Pra rir, ou para chorar…

Ou, para chorar de rir!

Notícias, nem tão quentinhas:
-Dado Dolabella será pai, novamente. 
O “ator”, que já tem 2 filhos, (detalhe irrelevante) engravidou a terceira mãe diferente ( uma, para cada filho!). Chegou a declarar em seu site oficial:
“Vou ter quantos filhos Deus quiser me mandar.”

Ops! E se Deus tiver assunto mais importante e urgente a tratar( como as criancinhas órfãs no terremoto no Japão, ou o conflito no Oriente Médio) e não estiver interessado na vida sexual do fértil Dolabella?!…
Mas o amor é lindo e, ‘credito sim, que dessa vez é pra valer, tanto quanto os casamentos do Fábio Jr e a existência do Papai Noel…


-Na mesma onda prolífica o jogador Neymar, 19 anos, anuncia a gravidez da namorada, 17 anos.


Pelo visto, tanto Dado quanto Neymar levam a sério a ordem divina: “Crescei e multiplicai”. Mas, fica como sugestão ao atual governo: a criação do “Bolsa-Camisinha”, ou será que nossos famosos desconhecem o acessório?…
Notícias, do tipo: “Acredite, se quiser!”
-Preparem os (tampões de) ouvidos!: 
Latino deseja gravar música gospel!
Disse não pretender tornar-se evangélico, mas acha que pode fazer um “trabalho bacana”. (A julgar pela qualidade da dita música “gospel” que toca por aí…é bem possível, é possível!…) 
Agora a festa vai ser transferida, do apê para os templos…


-MEC distribui livro a quase 500 mil estudantes do ensino fundamental e médio, estimulando-os a 
usar Português “flex”: 
A coleção “Viver, Aprender( Por uma Vida Melhor)” vem com graves erros de concordância, mas, “para os autores do livro  deve ser alterado o conceito de se falar certo ou errado para o que é adequado ou inadequado”.


Então, tá! Afinal, não é só automóvel que “evolui”; língua, também!


-Os aficcionados do seriado House( como eu!) já sabiam que o ator inglês Hugh Laurie( que interpreta o ácido médico) é um multimidia: canta, toca e escreve. 
Em 2007 lançou o livro “O Traficante de Armas” 
e há pouco, um disco de jazz, já bem colocado nas paradas de sucesso: 
‘Let Them Talk’ tem participação de outros músicos, de jazz e soul.

Laurie já anunciou que o seriado chegará ao fim na sua oitava temporada e, para tristeza de muitos, Lisa Edelstein, a Dra. Lisa Cuddy, pode não voltar ao Hospital de Princeton-Plainsboro.
Enquanto enxugo uma lagriminha no canto do olho por essa perda irreparável, deixo o clipe de lançamento do cd do Dr. House:
E encerrando a série “para sorrir”, fica a dica de um filme que é pura diversão: o despretensioso Thor vale uma ida ao cinema, sem risco de decepção.
Carpe diem!
Leia Mais

7 pecados capitais

O filme é antigo, de 1995, mas só neste fim de semana pude assisti-lo: 

Seven” é um suspense policial com sérias contraindicações a cardiopatas: taquicardia e apneia são prováveis efeitos colaterais. 
E filme policial que se preze não funciona sem uma boa parceria:
O detetive Somerset( Morgan Freeman) é um experiente investigador, prestes a aposentar-se, desencantado com a violência e solidão da cidade grande e ansioso por trocar Nova Iorque por algum lugar mais tranquilo no interior.
O jovem detetive Mills(Brad Pitt), ao contrário, acaba de chegar em Nova Iorque, vindo do interior, para assumir o primeiro trabalho como investigador, ansioso por mostrar serviço.
Um estranho caso de assassinato acaba unindo o destino dos dois. Mais que isso: sela o destino deles!
Apesar de improvável, a dupla combina bem, como queijo e goiabada, petit gateau e sorvete de creme, pipoca e guaraná: Somerset é cabeça Mills, o coração!
A princípio parece apenas mais um filme sobre serial killers psicopatas, como em “O Silêncio dos Inocentes“, mas a tensão cresce à medida que se desenrola a história:
Uma série de assassinatos, com clara alusão aos 7 pecados capitais são investigados pelos 2 policiais.
Depois de anos lidando com o “mundo cão”, o solitário Somerset( Freeman) não nutre nenhuma ilusão sobre a bondade humana. Mas, em meio a esse caos, consegue vislumbrar um oásis ao ser convidado a conhecer a família do parceiro. 
E é exatamente essa, a sensação que o espectador tem a respeito do irrequieto Mills
( Pitt): a casa é seu refúgio, os braços da resignada mulher(Gwyneth Paltrow) seu consolo, brincar de rolar no chão com os cachorros sua maior alegria. 
O apartamento passa a impressão de um lar em construção. Ainda há caixas de mudança, espalhadas pelos cômodos. Mas não é por descaso. A arrumação é metódica.
A pequena cozinha tem uma abertura que faz comunicação com a sala de jantar, um passa-pratos. O charme especial especial fica por conta das xícaras e canecas, que foram ali penduradas.

