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Mudanças à vista…

Postado por Laély, no dia 04-11-2012 - Categoria: Minha cozinha,textos - 38 Comentários

A notícia foi discretamente publicada no blog do Centro de Estudos Borjanos, início de agosto, mas em pouco tempo estourou na mídia e redes sociais do mundo inteiro: a “restauração’ feita por uma octagenária estragara o afresco “Ecce Homo”, pintado no século XIX por Elías Garcia Martinez, numa das paredes do Santuário da Misericórdia de Borja, Espanha.
Idosa tenta recuperar pintura do século 19 e acaba estragando a tela. Na montagem, é possível ver a pintura em boas condições (esq.), a obra danificada pelo tempo (meio), e, por fim, a "restauração" feita pela idosa (dir.)

Na montagem é possível ver a pintura em boas condições (esq.), a obra danificada pelo tempo (meio) e, por fim, a danificada pelas mãos da idosa de Borja(dir.). (Mais imagens e informações a respeito, aqui.)
Pode-se constatar que nem toda mudança é aceita, compreendida, bem-vinda, ainda que,  movida por boas intenções.
A mudança desejada, nesse caso específico: restaurar a pintura ao seu estado original, dessa vez, com a intervenção de especialistas no assunto.
Mas, tirando-se o patrimônio histórico, nada tem a obrigação de permanecer como está.
Relembrando post anterior em que citei um artigo do Eugênio Mussak “É errando que se aprende“: “a humanidade evoluiu, antes mesmo da ciência existir, a partir das tentativas, errando muito e acertando às vezes.”
Imagem do afresco "restaurado" por idosa na Espanha, ganha inúmeras versões na internet
A velhinha de Borja com certeza aprendeu! Pelo menos, como não restaurar uma pintura!
No entanto, tendemos a ser refratários a mudanças pelo simples fato de assumir riscos, ao tentar empreendê-las.
Temendo insucesso, frustração, muitas vezes optamos pela segurança do que já é conhecido e, acomodamo-nos.

Quando comecei o blog( há quase 4 anos) estava num período de mudanças, na vida pessoal e profissional. Minha casa pedia transformações urgentes e dei ouvidos porque havia um clamor íntimo, muito mais eloquente! Então, coloquei a mão na massa, nas tintas, pincéis, furadeira, martelo…pesquisei na internet ideias que me inspirassem e, dentro do que me foi possível fazer sozinha, fiz.
Mas na vida, assim como nos games, as fases mudam. Às vezes, mudam-nos.
Nesse período de tempo adotei gatos, perdi gatos, larguei um emprego, engordei, meu filho mais velho entrou na faculdade, o do meio viajou para a Alemanha, o mais novo tá virando um rapaz( ontem, completou 13 anos!). O do meio, que ficaria fora apenas 1 ano, agora já pensa em estender os estudos por lá, talvez, por mais 3 anos! Tantas reviravoltas que, ficamos até atordoados! Mas nesse caso “proteção desprotege”, já dizia Erasmo Carlos:
“Ei, mãe, não sou mais menino
Não é justo que também queira parir meu destino
Você já fez a sua parte me pondo no mundo
Que agora é meu dono, mãe…”
O jeito é adaptar-nos. Tentando, mesmo que, falhando às vezes.

Havia reformado a casa; algumas coisas, pelo menos. Chegara a hora de me reformar( e isso parece até slogan de propaganda política)!
“Toda reforma interior e toda mudança para melhor dependem exclusivamente da aplicação do nosso próprio esforço.” (Immanuel Kant)

(Treino funcional, em Santa Teresa.)
Em 1 ano mudei a dieta, intensifiquei treinos e exercícios, perdi 9Kg, ganhei massa magra, corri uma meia maratona, preparando-me para a segunda, domingo que vem…o que demanda tempo e esforço.
Lembrando que este é um blog pessoal, portanto, em constantes mudanças, inclusive, de humores. Pode até ser que, como na “reforma” de Borja, não tenha sido para melhor, principalmente, para o leitor.
Evidente: antes, as atualizações eram praticamente diárias, agora, 1-2 x/semana. Não é o ideal mas, o real. O que tenho dado conta: “dentro do que me é possível fazer sozinha, faço“.
Essa passagem talvez não tenha sido muito bem compreendida e aceita, por muitos que acompanham o blog há mais tempo. Entendo. Normal ser cobrada, ainda que, de forma carinhosa: “ah, mas eu preferia, quando…”
Citando novamente Erasmo:
“…quem tá na chuva tem que se molhar
No início vai ser difícil
Mas depois você vai se acostumar.”
(Tô contando com isso!…)
Mencionado no post anterior, um lugar que resume essa minha inquietude e necessidade de mudanças é a cozinha: ela já foi branca, amarela…

Turquesa…mas, “nada é permanente, exceto a mudança.”(Heráclito)

Pode ser que eu não tenha mudado, tanto assim…

    Ser criança…

    Postado por Laély, no dia 12-10-2012 - Categoria: crianças,textos - 2 Comentários

    Ser criança é continuar brincando“, por Eugênio Mussak.*

    Alguns mitos precisam ser derrubados. Um deles é que a infância termina quando ficamos grandes. Quem pensa assim considera que infância é apenas uma fase da vida, um ciclo biológico durante o qual o corpo cresce rápido e importantes mudanças fisiológicas acontecem. Mas há quem ache que infância é mais do isso, que é um estado de espírito, cheio de qualidades valiosas, e, ao pensar dessa forma, aceitam que ela não termina com o tempo; ao contrário, persiste por toda a vida, convivendo com a fase adulta. Estou neste grupo.

    Há pelo menos três qualidades na criança, necessárias para permitir sua interação com mundo em que acabou de chegar: a curiosidade, a imaginação e a transgressão criativa. A primeira serve para que ela acelere o processo de percepção e entendimento do mundo; a segunda para que ela crie, em sua cabecinha, o mundo que ela deseja, sem as mazelas que ele vai percebendo que existem; e a terceira para que ela ouse modificá-lo para dar lugar a esse mundo ideal.

    O problema é que nós teimamos em acabar com essas qualidades quando crescemos, porque alguém – provavelmente um adulto chato –, disse que elas não combinam com ser sério e responsável. Ora, o que seria dos inventores, dos artistas, dos poetas, dos cientistas e dos grandes promotores de mudanças se eles não tivessem conservado em si a curiosidade, a imaginação e a transgressão?

