe precisa começar combatendo o mito da maternidade.

O que poderemos pensar pelo esclarecimento e desconstrução da maternidade? 

Mostrar que se a maternidade não é ditadura, ela tem que ser coletiva. Se olharmos para a maternidade como algo que está além da neurose, como algo prático, ela é necessariamente um trabalho de várias pessoas. E isso porque ela é uma condição de responsabilidade para com um outro. Ninguém cria um filho sozinho. Antigamente haviam amas de leite. Hoje quem pode pagar tem uma babá, um berçário, creche ou escolinha onde deixar o filho. Cuidar o tempo todo de uma criança pode ser um inferno para uma pessoa que não tenha muito desejo de fazer isso. Aliás, as pessoas chamam de “mãe desnaturada” aquela mulher que pariu um filho e não conseguiu desejar a maternidade. Como se a maternidade (na espécie humana) fosse simplesmente algo natural e não um dado da cultura. Verdade é que podemos falar de maternidade como uma condição subjetiva. Mãe seria aquela pessoa que teria a capacidade de cuidar de um outro. Acontece que o fato de ser mulher e de ter parido um bebê não é a condição para a maternidade se a penarmos nestes termos. Nem todo mundo consegue isso, nem todo mundo gosta disso. Este fato deve ser respeitado. As mulheres bem que poderiam se libertar desse peso. Parir um bebê é uma coisa, ser mãe de uma pessoa é outra. A meu ver, ninguém deveria sentir-se obrigada a ser mãe nem depois que a pessoa nascesse. Inclusive, digo isso pensando que você pode ser alguém legal com a pessoa que nasceu de você, sem precisar encaixar-se no estereótipo da boa mãe. Além disso, esse pensamento melhoraria a questão da adoção entre nós. Do mesmo modo, aquelas pessoas que perguntam “quando você terá um filho?” deveriam calar. Esta pergunta é performática, ela surge como uma cobrança e cria uma dívida. “Toma que o filho é teu” é algo que as mulheres deveriam dizer a qualquer um que as colocasse nessa situação em uma sociedade que mistifica a maternidade, pressiona as mulheres para que sejam mães e ao mesmo tempo proíbe o aborto.

Por que o peso pela criação e educação dos filhos recai tão diretamente sobre a mulher?

Como eu disse, porque as mulheres são eleitas para este papel da procriação que é um papel questionável do ponto de vista dos valores políticos. Você acha que as mulheres teriam tantos filhos se pudessem não ter? Muitas não teriam nenhum. É verdade que outras teriam por motivos muito próprios. Mas creio que estas seriam as que não tem que trabalhar, porque tem maridos muito ricos (elas ainda existem?) e que não tem problemas físicos com a gravidez e a amamentação e tudo o que vem depois. É certo que a sustentação da maternidade historicamente precisou de muito bombardeio ideológico da sociedade patriarcal, da qual as próprias mulheres fizeram parte. E, infelizmente, ainda fazem.

Como discutir, socialmente, o direito ao não desejo de maternar?

Isso também tem que ser desmistificado. Uma mulher quando pare pode descobrir que gosta do filho ou não gosta. As mulheres, na maior parte não se colocam esta questão porque elas mesmas introjetaram os discurso que as oprime. Uma mulher até pode vir a gostar do filho depois do parto, mas não quer dizer que tenha gostado de pari-lo ou que tenha se encantado com sua condição de bebê. Não podemos mais naturalizar isso. Naturalizar é mistificar. Pois a condição da mulher que pariu sofre muitas mediações. Ela descobre que a coisa de cuidar lhe interessa ou não, que ela tem condições ou não. Na verdade, o termo exato não é bem esse. Não se trata exatamente de descobrir isso ou aquilo, porque isso não vem à consciência. Muitas mulheres ficam se culpando porque não levam jeito para a maternidade. Ninguém leva, me desculpem, a não ser que comecemos a teorizar sobre mães heroínas, super mulheres e super mães. Isso não nos ajuda a desmistificar a questão. As mulheres que parem crianças precisam de ajuda, porque não é algo nada fácil em nossas vidas complexas. Quando há ajuda tudo é mais fácil. Além disso, gostaria de dizer que não há nada de anormal em ficar deprimida após o parto. Dizemos que isso é anormal por conta do padrão da maternidade defendido em nossa cultura. A maternidade não é tudo na vida, não é a realização do ser humano denominado “mulher”. Pode ser momentaneamente, pode ser durante um tempo, mas um filho não é em si mesmo o sentido da vida de uma mulher. Ele é uma grande responsabilidade, uma terrível e assustadora responsabilidade que precisa ser partilhada. Do contrário, não há porque tê-lo. A responsabilidade é tão grande que o patriarcado inventou o mito da maternidade para jogar isso tudo sobre a figura denominada mãe. E ela, como vítima culpada, ou seja, como otária, deveria aceitar. Agora, é claro que a sociedade, cínica em relação a este assunto, afirmará sempre que quem tem filho que trate de criá-lo. As coisas são assim, mas isso não quer dizer que sejam justas. Se houvesse justiça neste campo, as mulheres poderiam escolher com mais tranquilidade o aborto, não ter filhos, viver sem filhos.