 
A Nova Iorque retratada é sombria, decadente, implacável com seus moradores. 
Contrastando com isso, o lar do detetive do Mills, ou, aquele que Somerset nunca teve e sempre desejou.
A sequência final é de tirar o fôlego: dali por diante, a vida daqueles personagens nunca mais seria a mesma!


Ainda impactada pelas cenas do filme tentei fazer um paralelo, mais light: 
Quais seriam os 7 pecados capitais na decoração?
Seguindo a ordem de Seven, 
começaríamos com:
Gula
Para ilustrar o exagero do consumismo, um convite a mais…consumismo:

Repetindo a frase da propaganda e aplicando-a à decoração:
“Já parou para pensar no que a gente compra sem pensar?”
Adquirir um objeto para casa somente por impulso pode transformar-nos em acumuladores e não, em decoradores.

-Cobiça
Este segundo pecado geralmente vem antes do primeiro. 
Hoje em dia o acesso à revistas, blogs sites de compras e decoração, moda, celebridades levam-nos a um mundo de fantasia, nem sempre acessível ao nosso bolso. 
Desejar não é pecado, mas o “ter”, apenas para mostrar que “tem” determinado objeto da moda é bobagem( um pecado?!…).
-Preguiça
Inimigo n°1 de mudanças e melhorias na casa. Inclui, também: desinteresse em buscar informações e alternativas viáveis para caprichar no visual da casa, sem comprometer o orçamento da família. 
O investimento em tempo, trabalho, informação é custoso, mas compensa.
-Vaidade
A casa não é mais importante que seus moradores. Deve ser um complemento, capaz de abrigar os anseios e necessidades de uma família. 
Objetos não são mais importantes que pessoas, nem são os que formam um lar. 
Há casas que se assemelham a museus, ou templos: impecáveis, sagradas, inexpugnáveis, aptas a visitações públicas a qualquer hora e dia da semana, mas onde seus moradores não tem liberdade e não se sentem à vontade. 
Casas sem sentido ou razão, usadas apenas como prova da “competência” de seus donos em administrá-las.


-Luxúria
Relacionado ao pecado anterior, afinal, um não vive sem o outro.
É gostoso caprichar na arrumação, mas há quem faça da ostentação uma necessidade. A casa passa a ser o seu troféu, um símbolo de status.


Falando em filmes, ainda não assisti “2 Filhos de Francisco“: 

O Sílvio Santos também não viu mas diz que recomenda, que “é bom, muito bom”! 
Tentando deixar de lado meus preconceitos contra a dupla, e a música que fazem, prometo algum dia esforçar-me para incluir o filme na minha lista de tarefas, mas antes, preciso ver e rever uma lista interminável de outros…


Há poucos dias folheava uma revista Caras e encontrei a Zilú, mulher do Zezé, mostrando a casa, que mais parecia um palácio dos tempos do rococó. 
Nem preciso falar mais nada. As imagens são eloquentes:

Em casa, em Alphaville, onde mora há 16 anos, Zilú exibe o décor bem pessoal. Na parede, pintura da letra de É o Amor, o primeiro hit do marido, Zezé Di Camargo.
A partitura pintada na parede corresponde ao “hit” da dupla: “É o Amor…”

Mais interessante ainda foi a forma como a revista descreveu a extravagência: um “decor bem pessoal”. 
Mas acho que o casal tem estilo: o estilo Zezé&Zilú!
Qualquer espetada seria motivada apenas pelo penúltimo pecado capital: 
-Inveja!
(Coisa feia, Laély!)