    Aliás, foi Einstein que disse que a imaginação é mais importante que o conhecimento. E depois foi tirar aquela foto de língua para fora, brincando com o fotógrafo, e com o mundo.
    Dia das crianças

    *Eugenio Mussak é professor, palestrante e escritor brasileiro. Apesar de formado em Medicina dedicou sua vida à educação e, desde 1998, à educação corporativa. É articulista da revista Vida Simples.
    Página no Facebook: Eugenio Mussak 

    (A linguaruda à D sou eu, muito antes de conhecer Einstein…)

      “A raiva constroi”

      Postado por Laély, no dia 24-09-2012 - Categoria: textos - 5 Comentários

      Vivemos num país “cristão” de tradição católica e, de uns tempos pra cá, cada vez mais evangélico. Isso não significa que não haja hipocrisia: um certo discurso falado, que nem sempre é praticado.
      Vendo a cascata de protestos furiosos de alguns radicais islâmicos provocada por um vídeo que atacava Maomé, pensei: mas que profeta e religião é essa, que precisa ser “defendido” com tanto ódio?
      Não muito diferente da perseguição que houve na Idade Média, durante a Inquisição, engendrada por “cristãos”.
      É a raiva a serviço da religião. Religião que prega a paz, que manda amar nossos inimigos e orar pelos que nos perseguem.
      Isso é possível? E, quando não for? Alivia-me, um certo texto bíblico:
      “Se for possível, quanto estiver em vós, tende paz com todos os homens.” Romanos 12:18
      E um outro texto, dessa vez, de Danuza Leão, publicado na Folha de São Paulo, em 08 de julho de 2007 e republicado, na última revista Cláudia.
      Defende a “boa raiva”.
      Será possível?
      Pensei em começar a semana falando em decoração mas, mudei de ideia. Quero tratar de raiva mas, com certa lucidez. É possível.
      Quando se sentir culpado e curvado por esse “sentimento negativo”, pense que ele pode ser usado como uma força a seu favor.

      “A raiva constroi”
      Quando alguém nos magoa e nos faz sofrer, o que acontece? Ou se sofre, o que em grande parte das vezes termina em depressão, ou se fica com muita raiva, o que é bem melhor. Mas a raiva -foi o que nos ensinaram- é um sentimento feio, baixo, que pessoas superiores não devem ter. Mas vamos discordar: uma boa raiva com motivos é saudável, e faz muito bem à pele, ao coração e à alma, além de evitar o infarto. E quem está querendo ser superior?
      Conseguir ter raiva é excelente para a saúde física e mental; a depressão nos leva para a cama e tira a vontade das coisas mais banais, como tomar banho, passar uma escova no cabelo, comer, ler, quem não sabe? Já a raiva faz com que se façam coisas, mesmo que sejam coisas erradas. Na depressão você não se levanta nem para ir a um cabeleireiro; já na hora da raiva você pinta o cabelo de vermelho, o que é muito melhor do que ficar prostrada olhando para o teto.
      Exemplos são sempre ótimos: se uma mulher é abandonada por um homem, entre a tristeza e o ódio, o que é melhor? O ódio, claro. Por raiva e ódio as pessoas querem e devem mostrar que não é qualquer coisa que as derrubam.
      A primeira providência de uma mulher (saudável) com raiva é pensar: “Como é que vou me vingar?”
      Em primeiro lugar, mostrando que não está sofrendo. Para isso é preciso estar na sua melhor forma, razão mais do que suficiente para perder aqueles três quilinhos, comprar um vestido novo, pegar um sol, aposentar definitivamente o uniforme tênis e jeans e voltar a usar um bom salto alto. Parece bobagem? Pois não é. Dificilmente você vai ver uma mulher se equilibrando num salto oito com depressão. De salto, automaticamente se encolhe a barriga, se levanta o queixo, e os ombros ficam na posição certa, como se desafiasse o mundo. Se cruzar com ele, não é melhor estar maravilhosa do que arrasada?
      Uma coisa leva a outra: por sentimentos nobres como o amor próprio, o orgulho, a vaidade e a raiva, não se deixa a peteca cair -em público, pelo menos-, e com isso vem o hábito de não deixar a peteca cair nunca, a não ser no divã do analista.
      Pense um pouco: se você é normal, deve ter raiva de alguém. O que deve fazer para irritar esses alguéns? Ficar linda, maravilhosa, ter sucesso, ser vista sorrindo, vibrando, enfim, ser feliz.
      Digamos que você seja uma desenhista de moda e que esteja sem a menor inspiração. Faz o quê? Pensa numa pessoa que detesta e imagina a glória de fazer um trabalho elogiado, que faça com que você se torne a melhor de todas. Só de pensar nesse delicioso prazer, é capaz de baixar em você o espírito de Balenciaga e o trabalho fluir fácil, só de raiva.
      Quando for ao jornaleiro da esquina, pense que pode se encontrar com ele -aquele que fez você sofrer tanto-, e é claro que vai se realçar antes de descer. Se acontecer, não vai ser ma-ra-vi-lho-so ele ver como você está muito mais linda agora, sem ele? Deve estar sendo muito bem tratada, ele vai pensar. E pode ser ainda melhor: encontrar na esquina outro que te faça feliz para sempre por uns tempos -ou não?
      Por isso, querida, quando vier aquela raiva cega, aquela vontade de gritar, de xingar, de matar, transforme toda essa energia a seu favor. Assim como o amor constrói para a eternidade, a raiva pode construir a prazo bem mais curto -e de superior e inferior, afinal, todos nós temos um pouco.
      Uma delícia, ter uma boa raiva; e sobretudo, muito construtivo.

      http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff0807200706.htm

        “Como escrever um bom artigo”

        Postado por Laély, no dia 18-09-2012 - Categoria: textos - 9 Comentários

        Geralmente deixo para publicar textos que aprecio no fim de semana, mas como o cansaço já é grande( ainda no início de uma), compartilho este artigo do Stephen Kanitz* porque acho de grande valia pra quem precisa escrever, e bem. São dicas úteis e as levo sempre em consideração.
        *Stephen Kanitz é consultor de empresas, conferencista, articulista, escritor.
        Embora antigo, o interesse é atemporal.

        Como escrever um bom artigo
        Escrever um bom artigo é bem mais fácil do que
        a maioria das pessoas pensa. No meu caso, português foi sempre a minha pior matéria. Meu professor de português, o velho Sales, deve estar se revirando na cova.

        Ele que dizia que eu jamais seria lido por alguém. Portanto, se você sente que nunca poderá escrever, não desanime, eu sentia a mesma coisa na sua idade.

