"O Palhaço"

Não. Não estou falando do ministro Carlos Lupi que, além de destrambelhado virou desmemoriado, recentemente. 
Estou falando de palhaçada de verdade e, das boas!


Há menos de 1 mês e, com mais de 1 ano de atraso, assisti ao “Tropa de Elite 2“: ação, suspense e emoção, numa trama bem amarrada e enxuta! Assisti ao “2”, porque já assistira ao “1” e gostara. A continuação provou ser ainda melhor!
Felizmente, o cinema brasileiro vem melhorando em qualidade. Como a tropa de elite do BOPE, conquista mais espaço, a cada dia e, ainda “vai pegar você”!
Eu, por exemplo, fui completamente arrebatada em encantamento, por:

Encantamento esse que me lembrou aquele, provocado pelo premiado filme italiano Cinema Paradiso.

Selton Mello é diretor e protagonista de “O Palhaço
Benjamim é o único filho de Valdemar( Paulo José), dono do simplório Circo Esperança. Juntos comandam uma trupe de artistas, como uma grande família, e formam a dupla de palhaços Pangaré e Puro Sangue:
O espetáculo de humor é inocente e teatral (lembrando Didi Mocó, nos bons tempos de “Os Trapalhões”) mas, assim que “Pangaré” deixa o picadeiro, Benjamim revela o que realmente é: um jovem melancólico e, completamente fora de contexto. Atabalhoado, quase autista, ele planeja novos movimentos, almeja outros ares, encontrar a própria identidade( literalmente, inclusive!), um sopro de liberdade( o que talvez explique sua obsessão por ventiladores)
E, quem nunca se sentiu assim, antes?
 
Quando perguntado sobre o que fazia, Benjamim responde:
“Sou palhaço. Faço os outros rir. Mas, quem vai me fazer rir?…

E essa é uma história de autodescobrimento, de busca de vocações, que poderia muito bem ser a minha ou, a sua, por isso a empatia, a identificação quase automática com Benjamim seus conflitos.
A fotografia, figurinos e cenários reforçam um clima vintage, quase atemporal. A trilha sonora resgata músicas antigas, com Nelson Ned cantando a melodramática Tudo PassaráHaja saudosismo! 
Preparem seus lencinhos…
O elenco é de primeira. Boas revelações, como a menina Larissa Manoela(Gulhermina) e a bela Giselle Motta( como a dançarina Lola), além das participações mais que especiais, de: Tonico Pereira, Fabiana Karla e Jackson Antunes. Uma participação rápida mas, marcante, foi a de Danton Mello, irmão de Selton: uma gracinha, ver os dois juntos! Outros artistas, resgatados lá do fundo do baú, brilharam: Moacyr Franco*, como um impagável delegado de polícia no interior de Minas, Ferrugem( lembram dele?) e o comediante Jorge Loredo( mais conhecido como o Zé Bonitinho). Enfim, todos palhaços, no melhor sentido da palavra!
*Moacyr Franco recebeu o prêmio como “Melhor Ator Coadjuvante”, no 4°Festival de Cinema da Cidade de Paulínia. O filme também levou os prêmios, de: “Melhor Direção”, “Melhor Roteiro”( para Selton Mello) e “Melhor Figurino”.
O mundo dá voltas e a vida de Benjamim, também. Mas às vezes é preciso ir longe para descobrir que, aquilo que mais queríamos, já havíamos conquistado há muito. 
“Você tem que fazer o que sabe:
O gato mia, 
O rato come queijo
E eu, sou um palhaço…”
E você, o que é?…

“O Palhaço” tem página no Facebook, site e blog: acesse, informe-se e, assista! 
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Para Zezé e Luciano

O “Astro” chegou ao fim, sem eu ter assistido ao menos um capítulo. 
Mas o fim que virou astro nos noticiários desta semana foi o da dupla sertaneja Zezé di Camargo e Luciano
Haveria possibilidade de final feliz para essa outra novela? 
A seguir, cenas do próximo capítulo, de: 
Fim de Festa“…
 
Rafinha Bastos, que está sendo processado pela família Camargo/Buaiz( Wanessa, o marido e, incluindo, o feto!), não perdeu a chance de se manisfestar:
“O triste não é a separação da dupla. O triste é a possibilidade de duas carreiras solos.”
( Dessa vez, tenho de concordar com ele!)

Estremecimentos até, separação, é coisa normal nesse meio. Mesmo, tratando-se de irmãos. Assim foi com Crystian&Ralf e Edson&Hudson. Parcerias para durar uma vida, como Pena Branca&Xavantinho, é coisa do passado…

Mas não os culpo. Não aguentaria nem 10 minutos. Imaginem os dois, 20 anos cantando juntos! Enjoa, né?…

Caso a previsão de Rafinha Bastos se concretize, não faltaria espaço na mídia para a ex-dupla:
Tão prolífico quanto a indústria sertaneja é o gospel. Ainda mais, o produzido por aqui! Esqueça o tradicional “Amazing Grace” porque, o que se denominou “música gospel” no Brasil fica bem longe disso! Na verdade, o mercado abraçou toda e qualquer manifestação musical “religiosa”, num ecumenismo de crenças, numa babel de ritmos. 
Não estou querendo dizer que um tipo é bom, outro, ruim, mas são estilos bem diferentes! Um tem identidade, berço, história. Outros são cuspidos a cada minuto nas rádios evangélicas, fazendo o maior sucesso! 
Zezé e Luciano, escutai: eis uma luz, no fim do túnel!