O último pecado, o da ira, substituiria por:
-Impaciência-
Nós, adeptos do faça-você-mesmo não podemos sucumbir ao desânimo.

Semana passada, por exemplo, comprei um pendente novo para a cozinha.
Sem piscar os olhos apliquei tinta spray em uma das peças. Ficou uma “meleca”, com o perdão da expressão.
Para corrigir o erro, tentei aplicar removedor de tinta. O produto derreteu o material de acrílico, mas não removeu a tinta. 
Resultado: parte do meu pendente novo ficou imprestável.

Mas decorar a casa é trabalho de formiguinha: Muito erro, e acerto, e conserto, e trocas… 
O importante é ser paciente, persistente e pensar que sempre dá para melhorar!

Mas falar desses erros e pecados é falar dos próprios. Todo mundo, vez ou outra incorre num deles.

E você? Pode confessar: 
Qual o pecado na decoração que já cometeu, ou, vê os outros cometerem com mais frequência?…
Leia Mais

Luxo no lixo

Concorrendo a “Melhor Documentário”, “Lixo Extraordinário” foi nosso representante na festa do Oscar este ano. 
Não levou o prêmio, mas a repercussão nacional e internacional tornou Vik Muniz mais conhecido do público:
O artista plástico usa como matéria prima em seus trabalhos, praticamente qualquer coisa: de materiais descartados(lixo) a diamantes, tudo vira arte nas mãos dele!
Eu nem sabia, mas já conhecia um de seus trabalhos mais antigos, a capa de um cd delicioso: 
Agora ainda mais delicioso, em todos os sentidos: Vik usou calda de chocolate para ilustrar Arnaldo Antunes, Marisa Monte e Carlinhos Brown.
Muitos trabalhos de Vik são uma reinterpretação de grandes obras, como esta, de Caravaggio:
“Narciso”

E o Narciso, de Vik Muniz:
O making off
E introduzi com o trabalho desse artista, não porque deseje discutir se é de bom gosto, ou não. O que conta: o assunto é atual e as obras dele, provocantes; no mínimo, curiosas.
Mas a arte está justamente nos olhos de quem a vê. Desenvolver tal visão é trabalho para mentes criativas e sensíveis.
Vocês, por exemplo, dariam algo por esta janela velha?:
Admitamos: não somos nenhum Vik Muniz. Provavelmente, a maioria de nós a jogaria no lixo.
Guardadas as devidas proporções, Jane, do blog The Borrowed Abode é daquelas de “visão”.
Deu um “trato” na janela, que resultou num prático organizador de bijoux:
Instalou ganchos, puxadores, tela…
O passo-a-passo é em inglês, mas as imagens falam por si.
Tutorial, aqui!
Leia Mais

A Rede Social x Mary&Max

Depois de assistir a A Rede Social nesse feriado cheguei à seguinte “equação”, pra resumo de conversa:
Um gênio nerd sem escrúpulos+uma ideia original e inovadora+alguns inimigos-alguns amigos=negócio multimilionário!
O filme empresta velocidade e ritmo, dos relacionamentos criados e desmanchados via internet: rápidos, como a fala de Mark Zuckerberg (Jesse Eisenberg).
O ator indicado ao oscar, ao menos deveria levar o prêmio de “melhor preparo físico” e “maior fôlego”, por disparar tantas palavras/min!
Talvez por meu Q.I. não ser digno de Harvard, não tenha dado conta de acompanhar o ritmo do filme e das falas do protagonista( confesso: tirei uns cochilos lá pelo meio e, ao voltar, descobri não ter perdido grandes coisas…).
Zuckerberg não liga para dinheiro: para “pouco dinheiro”! Ele estaria no pedestal dos grandes gênios inventivos de sua época, capazes de fazer história: um legítimo self made man.
Não sei se o criador do Facebook e mais jovem bilionário seria um vilão ganancioso, ou traidor, mas a impressão que se tem, do personagem criado para representá-lo no cinema é a de um “míope social”: como um pobre mortal teria lá suas dificuldades de relacionamentos mas, através das “lentes mágicas” da tela do seu PC transformaria-se, como o Clark Kent na cabine de telefone, num verdadeiro “superman da virtualidade”! Uma versão “biônica”, mas em carne e osso, do “homem de seis milhões de dólares”(ou, bem mais que isso!):