        Escrever bem pode ser um dom para poetas e literatos, mas a maioria de nós está apta para escrever um simples artigo, um resumo, uma redação tosca das próprias idéias, sem mexer com literatura nem com grandes emoções humanas.

        O segredo de um bom artigo não é talento, mas dedicação, persistência e manter-se ligado a algumas regras simples. Cada colunista tem os seus padrões. Eu vou detalhar alguns dos meus e espero que sejam úteis para você também.

        1. Eu sempre escrevo tendo uma nítida imagem da pessoa para quem eu estou escrevendo. Na maioria dos meus artigos para a Veja, por exemplo, eu normalmente imagino alguém com 16 anos de idade ou um pai de família.

        Alguns escritores e jornalistas escrevem pensando nos seus chefes, outros escrevem pensando num outro colunista que querem superar, alguns escrevem sem pensar em alguém especificamente.

        A maioria escreve pensando em todo mundo, querendo explicar tudo a todos ao mesmo tempo, algo na minha opinião meio impossível. Ter uma imagem do leitor ajuda a lembrar que não dá para escrever para todos no mesmo artigo. Você vai ter que escolher o seu público alvo de cada vez, e escrever quantos artigos forem necessários para convencer todos os grupos.

        O mundo está emburrecendo porque a TV em massa e os grandes jornais não conseguem mais explicar quase nada, justamente porque escrevem para todo mundo ao mesmo tempo. E aí, nenhum das centenas de grupos que compõem a sociedade brasileira entende direito o que está acontecendo no país, ou o que está sendo proposto pelo articulista. Os poucos que entendem não saem plenamente ou suficientemente convencidos para mudar alguma coisa.

        2. Há muitos escritores que escrevem para afagar os seus próprios egos e mostrar para o público quão inteligentes são. Se você for jovem, você é presa fácil para este estilo, porque todo jovem quer se incluir na sociedade.

        Mas não o faça pela erudição, que é sempre conhecimento de segunda mão. Escreva as suas experiências únicas, as suas pesquisas bem sucedidas, ou os erros que já cometeu.

        Querer se mostrar é sempre uma tentação, nem eu consigo resistir de vez em quando de citar um Rousseau ou Karl Marx. Mas, tendo uma nítida imagem para quem você está escrevendo, ajuda a manter o bom senso e a humildade. Querer se exibir nem fica bem.

        Resumindo, não caia nessa tentação, leitores odeiam ser chamados de burros. Leitores querem sair da leitura mais inteligentes do que antes, querem entender o que você quis dizer. Seu objetivo será deixar o seu leitor, no final da leitura, tão informado quanto você, pelo menos na questão apresentada.

        Portanto, o objetivo de um artigo é convencer alguém de uma nova idéia, não convencer alguém da sua inteligência. Isto, o leitor irá decidir por si, dependendo de quão convincente você for.

        3. Reescrevo cada artigo, em média, 40 vezes. Releio 40 vezes, seria a frase mais correta porque na maioria das vezes só mudo uma ou outra palavra, troco a ordem de um parágrafo ou elimino uma frase, processo que leva praticamente um mês.

        Ninguém tem coragem de cortar tudo o que tem de ser cortado numa única passada. Parece tudo tão perfeito, tudo tão essencial. Por isto, os cortes são feitos aos poucos.

        Depois tem a leitura para cuidar das vírgulas, do estilo, da concordância, das palavras repetidas e assim por diante. Para nós, pobres mortais, não dá para fazer tudo de uma vez só, como os literatos.

        Melhor partir para a especialização, fazendo uma tarefa BEM FEITA por vez.

        Pensando bem, meus artigos são mais esculpidos do que escritos. Quarenta vezes talvez seja desnecessário para quem for escrever numa revista menos abrangente. Vinte das minhas releituras são devido a Veja, com seu público heterogêneo onde não posso ofender ninguém.

        Por exemplo, escrevi um artigo “Em terra de cego quem tem um olho é rei”. É uma análise sociológica do Brasil e tive de me preocupar com quem poderia se sentir ofendido com cada frase.

        O Presidente Lula, apesar do artigo não ter nada a ver com ele, poderia achar que é uma crítica pessoal? Ou um leitor achar que é uma indireta contra este governo? Devo então mudar o título ou quem lê o artigo inteiro percebe que o recado é totalmente outro?

        Este é o tipo de problema que eu tenho, e espero que um dia você tenha também.

        O meu primeiro rascunho é escrito quando tenho uma inspiração, que ocorre a qualquer momento lendo uma idéia num livro, uma frase boba no jornal ou uma declaração infeliz de um ministro. Às vezes, eu tenho um bom título e nada mais para começar. Inspiração significa que você tem um bom início, o meio e dois bons argumentos. O fechamento vem depois.

        Uma vez escrito o rascunho, ele fica de molho por algum tempo, uma semana, até um mês. O artigo tem de ficar de molho por algum tempo. Isso é muito importante.

        Escrever de véspera é escrever lixo na certa. Por isto, nossa imprensa vem piorando cada vez mais, e com a internet nem de véspera se escreve mais. Internet de conteúdo é uma ficção. A não ser que tenha sido escrito pelo próprio protagonista da notícia, não um intermediário.

        A segunda leitura só vem uma semana ou um mês depois e é sempre uma surpresa. Tem frases que nem você mais entende, tem parágrafos ridículos, mas que pelo jeito foi você mesmo que escreveu. Tem frases ditas com ódio, que soam exageradas e infantis, coisa de adolescente frustrado com o mundo. A única solução é sair apagando.

        O artigo vai melhorando aos poucos com cada releitura, com o acréscimo de novas idéias, ou melhores maneiras de descrever uma idéia já escrita.

        Estas soluções e melhorias vão aparecendo no carro, no cinema ou na casa de um amigo. Por isto, os artigos andam comigo no meu Palm Top, para estarem sempre à disposição.

        Normalmente, nas primeiras releituras tiro excessos de emoção. Para que taxar alguém de neoliberal, só para denegri-lo? Por que dar uma alfinetada extra? É abuso do seu poder, embora muitos colunistas fazem destas alfinetadas a sua razão de escrever.

        Vão existir neoliberais moderados entre os seus leitores e por que torná-los inimigos à toa? Vá com calma com suas afirmações preconceituosas, seu espaço não é uma tribuna de difamação.

        4. Isto leva à regra mais importante de todas: você normalmente quer convencer alguém que tem uma convicção contrária à sua. Se você quer mudar o mundo você terá que começar convencendo os conservadores a mudar.

