Machismo, feminismo e outros “ismos”

2013 vai entrar para a história como o ano de protestos de rua, no Brasil. Mas nada que se compare, em efervescência política e cultural, como o final dos anos 60!

-1968-
30 de janeiro – O Exército vietcong inicia a chamada Ofensiva de Tet, invadindo 34 capitais de Província vietnamitas e a cidade de Hue.
15 de março – São desapropriados, em Cuba, os últimos estabelecimentos privados –bares, livrarias e oficinas.
16 de março – Militares norte-americanos massacram cerca de 150 civis vietnamitas na aldeia de My Lai, no Vietnã.
28 de março – O governo da África do Sul apresenta três leis que culminam no apartheid.
4 de abril – É assassinado a tiros, aos 39 anos, o pastor negro Martin Luther King. No dia seguinte, ocorrem conflitos raciais em 125 cidades, e a morte de 46 pessoas em Washington.
5 de abril – É lançado, na Tchecoslováquia, o programa de reformas políticas que ficou conhecido como Primavera de Praga.
28 de abril – Cerca de 60 mil manifestantes protestam, no Central Park, em Nova York, exigindo o fim da Guerra do Vietnã (1959-1975).
30 de abril – Estréia na Broadway o musical “Hair”.
26 de junho – É realizada, no Rio de Janeiro, a “Passeata dos Cem Mil”, reunindo principalmente estudantes, intelectuais, artistas, padres e mães, autorizada pelo governo federal.
21 de agosto – A Tchecoslováquia é invadida por tropas do Pacto de Varsóvia, em represália à “Primavera de Praga”.
(Fonte: Folha de São Paulo)

Em 7 de setembro, 400 ativistas do WLM (Women’s Liberation Movement) reuniram-se no Atlantic City Convention Hall, em Atlantic City, EUA, para protestar contra o concurso “Miss America”, uma das ferramentas promotoras dos estereótipos de beleza que oprimiam as mulheres( segundo as manifestantes).
Espalharam pelo chão alguns “instrumentos de tortura”: sutiãs, sapatos de salto alto, cílios postiços, sprays de laquê, maquiagens, revistas, espartilhos, cintas e outros. Alguém deu ideia de queimar os objetos, mas a atitude performática foi mais eloquente( e não havia, infiltrados entre elas, os vândalos de hoje em dia).
O episódio ficou conhecido como “Bra-Burning”, ou “A Queima dos Sutiãs”( na verdade, nunca literal!).
Quarenta e cinco anos depois, muita coisa mudou. Outras, nem tanto.
Mulheres continuam lutando por direitos iguais mas, ainda escravas de estereótipos de belezas e convenções sociais. Deformam o rosto, esperando esconder as marcas do tempo, colocam litros de silicone, inflam músculos( uns, que nunca tínhamos ouvido falar antes, muito menos, ver!), submetem-se a toda sorte de tortura (e até, automutilação!), de livre e espontânea vontade, só para se “enquadrar”…
Há pouco estreou, no GNT, Beleza S/A, uma série que trata justamente disso: a busca da perfeição!

Na mesma semana em que a visita do papa ocupava as manchetes dos jornais e a programação na TV, a protagonista de um “conto de fadas real”, literalmente, aparece em frente à maternidade com o herdeiro nos braços, ao lado do marido. Talvez o casal nem tenha percebido( porque felicidade redimensiona valores: eleva o que é realmente importante e, releva pequenezas), mas o mundo notou a barriga de Kate…

O assunto ganhou as redes sociais, mas, o que importa? A duquesa e o príncipe simplesmente sorriam, ignorando a surpresa alheia.
Espanto, por quê? Por admitirem normalidade?

A blogueira e escritora Nadia Lapa tentou aprofundar a questão, em: “A barriga da princesa-e o que ela tem a ver com a sua”
Recomendo a leitura do texto, na íntegra, incluindo os comentários mas, destaco aqui, alguns trechos:
“É uma corrida sem linha de chegada. As mulheres precisam ser bonitas para serem amadas. Sendo amadas, precisam ser mães. Sendo mães, precisam continuar bonitas para não serem abandonadas por aquele homem lá que lhe dá valor. Porque o valor está nele, claro, e não nela.