Entre os 500 milhões de “amigos virtuais” do Facebook lá estou eu engatinhando, ainda tentando habituar-me a essa nova( já velha, no contexto atual de “fast”!) linguagem.
Mas, como diria Roberto Carlos: “eu sou aquele amante à moda antiga, do tipo que ainda manda flores…”

O que mais me encantou esses últimos dias não foi a mente inquieta de Zuckerberg, mas Mary&Max, de 2009.
Usando bonecos de massinhas e rodada em stop motion, a animação foi classificada como tema adulto não por conter cenas impróprias, mas por tratar de assuntos espinhosos demais para cabecinhas infantis: solidão, abandono, baixa auto-estima, inadequação social, fobias, depressão, homossexualidade…
Cada personagem é um tratado de males  neuropsiquiátricos e psicossomáticos!
Se alguém aí arrepiou os cabelos achando que a animação resultaria muito pesada, engana-se! O tema principal é a amizade, de verdade!

Uma menina australiana de 9 anos escolhe, deliberadamente, um correspondente de 44 anos do outro lado do Atlântico, mais precisamente, em Nova Iorque:

O pontapé inicial dessa amizade nada convencional é a dúvida existencial pela qual todos passaram algum dia: “de onde viemos?”
Como não encontrasse respostas mais perto, Mary resolve procurar mais longe, com um estranho, bastante estranho: Max.
Embora vivamos tempos de incertezas, com “lobos travestindo-se de cordeiros” e escondendo-se sob o manto do anonimato que a internet tece, nem por alto o filme passa alguma impressão, de: “isso não está me cheirando bem!”
Max tem nome, sobrenome, endereço em Nova Iorque e, Síndrome de Asperger.
A história( baseada em fatos reais) é atemporal, mas transcorre numa época em que corresponder-se com alguém demandava “nervos de aço”, terreno “onde os fracos não têm vez”: escrever uma carta, dobrar cuidadosamente o papel e escondê-lo num envelope, conferir o endereço, colar o selo, despachá-la pelos CORREIOS, aguardar, conferir a caixa e, aguardar mais ainda…é ritualístico! Hoje em dia é tudo tão mais simples, e rápido, e descartável…
Mas a angústia da espera é recompensada pela alegria da resposta, numa carta!
Isaurinha Garcia, célebre cantora dos anos 30, descreveu tal emoção, num samba-canção:
“Quando o carteiro chegou
E o meu nome gritou
Com uma carta na mão,
Ante surpresa tão rude,
Não sei como pude chegar ao portão…”

Voltando à nossa dupla de bonecos de massinha, modelados toscamente para “ressaltar a qualidade de seus defeitos”, o que importa não é o ponto de partida: o “de “onde viemos?” mas, o “para onde vamos?”
E a amizade entre Mary e Max foi se firmando a cada correspondência que atravessava o Atlântico, apesar das diferenças de cada um. Ao longo de 10 anos trocaram cartas, confidências, dúvidas existenciais, outras, nem tanto…
Impossível não comparar com outro filme, mais antigo: “Nunca Te Vi, Sempre te Amei“, onde uma escritora americana( Anne Bancroft) corresponde-se por 20 anos com um inglês( Anthony Hopkins, na era pré-Hannibal), gerente de uma livraria, firmando uma sólida amizade.

