Quarto do Felipe

Desses encontros virtuais, que acabam rendendo amizades: assim que a Milena começou a fazer comentários aqui no blog houve uma empatia instantãnea, uma sincronicidade de ideias e humores entre nós.
Dos bastidores dos comentários e conversações “on line” para um encontro real no Rio de Janeiro, onde ela mora, foi um pulinho
( quer dizer, um pulão!). 
Aqui um registro desse encontro, ainda com a presença da querida Cecília Fonseca, do Quilts são Eternos, em junho deste ano:
Encontro no Rio
Na foto há um personagem importante, escondido: o Felipe, ainda na barriga da Milena. 
Mãe de dois meninos e uma menina já crescidos, a Milena viu-se surpreendida pela gravidez do quarto filho. Acredito ter sido uma das primeiras pessoas a saber dessa suspeita, logo confirmada.
Passado o susto, mãos à obra para adaptar a casa à chegada de mais um membro da família.
A própria Milena colocou a mão na massa e montou um cantinho, no próprio quarto do casal.
O resultado desse esforço foi mostrado na revista Minha Casa, última edição:

DSC07624

Um cantinho simples, arejado, com a suavidade do tom azul, a alegria do verde e um toque de inspiração vintage:
Quarto do Felipe-Revista Minha Casa
O bercinho de ferro foi herdado de uma amiga. Tanto ele quanto a cômoda foram apenas lixados, para manter a aparência desgastada.
O kit de protetor de berço e trocador, assim como as bandeirolas com o nome do Felipe gravado são da Ana Sinhana.
Quando a Milena contou-me que sairia na revista, vibrei. Imaginem, então, quando vi minha pequena parcela de contribuição exposta lá:

Quarto do Felipe-Revista Minha Casa

O ursinho de patch de tecidos foi um presente: eu mesma escolhi os tecidos e, aproveitando a passagem da minha mãe por aqui, pedi-lhe que o costurasse pra mim. Agora ele fica lá, ao lado da caminha, alegrando o quarto do Lipe:

Quarto do Felipe-Revista Minha Casa

Beijo, Milena!
Espero reencontrá-la no seu aniversário, em janeiro, combinado?
Achei que o quarto combinou muito bem.
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"Pufe suzani"

Zínias
Gosto muito da cor vermelha e laranja, mas detestava este pufe que ficava na minha sala:
Pufe "antes"
Toda vez que olhava pra ele, dava vontade de sumir( com ele!)!
Acontece que o filho do meio elegeu-o como “banquinho oficial para acompanhá-lo ao teclado”, como visto no post de ontem.
“Se não pode vencer o inimigo( o banquinho de chenile), una-se a ele”, concluí.
Com a ajuda da minha “mãe topa-tudo”, resolvi colocar em prática uma ideia há muito acariciada: mudar a cara feia do tal pufe.

Foi no
 de(couer)ação   que aprendi o nome desse bordado originário da Ásia Central, o “suzani”:
Aqui, aplicado em um pufe de pés palitos

“Tradicionalmente, este trabalho de bordado começa no nascimento de uma filha e continua, com a ajuda de familiares e amigos, até que o dote da noiva esteja completo.”
O bordado original é feito em seda, mas é possível encontrar em outros tecidos algo no estilo suzani, a preço bem mais acessível.
Há tempos comprei um grande lenço com aplicação tipo suzani. Achei-o tão bonito e colorido que pensei em estendê-lo na parede ou, fazer almofadas com ele.
Então juntei as oportunidades:
Presença da mãe+lenço tipo suzani+pufe horroroso de chenile=renovação!
Medimos o lenço no pufe e, na engenharia da mãe costureira, achou que daria para cobri-lo.
Costurada a capa foi minha vez de entrar em ação com a pistola Rocama. O instrumento é bem útil e já me ajudou a transformar as cadeiras da cozinha, lembram?
Aqui, a parte inferior do pufe, fixada com grampos do Rocama:
Fização com grampeador Rocama
E o pufe feioso ficou estiloso, assim:
Pufe "suzani"
Agora ele voltou ao seu cantinho habitual, fazendo jus ao “artista” que o usa com mais frequência:
Pufe "suzani"
Já que mostrei mais um trabalho de costura da minha mãe, esta outra toalha de plástico ganhou viés fofo aplicado por ela:
Toalha de plástico com viés de tecido
Toalha de plástico com viés de tecido
Toalha para o dia-a-dia; mas, quem disse que o dia-a-dia não pode ganhar mais doçura?…
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Tal mãe, tal filha…

…Diz o ditado, corrigindo-se o gênero.
Só não sei se corresponde à minha realidade.
Quando adolescente, brigava com as leis da genética, que achava, não haviam me favorecido deixando-me um pouquinho mais parecida com a minha mãe. Julgava que havia puxado o meu pai, principalmente, nos defeitos.