Essa busca insana e doentia por um padrão de beleza machuca pessoas, especialmente mulheres. Nós representamos 90% dos casos de transtornos alimentares. O índice de mortalidade de pacientes com anorexia nervosa chega a 20%. Uma mulher comum não pode levantar às 5h da manhã para fazer ginástica, a exemplo da cantora Beyoncé, simplesmente porque não dormiu a noite inteira com o bebê chorando. No entanto, a pressão por corpos perfeitos atinge todas nós, celebridades ou não, porque estamos permanentemente sendo julgadas por nossa aparência.

Não precisa ir muito longe.
Mês passado, quando Betty Faria apareceu na praia do Leblon, de biquini, foi atacada ferozmente na internet por exibir, sem preocupação, o que o tempo faz no corpo da maioria das mulheres( famosas, ou não)! Defendeu-se, em artigo à “Lola”:
“Então querem que eu vá à praia de burca, que eu me esconda, que me envergonhe de ter envelhecido? E a minha liberdade? Depois de tantas restrições alimentares, remédios para tomar, exercícios a fazer, vícios a evitar, todos próprios da idade, ainda preciso andar de burca? E o prazer, a alegria, meu humor?”

Expor o corpo é coisa natural, no Brasil. Estar fora dos padrões de beleza, não. Santa hipocrisia, Batman!
Conhece alguém, que passou experiência similar? Eu, sim.
Era o terceiro filho e minha rotina dividia-se entre amamentar, trocar fraldas e, quando possível, descansar.
Uma pessoa da família( alguém que, como eu, já passara pela experiência da maternidade) chamou-me num canto( ao menos, foi discreta!):
-Estou preocupada com você. O bebê tem quantos meses?
-Quatro( respondi, desconcertada).
-É que o seu corpo ainda não voltou ao normal…

O bebê cresceu e hoje é maior que eu e eu, bem menor do que, àquela época. Mas a “frase inocente” deixou marca indelével na memória( além, de um estrago na minha autoestima), afinal, estava numa fase em que beleza não era fundamental. Dormir, sim.
Mas, quem precisa de “instrumentos de tortura” machistas, quando nós, mulheres, podemos fazer o “trabalhinho sujo”?

Essa semana reestreou, no “Vale a Pena Ver de Novo”, “O Cravo e a Rosa”. Embora não seja fã do gênero, novelas de época me atraem, especialmente, pelos cenários, figurinos e costumes.
Adriana Esteves é Catarina, uma mulher bem à frente do seu tempo: feminista de “cabelos nas ventas”, rebelde e irascível, enfim, a “megera (in)domada”.

E, naquela época, era mais ou menos, assim:
A mocinha saiu à rua, acompanhada( porque moças de família não andavam por aí, “dando sopa”); ao avistar o amado, não esconde o entusiasmo e, acena. A mulher mais velha, ao seu lado, chama-lhe a atenção:
“Desse jeito vai ficar mal falada!”

Estamos em 2013, algumas décadas à frente. As mulheres conquistaram espaços, antes, só permitido aos homens: Comandam negócios, empresas, até um país; tomam a iniciativa, na hora da conquista, sem se preocupar se ficarão “mal faladas”.
Umas vão além e não só conquistam, como os homens, como contam aos quatro ventos( com quem, onde, quando e o que fizeram, entre quatro paredes), afinal, não basta ficar e curtir, têm de compartilhar( e, de preferência, lucrar, nem que seja aparecendo na mídia com factóides)! Mas, contenho-me. Não posso afirmar que seja atitude tipicamente masculina porque estaria sendo sexista. Oportunismo não escolhe gênero( que o diga, Félix)!
“Queimamos” sutiãs, então, pra quê?
E, “Só pra contrariar”: “o que vamos fazer com essa tal liberdade?”

Entre a barriga pós-parto da duquesa( grande, flácida, mas bem resolvida) e as bundas( plastificadas, tonificadas, mas pertencentes à mentes deformadas) fico com a primeira e, não é por recalque ou revanchismo!

“Hay que endurecerse, pero sin perder la ternura, jamás!”

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Encontro com cariocaxxx

Já comentei sobre a Milena aqui, quando falei do quarto que ela teve de adaptar para a chegada do mais novo membro da família, o Felipe. A arrumação foi parar na revista Minha Casa, com direito à discreta colaboração minha e de minha mãe: um ursinho de pano, presente meu ao Felipe, um dos destaques na matéria.
De passagem pelo Rio, combinamos de nos encontrar, afinal, era aniversário dela: não lhe faria desfeita!