Haveria alguma maneira de colocar o assunto em pauta e efetivamente pararmos de apontar o dedo prás mães que não querem ou não podem cumprir essa “função”?

Acho que a desmistificação do aborto é uma saída. Além da crescente manifestação de mulheres que não desejam ter filhos, mesmo quando casadas. Como já acontece em vários países e aqui no Brasil também.

Quantos anos tem a sua filha e qual é sua relação com ela? 

A minha filha tem 15 anos. Eu a tive aos 27 anos, num momento em que me deu uma vontade imensa de ter uma filha. Naquela época eu era muito, mas muito ingênua. Muito devotada a todas as causas auto-sacrificiais. Meu feminismo ainda não tinha acontecido. Vejo minha filha como uma pessoa linda, maravilhosa. Ela é, sem dúvida, pessoa que mais amo na vida. Sorte que a tive naquela época, pois hoje, depois de perceber muitas implicações da procriação, seria difícil fazer esta escolha. O que mais me atinge hoje em dia é o tamanho da responsabilidade. É a intensidade da responsabilidade. Naquela época eu tive ajuda de muita gente. Minhas irmãs, minha mãe, as pessoas que pude pagar. Como separei do pai dela muito cedo, ele quase não ajudou, como até hoje, praticamente não tem participação em suas questões de ordem subjetiva e prática. Para mim isso não é um problema. Ao contrário. Eu me sinto mãe de muita gente, no sentido de que tenho o gosto de proteger e ajudar várias pessoas. E acho que, neste sentido, a maternidade é boa, desde que ela não seja jogada e imposta às mulheres. E é neste sentido que ela pode também ser praticada pelos homens. Podemos ter filhos adotivos, diversos, vários. A maternidade, neste caso, é uma subjetividade de acolhida que não precisa ter relação com um corpo capaz de parir.

Você acredita que haja diferença em educar meninos e meninas? Em qual aspecto o gênero influencia na criação dos filhos? 

As pessoas fazem esta diferença. Educar está intimamente atrelado ao gênero, só que o gênero é histórico e, por isso mesmo, limitado. Basta você entrar numa loja de brinquedos e ver a divisão dos sexos. Deste modo, a educação que os pais dão aos filhos também é limitada. Eu, por exemplo, não educo minha filha para ser mulher. Nem para ser homem. Não gosto aliás, da ideologia do sexo binário e heterossexual. Educo a minha filha na convivência, com a mesma sinceridade que tenho com qualquer outra pessoa. Eu falo com ela como falaria com qualquer um e falo com qualquer um como se fosse meu filho, com a mesma sinceridade. Pelo menos é o que eu tento. Espero que minha filha seja sempre ela mesma como já é e sempre foi desde pequena. Ao mesmo tempo, lembro da minha educação. Nem minha mãe, meu pai e meus avós e parentes e professores, me educaram para assumir papéis ou agradar alguém. Não lembro de ter sido conduzida a isso ou aquilo. Eu nunca fui ensinada diretamente a ser mulher, mãe ou coisa parecida. Percebi o quanto minha mãe sofreu sendo mãe e esposa. Ela literalmente estragou a sua vida. E ela mesma acha isso. Podia ser diferente. Mas naquela época, naquela cidade, com aquela cultura… ela, como muitas mulheres neste Brasil, estava numa situação sem saída.

Como criar filhas feministas, conscientes e ruidosas?

Falando tudo. Sendo sincera. E, sobretudo, sendo livre para pensar, dizer e fazer. Penso que o que damos uns aos outros diariamente é a nossa coerência ou incoerência. Os filhos percebem e sofrem ou alegram-se com a liberdade de ser e pensar que podem também ter.

Qual sua maior dificuldade como mãe?