Apelando ao “santo Google” e, digitando: “como fazer música gospel”, deparamo-nos com vários links(sérios, outros, nem tanto) ensinando como. Também arrisquei alguns pitacos:
(Zezé&Luciano: anotai!)

1-Inicie as estrofes de maneira suave e conduza-as a um clímax, se possível, aumentando o tom e o som, permitindo ao intérprete demonstrar toda a sua extensão vocal. 
2-Algumas palavras e expressões não podem faltar, como: aleluia, glória, poder, milagre, unção, benção, vitória, altar, vento, chuva…
Para dar um ar mais “cult-religioso” à canção inclua palavras em hebraico, como: shekinah, Jeovah, shalom…
3-Repita, repita, repita…

Não sou especialista no assunto, nem quero aqui ferir susceptibilidades. Falo como uma evangélica que participa na igreja, especificamente, na área da música. Nesse assunto, assim como na hora de escolher perfume, cada um tem suas preferências.
Mas, seria apenas uma questão de gosto pessoal?
O que me parece é que, assim como na indústria do axé, pagode e sertanejo, o gospel foi sucateado e massificado: quem ouve um, ouve todos! As músicas são repetitivas, as letras vazias e a rima, pobre.

Zezé&Luciano: repensai! Não precisamos de mais números no mercado!

Vamos aprender com quem sabe, então.
Para relembrar, um filme dos tempos áureos de Whoopi Goldberg:
Vale, ainda, assistir a outro: “Resistindo às Tentações”, com Cuba Gooding Jr. e Beyouncé Knowles.
Elvis Presley, numa apresentação histórica, cantando “Paz no Vale”, aqui.
E, para quem não sabe, Bob Dylan compôs várias músicas gospel, recentemente reunidas no excelente “Gotta Serve Somebody-Gospel Songs of Bob Dylan”, interpretadas por cantores  do gênero.


Pensando bem, Zezé&Luciano: reconciliai-vos e, poupai-nos desse pecado musical!
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Paredes que falam

No post de ontem, citando a Vivianne Pontes, comentei sobre aquelas coisas capazes de provocar o olhar.
O que me provocou foi esta parede:

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Destaque, no apartamento do casal de artistas Myriam e Dominique, em Nimes, no sul da França. O prédio foi construído em 1835.
Ao retirarem o antigo papel de parede, revelou-se-lhe a verdadeira idade: maturidade assumida pelo casal, que preferiu deixá-la assim. Mas, nem por isso, triste.

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Mais imagens, no the style files.

O que me fez lembrar o consultório de Lionel Logue( Geofrrey Rush), terapeuta da fala, no filme “O Discurso do Rei“:

A sala ficava num prédio tão antigo, que o piso rangia. A parede, descascada pelo tempo, parecia uma aquarela em tons terrosos; servia de moldura a uma elegante poltrona luís XV, onde se assentava o futuro rei da Inglaterra, o gago George( Collin Firth), durante as sessões de “tratamento”:
O-Discurso-do-Rei-02
O “especialista” usava métodos nada convencionais…
O importante é que funcionou, como as paredes do apartamento francês.
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Alma de Amélie

Ando um tanto redundante, ultimamente: na tristeza, nas lágrimas frouxas, no desânimo.
No meio do caminho não havia uma pedra, mas uma amiga que parou e ouviu; sem muito o que dizer, chorou junto.

Amigos verdadeiros podem ser instrumentos celestes, os ouvidos humanos de Deus ao nosso lado. 

Depois de confortada foi minha vez de confortar: ontem, depois de um mês de férias em nossa casa, tivemos de nos despedir do primo, de 9 anos. 
O filho caçula chorou, pelo amigo que se foi. Ainda é melhor chorar de saudade por um amigo distante, que chorar de tristeza e não ter um que possa nos consolar.
Há pessoas assim, especiais, capazes de transformar um dia cinza num crepúsculo de cores. Como a francesinha, de o Fabuloso Destino de Amélie PoulainAfirmar que esse é um filme inspirador, também é redundância.

De tão citado, virou cult: prato cheio para almas sensíveis e românticas.
O que mais me encanta na personagem é sua simplicidade: acreditar que, pequenas gestos possam trazer um pouco de felicidade, à própria vida e à dos outros. 
Em muitos aspectos, a doce e inocente Amélie( interpretada por Audrey Tatou) lembra Pollyanna. Desdobra-se para pincelar de cor o destino daqueles à sua volta. Ela se importa, e isto faz a diferença.