A Milena mora numa rua tranquila e pedi-lhe permissão para fazer algumas fotos do apartamento.
Mas é claro, que: em “casa de ferreiro, o espeto é de ferro”! Acostumada a transitar pelos blogs e sites de decoração, o lugar dá mostras desse interesse. Então, vejamos se reconhecem alguns detalhes que o denunciam, como:
Casa da Milena
Quem é do meio sabe que a almofada de coruja é da Ana Sinhana (outra amiga virtual que conheci pessoalmente). Ao pé da poltrona, uma antiga caixa de madeira da Coca-Cola, adaptada como revisteiro.
O passarinho na gaiola deve sentir uma certa inveja das angolas, criadas soltas na janela:
Casa da Milena
O corredor é curto porém, bem aproveitado:
Casa da Milena
Fiquei impressionada com a foto da mãe da Milena, ainda jovem, saboreando uma Coca em garrafinha de vidro: numa elegância, digna de estrela de Hollywood( pena, que minha foto não fez jus à beleza original)!
Casa da Milena
Um bibelô vintage, muito delicado:
Casa da Milena
Parede de quadros e espelhinhos não pode faltar!
Casa da Milena
E a mesa caprichada de belisquetes, para não precisar parar de conversar!
Casa da Milena
Fiquei muito feliz em poder encontrar a Kátia Bonfadini, amiga virtual há tempos e, conhecer outra blogueira, fotógrafa, gateira, a Stela Martins( Milena à minha D e Felipe, completamente à vontade no colo da Stela!):
Encontro de blogueiras no Rio
A Bonfa é das pessoas mais simpáticas e sorridentes que conheci! Pena que chegaram depois de mim e, eu tinha hora pra voltar, mas o encontro foi muito animado!

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Pharmacia Granado

No fim de semana o centro do Rio muda de face, de ritmo: com o comércio de portas fechadas o trânsito, de carros e pessoas, diminui bastante. Dá para caminhar sem pressa.
É interessante imaginar que, por aquelas mesmas ruas, desfilaram nossos antepassados.

Na manhã de sábado saí, sem destino e compromisso, pela Av. Rio Branco. Fui parar na Igreja do Carmo, um dos mais antigos e belos prédios da cidade.
Descobri que a família imperial tinha seu lugar exclusivo, um camarote, logo à frente, assim como outros abastados da época. Alguns desses, generosos doadores, foram enterrados sob a nave principal, com os pés voltados para o altar. O populacho assistia à missa em pé( os bancos foram colocados posteriormente). Os negros, do lado de fora!
Ficheiro:Rio-TerceirosCarmo1.JPG
Fonte: Wikipédia

Na 1° de Março deparei-me com uma Pharmácia irresistível:
Granado da 1° de Março-RJ
Já conhecia a Granado da Rua do Lavradio, mas esta loja foi a primeira delas, num endereço histórico.
Loja Granado-Rj
Essa mistura do novo e velho é o que dá charme à perfumaria.
Granado da 1° de Março-RJ
Pé direito mais alto, enormes armários espelhados, claraboia no teto, ladrilhos no piso: entrar por aquela porta é viajar no tempo…
Granado da 1° de Março-RJ
Granado da 1° de Março-RJ
Granado da 1° de Março-RJ
Loja Granado-Rj
Loja Granado-Rj
Granado da 1° de Março-RJ
Claraboia
Quis participar desse cenário…
Granado da 1° de Março-RJ
E, quem resistiria?!
“Menos Vinícius, que está na Alemanha”. (Parodiando a mais nova febre na internet.)

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Andanças

De volta à rotina, isto é: muita correria, desde o início da semana!
Na segunda tive um probleminha técnico que impediu meu acesso ao site. Já tarde da noite a Nana Richetti socorreu-me, via Skype: só um susto! Obrigada, Nana!

Quando resolvi escrever o último post, ainda no Rio, pensei que seria algo tão particular que, talvez não interessasse à maioria. Para minha surpresa, as reações foram muitas e, calorosas: só tenho a agradecer o carinho. Como respondi nos comentários, amor e saudade não se limitam a idade, sexo, lugar…são sentimentos universais, o que talvez explique a identificação com o assunto do post.

Estava ansiosa por notícias. Infelizmente o filho ligou, justo quando não estava em casa; mas falou com a avó materna, tranquilizando a todos: viagem boa, foi bem recebido, está gostando do lugar e da família, fez amizade com outros colegas de intercâmbio, enfrentou -10°C e já começou a estudar: neste primeiro mês, imersão na língua alemã para poder acompanhar a turma, na escola de Ensino Médio.