A gente cresce, resolve algumas questões de auto-estima, outras pioram, mas aprendemos a conviver com nossos pontos fracos( ou pelo menos, disfarçá-los).

Minha mãe passou 1 mês comigo.
Nesta última semana, bateu um sentimento de culpa por não ter lhe dado mais atenção, não ter parado o que estava fazendo pra ficar ao seu lado, não ter adiado compromissos assim, nem tão importantes…Mas ela não me cobrava. Em vez disso, passava o dia costurando…

Algumas pessoas quando querem demonstrar carinho compram presentes, fazem uma comida gostosa, escrevem uma poesia. Minha mãe, costura. E não é que eu seja de todo uma “exploradora de mãe“( só um pouquinho…). É porque ela gosta da gente, mesmo. É como entendo.

Já me resignei a aceitar as calças furadas no joelho(D), do menino mais novo. É quase uma característica particular dele, assim como a sua infinita curiosidade. Minha mãe, não.
Sempre que ela chega, não precisa ninguém pedir, faz uma blitz no guarda-roupa do pequeno e promove uma cirurgia plástica rejuvenescedora em todas as calças rasgadas! É carinho de avó. Uma pitanguy da costura!

Ontem ela voltou pra casa dela, em Belém. Antes porém, guardou todo o material de costura e embalou a máquina, que ficará solitária e intocável num cantinho, até à sua volta.

Desencavei uma foto mais antiga, que eu gosto muito. Filhinhos em cima do muro, porém, sob o olhar cuidadoso da mãe:
A menina, de chapeuzinho na cabeça e cestinho na mão, sou eu. O menino, com cara de enfezado, é meu irmão mais velho.

Então, comparando com o sorriso da jovem mãe acima, acho até que ela não mudou muito: Nessa foto, tirada no último sábado, dá pra notar que “ela é a minha cara”?! Bem, uma coisa espero ter herdado: a elegância e juventude.
(O menino não estava fazendo chifrinhos no Pingo: eram apenas orelhinhas de coelhinho da páscoa.)

Já que comecei, não me furtarei a mostrar o resto( Ops! Nem tudo!) Ainda tenho alguns pudores em me revelar por aqui, mas acho que já passamos dessa fase, não é?

Minha mãe me fez uma carteira de tecido há algum tempo, mas eu ainda não tinha tido a oportunidade de usá-la.
Na última viagem à SP, comprei este vestido de malha, em Vila Madalena: Par perfeito, com a bolsa: tecido de poá e recortes estratégicos são o diferencial deste achado, de R$80(!), da marca Antes de Paris.

Peraí, que eu vou ajeitar a sandália… Modelo, que é modelo, mostra os detalhes: A bolsa de mão, by “mamãe”:
Pausa, para gato se enroscar nas pernas… E a sandália, Luz da Lua: Toda em verniz preto, solado meia-pata e piercing na lateral. (O máximo de glamour que poderia me permitir, porque há dias em que a gente quer fugir do “feijão com arroz”.)

O vestido foi aprovado pela mãe, que tem um estilo mais clássico de ser. Mas no dia-a-dia, eu gosto mesmo é de ficar à vontade, num jeans bem larguinho:

Dou a mão à palmatória: quando a Katie Holmes apareceu com uma calça dessas, a boyfriend, eu não me imaginaria “jogada aos seus pés”…
Pra não me confundirem com um garoto, apelei para uma rasteira de lacinho vermelho:
Minha mãe não fala nada, pois é o seu jeito discreto de ser, mas deve pensar que não foi assim que me ensinou o que é elegância. É só pra variar, um pouquinho…
O look, desmontado:
Camiseta-Triton
Calça e rasteira-Colcci
Cinto de elástico-Calvin Klein
Bolsa-Cantão
(Tanta marca junto não foi “metideza”, apenas casualidade. Eu topo Hering e Havaianas, numa boa!)
Normalmente evito roupas com marcas muito visíveis, afinal, não recebo nada pra sair por aí, fazendo propaganda. Gostei porém dos detalhes desta camiseta, que fugiu do básico: Aqui não tem “merchan” de produto, mas acho que exagerei no merchan da minha pessoa.
(Mãe, perdão pela exposição. Não foi essa discrição que me ensinou, mas a gente escorrega de vez em quando. Já, já, volto ao normal!…)
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Bolsinha de brincar