        Dezenas de jornalistas e colunistas desperdiçam as suas vidas e a de milhares de árvores, ao serem tão sectários e ideológicos que acabam sendo lidos somente pelos já convertidos. Não vão acabar nem mudando o bairro, somente semeando ódio e cizânia.

        Quando detecto a ideologia de um jornalista eu deixo de ler a sua coluna de imediato. Afinal, quero alguém imparcial noticiando os fatos, não o militante de um partido. Se for para ler ideologia, prefiro ir direto na fonte, seja Karl Marx ou Milton Friedman. Pelo menos, eles sabiam o que estavam escrevendo.

        É muito mais fácil escrever para a sua galera cativa, sabendo que você vai receber aplausos a cada “Fora Governo” e “Fora FMI”. Mas resista à tentação, o mercado já está lotado deste tipo de escritor e jornalista. Economizaríamos milhares de árvores e tempo se graças a um artigo seu, o Governo ou o FMI mudassem de idéia.
        5. Cada idéia tem de ser repetida duas ou mais vezes. Na primeira vez você explica de um jeito, na segunda você explica de outro. Muitas vezes, eu tento encaixar ainda uma terceira versão.

        Nem todo mundo entende na primeira investida, a maioria fica confusa. A segunda explicação é uma nova tentativa e serve de reforço e validação para quem já entendeu da primeira vez.

        Informação é redundância. Você tem que dar mais informação do que o estritamente necessário. Eu odeio aqueles mapas de sítio de amigo que se você errar uma indicação você estará perdido para sempre. Imagine uma instrução tipo: “se você passar o posto de gasolina, volte, porque você ultrapassou o nosso sítio”.

        Ou seja, repeti acima uma idéia mais ou menos quatro vezes, e mesmo assim muita gente ainda não vai saber o que quer dizer “redundância” e muitos nunca vão seguir este conselho.

        Neste mesmo exemplo acima também misturei teoria e dois exemplos práticos. Teoria é que informação para ser transmitida precisa de alguma redundância, o posto de gasolina foi um exemplo.

        Não sei porque tanto intelectual teórico não consegue dar a nós, pobres mortais, um único exemplo do que ele está expondo. Eu me recuso a ler intelectual que só fica na teoria, suspeito sempre que ele vive numa redoma de vidro.

        6. Se você quer convencer alguém de alguma coisa, o melhor é deixá-lo chegar à conclusão sozinho, em vez de você impor a sua. Se ele chegar à mesma conclusão, você terá um aliado. Se você apresentar a sua conclusão, terá um desconfiado.

        Então, o segredo é colocar os dados, formular a pergunta que o leitor deve responder, dar alguns argumentos importantes, e parar por aí. Se o leitor for esperto, ele fará o passo seguinte, chegará à terrível conclusão por si só, e se sentirá um gênio.

        Se você fizer todo o trabalho sozinho, o gênio será você, mas você não mudará o mundo, e perderá os aliados que quer ter.

        Num artigo sobre erros graves de um famoso Ministro, fiquei na dúvida se deveria sugerir que ele fosse preso e nos pagar pelo prejuízo de 20 bilhões que causou, uma acusação que poderia até gerar um processo na justiça por difamação.

        Por isto, deixei a última frase de fora. Mostrei o artigo a um amigo economista antes de publicá-lo, e qual não foi a minha surpresa quando ele disse indignado: “um ministro desses deveria ser preso”. A última frase nem foi necessária.

        Portanto, não menospreze o seu leitor. Você não estará escrevendo para perfeitos idiotas e seus leitores vão achar seus artigos estimulantes. Vão achar que você os fez pensar.

        7. O sétimo truque não é meu, aprendi num curso de redação. O professor exigia que escrevêssemos um texto de quatro páginas. Feita a tarefa, pedia que tudo fosse reescrito em duas páginas sem perder conteúdo.
        Parecia impossível, mas normalmente conseguíamos. Têm frases mais curtas, têm formas mais econômicas, tem muita lingüiça para retirar.

        Em dois meses aprendemos a ser mais concisos, diretos, e achar soluções mais curtas. Depois, éramos obrigados a reescrever tudo aquilo novamente em uma única página, agora sim perdendo parte do conteúdo.
        Protesto geral, toda frase era preciosa, não dava para tirar absolutamente nada. Mas isto nos obrigava a determinar o que de fato era essencial ao argumento, e o que não era.

        Graças a esse treino, a maioria das pessoas me acha extremamente inteligente, o que lamentavelmente não sou, fui um aluno médio a vida inteira. O que o pessoal se impressiona é com a quantidade de informação relevante que consigo colocar numa única página de artigo, e isto minha gente não é inteligência, é treino.

        Portanto, mãos à obra. Boa sorte e mudem o mundo com suas pesquisas e observações fundamentadas, não com seus preconceitos.

        Stephen Kanitz

          O “X” da questão

          Postado por Laély, no dia 15-09-2012 - Categoria: dicas de livros,textos - 12 Comentários

          Certa vez levei ao marido um texto para que lesse, esperando provocar nele, também excelente escritor e argumentador, ao menos metade de meu entusiasmo. Em vez disso uma observação seca, mais ou menos, assim:
          “Escreve como mulher.”
          Entre decepcionada e estupefata, fiquei com aquilo na cabeça: “como assim?…”
          Respondeu como homem, concluí.
          Mas, onde estaria o DNA daquelas letras? O duplo cromossomo “X” escondido nas entrelinhas, o estrogênio escorrendo pela folha?…
          Talvez ele quisesse me dizer: escreve com sensibilidade.
          Melhor, assim. Sosseguei.

          Elegância, concisão, ironia são algumas características que aprecio em bons escritores, independente de sexo, hormônios ou, seja lá o que for. Características de Luís Fernando Veríssimo, Millôr Fernandes e deste, que revelou um lado diferente, “feminino”, mais sensível num texto publicado na revista Veja, onde era colunista, em 09 de maio de 2001.
          Gostaria de escrever como homens. Como esses.

          Já conhecia essas linhas, e a história por trás delas, mas nessa semana outra escritora, Lya Luft, o citou por causa do último livro dele “A Queda-As Memórias de um Pai em 424 Passos“. O “enfant terrible” Diogo Mainardi.

