Arquivados em 'educação' Categorias

Meus segredos…

Postado por Laély, no dia 02-07-2012 - Categoria: crônicas,educação,looks,sobre o blog - 40 Comentários

“Podes dizer-me, por favor, que caminho devo seguir para sair daqui?
Isso depende muito de para onde queres ir – respondeu o gato.
Preocupa-me pouco aonde ir – disse Alice.
Nesse caso, pouco importa o caminho que sigas – replicou o gato.”

O diálogo entre Alice e o gato ilustra o quanto é importante estabelecer metas e planejar estratégias, quando se deseja atingir um determinado objetivo.

Há cerca de 9 meses gestei uma ideia, aqui na cachola: precisava mudar! Insatisfeita com meu peso, não conseguia encontrar a “saída”, como a perdida Alice. (Relembrando minhas queixas sobre essa insatisfação, neste post aqui, de abril de 2011).
Mesmo me empenhando nos exercícios, o corpo parecia não responder: resolveu entrar em greve e fazer birra comigo.
Era necessário atuar noutra frente de batalha porque, emagrecer não é mágica: é matemática! Comer menos do que se consome ou, consumir mais do que se come.

Reconheci que, depois dos 40, não seria tão fácil quanto imaginava.
Difícil, sim, impossível, não!

Achava que comia direitinho, mas resolvi procurar uma nutricionista. Assim, encarei um programa radical seca-gordura.
O resultado desse comprometimento( e da dupla infalível: dieta&exercício) não poderia ser diferente: nos últimos meses consegui emagrecer 8Kg .
O fechamento desse ciclo será no próximo domingo, quando participarei da minha primeira prova de longa distância(uma meia maratona), no Rio.

“-Oh, certamente que hás de chegar, disse o gato, desde que caminhes o suficiente.”

Concluir uma prova de 21 Km já é caminhar suficientemente. Porém, uma conquista que não se faz da noite para o dia: é quilômetro a quilômetro.

Embora seja um projeto pessoal, muitas pessoas se identificaram com a minha história, contada em fotos aqui no blog. Notaram diferenças. Algumas me escreveram, querendo saber qual o “meu segredo”.
Se tivesse descoberto algum, ou fórmula, dessas que propagam pela internet para emagrecer sem esforço, já estaria escrevendo um livro e ganhando muito dinheiro com isso.

Pensei em contar minha experiência esperando ajudar aqueles que, como eu, ou Alice, procuram uma saída, um caminho, ou apenas, estímulo.

Como naqueles programas de TV onde a pessoa passa por uma transformação radical, deixo aqui meu “antes&depois”:

A foto da esquerda foi feita em abril de 2011. A da direita, hoje pela manhã.

Alguém poderia estranhar o círculo preto no meu rosto, como se estivesse me escondendo. Estaria eu, com VERGONHA do que fui um dia?…
Jamais porque, assim como o blog mudou de cara nesses 3 anos e meio, eu também posso mudar, ué! E mudar, da ideia de mudar!
Mas a essência é a mesma! O Sala é da La, não da Le, nem da Li, nem de um fake qualquer. Tem nome, sobrenome, endereço de e-mail, uma família( de humanos, gatos e cachorro), adora música, moda, decoração, cozinhar…Se o que faço é relevante o suficiente para ser publicado?! Sinceramente, não sei.

Numa entrevista sobre desapego Danuza Leão disse, no Mais Você, que todos deveriam escrever um diário, ou blog para registrar a própria história. Faço apenas isso.

A foto da E foi “maquiada” e “estrelou” o post, num desses blog que vive de trollar os outros. Recebeu acalorados comentários, como (dentre os que eu poderia transcrever aqui): “cafona”, “brega”, “velha”, “zambeta”, “roupa feia do $%#*&##!”, “ridícula”, “sem valores”…

Mas já disse, e repito: não tenho VERGONHA!
Aliás, tenho: VERGONHA na cara e de ver, que muita gente que se diz descolada, de opinião, se esconde atrás do manto seguro do anonimato.

(Não vou deixar o link do referido blog, porque nunca fez parte da minha política indicar trabalho que não admire e, porque trollagem é bicho faminto: quanto mais o alimentamos, mais nos consome!)

Ponto.

Então, como havia prometido, vamos falar de…
Mas para o post não ficar cansativo, deixarei para contar “meus segredos” no próximo.