Nenhuma. Eu sou uma mãe no sentido bom, não sou culpada, sou solidária e responsável com a minha filha, os filhos dos outros, os que não tem pais, os que não tem filhos. Enfim, não vejo nada demais em ser mãe, nem para pior, nem para melhor. E acho que este modo que colocar a questão é bom pra todo mundo.

Tenho a impressão de que a maioria das mães quer falar de maternidade no âmbito funcional, sobre partos, amamentação, chupetas, o como fazer e o o quê fazer. Estamos na superfície das questões sobre um relacionamento (mães e filhos) que requer uma reflexão mais política (não num sentido partidário) e sociológica? Por que ficamos tão neuróticas procurando respostas sobre COMO AGIR ao invés de pensar na maternidade em si?

É que para a maior parte das mulheres o filho é um brinquedo e elas estão brincando de casinha. Um dia recebi uma visita em minha casa. A moça disse que queria engravidar porque estava querendo decorar um quarto de bebê e se preocupava com quem cuidaria dela quando fosse velha. Eu, sem querer ser grosseria perguntei a ela se ela tinha certeza de que seu filho cuidaria dela quando ela envelhecesse… hoje eu diria: quem garante que vamos envelhecer? Recomendo a todos que tratam os filhos como brinquedos ou coisas leiam o livro de Julio Cabrera: “Por que te amo não nascerás”. Um livro sobre a manipulação da procriação e a falta de ética com aqueles que vão nascer.

Sou mãe solteira e levanto a bandeira pela causa. Não consigo acreditar que minha filha TENHA QUE TER um modelo masculino em sua criação, necessariamente. Principalmente um modelo com o qual discordo pessoalmente em questões, inclusive, morais. O que eu gostaria de saber é qual a sua consideração sobre esse assunto de modelo masculino e feminino e também sobre a educação de crianças por casais homossexuais.

Eu acho que isso não é uma questão. Eu lembro de que antigamente as pessoas se referiam assim às mulheres, mas hoje? Depois de toda a libertação que vivemos? Quem ainda vai se referir a uma mulher como “mãe solteira”? Não falamos em “pais solteiros”. Nem em “mães divorciadas”. Acho que estas designações são frutos de preconceitos que recaem sobre mulheres. Mas se é sua bandeira tomara que seja como afirmação e não como falta de um pai que tornaria esta mãe não solteira. Como já falei a binariedade sexual bem como o paradigma da heterossexualidade estão cada vez mais ultrapassados. Não vejo como educar afirmando isso tudo. A única saída é a desconstrução desse paradigma.

Qual seu maior medo em relação à mulher e à maternidade?

Medo? Agora me pergunto, será que tenho um? Talvez, que as mulheres banquem o machismo que as oprime como o fazem em muitos casos. Medo em relação à maternidade? Que ela continue sendo uma armadilha.

Quais mães você destacaria como modelos de sua admiração?

Não tenho admiração, tenho mesmo é pena. Pena da minha mãe e das minhas avós que não puderam ser outra coisa na vida. A admiração só reforça a mística materna e o mito da maternidade.

O que perguntaria para sua mãe? E para sua filha?

Para minha mãe: por que vc não nos abandonou?
Para minha filha eu não perguntaria nada. Mas eu já pedi desculpas por tê-la colocado neste mundo. Ela, gentil, me respondeu” relaxa, mãe, eu to gostando”.

Como o homem pode (e até deve) participar da criação dos filhos?

Eu realmente acho que essa questão não tem outro sentido senão este: um homem pode ser uma mãe!!!

Por que temos tanto medo de errar?

Qualquer pessoa sensata e que não sofra de onipotência tem medo de errar. É um medo que não é de todo ruim…

Essa entrevista não teve qualquer edição à pedidos da entrevistada – o que fez todo sentido dentro de qualquer coerência possível e imaginável!

Sinceridade conta!

E durma com um barulho desses você também!

(Também compartilhado no Facebook, pela amiga Silmara Franco, artigo pra ser lido logo após essa entrevista: “Ter filhos traz mesmo felicidade?)

Boa leitura!
Boa semana!

 

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“O Poder do Perdão”

Preparando-me para uma palestra na igreja encontrei vários textos sobre o perdão, na sua maioria, rasos. Destrinchar o tema é como atirar uma pedra num poço profundo…
Lembrei da recente passagem da vietnamita Kim Phúc, mais conhecida como a “menina do napalm”, pelo Brasil.