          Meu pequeno búlgaro
          TITO, DIOGO, NICO E CAMPO SANTI GIOVANNI E PAOLO, DE CANALETTO - O ex-colunista de VEJA escreveu uma obra em que a grande arte emoldura a sua história individual

          “Eu achava que as palavras
          eram inofensivas. Para mim,
          o politicamente correto era
          folclore. Já não penso assim”

          Diagnosticaram uma paralisia cerebral em meu filho de 7 meses. Vista de fora, uma notícia do gênero pode parecer desesperadora. De dentro, é muito diferente. Foi como se me tivessem dito que meu filho era búlgaro. Ou seja, nenhum desespero, só estupor. Se eu descobrisse que meu filho era búlgaro, minha primeira atitude seria consultar um almanaque em busca de informações sobre a Bulgária: produto interno bruto, principais rios, riquezas minerais. Depois tentaria aprender seus costumes e sua língua, a fim de poder me comunicar com ele. No caso da paralisia cerebral, fiz a mesma coisa. Passei catorze horas por dia diante do computador, fuçando o assunto na internet. Memorizei nomes. Armazenei dados. Conferi estatísticas. Pelo que entendi, a paralisia cerebral confunde os sinais que o cérebro envia aos músculos. Isso faz com que a criança tenha dificuldades para coordenar os movimentos. Meu filho tem uma leve paralisia cerebral de tipo espástico. Os músculos que deveriam alongar-se contraem-se. Algumas crianças ficam completamente paralisadas. Outras conseguem recuperar a funcionalidade. É incurável. Mas há maneiras de ajudar a criança a conquistar certa autonomia, por meio de cirurgias, remédios ou fisioterapia.

          Um dia meu filho talvez reclame desta coluna, dizendo que tornei público seu problema. O fato é que a paralisia cerebral é pública. No sentido de que é impossível escondê-la. Na maioria das vezes, acarreta algum tipo de deficiência física, fazendo com que a criança seja marginalizada, estigmatizada. Eu sempre pertenci a maiorias. Pela primeira vez, faço parte de uma minoria. É uma mudança e tanto. Como membro da maioria, eu podia me vangloriar de meu suposto individualismo. Agora a brincadeira acabou. Assim que soube da paralisia cerebral de meu filho, busquei apoio da comunidade, entrando em tudo que é fórum da internet para ouvir o que outros pais em minha condição tinham a dizer sobre os efeitos colaterais do Baclofen ou sobre a eficácia de tratamentos menos ortodoxos, como a roupa de elásticos dos astronautas russos usada numa clínica polonesa.

          A paralisia cerebral de meu filho também me fez compreender o peso das palavras. Eu achava que as palavras eram inofensivas, que não precisavam de explicações, de intermediações. Para mim, o politicamente correto era puro folclore americano. Já não penso assim. Paralisia cerebral é um termo que dá medo. É associado, por exemplo, ao retardamento mental. Eu não teria problemas se meu filho fosse retardado mental. Minha opinião sobre a inteligência humana é tão baixa que não vejo muita diferença entre uma pessoa e outra. Só que meu filho não é retardado. E acho que não iria gostar de ser tratado como tal.

          Considero-me um escritor cômico. Nada mais cômico, para mim, do que uma esperança frustrada. Esperança frustrada no progresso social, na força do amor, nas descobertas da ciência. Sempre trabalhei com essa ótica antiiluminista. Agora cultivo a patética esperança iluminista de que nos próximos anos a ciência invente algum remédio capaz de facilitar a vida de meu filho. E, se não inventar, paciência: passei a acreditar na força do amor. Amor por um pequeno búlgaro.

           

            “Seu apartamento é feliz?”

            Postado por Laély, no dia 10-09-2012 - Categoria: textos - 7 Comentários

            Cheguei hoje, da viagem ao Sul. Cansada, não tenho ânimo pra escrever um post.
            Deixo um texto que li no jornal Zero Hora, de Porto Alegre, da Martha Medeiros. Assunto que a Vivianne Pontes, vez ou outra, trata no Dcoração:
            Seu apartamento é feliz?

            Dia desses fui acompanhar uma amiga que estava procurando um apartamento para comprar. Ela selecionou cinco imóveis para visitar, todos ainda ocupados por seus donos, e pediu que eu fosse com ela dar uma olhada. Minha amiga, claro, estava interessada em avaliar o tamanho das peças, o estado de conservação do prédio, a orientação solar, a vizinhança. Já eu, que estava ali de graça, fiquei observando o jeito que as pessoas moram.

            Li em algum lugar que há uma regra de decoração que merece ser obedecida: para onde quer que se olhe, deve haver algo que nos faça feliz. O referido é verdade e dou fé. Não existe um único objeto na minha casa que não me faça feliz, pelas mais variadas razões: ou porque esse objeto me lembra de uma viagem, ou porque foi um presente de uma pessoa bacana, ou porque está comigo desde muitos endereços atrás, ou porque me faz reviver o momento em que o comprei, ou simplesmente porque é algo divertido e descompromissado, sem qualquer função prática a não ser agradar aos olhos.

            Essa regra não tem nada a ver com elitismo. Pessoas riquíssimas podem viver em palácios totalmente impessoais, aristocráticos e maçantes com suas torneiras de ouro, quadros soturnos que valem fortunas e enfeites arrematados em leilões. São locais classudos, sem dúvida, e que devem fazer seus monarcas felizes, mas eu não conseguiria morar num lugar em que eu não me sentisse à vontade para colocar os pés em cima da mesinha de centro.

            A beleza de uma sala, de um quarto ou de uma cozinha não está no valor gasto para decorá-los, e sim na intenção do proprietário em dar a esses ambientes uma cara que traduza o espírito de quem ali vive. E é isso que me espantou nas várias visitas que fizemos: a total falta de espírito festivo daqueles moradores. Gente que se conforma em ter um sofá, duas poltronas, uma tevê e um arranjo medonho em cima da mesa, e não se fala mais nisso. Onde é que estão os objetos que os fazem felizes? Sei que a felicidade não exige isso, mas pra que ser tão franciscano? Um estímulo visual torna o ambiente mais vivo e aconchegante, e isso pode existir em cabanas no meio do mato e em casinhas de pescadores que, aliás, transpiram mais felicidade do que muito apê cinco estrelas. Mas grande parte das pessoas não está interessada em se informar e em investir na beleza das coisas simples. E quando tentam, erram feio, reproduzindo em suas casas aquele estilo showroom de megaloja que só vende móveis laqueados e forrados com produtos sintéticos, tudo metido a chique, o suprassumo da falta de gosto. Onde o toque da natureza? Madeira, plantas, flores, tecidos crus e, principalmente, onde o bom humor? Como ser feliz numa casa que se leva a sério?

