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Brunch para Vinícius

Postado por Laély, no dia 11-11-2013 - Categoria: arranjos,filhos,meu quintal,receitas - 18 Comentários

Escrevo este blog há quase 5 anos. Nesse período, muita coisa mudou( outras, nem tanto): a casa, os gatos que passaram por ela, o corpo, a família…
Pra quem me acompanha há mais tempo, a história já é sabida. Pra quem não, entenderá melhor este post se, antes, ler um outro: “De mãe pra filho“.
Resumindo: tenho três filhos, quase todos, de barba na cara. Pra quem não acredita, olha os “meninos”, aí:
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A verdade incontestável da vida: os filhos crescem. E, se vão…
Conosco, apenas o mais novo, que acabou de completar 14 anos. O mais velho faz faculdade, na capital, e o do meio resolveu ir pra mais longe, bem longe…O tempo não para: são quase 2 anos…
Há uma semana ele voltou, para uma visita rápida. E, como não poderia deixar de ser, a gente quer mimá-los, de todas as formas!
A avó materna não pôde vir ao seu encontro. Mandou, lá de Belém, delícias regionais, que ele tanto gosta.
No seu último sábado no Brasil saboreou frango com jambu, no tucupi e, de sobremesa, açaí.

“Será que meus filhos terão alguma reminiscência da maneira como tempero nossa comida? A gente nunca sabe o momento, exato ou inexato, em que vai entrar para o rol de lembranças de alguém. Qualquer ação ou atitude podem virar protagonistas; preciso me lembrar disso, para caprichar mais nas coisas.
Será que, n’algum momento da vida, eles tentarão recuperar algum sabor de suas infâncias? Experimentarão, quando grandes, algo que não tenha sido feito por mim, fecharão os olhos por alguns segundos e se pegarão dizendo ‘Parece a torta de legumes da mamãe’ ou ‘É igual ao creme de abóbora que ela fazia’?
No fundo, a gente quer é ser lembrada. E o alimento é a memória afetiva mais forte que existe. É o primeiro presente que ganhamos, ao nascer. Onde fica a boca do mundo?”

Foi o que a Silmara Franco escreveu, no último post.
Concordo com ela! Trago algumas recordações gustativas e olfativas da infância, como um pão de canela que minha mãe costumava fazer.
Acredito piamente que, cozinhar é uma forma de acarinhar. Uma das formas. Cada um tem a sua…
Um bom compositor faz música, eu, embora não me considere tão boa cozinheira, comida. É a minha sonata, para olhos e paladar.

Então, antes mesmo dele chegar, decidi por uma despedida em volta da mesa, junto com alguns amigos. E foi, assim:
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Depois de uma semana de tempo fechado, chuvoso e frio a manhã de domingo estreou, com um belo dia de Sol: perfeito, pra montar a mesa no quintal!
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As opções salgadas do cardápio: sanduíche, no pão integral, de atum e pepino*, quiches( tomate seco/cogumelos frescos), cuscuz marroquino, focaccia integral com tapenade de azeitonas, receita do Panelinha.
*Para o recheio do sanduíche piquei pepino japonês em cubinhos bem pequenos, acrescentei um pouco de sal e deixei escorrer numa peneira. Depois, sequei o excesso de água em papel toalha e acrescentei ao recheio de creme de ricota e atum. Acertei o sal e a pimenta. Os pedacinhos de pepino dão uma textura crocante ao creme.
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Opções doces: torta de ricota( com geleia de morango e geleia de goiaba), bolo gelado de abacaxi, bolo de mamão e aveia, biscoitinhos de nata.
As bebidas servidas foram suco e chocolate quente.
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Flores na mesa, colchas no varal, mix de louças: se você gosta de cores, não há contraindicações!
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Como ele viajaria à tarde, a ideia do brunch foi a mais viável: um café da manhã mais tarde, com cara de almoço.
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O importante era deixar todos à vontade.
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E teve música especial, de despedida…
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E um breve momento de reflexão, dirigido pelo nosso pastor:
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Ficar longe até que não é tão difícil, hoje em dia. Difícil, mesmo, é dizer “auf wiedersehen”!

“Dê a quem você Ama :
- Asas para voar…
- Raízes para voltar…
- Motivos para ficar… ”
(Dalai Lama)

    “O tempero da minha mãe”

    Postado por Laély, no dia 06-11-2013 - Categoria: crônicas,filhos - 10 Comentários

    Admiro muito a Silmara Franco! A mulher, cronista, escritora, mãe, amante dos animais e amiga virtual( que tive o privilégio de conhecer pessoalmente, um tempo atrás)!
    Esta crônica, que ela escreveu há pouco, é apenas um preâmbulo para o post seguinte:

    O tempero da minha mãe
    Silmara Franco

    Junte cebola, alho, cheiro verde, óleo e sal. Ponha tudo no liquidificador e bata bem. Despeje a mistura em vidros vazios, tampe e leve à geladeira. Use para refogar qualquer coisa. Em cinco ingredientes, eis a receita das minhas lembranças. Rendimento: uma infância inteira.

    Dona Angelina preparava o próprio tempero. Para economizar tempo e dinheiro – talvez mais dinheiro que tempo. Lembro do óleo aquecendo na panela, afoito, esperando pelo tempero, que vinha em generosa colherada. Quando eles se encontravam, era uma farra, chiiiiiii. A casa inteira ficava sabendo do abraço dos dois. Logo em seguida, chegavam os grãos de arroz, lavados e escorridos. Noutra panela, outra farra, agora com centenas de feijões recém-cozidos na pressão. Era sempre festa no fogão da minha mãe. Na cozinha, sua oração. E o tempero, artesanal, era sua pegada. O rastro saboroso pontuando o alimento que nos fez crescer, feito planta.