A imagem eloquente, que ajudou a dar fim numa guerra, ganhou o mundo e modificou profundamente o destino daquela menina: hoje, com 49 anos, Kim mora com o marido e filhos em Toronto, Canadá. Em 1997 tornou-se embaixadora da boa vontade da Unesco e criou uma fundação para ajudar outras crianças vítimas de guerras.
Em entrevista ao Fantástico ela disse ter perdoado o capitão americano que ordenou o ataque à sua aldeia.
Atitude corajosa mas, difícil. Mais fácil é para nós falar que, fazer como Kim, praticar.

Assistindo ao Jornal Hoje vi a notícia chocante de um pai que, esquecendo o filho de 10 meses dentro do carro, encontrou-o já sem vida, asfixiado.
Coloquei-me no lugar dele por um instante e, não foi nada confortável.
Custamos a perdoar os outros; também, a nós mesmos.
A falta de perdão, certamente, fomenta muitas doenças psicológicas e até, físicas.

Encontrei um texto, na Seleções Readers Digest, que gostaria de dividir com vocês:
O poder do perdão
Perdão: os benefícios que a resiliência traz para nossa saúde física e mental
Por Ágata Székely

Quando me sugeriram o tema deste artigo, pensei: E se fizéssemos um sobre “O valor da vingança”? Eu me lembraria de mais exemplos…

Como canta Sir Elton John, o perdão parece ser um dos conceitos mais difíceis de se pôr em prática. Além disso, pelo que consegui investigar, é uma palavra mal-entendida.

Muitas vezes não perdoamos porque acreditamos que o perdão contribui para a injustiça. Quem causa dano não merece perdão, pensamos. Se perdoarmos, voltarão a nos ferir, vão se aproveitar da “nossa nobreza”. Às vezes, o desgosto com os prejuízos e as ofensas não se reduz nem com o passar do tempo. Podemos ficar enfurecidos com nossos pais pelos erros cometidos durante a nossa infância, com quem já abusou da nossa boa-fé, com aquela cunhada que nos chamou de “gorda” (ou assim deu a entender) num Natal há dez anos.

Não perdoamos ninguém. Nem sequer a nós mesmos.

Guardamos a ferida dentro da alma como um tesouro precioso, para tirá-la da memória de vez em quando e fitá-la, absortos, como se fosse um álbum de fotografias, uma joia de vitrine. Nesse momento, passamos outra vez pela mente o filme triste do episódio imperdoável e o revivemos. O desgosto com o passado se alimenta de grandes porções do presente. Eis aí o rancor.

Mas, na verdade…

… por que valeria a pena perdoar?

Só por uma questão religiosa, por puro altruísmo? Em um mundo tão absolutamente cruel em tantas ocasiões, há alguma questão que seja impossível de desculpar?

As informações a respeito disso são ricas e variadas. Os especialistas se dedicaram a estudar cientificamente o perdão e descobriram alguns fatos bastante surpreendentes. 

Para conhecer e dominar o perdão, primeiro temos de saber de que “matéria” ele é composto, o que é verdadeiramente e o que não faz parte desse sentimento transformador.

Do que é feito o perdão

Fred Luskin é conselheiro, psicólogo da saúde e diretor do Projeto do Perdão, da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos. Em seu guia O poder do perdão, que reúne casos e estudos tirados desse programa, Luskin explica que os problemas não solucionados são como aviões que voam dias e semanas sem parar e sem pousar, consumindo recursos que podem ser necessários em caso de emergência. “Os aviões do rancor se convertem em fonte de estresse e, muitas vezes, o resultado é um choque”, afirma Luskin. “Perdoar é a tranquilidade que se sente quando os aviões pousam.”

O especialista explica que perdão não é aceitar a crueldade, esquecer que algo doloroso aconteceu nem aceitar o mau comportamento. Também não significa reconciliar-se com o agressor. “O perdão é para nós, não para quem nos ofendeu”, diz Luskin. “Aprendemos a perdoar como aprendemos a chutar uma bola. Minha pesquisa sobre o perdão demonstra que todos têm a capacidade de se incomodar, mas a usam sabiamente. Não desperdiçam energia valiosa enredando-se em fúria e dor quando nada se pode fazer. Ao perdoar, admitimos que nada se pode fazer pelo passado, e isso permite que nos libertemos dele. Perdoar ajuda os aviões a pousar para que sejam feitos os ajustes necessários.”