Hoje recebi um e-mail simpático da mãe alemã temporária( nessa primeira fase e destino, ficará apenas 1 mês), mostrando entusiasmo por receber o Vinícius, descrito como um menino “cheio de vida” e com “brilho nos olhos”.
Então, apesar da apreensão e medo da saudade o coração está tranquilo, sabendo que essa experiência será enriquecedora, especialmente para ele.

Como a mãe hospedeira escreveu-me: receberemos de volta um “filho adulto”. Enquanto houver brilho nos olhos dele, as lágrimas nos meus não serão em vão.

Mas, mudando temporariamente de assunto: em nossa curta passagem pelo Rio, não poderia deixar de aproveitar a cidade. Porque, como compôs o mineiro Lô Borges:
“Te ver e não te querer
É improvável, é impossível…”
O Rio é assim: irresistível!

Cheguei a fazer um post especial sobre nossa visita ao Teatro Municipal, em junho( pena, perdeu-se na mudança do blog…). Desta vez ficamos bem perto dele, nas imediações da Cinelândia: um quarteirão bastante erudito pois abriga, além do Teatro, o Museu Nacional de Belas Artes e o Centro Cultural da Justiça Federal, a seguir:
Teatro Municipal do RJ
Andar pelo Centro é caminhar pela História: onde o Brasil começou. Mas é conviver com modernidades como o metrô e, camelôs antenados com as últimas tendências de “marketing”.
Este é o “show man” do cortador de legumes, com direito a microfone de artista:
Ambulante DJ
Os chiques dos tempos antigos circulavam por aqui.
Uma pequena confeitaria portuguesa, bem no Centro do Rio, costumava receber artistas, como Chiquinha Gonzaga:
Cavé
Além de servir doces típicos portugueses, à base de gemas e muito açúcar, um biscoito folhado que me é irresistível, mesmo em dieta:
Palmier
Mais andanças pelas lojas dos arredores, aproveitando a temporada de promoções( aliás, fiz ótimas compras!) e, uma imperdível pisada na Colombo:
Colombo
No Rio você encontra de tudo, inclusive, blogueira famosa pelas ruas…
Não estou falando de mim porque, de famosa não tenho nada, mas sim da Cris Guerra, do Hoje Vou Assim. Naquela tarde encontrei-a assim, saindo da Colombo:

A Cris é de BH, mas estava na cidade cobrindo o Fashion Rio, numa feliz coincidência.
Fiquei tão embasbacada com o adereço que usava na orelha E: um “ear cuff”, parceria dela com a Lita Raies!

Acreditem: sou muito tímida, mas depois fiquei me martirizando por não ter tido a coragem de pedir-lhe uma foto, juntas!
Confeitaria Colombo
De volta à Cinelândia, o Centro Cultural da Justiça Federal:
Centro Cultural da Justiça Federal-RJ
Os ladrilhos eram comuns e um, mais bonito que o outro…
Centro Cultural da Justiça Federal-RJ
No chão ou no teto, sempre uma surpresa agradável ao olhar:
Centro Cultural da Justiça Federal-RJ
Os castiçais, uma riqueza de detalhes:
Centro Cultural da Justiça Federal-RJ
CCJF-RJ
O vitral da entrada é imponente:
Centro Cultural da Justiça Federal-RJ
Mas há outro mais simples, não menos bonito, no andar superior, emoldurada pela escadaria de ferro:
CCJF-RJ
Num dos salões mais belos do CCJF, pinturas nas paredes e teto:
CCJF-RJ
CCJF-RJ
Fica até difícil imaginar o que seria viver nessa época!
Tá rindo de quê?…
Centro Cultural da Justiça Federal-RJ
Centro Cultural da Justiça Federal-RJ
Vale uma paradinha no café local, junto à recepção do CCJF, para saborear uma refrescante e colorida soda:
Soda refrescante no CCJF-RJ
O atendimento é ótimo e as comidinhas, também.

Voltando ao tema inicial, reproduzo aqui a letra de uma música do Milton, indicada pelo leitor Eduardo Aparecido Silva:
Meu Menino
(Milton Nascimento)
Se um dia você for embora
Não pense em mim
Que eu não te quero meu
Eu te quero seu
Se um dia você for embora
Vá lentamente como a noite
Que amanhce sem que
A gente saiba
Exatamente
Como aconteceu
Se um dia você for embora
Ria se teu coração pedir
Chore se teu coração mandar
Mas não me esconda nada
Que nada se esconde
Se por acaso um dia você for embora
Leve o menino que você é.

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