A atmosfera lúgubre da animação é reforçada pelo preto e branco predominantes na tela, só ponteado aqui e ali por alguma cor, como querendo destacar apenas o que mais importa. Max, por exemplo, tem um gorro enfeitado por um pompom vermelho, assim como a sua correspondente mirim, uma presilha de cabelo no mesmo tom: afinidades, apesar da distância e diferenças…
Os personagens quase não falam; narradores tratam de contar essa comovente história e emprestam-lhe a voz. Perfeita opção, pois o que mais importa não é o que se fala “da boca pra fora” mas, “de fora para dentro”: ouve-se apenas o som do coração, a voz das mais íntimas impressões.
E, apesar de tocar em tantos assuntos espinhosos é impossível não verter cada narração e imagem como uma boa taça de batida de abacate, macia, doce e aveludada( perdão, aos que não gostam de batida de abacate. Podem substituir por iogurte de caqui). Nem por isso, cai na armadilha da superficialidade: Mary&Max é tocante!

E quando Mary finalmente resolve conhecer seu amigo do outro lado do mundo, descobre de maneira surpreendente, como a amizade entre os dois encheu a vida de Max de muitos sentidos…
Numa de suas cartas à menina, Max confidencia que uma de suas maiores frustrações era não conseguir derramar lágrimas: vertia algumas cortando cebolas, mas, isso não valia…

Não precisarão de cebolas, mas recomendo lencinhos…
Um filme para ver e rever, muitas vezes!

“Deus nos deu parentes. Graças a Deus, podemos escolher nossos amigos!”
E, entre o milionário Zuckerberg e os toscos bonequinhos de massa, prefiro os últimos.
Leia Mais

"A Vida dos Outros"

A Vida dos Outros
Gerd Wiesler é um funcionário público exemplar: incorruptível, competente, cumpridor de suas obrigações e mais um tanto. Ele acredita no que faz (principalmente, no que o Governo manda fazer).
(Generalizar é um pecado que deveríamos evitar, mas nosso servidores públicos bem que poderiam usar Wiesler como exemplo.)

Há um “porém”, nessa história( nem tudo é perfeito!): o funcionário em questão é um espião da Stasi, o Serviço Secreto da Alemanha Oriental encarregado de espionar os próprios cidadãos alemães, “contrários ao Regime”.

“A Vida dos Outros” passou despercebido do grande público mas acabou levando o Oscar de “Melhor Filme Estrangeiro”, em 2007:

O “exemplar” Wiesler, interpretado por Ulrich Mühe, recebera a incumbência de vigiar os passos do diretor teatral Georg Dreyman e de sua namorada Christa-Maria Sieland, suspeitos de serem infiéis aos “ideais” comunistas. Isso, na Alemanha Oriental do início da década de 80, em plena Guerra Fria, onde o Estado não media esforços e/ou escrúpulos para obter informações, não só de seus oponentes estrangeiros, como também dos “camaradas” de seu país.
A Stasi era o “Estado dentro do Estado” e empreendia todas as tecnologias da época, bem como técnicas de cooptação e constrangimento das mais antigas para manter a máquina do Governo a salvo de possíveis “traidores”.
Cumprindo fielmente sua missão, Wiesler invadiu o apartamento de Dreyman( contando com a “discrição voluntária” dos vizinhos do diretor), instalou escutas nos ambientes e, de seu bunker, no outro lado da rua, controlava todo os movimentos do suspeito.

O espectador acaba tornando-se cúmplice desse voyeurismo.
Mas, à medida que o espião conhece a intimidade do casal(seus ideais, sentimentos e temores) desenvolve por eles verdadeira empatia. De vilão a anjo da guarda, Wiesler, assim como as suas vítimas, revela sentimentos, susceptibilidades: as primeiras dúvidas surgem…
Para entender nosso anti-herói, antes de justificar suas ações é necessário contextualizar suas motivações: fruto da educação e cultura do pós-guerra na Alemanha Oriental, o funcionário cumpria fielmente seu trabalho, por ideologia. A única visão que tivera do mundo até então era o que o Governo lhe oferecia; a única “verdade”, o que o Estado maniqueísta lhe apresentava. Wiesler realmente julgava “fazer a coisa certa”. Nem por isso deixou de agir contrariamente a tudo que cria anteriormente, depois de conhecer o mundo através dos olhos do espiado.

Para os que ainda não viram o filme, não seria eu estraga-prazeres de revelar aqui o fim dessa história. Mas o fim da outra História, todo mundo conhece:
O Estado totalitário, maniqueísta, controlador, onipotente e onipresente da Alemanha Oriental foi desmantelado em 1989 e a Stasi ganhou os porões do esquecimento, lugar para onde costumava mandar seus desafetos.
A queda do Muro de Berlim foi marco do fim de uma era e o início de outra história: de liberdade e desenvolvimento que a Alemanha tenta escrever, apesar de todas as dificuldades, desde a sua reunificação.