Segundo Luskin, o perdão serve para relaxarmos e não significa que o agressor “se dê bem”, nem que aceitamos algo injusto. Ao contrário, significa não sofrer eternamente pela ofensa ou pela agressão.

Mas, e se a agressão tiver sido grave demais?

A lição de Kim

Era 8 de novembro de 1972, durante a guerra do Vietnã. A família de Kim Phuc tentou proteger-se num templo próximo quando ouviu o barulho dos aviões americanos. Mas o refúgio não foi suficiente contra as bombas de napalm que caíam do céu, e tudo explodiu em chamas. 

Nick Ut, correspondente da agência de notícias Associated Press, tirou nesse momento a foto tristemente famosa que percorreu o mundo todo. Ali estava Kim, aos 9 anos, nua e em prantos, com grande parte do corpo coberta de queimaduras de terceiro grau. Apesar disso, a menina sobreviveu. Passou por 17 cirurgias e, depois de ser usada durante anos como símbolo da resistência do seu país, pediu asilo no Canadá. Mas o notável de sua história é que Kim perdoou o capitão John Plummer, oficial que ordenou o bombardeio de sua aldeia.

Em El don de arder [O dom de queimar], Kim conta à jornalista Ima Sanchís que, ao encontrar-se com o militar num evento, não o esbofeteou; preferiu abraçá-lo: “A guerra faz com que todos sejamos vítimas. Eu, quando menina, fui vítima, mas ele, que fazia o seu trabalho de soldado, também foi. Tenho dores físicas, mas ele tem dores emocionais, que são piores do que as minhas.” 

Kim capitalizou suas antigas feridas de forma positiva. Hoje, viaja pelo mundo em campanha pela paz e é presidente da Fundação Kim Internacional, dedicada a dar assistência a vítimas de conflitos armados.

Mas qual o segredo para agir com tanta integridade moral? 

Resiliência, a palavra mágica

Boris Cyrulnik sofreu com a morte dos pais num campo de concentração nazista, do qual conseguiu fugir quando tinha apenas 6 anos. Depois que a guerra acabou, ele ficou vagando de um campo a outro até chegar a uma fazenda controlada por uma instituição de caridade. Durante sua permanência, os vizinhos lhe ensinaram o amor pela vida e pela literatura. Mais tarde, ele decidiu ser médico e estudar os mecanismos da sobrevivência. Hoje é psiquiatra, neurologista, escritor, psicanalista e especialista em resiliência, um conceito psicológico que define a capacidade de superar as adversidades e ser forte durante as crises. “A resiliência é o antidestino”, diz Boris. “Dá trabalho, não é fácil, mas é um espaço de liberdade interior que permite não se submeter às feridas.”

Quem consegue superar tragédias ou sair de períodos difíceis de dor emocional pode abandonar o papel de vítima e começar uma vida nova, como Boris e Kim. Você já se perguntou por que algumas pessoas, oprimidas pelo desamparo na infância, caem na delinquência e se tornam agentes de agressão, ao passo que outras se recuperam, tornam-se pessoas de bem e são felizes, fortes, prósperas e bem-sucedidas? A resposta é a resiliência e, para consegui-la, o perdão é um dos ingredientes necessários. 

De acordo com a psicoterapeuta Rosa Argentina Rivas Lacayo, presidente da Associação Latino-americana de Desenvolvimento Humano e da Associação de Orientação Holística do México, “sem perdão não podemos crescer nem ficar mais fortes com a adversidade. Também não conseguiremos ser flexíveis e resilientes. Algumas pessoas ‘cozinham’ a dor em fogo brando para mostrar ao mundo como foram maltratadas, e não querem perceber que assim se prejudicam. Ao mundo, não interessa o nosso passado, só o que somos capazes de fazer e dar agora. Quando nos apegamos à dor antiga, a autocomiseração embota a capacidade de dar e, quando assumimos o papel de mártires, ficamos à espera de que alguém resolva milagrosamente a nossa vida.”

Para Rivas Lacayo, o perdão nos aju­da a reconhecer e admitir que somos frágeis e que não precisamos esconder essa fragilidade. Quando nos tornamos conscientes dos nossos limites, evitamos que a experiência se repita. 

Não é pouco, porém há mais: e se houvesse…

…provas científicas da utilidade do perdão?

