“Ela”

Outro dia fui ao cinema com uma amiga assistir a um filme sugerido por um amigo. A sala de exibição estava lotada, afinal, era um dos indicados ao Oscar.
História desenrolando-se, não demorou muito até que nos entreolhássemos, silenciosamente nos perguntando:”o que estamos fazendo aqui?”
Muitos tiros( na tela) e cochiladas( na cadeira) depois voltamos pra casa, decepcionadas. Fora tão bem recomendado!…

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Dicas de carnaval

Se você, como eu, detesta carnaval, enfrentar estradas perigosas e frequentar praias lotadas, nesse feriadão, aproveite as dicas a seguir!
Ando sumida daqui, mas no Facebook, bastante ativa. Quem quiser, pode me procurar por lá!
Tenho compartilhado alguns textos. Se me ajudaram, de certa forma, tenho certeza que poderão ajudar a mais alguém:
O poder e o peso da clareza” e “Quando o reboco começa da cair“, do blog de um brasileiro radicado em Berlim: Pensamento Livre, de Gustl Rosenkranz.

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“A Datilógrafa”

A-S-D-F-G…Virei fã do cinema francês, mais especificamente, comédia francesa.
Há algum tempo fiz aqui uma resenha sobre “O Pequeno Nicolau” e, posteriormente, “Potiche Esposa Troféu“.  Coincidentemente, dois filmes de época( anos 50), cheirando naftalina: fotografia, cenários, trilha sonora e figurinos pra amante de vintage nenhum colocar defeito! Assim como este último, que acabei de assistir: “A Datilógrafa” ou, como o título, mais ambíguo e menos óbvio em francês sugere, “Populaire”( uma das marcas de máquina de escrever, mencionadas no filme).

Classificado como “comédia romântica”, acho que não se enquadraria bem nem numa categoria, nem noutra. Não, ao menos, como estamos acostumados a ver no cinema americano. Daí, a (boa)surpresa.
Não espere gargalhadas. A graça está nas entrelinhas, situações, época( se comparada à nossa).  Época em que fumar era glamouroso e contestador e as mocinhas sonhavam ser, não modelos e artistas da Globo mas sim, secretárias.

O casal protagonista, Déborah François (Rose Pamphyle) e Romain Duris (Louis Échard) também foge à obviedade. O espectador, porém, é enredado de tal forma, que se sente cúmplice dessa história de amor nada comum.

Assim como a Elizabeth Benett de Jane Austen em, “Orgulho e preconceito”, Rose é uma garota à frente do seu tempo, apesar da aparente fragilidade. Disposta a investir no sonho de um futuro melhor, contraria a vontade do pai, dono de um mercadinho no interior da França, e segue para uma cidade maior, esperando seleção como secretária na agência de seguros de Louis Échard. É desajeitada para o cargo almejado mas, devido sua obstinação e poder de persuasão, além de um dom especial para datilografar a uma velocidade impressionante, acaba chamando a atenção do futuro patrão, um (ex) atleta nato. Como um “headhunter”, um descobridor de novos talentos, ele antevê no talento de Rose a possibilidade de ganharem o concurso nacional de velocidade datilográfica( acreditem: existia, àquela época). Evento tão importante, quanto um campeonato de MMA dos nossos dias! Rose só precisava aceitar ser “treinada” pelo seu chefe, de forma nada convencional, quase torturante!
Usar como pano de fundo da história um campeonato de datilografia, numa época em que máquinas de escrever são apenas peças de museu, pode parecer uma cilada de tédio. Enganam-se! “Populaire” prende, do início ao fim!
Tantos anos, desde o final dos anos cinquenta se passaram e, muita coisa não mudou: machismo, hipocrisia da sociedade, competitividade, falta de ética e, claro, o amor, afinal, estamos na França!


Atenção, senhores passageiros! Caso lágrimas brotem dos olhos ao final do filme, lencinhos deverão cair à sua frente!

( p.s. Havia escrito a resenha antes da maratona porém, houve um problema na hora da publicação e acabei perdendo metade do post, por isso, depois volto com as notícias da corrida.)

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Elas merecem um troféu!