    Bem que tento. Mas é impossível reproduzir o tempero dela. Por mais que eu siga o modo de fazer (afinal, cebola é cebola, alho é alho), falta um ingrediente etéreo, invisível, secreto. Falta ela.

    Liquidifiquei minhas recordações no turbilhão impiedoso do tempo. Misturei tudo, Natal com Páscoa, aniversário com Dia das Crianças. Mas o aroma do tempero dela está bem guardado no nariz da minha memória. De vez em quando, ele surge d’algum vento brincalhão. Inspiro o quanto posso, para tentar retê-lo e guardá-lo num vidro bem tampado, à prova de despedidas. Se eu fosse descrever a cor desse cheiro, seria verde.

    Será que meus filhos terão alguma reminiscência da maneira como tempero nossa comida? A gente nunca sabe o momento, exato ou inexato, em que vai entrar para o rol de lembranças de alguém. Qualquer ação ou atitude podem virar protagonistas; preciso me lembrar disso, para caprichar mais nas coisas.

    Será que, n’algum momento da vida, eles tentarão recuperar algum sabor de suas infâncias? Experimentarão, quando grandes, algo que não tenha sido feito por mim, fecharão os olhos por alguns segundos e se pegarão dizendo “Parece a torta de legumes da mamãe” ou “É igual ao creme de abóbora que ela fazia”?

    No fundo, a gente quer é ser lembrada. E o alimento é a memória afetiva mais forte que existe. É o primeiro presente que ganhamos, ao nascer. Onde fica a boca do mundo?

    Tantas coisas faço igual à minha mãe, e nem sei que faço. É a herança genética e silenciosa, a perpetuar a nossa espécie e algum tipo de amor. Talvez eu dobre roupas como ela, talvez eu lave pratos como ela, talvez eu abotoe um vestido como ela, talvez eu tenha um jeito de mexer nos cabelos como ela. Talvez até meu tempero guarde em seu DNA a centelha materna. Não podemos mais medir nossas semelhanças em tempo real. É uma constatação, não um lamento.

    Há quatro vidros repletos de tempero na geladeira, fiz no comecinho do mês. Ficou bom. Mas não é igual ao dela. É idêntico a mim. Sou eu, deixando a minha pegada no caminho da minha gente.

    O texto bem temperado é da Silmara, mas o filho é meu:
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    Vinícius veio da Alemanha fazer uma prova e passar uns dias conosco. Foi uma semana intensa, que passou mais rápido do que desejaríamos…

      Tirando o pó…

      Postado por Laély, no dia 17-02-2013 - Categoria: crônicas,filhos,sobre o blog,textos - 70 Comentários

      O historiador, jornalista e crítico literário( além de, pai de Chico) Sérgio Buarque de Holanda, em seu livro “Raízes do Brasil, descreveu o “desleixo” como uma “palavra que o escritor Aubrey Bell considerou tão tipicamente portuguesa como ‘saudade’ e que, no seu entender, implica menos falta de energia do que uma íntima convicção de que ‘não vale a pena…’.” ( Destaque meu.)
      A depressão, também um tipo de abandono( de desejos, planos e perspectivas…), poderia ser considerada “desleixo” emocional: um “dar de ombros” para o cotidiano, como se nada valesse realmente a pena.
      O desânimo pode ser tanto, que não se tem vontade de explicá-lo. Como cantaria Lulu: “deixa assim ficar subentendido…”
      Ou, como naquele samba antigo:
      “Só melancolia os meus olhos trazem
      Ah, quanta saudade a lembrança traz…”

      O compositor exprime sentimentos através da sua música. Já eu, tento fazê-lo, escrevendo. Dessa vez, nem isso.
      Não queria chamar atenção, despertar pena ou, indiferença.
      Ao contrário de Paulinho da Viola, que ao ver sua Portela passar alegrou-se e cantou:
      “Foi um rio
      Que passou em minha vida
      E meu coração se deixou levar”, queria cantar o mesmo, mas sobre ela, a tristeza.

      Se eu fosse um empresário abastado, ou líder político qualquer, poderia desembolsar R$22 mil e pagar pacote anti-stress num spa famoso: talvez, voltasse melhor. Como não sou, restam-me “terapias alternativas”: estourar plástico-bolha, ou enfiar a cara no trabalho( enfiar o pé na estrada e correr, também ajuda)!

      Não sei se explica meu sumiço mas, espero, que me exima de culpa.
      Porque, se até o papa se sente fraco, dobrado pelo peso da idade e responsabilidades, a ponto de abdicar de tão elevado cargo e ignorar um “chamado” divino, quanto mais, eu!
      Fechei pra balanço, com direito à plaquinha na porta, de: “Não perturbe!”
      Precisamos aprender com os gatos a lamber algumas feridas, sozinhos. Acho que nos devemos isso( e, aos outros), de vez em quando.

      Pelo mais óbvio dos motivos( daqueles admissíveis, pelo menos…): o retorno do filho para a Alemanha.
      Despedimos-nos no Rio, há cerca de 2 semanas. E parece que lá se foi parte de mim. Sobrou o vácuo…

      Embora tudo tenha sido combinado previamente e, racionalmente, concordado e apoiado tal decisão, não sabia o quão difícil seria dessa vez. Da primeira, tinha certeza que voltaria…

      Li a crônica da Danuza Leão, na Cláudia de janeiro. Tenho de concordar com ela: planos a curto, curtíssimo prazo podem salvar o dia, seu humor!
      Sim, precisamos de planejamentos a médio e a longo prazo, de objetivos( e de buscar meios, para que os alcancemos!) mas, viver de expectativas futuras a perder de vista pode gerar frustrações. Pensemos longe porém, sem tirar os olhos do aqui-agora!