O perdão, proteção contra as doenças

Além da saúde espiritual, existem várias provas de que deixar para trás a hostilidade protege a saúde física. E não é metáfora nem “modo de dizer”. Um estudo chamado Perdão e Saúde Física, realizado pela Universidade do Wisconsin, mostrou que aprender a perdoar pode ajudar indivíduos de meia-idade a evitar doenças cardíacas. Nessa pesquisa, foi descoberto que, quanto maior a capacidade de perdoar, menos problemas nas artérias coronárias surgem no decorrer da vida. Por outro lado, quanto menor a capacidade de perdoar, mais frequentes os episódios de doenças cardiovasculares.

Em relação à recordação das feridas, eis aqui outra informação importante: uma pesquisa indicou que pensar cinco minutos em algo que provoca agitação, raiva ou desgosto pode diminuir a variabilidade da frequência cardíaca (VFC), parâmetro da saúde do sistema nervoso que mostra a flexibilidade do sistema cardiovascular. 

Para enfrentar e reagir ao estresse em boas condições, o coração precisa de flexibilidade. O mesmo estudo mostrou que esses cinco minutos de pensamento negativo desaceleram a reação do sistema imunológico, que defende o organismo.

Os benefícios do perdão (tanto os que protegem o corpo quanto os que aliviam e “limpam” a alma) não se aplicam só aos outros, mas também a n&ooacute;s mesmos, quando, apesar dos erros e culpas, somos capazes de nos perdoar e deixar de nos sentir merecedores de castigo. Perdoar não é esquecer nem persistir no erro. É começar de novo, com a experiência adquirida, sem os rancores a sobrevoar e confundir as possibilidades do presente.

Assim como o amor, o perdão não é al­go que se “dê” ao outro, mas um pre­sente vital que damos a nós mesmos.

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Mudanças à vista…

A notícia foi discretamente publicada no blog do Centro de Estudos Borjanos, início de agosto, mas em pouco tempo estourou na mídia e redes sociais do mundo inteiro: a “restauração’ feita por uma octagenária estragara o afresco “Ecce Homo”, pintado no século XIX por Elías Garcia Martinez, numa das paredes do Santuário da Misericórdia de Borja, Espanha.
Idosa tenta recuperar pintura do século 19 e acaba estragando a tela. Na montagem, é possível ver a pintura em boas condições (esq.), a obra danificada pelo tempo (meio), e, por fim, a "restauração" feita pela idosa (dir.)

Na montagem é possível ver a pintura em boas condições (esq.), a obra danificada pelo tempo (meio) e, por fim, a danificada pelas mãos da idosa de Borja(dir.). (Mais imagens e informações a respeito, aqui.)
Pode-se constatar que nem toda mudança é aceita, compreendida, bem-vinda, ainda que,  movida por boas intenções.
A mudança desejada, nesse caso específico: restaurar a pintura ao seu estado original, dessa vez, com a intervenção de especialistas no assunto.
Mas, tirando-se o patrimônio histórico, nada tem a obrigação de permanecer como está.
Relembrando post anterior em que citei um artigo do Eugênio Mussak “É errando que se aprende“: “a humanidade evoluiu, antes mesmo da ciência existir, a partir das tentativas, errando muito e acertando às vezes.”
Imagem do afresco "restaurado" por idosa na Espanha, ganha inúmeras versões na internet
A velhinha de Borja com certeza aprendeu! Pelo menos, como não restaurar uma pintura!
No entanto, tendemos a ser refratários a mudanças pelo simples fato de assumir riscos, ao tentar empreendê-las.
Temendo insucesso, frustração, muitas vezes optamos pela segurança do que já é conhecido e, acomodamo-nos.

Quando comecei o blog( há quase 4 anos) estava num período de mudanças, na vida pessoal e profissional. Minha casa pedia transformações urgentes e dei ouvidos porque havia um clamor íntimo, muito mais eloquente! Então, coloquei a mão na massa, nas tintas, pincéis, furadeira, martelo…pesquisei na internet ideias que me inspirassem e, dentro do que me foi possível fazer sozinha, fiz.
Mas na vida, assim como nos games, as fases mudam. Às vezes, mudam-nos.
Nesse período de tempo adotei gatos, perdi gatos, larguei um emprego, engordei, meu filho mais velho entrou na faculdade, o do meio viajou para a Alemanha, o mais novo tá virando um rapaz( ontem, completou 13 anos!). O do meio, que ficaria fora apenas 1 ano, agora já pensa em estender os estudos por lá, talvez, por mais 3 anos! Tantas reviravoltas que, ficamos até atordoados! Mas nesse caso “proteção desprotege”, já dizia Erasmo Carlos:
“Ei, mãe, não sou mais menino
Não é justo que também queira parir meu destino
Você já fez a sua parte me pondo no mundo
Que agora é meu dono, mãe…”
O jeito é adaptar-nos. Tentando, mesmo que, falhando às vezes.