O importante é o seguinte: se está acima do peso, ou foge aos padrões estéticos mas, de bem com a vida, não considerando isso um risco à própria saúde, casamento, bom-humor ou, seja lá o que for…”erga as mãos para o Céu e agradeça!” Seja feliz!
Mas, se quiser mudar…é só querer!

(Continua…)

    “Superpais?”

    Postado por Laély, no dia 07-04-2012 - Categoria: crônicas,educação - 11 Comentários

    O assunto já não é tão fresquinho.
    Wanderson nasceu para o anonimato, só interrompido temporariamente pelo rápido e trágico encontro com o carro de Thor.

    No entanto, a jornalista, escritora e documentarista Eliane Brum(Época) levantou uma questão atemporal: qual é a nossa ética, como pais? Não se limitou ao pensamento pequeno, de: elevar um, em detrimento de outro, mas fez um reflexão profunda, sensata e desapaixonada sobre as atitudes do pai( qualquer pai!) numa situação, como a vivida recentemente por Eike Batista.

    O artigo foi reproduzido à íntegra, aqui:

    Eike Batista, um superpai?

    O comportamento do pai de Thor nos leva a refletir sobre o que é a paternidade em nossa época

    ELIANE BRUM

    Eliane Brum, jornalista, escritora e documentarista (Foto: ÉPOCA)

    Na noite de sábado, 17/3, Thor Batista, 20 anos, atropelou Wanderson Pereira dos Santos, 30 anos, na rodovia Washington Luís, na Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro. Wanderson morreu na hora. De imediato, Eike Batista, o homem mais rico do Brasil, passou a defender o filho de todas as maneiras – e também no microblog twitter. Com tanta veemência que o humorista Tutty Vasques comentou em sua coluna no Estadão, de 21/3: “Não satisfeito com o lugar de destaque que ocupa na mídia como o homem mais rico do Brasil, o insaciável Eike Batista tem se esforçado um bocado para virar capa de revista como o Pai do Ano em 2012”. A observação é aguda, como costuma ser o humor de qualidade. E é algo que vale a pena pensar: ao defender o filho com os melhores advogados, com assessores de imprensa e com seu próprio discurso público, Eike Batista é mesmo um superpai? O que se espera hoje de um pai, afinal?

    Ainda que a maioria tenha acompanhado o noticiário, é importante recordar os principais capítulos e seus protagonistas, antes de seguirmos adiante. Assim como é importante fazer algumas perguntas óbvias sobre a investigação.

    Thor é o mais próximo de um príncipe herdeiro que o Brasil atual pode ter: filho do homem mais rico do Brasil e da eterna musa do Carnaval. Como disse Eike Batista (@eikebatista) no twitter: “A mídia e todos vão já já perceber que o Rio tem um Príncipe Harry! O Thor”. Wanderson era ajudante de caminhoneiro e filho de criação de Maria Vicentina Pereira. Thor foi batizado com o nome de um deus nórdico. Ninguém se preocupou em perguntar qual é a origem do nome de Wanderson na mitologia familiar, mas com certeza existe uma história, sempre existe. Thor dirigia um Mercedes SLR McLaren, o mesmo que costumava ser exibido como obra de arte na sala da mansão de sua família. Wanderson, uma bicicleta. Na BR-040, Thor e Wanderson encontraram-se não apenas como dois brasileiros, mas como dois Brasis que raramente se encontrariam de outro modo.

    A vontade de condenar Thor, em um país tão desigual como o nosso, sempre pródigo em presentear os mais ricos com a impunidade, é imediata. É necessário, porém, resistir a ela. Ninguém pode ser condenado sem julgamento, sob hipótese alguma. Da mesma forma, pelos mesmos critérios e também pela sobriedade que a morte de uma pessoa exige, Eike Batista deveria ter resistido a condenar Wanderson.

    Em suas afirmações na imprensa e no twitter, o pai de Thor apressou-se em culpar o morto pela própria morte. E afirmou que Wanderson poderia ter matado não só a si mesmo, como também seu filho e o amigo que o acompanhava – o que é altamente improvável. Segundo pesquisa citada pela jornalista Maria Paola de Salvo, no Blog do Sakamoto, apenas 0,3% dos motoristas envolvidos em atropelamento com vítima fatal morrem.