À exceção de algumas ilhas de paralisia social, política e econômica( como a Coreia do Norte, Irã, Cuba…)o mundo de hoje costura alianças, jamais imaginadas à época da Guerra Fria! Polarização, partidarização, radicalização cedem cada vez mais espaço à: globalização.

Na contramão da História, nosso atual governo parece querer implantar no país, um modelo que já se provou obsoleto até mesmo para os que dela mais se beneficiaram. ( Veja a declaração do jurássico Fidel, em entrevista a jornalista americano.)

Citando Mahatma Gandhi:

“Se queremos progredir, não devemos repetir a história, mas fazer uma história nova.”

Posando de “novo líder dos países em desenvolvimento”, nosso presidente envolveu-se em imbróglios internacionais, completamente desnecessários:
Quem justificaria essa estranha empatia do atual governo com o presidente iraniano? Ou, a vista grossa que se faz aos desmandos de Hugo Chávez, na Venezuela? E a condescendência com o presidente cocaleiro Evo Morales? Afagos e aproximações com ditadores, de Cuba e até da África?!…
Será, que é para aplicar aquele velho ditado: “dize-me com quem andas…?!”
Lembro do terror psicológico que rondou a primeira eleição de Lula, em 2002: havia um temor fundamentado de que a estabilidade econômica fosse ameaçada.

Contrariando todas as previsões pessimistas, incluindo as minhas, nesses 8 anos de governo o Brasil não apenas manteve a estabilidade econômica: também cresceu. Assim como, os tentáculos do partido dentro do governo.

A quem duvidar ou, aos opositores, o governo mostra incontestáveis números do crescimento ao mesmo tempo que, nos bastidores, promove uma progresiva “petetização” administrativa:
“Nunca antes na história deste país” criaram-se tantos cargos de confiança!
-Para quem?!
-Ora, quem! Para os camaradas do partido: lógico!
“Aos amigos, tudo; aos inimigos a lei”: é a política do atual governo.
Enquanto estamos aqui,”deitados em berço esplêndido”, balançando na rede da estabilidade econômica, o PT vai cultivando sua hegemonia no poder para se tornar o“grande Timoneiro” da nação!

É de se admirar que, em tão pouco tempo, uma candidata praticamente desconhecida do povão tenha se tornado unanimidade nacional, nossa mais nova “amiga de infância”, assim como o seu tutor!

Mais incrível ainda é a “teflonagem” da figura dos dois: nada gruda neles! Nem escândalos do mensalão, nem violação do sigilo bancário da filha de Serra…nada! Nada respinga nos “grandes líderes”!

“É tudo intriga da oposição!”
A relativização da verdade e a vilanização dos opositores são as estratégias usadas para desviar a atenção de fatos reais.
“A linguagem política dissimula para fazer as mentiras soarem verdadeiras e para dar aparência consistente ao puro vento.” (George Orwell)
Mas a maioria foge da realidade: ou porque concorda e obtém vantagens no engodo, ou porque acha impossível mudar alguma coisa, sozinho; acomoda-se.
Como diria Dr. House: “Everybody lies!” E ainda ele, com outra, melhor ainda: “A decepção é a raiva dos fracos”.
Meu pequeno não perde um programa eleitoral, na TV. Anda tão envolvido com política e eleições que, só fala nisso! Chegou a recusar sair de casa à noite, outro dia:
“Ah! Mas é bem na hora do Horário Eleitoral de Humor Gratuito!”
Eu fui. Ele ficou.

Enquanto preparava este post, completamente fora do tema do blog, ele se aproximou, leu um pouco e, preocupando-se avisou:

“Vai falar sobre política no blog? Então, tem de ser neutra pra não criar discussão…”
Sei, sei. Obrigada pelo conselho, meu pequeno AAP(Assessor para Assuntos Políticos). Prometo não reincidir. Mas é que, não é a “vida dos outros”:
É a minha, a sua…
Leia Mais