      O blog completou 4 anos, final de janeiro.
      Admito: fui mãe desnaturada e não lhe acendi nenhuma vela, não festejei; nem mesmo convencida estava de que haveria motivo para fazê-lo. Mas é importante lembrar.
      Acho que aqueles me acompanham nesse tempo todo amadureceram, junto comigo e o SaladaLa.
      Recebi e-mails, algumas mensagens pelo Facebook: todos, de simpatia. Sem cobrança. Apenas, recadinhos: “você faz falta”, “seu blog me inspira”…
      Como continuar achando que “não vale a pena”?!
      Então, pensei que uma hora precisaria sair do casulo e admitir, também: sou como o papa ou, depois dessa mudança de paradigma, como qualquer outro filho de Deus.
      Pensei no recado indireto que a Danuza me deu( bem lembrado, pela amiga Rosana Sperotto) e comecei este post. Sendo coerente com o que escrevi, lá em cima, “desleixadamente” posterguei sua conclusão.
      Há 1 semana, ensaio: abro o editor, escrevo, apago, fecho…releio, no outro dia. Acho tudo uma pieguice…
      Talvez esteja enferrujada.
      Dizem que no Brasil o ano só começa depois do carnaval. Não sou de folia, mas declaro oficialmente aberto o 5° ano do blog!
      Não sei como será daqui pra frente, se “tudo diferente” mas, a curto prazo meu plano é este: desencantar, desencalhar, desempoeirar, desempoleirar, desopilar…
      É hora, mesmo que atrasada, de festejar!

      “Eu refleti na lição
      Da minha vida insana:
      Cuide bem daqueles que você chama de seus
      E mantenha as boas companhias.”
      ( Queen)
      Um abraço bem grande!

      ( E esse cara, aí de cima, foi aprovado no Studienkolleg bei den Universitäten des Freistaates Bayern, em Munich. Traduzindo: por enquanto, mais um ano longe. Propus-me, então, a não fazer planos num prazo maior que esse…)

        Gastronomia com participação especial

        Postado por Laély, no dia 09-01-2013 - Categoria: filhos,gastronomia,vídeos - 6 Comentários

        Como não estou de férias do trabalho procurei diminuir meu tempo na internet, pra aumentar as chances de aproveitar o filho, que passa uma temporada no Brasil.
        Então, o post de hoje não é meu, mas do Vinícius, com apresentação e participação do mesmo:

        “Com a música ‘Baby’, Justin Bieber conseguiu em mais de dois anos 800 milhões de visualizações – marca atingida em 4 meses por Gangnam Style, que conta atualmente com 1.148.007.683, o primeiro vídeo a chegar a marca de 1 bilhão de views.

        Enquanto isso, meu único vídeo no youtube chegou à cifra de impressionantes 369 visualizações.”
        (Vídeo-tarefa feito em 2011, para a aula de Espanhol na escola)

        Espero que se divirtam, tanto quanto eu!

          Agenda de ano novo

          Postado por Laély, no dia 31-12-2012 - Categoria: filhos,textos - 34 Comentários

          Olavo Bilac escreveu, sobre…
          O tempo

          Sou o Tempo que passa, que passa,
          Sem princípio, sem fim, sem medida!
          Vou levando a Ventura e a Desgraça,
          Vou levando as vaidades da Vida!

          A correr, de segundo em segundo,
          Vou formando os minutos que correm . . .
          Formo as horas que passam no mundo,
          Formo os anos que nascem e morrem.

          Ninguém pode evitar os meus danos . . .
          Vou correndo sereno e constante:
          Desse modo, de cem em cem anos
          Formo um século, e passo adiante.

          Trabalhai, porque a vida é pequena,
          E não há para o Tempo demoras!
          Não gasteis os minutos sem pena!
          Não façais pouco caso das horas!

          Foi Einstein quem nos mostrou a “Teoria da Relatividade”.
          Mas já parou pra pensar nisso, de forma prática e simplificada?
          Que o tempo, independente de teorias comprovadas por fórmulas da Física, pode ser relativo?
          Em 1 ano, por exemplo, quanto pode ser feito, apesar de parecer um período curto!:
          Você pode emagrecer 10 Kg.
          Apaixonar-se.
          Desapaixonar-se.
          Enfrentar alguma perda:
          Camuflagem: Maizena no edredom
          Fazer novas amizades…

          Completar sua primeira meia maratona.

          Despedir um filho para o exterior…
          Despedida no Galeão
          (Então, nesse caso, o tempo a princípio parece arrastar-se, amorrinhando…)
          Aprender uma língua estrangeira.
          Conhecer uma nova cultura.
          Cometer muitos erros.
          Acertar, às vezes.
          Aprender com os erros.
          Sobreviver ao “fim do mundo”.
          Então, quando se apercebe, o ano chegou ao fim.
          O filho que foi, voltou.

          E trouxe junto, experiências que não cabem na mala.

          A passagem de ano é apenas uma mudança de calendário, a não ser, que aproveitemos a data pra pensar no que fizemos e o que faremos com o tempo. Erros e acertos, tudo deve ser pesado. “Se chorei, ou se sorri o importante”… é que experiências vivi.

          Obrigada pela companhia virtual, nesse ano que finda.

          Cortar o tempo

          Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias,
          a que se deu o nome de ano,
          foi um indivíduo genial.
          Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão.
          Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos.
          Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui pra diante vai ser diferente.
          (Carlos Drumond de Andrade)

          Feliz 2013!

            Sobre a maternidade

            Postado por Laély, no dia 09-12-2012 - Categoria: filhos,textos - 16 Comentários


            A artista plástica, escritora, filósofa, professora, conferencista…Márcia Tiburi( também atuou como debatedora, no programa do semanal do GNT, Saia Justa) concedeu entrevista à Anelise Csapo, do blog Manhê…abaixa o som!, e a publicou, integralmente e sem edição, em seu próprio blog “Filosofia Cinza“.