Havia reformado a casa; algumas coisas, pelo menos. Chegara a hora de me reformar( e isso parece até slogan de propaganda política)!
“Toda reforma interior e toda mudança para melhor dependem exclusivamente da aplicação do nosso próprio esforço.” (Immanuel Kant)

(Treino funcional, em Santa Teresa.)
Em 1 ano mudei a dieta, intensifiquei treinos e exercícios, perdi 9Kg, ganhei massa magra, corri uma meia maratona, preparando-me para a segunda, domingo que vem…o que demanda tempo e esforço.
Lembrando que este é um blog pessoal, portanto, em constantes mudanças, inclusive, de humores. Pode até ser que, como na “reforma” de Borja, não tenha sido para melhor, principalmente, para o leitor.
Evidente: antes, as atualizações eram praticamente diárias, agora, 1-2 x/semana. Não é o ideal mas, o real. O que tenho dado conta: “dentro do que me é possível fazer sozinha, faço“.
Essa passagem talvez não tenha sido muito bem compreendida e aceita, por muitos que acompanham o blog há mais tempo. Entendo. Normal ser cobrada, ainda que, de forma carinhosa: “ah, mas eu preferia, quando…”
Citando novamente Erasmo:
“…quem tá na chuva tem que se molhar
No início vai ser difícil
Mas depois você vai se acostumar.”
(Tô contando com isso!…)
Mencionado no post anterior, um lugar que resume essa minha inquietude e necessidade de mudanças é a cozinha: ela já foi branca, amarela…

Turquesa…mas, “nada é permanente, exceto a mudança.”(Heráclito)

Pode ser que eu não tenha mudado, tanto assim…

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Ser criança…

Ser criança é continuar brincando“, por Eugênio Mussak.*

Alguns mitos precisam ser derrubados. Um deles é que a infância termina quando ficamos grandes. Quem pensa assim considera que infância é apenas uma fase da vida, um ciclo biológico durante o qual o corpo cresce rápido e importantes mudanças fisiológicas acontecem. Mas há quem ache que infância é mais do isso, que é um estado de espírito, cheio de qualidades valiosas, e, ao pensar dessa forma, aceitam que ela não termina com o tempo; ao contrário, persiste por toda a vida, convivendo com a fase adulta. Estou neste grupo.

Há pelo menos três qualidades na criança, necessárias para permitir sua interação com mundo em que acabou de chegar: a curiosidade, a imaginação e a transgressão criativa. A primeira serve para que ela acelere o processo de percepção e entendimento do mundo; a segunda para que ela crie, em sua cabecinha, o mundo que ela deseja, sem as mazelas que ele vai percebendo que existem; e a terceira para que ela ouse modificá-lo para dar lugar a esse mundo ideal.

O problema é que nós teimamos em acabar com essas qualidades quando crescemos, porque alguém – provavelmente um adulto chato –, disse que elas não combinam com ser sério e responsável. Ora, o que seria dos inventores, dos artistas, dos poetas, dos cientistas e dos grandes promotores de mudanças se eles não tivessem conservado em si a curiosidade, a imaginação e a transgressão?

Aliás, foi Einstein que disse que a imaginação é mais importante que o conhecimento. E depois foi tirar aquela foto de língua para fora, brincando com o fotógrafo, e com o mundo.
Dia das crianças

*Eugenio Mussak é professor, palestrante e escritor brasileiro. Apesar de formado em Medicina dedicou sua vida à educação e, desde 1998, à educação corporativa. É articulista da revista Vida Simples.
Página no Facebook: Eugenio Mussak 

(A linguaruda à D sou eu, muito antes de conhecer Einstein…)

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“A raiva constroi”