    Enquanto as investigações não forem concluídas, nenhum de nós – e muito menos Eike – tem o direito de condenar alguém. Até agora, ninguém – nem mesmo Eike – pode afirmar se a morte de Wanderson foi fatalidade ou homicídio. Até agora, ninguém – nem mesmo Eike – pode declarar se a morte de Wanderson é responsabilidade exclusiva da vítima, é responsabilidade exclusiva de Thor ou é responsabilidade de ambos.

    Infelizmente para todos, já pairam dúvidas sobre as investigações. É difícil entender, por exemplo, por que um carro envolvido em uma morte está na casa de Thor, o investigado – e não nas dependências da polícia. Depois da perícia feita no local, o carro foi liberado. As demais diligências seriam feitas na mansão do Jardim Botânico. “No dia seguinte, meu advogado me informou que havia sido feita a perícia do carro no local do acidente, e que o carro teria sido liberado pela PRF para que pudéssemos trazê-lo para casa, garantindo deixá-lo intacto”, afirmou Thor.

    Segundo o próprio Thor relata na conta no twitter que criou para dar sua versão dos fatos, ele primeiro foi para casa, onde seria atendido pelo médico da família, e só depois, por iniciativa própria, foi a um posto da Polícia Rodoviária Federal próximo ao local do acidente para se submeter ao bafômetro e demais procedimentos exigidos em um caso de atropelamento com vítima fatal. O exame deu negativo para a presença de álcool, ao contrário do resultado de Wanderson, que revelou um índice elevado de álcool no sangue.

    Se Thor não fugiu do local – o que não é um ato louvável, como seu pai quer convencer a opinião pública que é, mas uma obrigação –, por que a polícia não fez o que devia fazer, na hora em que devia fazer, por sua própria iniciativa? A conta de Thor no twitter é esta: @Thor631. Nela, é narrada sua versão da cronologia dos fatos. Pensado para defendê-lo e escrito com método, o relato revela mais do que gostaria.

    É uma pena que as partes nebulosas darão, mais uma vez, algum grau de legitimidade às dúvidas sobre a lisura do inquérito policial, mesmo depois da sua conclusão – ou de seu arquivamento. Para o futuro em aberto de Thor, pelo futuro interrompido de Wanderson e para o Brasil, um país partido pela impunidade dos poderosos, seria fundamental que a polícia e o Estado demonstrassem total correção e transparência ao investigar uma morte que envolve o filho do homem mais rico da nação.

    A condenação prévia de Thor nas redes sociais e nas conversas de bar deve-se não apenas à raiva que parte da população teria dos ricos e poderosos, ou à tendência de se colocar ao lado dos mais fracos, mas também à percepção legítima de que os atos criminosos dos ricos e poderosos permanecem impunes. A pressa em acusar e condenar Thor não demonstra apenas histeria ou irresponsabilidade das “massas”, ou mesmo “inveja”, como chegou a ser dito, mas a ansiedade de fazer uma justiça que temem, com todas as razões históricas e objetivas para isso, que não seja feita por quem tem o dever constitucional de fazê-la. Seria, nesse sentido, uma espécie de antecipação e compensação pela justiça que não acreditam que aconteça. E aqui me limito a analisar o fenômeno – e não a defendê-lo.

    Quem é Thor, o filho de Eike Batista? Seu perfil é fascinante e quase obrigatório para compreender o Brasil atual. Basta procurar no Google para encontrar pelo menos uma matéria exemplar sobre sua vida, seus hábitos e seus pensamentos. Aqui, vou me deter apenas em quem é Thor como motorista. Em seu prontuário no Detran constam 51 pontos e 11 multas, parte delas causada por excesso de velocidade. Thor deveria ter perdido a carteira de habilitação por isso, mas não a perdeu. Se a tivesse perdido, como determina a lei, talvez não estivesse dirigindo na noite daquele sábado, e Wanderson possivelmente não estaria morto. Thor ama carros, velocidade e potência. Como declarou em uma entrevista  anterior ao acidente, ele já teve um Aston Martin: “Trouxe de São Paulo e fiz 280 quilômetros por hora na Dutra”.