            Você pode não concordar, assim como eu, com todas a ideias da filósofa mas, a intenção é provocar e fazer pensar.
            Compartilhei no Facebook e aqui, também.
            A seguir, Márcia, sem cortes:

            Manifesto breve de um movimento sutil

            MLM precisa continuar!

            E foi com essa recente e necessária afirmação acima, que a filósofa, professora, escritora, mãe, feminista e livre pensadora (não necessariamente nessa ordem e muito menos categoricamente), Marcia Tiburi, criou o Movimento pela Libertação das Mães – Manifesto Breve de um Movimento Sutil – ao qual, o “manhê” destrincha numa entrevista de cair de queixo (e eu nem sei se essa expressão existe)!

            Uma reflexão nada sutil partindo do ponto de vista da maternidade, onde nada é breve, efêmero ou superficial, mas insistimos socialmente em tratar a questão sempre em tons do nada bom e velho mais do mesmo!

            Eu quero parar prá pensar mais! Você também vem nessa?

            Então reflete que nem espelho:

            Você dá as mãos à Elisabeth Badinter quando ela diz que a Maternidade é um mito?

            Antes de mais nada, deixe-me comentar como é divertido o seu jeito de perguntar. Agora vamos à resposta à pergunta, em si mesmo, libertadora. A maternidade é um mito? Sim, podemos dizer que em alguns aspectos, a maternidade é um mito. Mas o é, sobretudo, por ser uma peculiar condição política. Uma condição em que a figura denominada mãe ocupa um lugar especial em um contexto social. Só que este lugar guarda uma contradição, mais ainda, guarda um paradoxo. Aquele que implica que a maternidade é a política da dominação das mulheres por meio de seu culto. De uma lado, temos o posicionamento da mãe como a “rainha” do lar. De outro ela é uma espécie de escrava. As de antigamente, quando não eram ricas, deviam cuidar da casa e dos filhos, as de hoje tem tripla ou quádrupla jornada de trabalho. Sem falar no fato de que a mãe é sempre a culpada de tudo do que ocorre ao filho. Se um filho tiver sucesso na vida, dificilmente lembrarão da mãe. Se um filho cair no crime ou tiver qualquer outro tipo de problema, a culpa será da mãe. O que temos que nos perguntar é o que esta figura denominada mãe ganha aceitando a mística da “rainha” do lar? Penso que as mães são eleitas (e elas caem nisso tão facilmente) para um lugar que é de bode expiatório, sagradas e profanadas ao mesmo tempo. Tudo o que é sagrado pode ser sacrificado. É isso o que acontece com as mães. Elas caem facilmente nesta armadilha deste lugar especial, quando na verdade, são as eleitas para um grande sacrifício. Vivem num limbo, num estranho estado de exceção, adoradas desde que façam tudo certinho, execradas desde que cometam qualquer tipo de “erro” em relação ao que se esperava delas, que não correspondam ao padrão, à regra, à verdadeira ordem que é a maternidade. A maternidade pode ser muito bacana, mas é muito mais fácil que seja para as mulheres uma tirania que não deixa para elas outras escolhas e possibilidades. Não desejo a maternidade para ninguém que não conheça suas armadilhas. E quase ninguém conhece essas armadilhas. Quem quiser ser mãe precisa começar combatendo o mito da maternidade.

            O que poderemos pensar pelo esclarecimento e desconstrução da maternidade? 

            Mostrar que se a maternidade não é ditadura, ela tem que ser coletiva. Se olharmos para a maternidade como algo que está além da neurose, como algo prático, ela é necessariamente um trabalho de várias pessoas. E isso porque ela é uma condição de responsabilidade para com um outro. Ninguém cria um filho sozinho. Antigamente haviam amas de leite. Hoje quem pode pagar tem uma babá, um berçário, creche ou escolinha onde deixar o filho. Cuidar o tempo todo de uma criança pode ser um inferno para uma pessoa que não tenha muito desejo de fazer isso. Aliás, as pessoas chamam de “mãe desnaturada” aquela mulher que pariu um filho e não conseguiu desejar a maternidade. Como se a maternidade (na espécie humana) fosse simplesmente algo natural e não um dado da cultura. Verdade é que podemos falar de maternidade como uma condição subjetiva. Mãe seria aquela pessoa que teria a capacidade de cuidar de um outro. Acontece que o fato de ser mulher e de ter parido um bebê não é a condição para a maternidade se a penarmos nestes termos. Nem todo mundo consegue isso, nem todo mundo gosta disso. Este fato deve ser respeitado. As mulheres bem que poderiam se libertar desse peso. Parir um bebê é uma coisa, ser mãe de uma pessoa é outra. A meu ver, ninguém deveria sentir-se obrigada a ser mãe nem depois que a pessoa nascesse. Inclusive, digo isso pensando que você pode ser alguém legal com a pessoa que nasceu de você, sem precisar encaixar-se no estereótipo da boa mãe. Além disso, esse pensamento melhoraria a questão da adoção entre nós. Do mesmo modo, aquelas pessoas que perguntam “quando você terá um filho?” deveriam calar. Esta pergunta é performática, ela surge como uma cobrança e cria uma dívida. “Toma que o filho é teu” é algo que as mulheres deveriam dizer a qualquer um que as colocasse nessa situação em uma sociedade que mistifica a maternidade, pressiona as mulheres para que sejam mães e ao mesmo tempo proíbe o aborto.

            Por que o peso pela criação e educação dos filhos recai tão diretamente sobre a mulher?