Que me perdoem os que desejam ver algo sério por aqui nesta semana, mas a vontade que tenho é mostrar apenas trabalhos manuais.
Entrei na campanha da Susy, do Casa com Brasilidade e fui contaminada pelo slogan, criado por ela:
“Chega de adultices, queremos fofurices!”
Talvez pela época festiva, talvez, como fuga das responsabilidades de adulta, o que gostaria mesmo era ficar na cozinha, fazendo biscoitos e bolos natalinos e preparando presentes e embalagens personalizadas, como se fosse uma pessoa muito prendada e atenciosa com aqueles que me aturaram, durante todo este ano.
Mais do que comprar presentes, eu gosto de fazer presentes.
Talvez isto seja obra de algum gene especial, herdado da minha mãe. Já falei sobre ela várias vezes aqui e aqui, e tantos outros aquis, que nem dá pra repetir tudo aqui.
Na semana passada, enviou-me as fotos do último presentinho que fez para dar a uma criança, filha de uma amiga.
A ideia, alinhavada no post do dia das crianças, recebeu um plus de costura e, o que era pra ser uma simples capinha de caderno, virou um brinquedinho
diferente e muito útil:
             
No verso da bolsa, lugar para lápis, copinho de suco, ou lanchinho:
E o telhado, guarda as alças da bolsa:
Porta e janelas, se abrem para brincadeiras:
(Clicando nas imagens, dá para ampliar)
Hoje  de manhã, ao sair de casa, vi um céu diferente.
Lembrei daquela brincadeirinha infantil: imaginar o que, cada nuvem lembrava. Estas, parecem que foram varridas no céu. Talvez, algum anjo estivesse fazendo uma faxininha…
Um céu tão limpo assim, nesta época do ano, é sinal de dias extremamentes quentes! Mas, quando penso em reclamar do calor, lembro que faço parte de uma minoria privilegiada, que mora num lugar à 600m do nível do mar, o que me permite dormir debaixo de cobertas, sem ajuda de ar condicionado, nem ventilador, durante a noite.
Derretam-se de vontade… ( Perdão, pela crueldade!)
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Fuxico da mamãe

Continuando a série “mamãe que fez”, ela, que não perde um capítulo da novela internética “Sala da La”, mandou-me esta foto, meio atrasada, de uma colcha que fez para dar de presente a uma amiga( não sei se teria tanto desprendimento assim, por melhor que fosse a amizade!):
Bem que poderia ilustrar com honra, o post sobre colchas artesanais que fiz há pouco, não é?

Será que essas paixões se herdam?! Ensinam-se, ao menos.
Minha mãe trabalha desde os 15 anos. Começou, dando aulas. Aprendemos, eu e meu irmão mais velho, a ler e a escrever com ela. Vida corrida, sempre!
Mas lembro que, bem criancinha, não repetia um vestidinho na igreja. Sempre tinha um modelinho novo, que ela copiava das vitrines de butiques, discretamente, num papel que tirava da bolsa; comprava um tecido parecido, os aviamentos, costurava e, ninguém poderia dizer que não era o mesmo da loja!
Minha mãe não tinha muito tempo para ensinar a costurar e por isso, eu até hoje tenho medo de usar a máquina, que fica guardada no sótão, para ser acarinhada, azeitada e usada, apenas uma vez por ano, quando ela me faz uma visita. Aí então, a máquina trabalha o mês todo, para compensar o ostracismo do restante do ano. Acho que não a uso por ter complexo de “feia adormecida”…Pode ser que, perca o controle da máquina, a agulha penetre sem dó o meu dedo e então, eu caia em sono profundo e só um príncipe, como Jude Law, possa ser capaz de me acordar( o que nunca aconteceria, pois ele tem compromissos mais importantes e princesas mais bonitas para atender…)
Voltando a máquina do tempo, muito tempo atrás:
Minha mãe não tinha tempo.
Sentava, em frente à máquina( de costura) no domingo, e só levantava depois de terminado o trabalho: uma roupa nova pra mim, ou para o meu irmão( ela nunca foi muito boa com roupa de homem), alguma coisa para a casa, ou para ela, o que sempre vinha em último lugar.
O tempo passou e a menininha aqui, que só vestia o que a mamãe fazia, virou adolescente e, devo confessar: eu era muuuito chata( será que ainda sou?)!…Difícil de agradar( agora, que tenho 2 adolescentes, entendo minha mãe)! Não gostava da cor, não gostava do modelo, não gostava do tecido…A mãe, já perdendo a paciência, “ameaçava” não mais costurar para mim. Ainda bem, que não cumpriu a promessa e continua me agradando até hoje…
A colcha não é minha, mas bem que hoje em dia, eu saberia dar valor a ela:
Agora, minha mãe já sabe disso…
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