Provocações

O Dcoração é um site que dispensa apresentação. Vivianne Pontes, a autora, também. 
Além de conhecimento técnico na área a Vivi é culta, escreve bem, consegue ser simpática com seus leitores e ainda foi capaz de reservar uma manhã, de seus dias atarefados, para bater perna pelo centro do Rio com alguém que ela ainda não conhecia pessoalmente: eu( encontramo-nos em junho). Enfim: é uma fofa! Referência, não só pra mim, mas para muitos do meio. 
Uma de suas grandes qualidades ao escrever é a capacidade de síntese: chegar aonde quer chegar, cortando fundo, interpretando o que sentimos, mas que não conseguimos definir muito bem.
Assim, com o post de ontem: “Os grandes mitos dos pequenos espaços”
O que mais chamou minha atenção foi o 5° mito discutido por ela, aquele que dita: 
“Tenha apenas 1 ponto focal”, um objeto que “puxa o olhar”, nas palavras dela. 
Gostei dessa expressão.
Pensei naquela pessoa que se destaca, no meio de uma multidão, capaz de despertar sua atenção. 
Naquele sapato, na vitrine, que faz você dar meiavolta e parar, só para admirar.
Aquele “algo desejável”, no qual o olhar dá um zoom.
Aquela surpresinha, capaz de fazer abrir um sorriso…

Aproveitando o tema já desenvolvido pela Vivianne: o que lhe provoca esse “puxa”,na decoração?
Poderia ser um objeto impactante, escultural…
Um quadro, ou tapete…
Um móvel diferente…
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Uma cor, fora de lugar…

Um papel de parede, ou escultura flutuante…
Apartment Therapy

Pelo que entendi da aula da professora Vivi, escolher “apenas 1 ponto focal” é apenas mais um mito. O que importa, como explicou, é a “harmonia”.

O mesmo princípio pode ser aplicado no vestuário: escolher uma peça de destaque( sapato, bolsa, blusa…) para provocar olhares…
Pensando bem, depois do revival anos 80 com o novo-velho color blocking, isso também virou mito…
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Abrindo portas…

Sou do tempo em que Rin Tin Tin e John Wayne revezavam-se, nas tardes de aventura na TV( nem há tanto tempo assim, não é?…). O gênero faroeste, com seus tipos durões, não era exatamente o que agradava garotinhas como eu; mas as aventuras do cabo Rusty e seu esperto pastor-alemão eram acompanhadas, com fidelidade canina.
TV a cores, ainda era artigo de luxo. Talvez por isso, a lembrança que tenho dos filmes ambientados no faroeste americano, seja de um lugar solitário e cinzento.
Bem diferente das cores fortes e contrastantes que aprendemos a apreciar, nos trabalhos da mexicana Frida Khalo:
A “Casa Azul”, residência da artista, foi transformada em museu em Coyoacán, México:
Quando vi algumas fotos da Galeria ScenicSW, no Flickr, pensei que vinham da terra de Frida: retratos de natureza semi-árida, céu, pintado em tons quentes, cactos esculturais e flores, que impressionam pela beleza e exotismo. Mas, as aparências enganam…
Para minha surpresa, descobri que o autor das belas imagens era um americano: Bill mora em Tucson, Arizona, e fotografa por hobby.

A região de clima árido e semi-árido faz fronteira com o México. Era habitada por índios nativos, milhares de anos antes de chegarem os primeiros colonizadores espanhóis.
De 1821 à 1848 pertenceu ao México, sendo incorporada ao território americano após esse período, finda a guerra entre os dois países.
A cidade de Tucson, retratada pelo fotógrafo, possui verões menos quentes e invernos amenos, comparativamente à capital, Phoenix. Isto se explica pela maior altitude, da primeira.
E, se ainda não lhes parece região conhecida, é só lembrar que o Grand Canyon fica nesse estado.

O preâmbulo foi apenas para nos situar e fazer-nos compreender a riqueza cultural, geográfica e arquitetônica do lugar.
O que me chamou a atenção, além da exuberância das fotos de natureza, foram as belas e coloridas portas, clicadas por Bill. Tratei de entrar em contato com ele, usando o meu parco e limitado inglês.
Quando o pequeno cabo Rusty se via numa situação difícil, gritava: “Yo ho Rinty!”, para chamar seu cachorro. Eu não tenho cão, tão esperto; no máximo, um bobão como o Hulk, que não ajudaria a resolver meu problema de comunicação.

Melhor que cachorro famoso é poder contar com a ajuda do filho: meu pequeno foi quem corrigiu a primeira mensagem em inglês, enviada ao Bill. Tempos modernos…
O resultado desse intercâmbio de mensagens foram as fotos, mostradas a seguir:
Lembrando nosso nacional poetinha, emolduro as belas imagens do fotógrafo americano com um poeminha de Vinícius de Moraes, muito conhecido das crianças( pelo menos, daquelas que costumavam assistir Rin Tin Tin, na TV):

A Porta
Eu sou feita de madeira
Madeira, matéria morta
Mas não há coisa no mundo
Mais viva do que uma porta…
Eu abro devagarinho
Pra passar o menininho…
Eu abro bem com cuidado
Pra passar o namorado…
Eu abro bem prazenteira
Pra passar a cozinheira…
Eu abro de supetão
Pra passar o capitão…

Só não abro pra essa gente
Que diz (a mim bem me importa…)

Que se uma pessoa é burra
É burra como uma porta…
Eu sou muito inteligente!
Eu fecho a frente da casa…
Fecho a frente do quartel…Fecho tudo nesse mundo
Só vivo aberta no céu!
( Aproveito para agradecer ao Bill, que mui generosamente abriu as portas do seu Flickr, permitindo-me que expusesse aqui, esta sua visão privilegiada: “thank you, Mr. Bill!”)
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