            Como eu disse, porque as mulheres são eleitas para este papel da procriação que é um papel questionável do ponto de vista dos valores políticos. Você acha que as mulheres teriam tantos filhos se pudessem não ter? Muitas não teriam nenhum. É verdade que outras teriam por motivos muito próprios. Mas creio que estas seriam as que não tem que trabalhar, porque tem maridos muito ricos (elas ainda existem?) e que não tem problemas físicos com a gravidez e a amamentação e tudo o que vem depois. É certo que a sustentação da maternidade historicamente precisou de muito bombardeio ideológico da sociedade patriarcal, da qual as próprias mulheres fizeram parte. E, infelizmente, ainda fazem.

            Como discutir, socialmente, o direito ao não desejo de maternar?

            Isso também tem que ser desmistificado. Uma mulher quando pare pode descobrir que gosta do filho ou não gosta. As mulheres, na maior parte não se colocam esta questão porque elas mesmas introjetaram os discurso que as oprime. Uma mulher até pode vir a gostar do filho depois do parto, mas não quer dizer que tenha gostado de pari-lo ou que tenha se encantado com sua condição de bebê. Não podemos mais naturalizar isso. Naturalizar é mistificar. Pois a condição da mulher que pariu sofre muitas mediações. Ela descobre que a coisa de cuidar lhe interessa ou não, que ela tem condições ou não. Na verdade, o termo exato não é bem esse. Não se trata exatamente de descobrir isso ou aquilo, porque isso não vem à consciência. Muitas mulheres ficam se culpando porque não levam jeito para a maternidade. Ninguém leva, me desculpem, a não ser que comecemos a teorizar sobre mães heroínas, super mulheres e super mães. Isso não nos ajuda a desmistificar a questão. As mulheres que parem crianças precisam de ajuda, porque não é algo nada fácil em nossas vidas complexas. Quando há ajuda tudo é mais fácil. Além disso, gostaria de dizer que não há nada de anormal em ficar deprimida após o parto. Dizemos que isso é anormal por conta do padrão da maternidade defendido em nossa cultura. A maternidade não é tudo na vida, não é a realização do ser humano denominado “mulher”. Pode ser momentaneamente, pode ser durante um tempo, mas um filho não é em si mesmo o sentido da vida de uma mulher. Ele é uma grande responsabilidade, uma terrível e assustadora responsabilidade que precisa ser partilhada. Do contrário, não há porque tê-lo. A responsabilidade é tão grande que o patriarcado inventou o mito da maternidade para jogar isso tudo sobre a figura denominada mãe. E ela, como vítima culpada, ou seja, como otária, deveria aceitar. Agora, é claro que a sociedade, cínica em relação a este assunto, afirmará sempre que quem tem filho que trate de criá-lo. As coisas são assim, mas isso não quer dizer que sejam justas. Se houvesse justiça neste campo, as mulheres poderiam escolher com mais tranquilidade o aborto, não ter filhos, viver sem filhos.

            Haveria alguma maneira de colocar o assunto em pauta e efetivamente pararmos de apontar o dedo prás mães que não querem ou não podem cumprir essa “função”?

            Acho que a desmistificação do aborto é uma saída. Além da crescente manifestação de mulheres que não desejam ter filhos, mesmo quando casadas. Como já acontece em vários países e aqui no Brasil também.

            Quantos anos tem a sua filha e qual é sua relação com ela? 

            A minha filha tem 15 anos. Eu a tive aos 27 anos, num momento em que me deu uma vontade imensa de ter uma filha. Naquela época eu era muito, mas muito ingênua. Muito devotada a todas as causas auto-sacrificiais. Meu feminismo ainda não tinha acontecido. Vejo minha filha como uma pessoa linda, maravilhosa. Ela é, sem dúvida, pessoa que mais amo na vida. Sorte que a tive naquela época, pois hoje, depois de perceber muitas implicações da procriação, seria difícil fazer esta escolha. O que mais me atinge hoje em dia é o tamanho da responsabilidade. É a intensidade da responsabilidade. Naquela época eu tive ajuda de muita gente. Minhas irmãs, minha mãe, as pessoas que pude pagar. Como separei do pai dela muito cedo, ele quase não ajudou, como até hoje, praticamente não tem participação em suas questões de ordem subjetiva e prática. Para mim isso não é um problema. Ao contrário. Eu me sinto mãe de muita gente, no sentido de que tenho o gosto de proteger e ajudar várias pessoas. E acho que, neste sentido, a maternidade é boa, desde que ela não seja jogada e imposta às mulheres. E é neste sentido que ela pode também ser praticada pelos homens. Podemos ter filhos adotivos, diversos, vários. A maternidade, neste caso, é uma subjetividade de acolhida que não precisa ter relação com um corpo capaz de parir.

            Você acredita que haja diferença em educar meninos e meninas? Em qual aspecto o gênero influencia na criação dos filhos? 

            As pessoas fazem esta diferença. Educar está intimamente atrelado ao gênero, só que o gênero é histórico e, por isso mesmo, limitado. Basta você entrar numa loja de brinquedos e ver a divisão dos sexos. Deste modo, a educação que os pais dão aos filhos também é limitada. Eu, por exemplo, não educo minha filha para ser mulher. Nem para ser homem. Não gosto aliás, da ideologia do sexo binário e heterossexual. Educo a minha filha na convivência, com a mesma sinceridade que tenho com qualquer outra pessoa. Eu falo com ela como falaria com qualquer um e falo com qualquer um como se fosse meu filho, com a mesma sinceridade. Pelo menos é o que eu tento. Espero que minha filha seja sempre ela mesma como já é e sempre foi desde pequena. Ao mesmo tempo, lembro da minha educação. Nem minha mãe, meu pai e meus avós e parentes e professores, me educaram para assumir papéis ou agradar alguém. Não lembro de ter sido conduzida a isso ou aquilo. Eu nunca fui ensinada diretamente a ser mulher, mãe ou coisa parecida. Percebi o quanto minha mãe sofreu sendo mãe e esposa. Ela literalmente estragou a sua vida. E ela mesma acha isso. Podia ser diferente. Mas naquela época, naquela cidade, com aquela cultura… ela, como muitas mulheres neste Brasil, estava numa situação sem saída.