A belíssima fotografia e cenários também chamam atenção: predominam as cores primárias amarela, vermelha e verde.
E a casa da mocinha…( suspiros!)
Cenário de sonhos de qualquer garota romântica!
Nada é padrão ou lugar-comum: do papel de parede vintage, rubro dramático, às ilustrações na cabeceira, luminária de porquinho, outra, de fru-frus, cama de ferro…A decoração é a transcrição literal da personalidade de Amélie!
A Vivianne Pontes já mostrou esse quarto, no De(couer)ação, com dicas para quem se identificou com o estilo: 
Inspirou-se?
Comece pelo papel de parede: dramático, retrô, como a opção de estampas e grafismos da nacional Bobinex, por Marcelo Rosenbaum:

Escolhi um tom turquesa, embora ainda não tenha decidido onde aplicá-lo.

Outras inspirações:

Desire to Inspire

Neste quarto, não só a parede recebeu papel, mas também as portas do armário Ikea:
Bedroom detail 6
Cupboard with vintage wallpaper doors
Flickr de Lutterlagkage

E esta casa, bem que poderia ser o abrigo londrino da francesinha: 
Piso rosa(repare a parede roxa, perto da escada)!
O quarto, muito feminino:
Adesivo( ou seria pintura?) na cabeceira substituiu o papel de parede:
E o quarto da menina:

Também, no Desire to Inspire.

Outra versão romântica, onde até a cúpula de abajour recebeu aplicação de revistas:
Ver o mundo como Amélie o via talvez tornasse a vida mais fácil…
Ao menos, mais colorida!
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Potiche Esposa Troféu

Hay que endurecer, pero sin perder la ternura jamás!”
Cena 1:
(Imagem: dAqui)
-Uma senhora de meia idade faz seu cooper matinal. Nem sequer transpira, ao contrário: Sem perder a elegância, coordena metodicamente passadas com movimento dos braços, mantendo a respiração cadenciada. 



O figurino escolhido para a prática do esporte é irretocável: uniforme de trainning vermelho e lenço na cabeça, cobrindo os cabelos presos em bobes. 

O cenário é um bucólico bosque, onde não falta um tímido veado passeando, assim como coelhinhos, não tão tímidos assim, e um fofo esquilo arredio. 
A mulher suspira de satisfação enquanto anota numa pequena caderneta, poemas que ela mesma inventa.


“O choque de realidade”
Cena 2:
Chega enfim à sua bela casa, numa província da França, cercada por jardins que ela mesma cuida. 
Prepara o café para servir ao atarefado marido, um bem-sucedido empresário, dono de uma fábrica de guarda-chuvas.
O encanto quebra-se, assim que o homem abre a boca. Ele não fala: resmunga, xinga, reclama, vocifera, critica, sem parar! 
Qual a melhor descrição para ele?
Marque a alternativa correta:
a)-Um brutamontes( )
b)-Um grosso( )
c)-Um canalha( )
d)-Todas as alternativas anteriores são corretas( )


Melhor marcar a última e deliciar-se com essa comédia francesa, que tem elenco estelar e reviravoltas desconcertantes!


Catherine Deneuve é Suzanne, uma dona de casa tratada pelo marido como um “potiche”( vaso)Um verdadeiro bibelô de luxo.
O desprezível Robert( Fabrice Luchini) considera as mulheres objetos, os filhos, uns imprestáveis e os empregados, “um mal necessário”. Enfim, em termos de relações pessoais o empresário é um verdadeiro desastre!

Estereótipos, como a mulher submissa, o chefe autoritário, a secretária-amante, “filhinhos de papai”, empregados rebeldes e políticos comunistas são satirizados e caracterizados de forma leve!

Durante uma greve na empresa, Suzanne assume a presidência no lugar do marido. Daí por diante, ninguém mais será o mesmo! A não ser ela: 
A “rainha do lar e dos eletrodomésticos”, “nunca antes na história desse país” levada a sério, acaba revelando-se uma excelente negociadora e administradora!


Os cenários são outra boa surpresa. 
A mansão dos Pujol é uma típica residência burguesa do final dos anos 70:

Papel de parede diferente em cada ambiente, inclusive na cozinha!

A fábrica passa por uma reformulação bastante visível durante a administração de Suzanne!


E a química entre Deneuve e Gérard Depardieu, parceiros em filmes anteriores, é incontestável!

Potiche Esposa Troféu foi exibido no Festival Varilux de Cinema Francês e deve estrear em breve, nos cinemas nacionais.

Como perceberam, alguns adjetivos por mim usados foram superdimensionados: 
“Irretocável”, “incontestável”! 
Acrescentaria um outro, para Potiche:
Imperdível!

Como conclui o persongem Robert: 
Deneuve pode até ser um troféu, mas não foi feita para ficar na prateleira.
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