            Não me recrimine, estou apenas passando adiante o que li: pra onde quer que se olhe, é preciso alguma coisa que nos deixe feliz. Se você está na sua casa agora, consegue ter seu prazer despertado pelo que lhe cerca? Ou sua casa é um cativeiro com o conforto necessário e fim?

            Minha amiga ainda não encontrou seu novo lar, mas segue procurando, só que agora está visitando, de preferência, imóveis já desabitados, vazios, onde ela possa avaliar não só o tamanho das peças, a orientação solar, o estado geral de conservação, mas também o potencial de alegria que os ex-moradores não souberam explorar.

              Morrer na praia…

              Postado por Laély, no dia 29-08-2012 - Categoria: looks,textos - 43 Comentários

              É como nos sentimos quando, empenhados num projeto e, em vias de realizá-lo, precisamos abortá-lo.
              Pesquisando para escrever este post cheguei a um interessante texto do Eugênio Mussak( Vida Simples, nº20, 01/09/2004), “É errando que se aprende“. Segundo esse a humanidade evoluiu, antes mesmo da ciência existir, a partir das tentativas, errando muito e acertando às vezes.
              “Errar é próprio da condição humana. Aprender também. Infelizmente algumas pessoas não estabelecem conexão entre essas duas qualidades. Este sim é um grande erro. Na verdade, o erro só é erro quando não é percebido; quando é, torna-se aprendizado. Sem essa percepção, você corre dois riscos: o de continuar repetindo seus erros sem aproveitá-los para evoluir, ou o de parar de tentar por medo de errar.”
              Citou o psicólogo e filósofo suíço Jean Piaget, defensor de que o homem é o construtor do seu próprio conhecimento e que, nesse processo, o erro é uma ferramenta importante.
              O “erro bom” seria aquele que “abre alternativas”. Consta que Thomas Edison, após ter sido intimado pelo seu patrocinador a interromper suas experiências disse: ‘por que desistir agora, se já sabemos muitos modos de como não fazer uma lâmpada? Estamos hoje mais próximos de saber como fazer uma lâmpada que antes!’ Isto é, errar é a possibilidade de acertar na próxima tentativa.”
              E dá o exemplo do cubo mágico. De tantos erros, poucos acertos, somos tentados a desmontá-lo e montá-lo certo. Mas essa trapaça não vale no jogo da vida. “A única alternativa é aprender a viver, o que pressupõe tentar, errar e tentar novamente.”
              “Você quer um atalho? Ele existe sim: aprenda também com o erro dos outros.”

              Meu sogro costumava repetir: “o sábio aprende com os erros dos outros. O bobo, nem com os próprios!”

              “O erro não nos afasta da virtude. A maneira como lidamos com ele, sim…
              Errou? Não faz mal, desde que você:
              - Seja lúcido para admitir que errou;
              - Seja humilde para assumir a responsabilidade;
              - Seja esperto para consertar o resultado;
              - Seja sábio para incorporar o aprendizado.”
              “…Paulo Vanzolini, cientista e poeta, é autor da célebre música Volta por Cima, em que ele dá conselhos àquele que, como ele, e como todos, errou mas, por ser um ‘homem de moral, não fica no chão’. O que faz, então? Ora: ‘Reconhece a queda e não desanima. Levanta, sacode a poeira, e dá a volta por cima’.”

              Essa antiga música foi interpretada por Noite Ilustrada. Numa análise superficial da letra poderíamos achá-la até arrogante, mas não: é apenas a construção do conhecimento, o crescimento, a partir da consciência dos erros cometidos, tomando coragem pra acertar na tentativa seguinte ou, pelo menos, errar menos, e menos, e menos…

              Fiz um resumo (acrescentando algumas impressões pessoais) do texto do Mussak, mas vale a pena conferi-lo na íntegra, aqui.

              Durante alguns meses venho me preparando pra correr. Isso mudou radicalmente a minha rotina: treinos, dieta, corpo mas, principalmente, a cabeça. Exercitar a sensibilidade, entretanto, é necessário. Reavaliar estratégias, um ato contínuo…
              No início da semana precisei ser hospitalizada. É de uma cama de hospital que faço este post, na condição de paciente, não de médica. Enquanto me dirigia ao consultório do colega, curvada de dor, pouco antes da internação, não conseguia conter as lágrimas. Não sei se tanto pela dor, ou mais pela frustração. A frustração de “morrer na praia”. Foi treinando para a corrida mais tradicional do estado, a “10 milhas Garoto”, a ser realizada no próximo domingo, que adoeci. Um erro de estratégia, talvez, que ainda está em avaliação.
              Por conta disso estou proibida de esforço físico, até me recuperar completamente.
              Passado o susto, volto pra casa hoje, com a recomendação expressa de manter o repouso.
              Depois de quase 4 dias no hospital não me restaram muitos looks a mostrar, a não ser os da semana passada. Vesti pijama e soro, nos últimos dias.

              Saia lápis e scarpin é sempre um clássico:
              Lápis e scarpinLápis e scarpin
              Blusa de seda: Sacada
              Cardigã: Cantão
              Saia lápis
              Scarpin: Carmen Steffens.
              Numa semana em que apostei no vermelho:
              Bege e vermelhoBege e vermelho
              Camisa de seda e algodão
              Cinto: Maria Filó
              Saia: Sacada
              Bota cano alto
              Bolsa: Uncle K
              Com tempo chuvoso, também nas botas:
              Preto e cinzaPreto e cinza
              Regata mullet: Afghan
              Legging: Track&Field
              Bota cano alto
              Bolsa: ELLUS
              No sábado, pra (não) variar, vestidinho:
              QuimonoQuimono
              Vestido de crepe: Laranja Lima
              Peep toe anabela: Schutz

              Já sentia dor, quando combinei de me encontrar com a Katia Bonfadini, do blog Casos e Coisas da Bonfa, no sábado à noite. Mesmo assim, não quis falhar o compromisso, marcado em Vitória. E foi uma noite de bate-papo muito agradável!
              Da série encontros
              Esse encontro foi uma decisão acertada!