            Como criar filhas feministas, conscientes e ruidosas?

            Falando tudo. Sendo sincera. E, sobretudo, sendo livre para pensar, dizer e fazer. Penso que o que damos uns aos outros diariamente é a nossa coerência ou incoerência. Os filhos percebem e sofrem ou alegram-se com a liberdade de ser e pensar que podem também ter.

            Qual sua maior dificuldade como mãe?

            Nenhuma. Eu sou uma mãe no sentido bom, não sou culpada, sou solidária e responsável com a minha filha, os filhos dos outros, os que não tem pais, os que não tem filhos. Enfim, não vejo nada demais em ser mãe, nem para pior, nem para melhor. E acho que este modo que colocar a questão é bom pra todo mundo.

            Tenho a impressão de que a maioria das mães quer falar de maternidade no âmbito funcional, sobre partos, amamentação, chupetas, o como fazer e o o quê fazer. Estamos na superfície das questões sobre um relacionamento (mães e filhos) que requer uma reflexão mais política (não num sentido partidário) e sociológica? Por que ficamos tão neuróticas procurando respostas sobre COMO AGIR ao invés de pensar na maternidade em si?

            É que para a maior parte das mulheres o filho é um brinquedo e elas estão brincando de casinha. Um dia recebi uma visita em minha casa. A moça disse que queria engravidar porque estava querendo decorar um quarto de bebê e se preocupava com quem cuidaria dela quando fosse velha. Eu, sem querer ser grosseria perguntei a ela se ela tinha certeza de que seu filho cuidaria dela quando ela envelhecesse… hoje eu diria: quem garante que vamos envelhecer? Recomendo a todos que tratam os filhos como brinquedos ou coisas leiam o livro de Julio Cabrera: “Por que te amo não nascerás”. Um livro sobre a manipulação da procriação e a falta de ética com aqueles que vão nascer.

            Sou mãe solteira e levanto a bandeira pela causa. Não consigo acreditar que minha filha TENHA QUE TER um modelo masculino em sua criação, necessariamente. Principalmente um modelo com o qual discordo pessoalmente em questões, inclusive, morais. O que eu gostaria de saber é qual a sua consideração sobre esse assunto de modelo masculino e feminino e também sobre a educação de crianças por casais homossexuais.

            Eu acho que isso não é uma questão. Eu lembro de que antigamente as pessoas se referiam assim às mulheres, mas hoje? Depois de toda a libertação que vivemos? Quem ainda vai se referir a uma mulher como “mãe solteira”? Não falamos em “pais solteiros”. Nem em “mães divorciadas”. Acho que estas designações são frutos de preconceitos que recaem sobre mulheres. Mas se é sua bandeira tomara que seja como afirmação e não como falta de um pai que tornaria esta mãe não solteira. Como já falei a binariedade sexual bem como o paradigma da heterossexualidade estão cada vez mais ultrapassados. Não vejo como educar afirmando isso tudo. A única saída é a desconstrução desse paradigma.

            Qual seu maior medo em relação à mulher e à maternidade?

            Medo? Agora me pergunto, será que tenho um? Talvez, que as mulheres banquem o machismo que as oprime como o fazem em muitos casos. Medo em relação à maternidade? Que ela continue sendo uma armadilha.

            Quais mães você destacaria como modelos de sua admiração?

            Não tenho admiração, tenho mesmo é pena. Pena da minha mãe e das minhas avós que não puderam ser outra coisa na vida. A admiração só reforça a mística materna e o mito da maternidade.

            O que perguntaria para sua mãe? E para sua filha?

            Para minha mãe: por que vc não nos abandonou?
            Para minha filha eu não perguntaria nada. Mas eu já pedi desculpas por tê-la colocado neste mundo. Ela, gentil, me respondeu” relaxa, mãe, eu to gostando”.

            Como o homem pode (e até deve) participar da criação dos filhos?

            Eu realmente acho que essa questão não tem outro sentido senão este: um homem pode ser uma mãe!!!

            Por que temos tanto medo de errar?

            Qualquer pessoa sensata e que não sofra de onipotência tem medo de errar. É um medo que não é de todo ruim…

            Essa entrevista não teve qualquer edição à pedidos da entrevistada – o que fez todo sentido dentro de qualquer coerência possível e imaginável!

            Sinceridade conta!

            E durma com um barulho desses você também!

            (Também compartilhado no Facebook, pela amiga Silmara Franco, artigo pra ser lido logo após essa entrevista: “Ter filhos traz mesmo felicidade?)

            Boa leitura!
            Boa semana!

             

              Acelerando as turbinas

              Postado por Laély, no dia 26-11-2012 - Categoria: filhos,looks,Moda - 13 Comentários


              Quando o filho do meio viajou pra Alemanha, em janeiro, pensei no quanto seria demorado esse ano, longe dele. De fato, fácil não foi, principalmente, nos 3 primeiros meses. Às vezes a saudade apertava tanto, que só me restava chorar. Aos soluços.
              Mas, e não é que 2012 tá chegando ao fim? Passou correndo, como o mais novo tricampeão mundial de F1, por coincidência, um alemão.
              Assim é que, uma semana tem sucedido a outra, em ultrapassagens de tirar o fôlego.
              O lado bom disso: tá explicado. O lado ruim é que o tempo tem corrido mais que eu.
              Deixando as desculpas de lado, vamos aos looks.
              Vestido de jersey, para um sábado estampado:
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              Vestido de jersey: Shop 129
              Clutch: Melissa-Isabela Capeto
              Sandália: AREZZO
              Pra começar uma semaninha mais básica:
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              Bata de malha: Cheklist
              Calça: Cantão
              Bolsa: Uncle K
              Sandália: AREZZO
              (Acho que já deu pra perceber o quanto gosto dessa sandália, perfeita para alongar baixinhas, como eu: cor nude, salto, dorso do pé exposto.)