Vivemos num país “cristão” de tradição católica e, de uns tempos pra cá, cada vez mais evangélico. Isso não significa que não haja hipocrisia: um certo discurso falado, que nem sempre é praticado.
Vendo a cascata de protestos furiosos de alguns radicais islâmicos provocada por um vídeo que atacava Maomé, pensei: mas que profeta e religião é essa, que precisa ser “defendido” com tanto ódio?
Não muito diferente da perseguição que houve na Idade Média, durante a Inquisição, engendrada por “cristãos”.
É a raiva a serviço da religião. Religião que prega a paz, que manda amar nossos inimigos e orar pelos que nos perseguem.
Isso é possível? E, quando não for? Alivia-me, um certo texto bíblico:
“Se for possível, quanto estiver em vós, tende paz com todos os homens.” Romanos 12:18
E um outro texto, dessa vez, de Danuza Leão, publicado na Folha de São Paulo, em 08 de julho de 2007 e republicado, na última revista Cláudia.
Defende a “boa raiva”.
Será possível?
Pensei em começar a semana falando em decoração mas, mudei de ideia. Quero tratar de raiva mas, com certa lucidez. É possível.
Quando se sentir culpado e curvado por esse “sentimento negativo”, pense que ele pode ser usado como uma força a seu favor.

“A raiva constroi”
Quando alguém nos magoa e nos faz sofrer, o que acontece? Ou se sofre, o que em grande parte das vezes termina em depressão, ou se fica com muita raiva, o que é bem melhor. Mas a raiva -foi o que nos ensinaram- é um sentimento feio, baixo, que pessoas superiores não devem ter. Mas vamos discordar: uma boa raiva com motivos é saudável, e faz muito bem à pele, ao coração e à alma, além de evitar o infarto. E quem está querendo ser superior?
Conseguir ter raiva é excelente para a saúde física e mental; a depressão nos leva para a cama e tira a vontade das coisas mais banais, como tomar banho, passar uma escova no cabelo, comer, ler, quem não sabe? Já a raiva faz com que se façam coisas, mesmo que sejam coisas erradas. Na depressão você não se levanta nem para ir a um cabeleireiro; já na hora da raiva você pinta o cabelo de vermelho, o que é muito melhor do que ficar prostrada olhando para o teto.
Exemplos são sempre ótimos: se uma mulher é abandonada por um homem, entre a tristeza e o ódio, o que é melhor? O ódio, claro. Por raiva e ódio as pessoas querem e devem mostrar que não é qualquer coisa que as derrubam.
A primeira providência de uma mulher (saudável) com raiva é pensar: “Como é que vou me vingar?”
Em primeiro lugar, mostrando que não está sofrendo. Para isso é preciso estar na sua melhor forma, razão mais do que suficiente para perder aqueles três quilinhos, comprar um vestido novo, pegar um sol, aposentar definitivamente o uniforme tênis e jeans e voltar a usar um bom salto alto. Parece bobagem? Pois não é. Dificilmente você vai ver uma mulher se equilibrando num salto oito com depressão. De salto, automaticamente se encolhe a barriga, se levanta o queixo, e os ombros ficam na posição certa, como se desafiasse o mundo. Se cruzar com ele, não é melhor estar maravilhosa do que arrasada?
Uma coisa leva a outra: por sentimentos nobres como o amor próprio, o orgulho, a vaidade e a raiva, não se deixa a peteca cair -em público, pelo menos-, e com isso vem o hábito de não deixar a peteca cair nunca, a não ser no divã do analista.
Pense um pouco: se você é normal, deve ter raiva de alguém. O que deve fazer para irritar esses alguéns? Ficar linda, maravilhosa, ter sucesso, ser vista sorrindo, vibrando, enfim, ser feliz.
Digamos que você seja uma desenhista de moda e que esteja sem a menor inspiração. Faz o quê? Pensa numa pessoa que detesta e imagina a glória de fazer um trabalho elogiado, que faça com que você se torne a melhor de todas. Só de pensar nesse delicioso prazer, é capaz de baixar em você o espírito de Balenciaga e o trabalho fluir fácil, só de raiva.
Quando for ao jornaleiro da esquina, pense que pode se encontrar com ele -aquele que fez você sofrer tanto-, e é claro que vai se realçar antes de descer. Se acontecer, não vai ser ma-ra-vi-lho-so ele ver como você está muito mais linda agora, sem ele? Deve estar sendo muito bem tratada, ele vai pensar. E pode ser ainda melhor: encontrar na esquina outro que te faça feliz para sempre por uns tempos -ou não?
Por isso, querida, quando vier aquela raiva cega, aquela vontade de gritar, de xingar, de matar, transforme toda essa energia a seu favor. Assim como o amor constrói para a eternidade, a raiva pode construir a prazo bem mais curto -e de superior e inferior, afinal, todos nós temos um pouco.
Uma delícia, ter uma boa raiva; e sobretudo, muito construtivo.
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff0807200706.htm

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