                Como domar um gato

                Postado por Laély, no dia 25-08-2012 - Categoria: facebook,gatinhos,textos - 19 Comentários

                Essa semana passei pela traumatizante tarefa de dar um comprimido à Chanel. Não, que nunca tivesse feito isso antes: com os outros, mais dóceis, achara que fosse capaz. Mas a gata é praticamente uma selvagem!
                A situação foi desanimadora. Tentei, sozinha, enfiar-lhe o comprimido goela abaixo: entre mortos e feridos saí arranhada e ela, assustada, correu pra longe, depois de cuspir o remédio.
                Segunda tentativa…também frustrada.
                Então, pedi ajuda aos universitários!
                O Facebook é praticamente um oráculo! Um reduto de gateiros, onde fui ganhar confiança e dicas que me ajudassem.
                As orientações foram diversas. Houve até quem sugerisse usar uma armadura( minhas mãos agradeceriam!), mas em uma coisa foram unânimes: não é “fácil, extremamente fácil” como parece!
                Chanel e o raio de Sol
                (Mó cara, de: “tô nem aí, tô nem aí!…”)

                Então a Fátima Zapella compartilhou um texto, muito interessante, que aproveito pra dividir com vocês:

                “COMO DAR COMPRIMIDO A UM GATO”

                1. Pegue o gatinho e aninhe-o no seu braço esquerdo como se segurasse um bebê.
                Coloque o indicador e o polegar da mão direita nos dois lados da boquinha do bichano e aplique uma suave pressão nas bochechas enquanto segura o comprimido na palma da mão. Quando o amorzinho abrir a boca atire o comprimido lá para dentro. Deixe-o fechar a boquita e engolir.2. Recupere o comprimido do chão e o gato de detrás do sofá. Aninhe o gato no braço esquerdo e repita o processo.3. Vá buscar o gato no quarto e jogue fora o comprimido meio desfeito.

                4. Retire um novo comprimido da embalagem, aninhe o gato no seu braço enquanto segura firmemente as patas traseiras com a mão esquerda.
                Obrigue o gato a abrir as mandíbulas e empurre o comprimido com o indicador direito até ao fundo da boca. Mantenha a boca do gato fechada enquanto conta até dez.

                5. Recupere o comprimido de dentro do aquário e o gato de cima do guardarroupa. Chame a sua esposa.

                6. Ajoelhe-se no chão com o gato firmemente preso entre os joelhos, segure as patas da frente e de trás.
                Ignore os rosnados baixos emitidos pelo gato. Peça à sua esposa que segure firmemente a cabeça do gato com uma mão enquanto força a ponta de uma régua para dentro da boca do gato com a outra.
                Deixe cair o comprimindo ao longo da régua e esfregue vigorosamente o pescoço do gato.

                7. Vá buscar o gato no trilho da cortina e retire outro comprimido da embalagem. Tome nota para comprar
                outra régua e consertar as cortinas.
                Cuidadosamente varra os cacos das estatuetas e dos vasos do meio da terra e guarde-os para colar mais tarde.

                8. Enrole o gato numa toalha grande e peça à sua esposa para se deitar por cima de forma que apenas a cabeça do gato apareça por debaixo do sovaco.
                Coloque o comprimido na ponta de um canudinho de beber, obrigue o gato a abrir a boca e mantenha-a aberta com um lápis. Assopre o comprimido do canudinho para dentro da boca do gato.

                9. Leia a bula inclusa na embalagem para verificar se o comprimido faz mal a humanos, beba uma cerveja para retirar o gosto da boca.
                Faça um curativo no antebraço da sua esposa e remova as manchas de sangue do carpete com o auxílio de água
                fria e sabão.

                10. Retire o gato do barracão do vizinho. Vá buscar outro comprimido.
                Abra outra cerveja. Coloque o gato dentro do armário e feche a porta até o pescoço de forma que apenas a cabeça fique de fora. Force a abertura da boca do gato com uma colher de sobremesa. Utilize um elástico como estilingue para atirar o comprimido pela garganta do gato abaixo.

                11. Vá buscar uma chave de fendas na garagem e coloque a porta do armário de novo nos eixos. Beba a cerveja.
                Vá buscar uma garrafa de whisky.
                Encha um copo e beba. Aplique uma compressa fria na bochecha e verifique a data de quando tomou a última vacina contra tétano. Aplique compressas de whisky na bochecha para desinfetar. Beba mais um copo.
                Jogue a camiseta fora e vá buscar uma nova no quarto.

                12. Telefone aos bombeiros para virem retirar o desgraçado do gato de cima da árvore do outro lado da rua. Peça desculpa ao vizinho que se espatifou contra o poste, enquanto tentava desviar-se do gato em fuga.
                Retire o último comprimido de dentro da embalagem.

                13. Amarre as patas da frente às patas de trás do filho da puta do gato, com a mangueira do jardim, e em seguida prenda firmemente à perna da mesa da sala de jantar. Vá buscar as luvas de couro para trabalhos de jardinagem na garagem. Empurre o comprimido para dentro da boca da besta seguido de um grande pedaço de carne. Seja suficientemente bruto, segure a cabeça do corno na vertical e despeje-lhe um litro de água pela goela abaixo para que o comprimido desça.

                14. Beba o restante whisky.
                Peça à sua esposa que o leve ao pronto-socorro e sente-se muito quieto enquanto o médico lhe costura os dedos, o braço e lhe remove os restos do comprimido de dentro do seu olho direito. A caminho de casa ligue para a loja de móveis para encomendar uma nova mesa de jantar.

                15. Trate de tudo, para que a sociedade protetora dos animais venha buscar o gato mutante fugido do inferno.
                Telefone para a loja de animais e pergunte se têm tartaruguinhas.

                Não precisa levar ao pé da letra. É só uma brincadeirinha.
                Mas, resumindo a história: desisti do comprimido. Apelarei a outra forma de apresentação, mais fácil de aplicar.
                Se todas as dicas anteriores não ajudarem, a Suzan Afonso enviou-me um video( dessa vez, sério!), com dicas úteis de uma veterinária:

                Que tipo de gato é o seu: anjo, demônio?
                Todos iguais: indispensáveis!
                Aninhados

                  Aristogatas

                  Postado por Laély, no dia 05-08-2012 - Categoria: gatinhos,textos - 14 Comentários

                  Hoje passamos boa parte do dia sobressaltados: Chanel fugiu pelo quintal, assustada, sumindo no meio do mato. Revezamo-nos nas buscas( eu, marido e o filho mais novo), sem sucesso.
                  Faltei compromisso à noite pra ficar em casa, consolando o filho. Com o coração apertado, afinal, sofremos muitas perdas seguidas, nesses últimos meses…
                  Uma sensação de impotência amar um bichinho que pode agir tão estupidamente.
                  Finalmente, o alívio na hora da janta: Chanel foi encontrada, escondida sob o sofá da sala.
                  Mas o susto fez-me questionar, se teria coragem de adotar outro gatinho. Não sustentaria a dúvida por muito tempo: ter a companhia deles compensa qualquer percalço…
                  Chanel e eu!
                  (Trato feito: Chanel fica com as caixas, eu, com os sapatos!)