Muitos sorrisos amarelos pra agradecer os “parabéns” forçados pelo “Dia Internacional da Mulher”.
Não me deem parabéns. Mas, aceito presentes. Todos que mereço! E, mereço muito! Ser bem tratada, o melhor deles! Todos os dias do ano!
Aproveitando a data, a minha dica cultural, é: “Potiche: Esposa Troféu”, uma comédia inteligente e deliciosa, com Catherine Deneuve e Gérard Depardieu.
Fiz um post sobre o filme francês, aqui.
E enquanto preparo um post de verdade, meu desejo é que, homem ou mulher, se divirta!

Bom fim de semana!

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Salve Gonzaga!

Mocinha moderna é assim: mãe solteira, batalhadora, independente, segura, cuida dos outros, sem descuidar de si…
Já o mocinho, não mudou muito: bonitão, másculo, bem-sucedido mas…ainda mora com a mamãe?!
(Ok. Relevem esse pequeno detalhe. Digamos que, seja o cuidador da mãe. Melhorou, né?)
Então, como que predestinados( e mocinha sempre tem um mocinho, pra chamar de seu!), os dois se encontram e todo o universo para! Estava escrito nas estrelas: os dois nasceram, um para o outro!
Mas há opiniões contrárias:
“Falta química!”
“Falta entrosamento!”
“Os atores são inexperientes!”
Eu, que não assisto à novelas, digo: falta história e atuação convincentes!
A mocinha “diferente”, nada mais é do que a encarnação moderna e machista da Cinderela:
Morena não aceita cabresto. Tem um príncipe apaixonado a seus pés, mas não quer depender, nem dever nada a ninguém.
Porém sabemos, desde o primeiro capítulo, que se meterá em grandes encrencas.
Depois de muito sofrimento( afinal, isso é novela!) será salva pelo galã destemido, montado em seu cavalo( Salve Théo!).

Não percam seu tempo! O final é conhecido!
Como escrevi essa semana, lá no Facebook: Théo e Morena valem um dedo na garganta!
Os níveis de audiência, os piores desde “Caminho das Índias”( por coincidência, mesma autora e mesmo mocinho), são um retrato dessa insatisfação popular.

E quem me acompanha há algum tempo deve estar se perguntando:
“Um post sobre novela?! Como assim?…”
A introdução foi pertinente e, já explico:
Não é disso que quero falar. Nem da atuação pífia de seus protagonistas( embora, até aqui, já tenha lhes tomado algum tempo…).
Mas defendo Nanda Costa!
Não sei se “Salve Jorge” tem salvação mas, se a atuação não é excelente, inesquecível, pelo menos em “Gonzaga, de Pai para Filho” Nanda Costa não erra. Convence, até!

E se a novela não vale a pena, o filme, sim. Não por causa da atriz e sim, pela história comovente.
Agora em dezembro é comemorado o centenário de Luiz Gonzaga.

O filho de seu Januário saiu de Exu ainda adolescente, fugido.
Foi com o pai, “consertador” de sanfonas, que Gonzaga aprendeu a tocar. ( Devidamente homenageado, posteriormente, em “Respeita Januário“)
De Exu para Fortaleza, onde ficou servindo ao exército por 10 anos.
Reencontrou a música na mudança para o Rio mas, suas raízes, só algum tempo depois.
Foi nesse período que conheceu a mãe de seu único filho homem, Gonzaguinha.
A personagem interpretada por Nanda Costa é um divisor de águas na vida de Gonzaga, pai e filho. A relação entre os dois é distante e cheia de conflitos.
O diretor de “Gonzaga, de pai para filho”, o brasiliense Breno Silveira, é o mesmo de “Dois Filhos de Francisco”. O mérito do filme é revelar o humano, por trás do artista.

Apesar das diferenças entre Gonzagão e Gonzaguinha, a história, com várias passagens de tempo, mostra essa difícil reaproximação. Os dois foram se conhecer, de verdade, somente depois de adultos.
Destaque para a interpretação de Júlio Andrade como o Gonzaguinha, na fase adulta. A metamorfose do ator em cantor é incrível!

Sem falar, na trilha sonora: maravilhosa!
E enquanto fazia este post escuto o carro de som* anunciando um campeonato de bocha:
“Você não pode perder!!”
Fiquei imaginando que grande programa seria esse, pra ser considerado “imperdível”.
Por isso não usarei a mesma estratégia de marketing local.
(*Cidade pequena, ao menos na minha, é assim: eventos importantes e notas de falecimento são feitos por um carro de som.)
Se o filme não é assim…imperdível, pelo menos, emociona muito mais que uma partida de bocha( e, com certeza, um capítulo de Salve Jorge)!

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