              DSC02354DSC02379
              Camisa: ELLUS
              Saia lápis
              Bolsa: Uncle K
              Sandália: Shutz
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              Porque eu amo roupa de mocinha!
              DSC02390DSC02400
              Vestido de crepe
              Bolsa: Portfolio
              Sandália: AREZZO
              Dia de folga:
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              Camisa de linho
              Bermuda: Dopping
              Bolsa: Uncle K
              Rasteira de purpurina: Cantão
              Combinação delicada:
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              Regata de crepe
              Saia: Antix
              Clutch: Melissa-Isabela Capeto
              Scarpin: Carmen Steffens
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              Mais saia:
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              Regata de malha: ELLUS
              Saia: Dress to
              Bolsa: Portfolio
              Sapato: UZA
              Jeans e bege, combinação clássica:
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              Camisa jeans: Levi’s
              Calça: Cantão
              Bolsa: Uncle K
              Sapato: UZA
              Bolsa com estampa de quadrinhos, para equilibrar a sisudez do verde militar:
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              Chemisie
              Open boot: Jorge Bischoff
              Bolsa: Quilts são Eternos
              Uma tendência para o verão: a roupa de academia deve ganhar as ruas, em versão mais arrumadinha. Como neste short, com amarração na cintura:
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              Regata de seda
              Short de seda: Açúcar Moreno
              Rasteira de purpurina e bolsa: Cantão

              Semana passada, no Mais Você, a Ana Maria Brega( ops!) Braga deu dicas de como usar short neste verão. Dicas, que venho aplicando há tempos. Convém lembrar:
              Shorts e bermudas são bem-vindos, na estação mais quente do ano porém, que se adequem à situação: em ambiente de trabalho( a menos, que tenha a sorte de trabalhar à beira-mar), por motivos óbvios, não são muito adequados.
              Pernas precisam estar em forma.
              Combata o ressecamento com um bom creme.
              Short+salto= alonga a silhueta. Com rasteira, ou sapatilhas compõem um visual mais descontraído.
              Pernas mais grossas pedem um número maior de manequim. Além de parecerem mais longas, nada mais vulgar que shorts ou bermuda justas demais.
              Um exemplo, pra deixar mais claro, do site Vou de Marisa:

              O mesmo modelo de short, a mesma modelo, mas a diferença de proporções fica patente.

              Tubinho branco, indo e vindo:
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              Vestido de linho: Redley
              Bolsa: Dumond
              Sandália anabela: UZA

              Navy e mullet:
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              Blusa e saia( mullet) de crepe
              Sandália: AREZZO

              Uma prova de que, mesmo baixinhas como eu podem usar vestidão:
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              Vestido jeans: Hering
              Sandália anabela: UZA
              Bolsa: Colcci
              Cor única, cintuta alta e salto alongam as pernas.

              Uma peça, que acho difícil de usar: calça skinny.
              Mulheres de exuberantes formas e coxas grossas devem usar com cuidado: podem parecer um embutido de carne. Uma blusa mais soltinha, na parte de cima, ajuda a equilibrar a silhueta. E, não pode faltar: um bom salto!
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              Blusa: Cantão
              Calça de veludo cotelê
              Sandália: AREZZO
              Bolsa: Colcci

              Comecei falando do assunto e termino, da mesma forma: filho já tem data pra chegar, de férias, um pouco antes do ano novo.
              Coração acelerando, como carro de F1!

                “Mãe desnecessária”

                Postado por Laély, no dia 21-07-2012 - Categoria: facebook,filhos,textos - 18 Comentários

                A semana foi tão corrida que nem percebi o tempo passar, assim como 18 anos, desde o nascimento do meu segundo filho.

                Ao completar a maioridade longe da casa, faço um balanço sobre esse tempo de convívio com alguém tão especial:
                A maioria dos pais reivindicaria os méritos por empreender tanto esforço na educação de um filho, na formação um homem. Eu, ao contrário, admito que foi fácil. Só tenho a agradecer esse presente divino: ser escolhida sua mãe, assim como Maria foi, de Jesus.

                Então a Margarete Aguiar enviou-me um texto, via Facebook, da psicanalista Márcia Neder Bacha, que ilustra bem essa minha atual fase:

                Mãe desnecessária

                “A boa mãe é aquela que vai se tornando desnecessária com o passar do tempo.

                Várias vezes ouvi de um amigo psicanalista essa frase e ela sempre me soou estranha. Até agora. Agora que minha filha adolescente, aos quase 18 anos, começa a dar vôos-solo. Chegou a hora de reprimir de vez o impulso natural materno de querer colocar a cria embaixo da asa, protegida de todos os erros, tristezas e perigos. Uma batalha hercúlea, confesso. Quando começo a esmorecer na luta para controlar a super-mãe que todas temos dentro de nós, lembro logo da frase, hoje absolutamente clara. Se eu fiz o meu trabalho direito, tenho que me tornar desnecessária.

                Antes que alguma mãe apressada venha me acusar de desamor, preciso explicar o que significa isso. Ser ‘desnecessária’ é não deixar que o amor incondicional de mãe, que sempre existirá, provoque vício e dependência nos filhos,como uma droga,a ponto de eles não conseguirem ser autônomos, confiantes e independentes.