                  O que me fez buscar um texto da Marta Medeiros, tentando explicar essa atração que os gatos provocam.
                  Compartilho com vocês:

                  Aristogatos

                  Nunca imaginei ter um bicho de estimação por uma questão de ordem prática: moro em apartamento, sempre morei. E se morasse em casa, escolheria um cachorro. Logo, nunca considerei a hipótese de ter um gato, fosse no térreo ou no décimo andar. Quando me falavam em gato, eu recorria a todos os clichês pra encerrar o assunto: gato é um animal frio, não interage, a troco de quê ter um enfeite de quatro patas circulando pela casa?

                  Hoje, dona apaixonada de um gato de cinco meses (e morando no décimo andar), já consigo responder essa pergunta pegando emprestada uma frase de um tal Wesley Bates: “Não há necessidade de esculturas numa casa onde vive um gato”. Boa, Wesley, seja você quem for. Gato é a manifestação bíblica da elegância, é uma obra de arte em movimento. E se levarmos em consideração que a elegância anda perdendo de 10 x 0 para a vulgaridade, está aí um bom motivo para ter um bichano aninhado entre as almofadas.

                  Só que encasquetei de buscar argumentos ainda mais conclusivos. Por que, afinal, eu me encantei de tal modo pelo bichano? Comecei a ler outras frases irônicas e aparentemente pouco elogiosas. Mark Twain disse que gatos são inteligentes: aprendem qualquer crime com facilidade. Francis Galton disse que o gato é anti-social. Rob Kopack disse que se eles pudessem falar, mentiriam para nós. Saki disse que o gato é doméstico só até onde convém aos seus interesses. Estava explicado por que gamei: qual a mulher que não tem uma quedinha por cafajestes?

                  Ser dona de um cachorro deve ser sensacional. Lealdade, companheirismo, reciprocidade, eu sei, eu sei, vi o filme do Marley. Cão é boa gente. Só que o meu cachorro preferido no cinema nunca foi da estirpe de um Marley. Era o Vagabundo, sabe aquele do desenho animado? O que reparte com a Dama um fio de macarrão, ambos mastigam, um de cada lado, e mastigam, mastigam até que (suspiro… a emoção impede que eu continue). Eu trocaria todos os príncipes loiros e bem comportados da Branca de Neve e da Cinderela pelo livre e irreverente Vagabundo, que foi o personagem fetiche da minha infância. E lembrando dele agora, consigo entender a razão: aquele malandro tinha alma de gato.

                  Imagino que, com essa crônica, eu esteja revelando o lado menos nobre do meu ser. Pareço tão sensata, tão bem resolvida, tão madura – quá! – tenho outra por dentro. Que vergonha. Levei mais de 40 anos para me dar conta de que não faço questão de uma criatura que me siga, que me agrade, que me idolatre, que me atenda imediatamente ao ser chamado, que me convide pra passear com ele todo dia. Sendo charmoso, na dele e possuindo ao menos alguma condescendência comigo, já tem jogo.

                  Cristo, um simples gato me fez descobrir que sou mulher de bandido.

                    “Mãe desnecessária”

                    Postado por Laély, no dia 21-07-2012 - Categoria: facebook,filhos,textos - 18 Comentários

                    A semana foi tão corrida que nem percebi o tempo passar, assim como 18 anos, desde o nascimento do meu segundo filho.

                    Ao completar a maioridade longe da casa, faço um balanço sobre esse tempo de convívio com alguém tão especial:
                    A maioria dos pais reivindicaria os méritos por empreender tanto esforço na educação de um filho, na formação um homem. Eu, ao contrário, admito que foi fácil. Só tenho a agradecer esse presente divino: ser escolhida sua mãe, assim como Maria foi, de Jesus.

                    Então a Margarete Aguiar enviou-me um texto, via Facebook, da psicanalista Márcia Neder Bacha, que ilustra bem essa minha atual fase:

                    Mãe desnecessária

                    “A boa mãe é aquela que vai se tornando desnecessária com o passar do tempo.

                    Várias vezes ouvi de um amigo psicanalista essa frase e ela sempre me soou estranha. Até agora. Agora que minha filha adolescente, aos quase 18 anos, começa a dar vôos-solo. Chegou a hora de reprimir de vez o impulso natural materno de querer colocar a cria embaixo da asa, protegida de todos os erros, tristezas e perigos. Uma batalha hercúlea, confesso. Quando começo a esmorecer na luta para controlar a super-mãe que todas temos dentro de nós, lembro logo da frase, hoje absolutamente clara. Se eu fiz o meu trabalho direito, tenho que me tornar desnecessária.

                    Antes que alguma mãe apressada venha me acusar de desamor, preciso explicar o que significa isso. Ser ‘desnecessária’ é não deixar que o amor incondicional de mãe, que sempre existirá, provoque vício e dependência nos filhos,como uma droga,a ponto de eles não conseguirem ser autônomos, confiantes e independentes.

                    Prontos para traçar seu rumo, fazer suas escolhas, superar suas frustrações e cometer os próprios erros também. A cada fase da vida, vamos cortando e refazendo o cordão umbilical. A cada nova fase, uma nova perda é um novo ganho, para os dois lados, mãe e filho. Porque o amor é um processo de libertação permanente e esse vínculo não pára de se transformar ao longo da vida.Até o dia em que os filhos se tornam adultos, constituem a própria família recomeçam o ciclo. O que eles precisam é ter certeza de que estamos lá, firmes, na concordância ou na divergência, no sucesso ou no fracasso, com o peito aberto para o aconchego, o abraço apertado,o conforto nas horas difíceis.

                    Pai e mãe – solidários – criam filhos para serem livres. Esse é o maior desafio e a principal missão. Ao aprendermos a ser ‘desnecessários’, nos transformamos em porto seguro para quando eles decidirem atracar.”

                    (Márcia Neder Bacha é psicanalista e pesquisadora da UFMS e da USP/NUPPE. Doutora em Psicologia Clínica e autora de Psicanálise e Educação – Laços Refeitos e A arte de formar: o feminino, infantil e o epistemológico.)

                    Eles, os filhos, nessa fase da vida acham desnecessário, constrangedor até, mas sempre bom reafirmar o quanto os amamos.
                    O dia hoje é dele: Vinícius!

                    “Dê a quem você Ama :
                    - Asas para voar…
                    - Raízes para voltar…
                    - Motivos para ficar… ”
                    (Dalai Lama)