                Prontos para traçar seu rumo, fazer suas escolhas, superar suas frustrações e cometer os próprios erros também. A cada fase da vida, vamos cortando e refazendo o cordão umbilical. A cada nova fase, uma nova perda é um novo ganho, para os dois lados, mãe e filho. Porque o amor é um processo de libertação permanente e esse vínculo não pára de se transformar ao longo da vida.Até o dia em que os filhos se tornam adultos, constituem a própria família recomeçam o ciclo. O que eles precisam é ter certeza de que estamos lá, firmes, na concordância ou na divergência, no sucesso ou no fracasso, com o peito aberto para o aconchego, o abraço apertado,o conforto nas horas difíceis.

                Pai e mãe – solidários – criam filhos para serem livres. Esse é o maior desafio e a principal missão. Ao aprendermos a ser ‘desnecessários’, nos transformamos em porto seguro para quando eles decidirem atracar.”

                (Márcia Neder Bacha é psicanalista e pesquisadora da UFMS e da USP/NUPPE. Doutora em Psicologia Clínica e autora de Psicanálise e Educação – Laços Refeitos e A arte de formar: o feminino, infantil e o epistemológico.)

                Eles, os filhos, nessa fase da vida acham desnecessário, constrangedor até, mas sempre bom reafirmar o quanto os amamos.
                O dia hoje é dele: Vinícius!

                “Dê a quem você Ama :
                - Asas para voar…
                - Raízes para voltar…
                - Motivos para ficar… ”
                (Dalai Lama)

                  A culpa é da mãe!

                  Postado por Laély, no dia 14-05-2012 - Categoria: datas especiais,filhos,textos - 10 Comentários


                  O “dia das mães” foi ontem, mas esta mãe aqui teve tempo apenas para comemorar a volta do filho pra casa, depois de uma cirurgia.

                  Fiz uma pergunta, no meu perfil no Facebook, resumindo a angústia da última semana:
                  “É possível ser mãe, sem conviver com a culpa?”
                  Ou, seria como aquela questão filosófica antiga e “relevante”:
                  “O que veio primeiro: o ovo, ou a galinha?”

                  Não pretendia chegar à nenhuma conclusão inquestionável mas, para os que opinaram, culpa e mãe costumam nascer juntas: a primeira, por causa da segunda. Tá incluído no pacote!
                  Já repararam?:
                  Menino não come: culpa da mãe. Menino come demais, idem.
                  Menino é tímido e inseguro: a mãe é superprotetora. Menino é desbocado e mal-educado: a mãe é permissiva!
                  Até quando o menino cresce e vira árbitro de futebol, como no comercial da Coca-Cola, a mãe continua sendo a referência negativa( e, aos que acham que uma profissional do sexo não seria capaz de ser uma boa mãe, relembro uma frase de Jesus afirmando que, muitas delas nos precederiam no Céu).
                  Culpa de quem? Do Freud, provavelmente.(Embora, tenhamos de concordar: muito do que somos, de bom ou ruim, devemos a ela!)

                  A verdade é que desejamos o melhor para os nossos filhos, sejam eles pequenos ou, se encaminhando à maioridade…

                  (Filho do meio tomando uma fresca, na varanda da casa onde mora, na Alemanha.)
                  Longe ou, perto…

                  ( Filho mais novo recuperando-se em casa, sob os cuidados de uma enfermeira particular.)
                  Não queremos vê-los sofrer!
                  Mas, se conforta saber, nem mesmo Maria conseguiu livrar o próprio filho da cruz!

                  Culpa engessa e torna a tarefa de educar, mais difícil ainda! O que devemos: cumpri-la, com res-pon-sa-bi-li-da-de!
                  Do contrário, ninguém se aventuraria nessa experiência: “ser mãe”. Apesar dos percalços, compensa.

                  “A mulher, quando está para dar à luz, sente tristeza, porque é chegada a sua hora; mas, depois de ter dado à luz a criança, já não se lembra da aflição, pelo prazer de haver nascido um homem no mundo.”
                  (João 16:21)

                  Cabe-nos repetir a oração do Filho ao Pai:
                  “Não peço que os tires do mundo, mas que os livres do Mal.”
                  (João 17:15)

                  Parabéns a todas as mães que, com amor e responsabilidade formam os homens( e mulheres) desse mundo!

                  Para terminar esse post de forma mais leve, a impagável D. Edith, mãe “exemplar” encarnada pelo ator Luís Miranda:

                  Porque mãe é tudo igual, seja na Barra ou, favela!

                    Curtinhas do Face

                    Postado por Laély, no dia 03-03-2012 - Categoria: facebook,filhos - 6 Comentários

                    “Filosofias”, filhas de filho:

                    “Mãe, sabe qual o problema do Brasil? É que os i-pads chegaram mais rápido que as calçadas!”( Filho mais novo, argumentando que cidadania deveria vir antes de tecnologia. Aqui, só no Aurélio!)

                    “Estou tentando ser aquilo que quero ser, independente dos outros.” (Filho do meio, crescendo…)

                    “Não há tarefa tão grande, que não caiba no dia seguinte.”*

                    “Se a culpa é minha, eu coloco ela em quem eu quiser.”*
                    (*Mesmo autor)

                    “Filosofias”, filhas da mãe:

                    A certas pessoas interessa manter sua má reputação como destemperados ou maluquetes, assim, acabam adquirindo direitos e privilégios, com a nossa anuência e conivência:
                    “Ah, nem adianta querer mudar Fulano…Melhor deixar pra lá!”
                    Como diria o Chapolin Colorado:
                    “Aproveitam-se da nossa nobreza!”
                    Já o meu sogro costumava dizer:
                    “Quem faz de cachorro gente tem de ficar segurando no rabo…”

                    “Pai nosso…as alegrias nossas de cada dia, dá-nos hoje: ron-ron de gatinho, sorvete de casquinha, vento na cara…mas agradeço pelo maior presente, o mais delicioso de todos: sorriso no rosto de um filho! Amém!”

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