    Segundo o colunista Ancelmo Gois, do jornal O Globo, em 27 de maio de 2011, a bordo de um Audi placa EBX 0001, Thor atropelou um homem de 86 anos, também em uma bicicleta, na Barra da Tijuca, no Rio. Thor prestou socorro, e sua família pagou todas as despesas médicas. A vítima fraturou o acetábulo (parte da bacia onde a cabeça do fêmur se encaixa) e teve de colocar duas placas e cinco parafusos, além de se submeter à fisioterapia, à hidroterapia e a sessões com psicólogo para superar o trauma. Em entrevista à coluna de Ancelmo Gois, um dos filhos da vítima afirmou não ter registrado queixa nem pedido indenização: “Estávamos preocupados em salvar nosso pai, que também não queria confusão”.

    No dia seguinte à publicação, a vítima, José Griner, hoje com 87 anos, manifestou-se através de uma nota na qual afirma que nem ele nem Thor tiveram culpa: “Houve uma colisão que envolveu a lateral do carro dele e a roda dianteira da minha bicicleta”. Disse mais: “Ele agiu com lisura e deu suporte à minha recuperação”. Que tudo isso nos faz pensar na excelência do “gerenciamento de crise”, faz. Mas o que podemos afirmar é que, em menos de um ano, Thor exibe uma estatística incomum como motorista: atropelou dois ciclistas. Um sobreviveu, o outro não.

    Qual é o papel de um pai em um momento crucial como este? Não há resposta fácil para isso, mas há muitas perguntas que podem ser feitas. E essas perguntas são pertinentes porque a defesa imediata e veemente que Eike Batista fez publicamente do filho ilustram bem o que hoje se acredita ser o papel de um pai.

    Um pai – ou um superpai – seria aquele que defende o filho contra tudo e contra todos, tenha ele ou não razão – e mesmo que ele já tenha 20 anos e seja moral e legalmente responsável por seus atos. Um pai – ou um superpai – afirma a inocência do filho e usa todos os recursos para convencer a opinião pública dela, mesmo que ele não possa garanti-la, já que ninguém ainda pode. Um pai – ou um superpai – usará todos os meios de que dispõe para impedir que o filho seja punido, mesmo se for provado que ele merece a punição.

    Pelo comportamento público de Eike Batista, me parece que ele acredita com sinceridade que esta é a função de um bom pai – ou mesmo de um superpai, já que, pelo que tem demonstrado em sua trajetória de vida, ele não aceitaria nada menos do que ser um supertudo. No twitter, ele assim definiu seu desempenho: “Vou defender como um Leão! Tenho certeza que todo Pai que ama seu Filho faria o mesmo!”. É interessante observar as palavras escolhidas por ele para colocar em maiúsculas.

    O cotidiano mostra que Eike Batista está longe de estar sozinho em sua crença sobre a educação de um filho – e a postura de um pai. Tenho certeza de que muitos leitores aqui compartilham da visão de Eike sobre a paternidade e acham sua defesa e suas ações dignas dos maiores elogios – e fariam o mesmo pelos seus filhos se tivessem a infelicidade de se encontrar em situação semelhante. Esses mesmos leitores afirmariam que isso é prova de amor verdadeiro – que só um superpai pode dar.

    Será?

    Tenho dúvidas. E me arrisco a discordar não só como mãe, mas como cidadã que tem de conviver com os filhos desses pais em todas as esferas da sociedade. Já havia me surpreendido com a atitude da mãe do menino que, em fevereiro, atropelou e matou com um jet ski Grazielly Lames, de 3 anos, que construía castelos de areia na praia de Bertioga, no litoral paulista. Segundo o advogado da família, o adolescente de 13 anos correu para a casa em que estavam hospedados em busca de orientação da mãe. Em vez de voltar e prestar socorro, junto com o filho menor de idade, dando o exemplo do que uma pessoa decente deve fazer, a mãe preferiu fugir com o garoto. A tese da defesa é a de que o adolescente não dirigia o jet ski, “apenas” o ligara. Ou seja, o menino não teria nenhuma responsabilidade e, se tudo der certo do ponto de vista do que os pais  desse menino entendem por dar certo, seu filho não será punido pelo fim da vida de uma criança.

    Os casos guardam diferenças. Mas também semelhanças. Tanto para a mãe do adolescente do jet ski, quanto para o pai de Thor, a proteção de filhos que podem ser responsáveis pelo fim de uma vida parece ser uma preocupação acima de todas as outras. Ambos já decretaram previamente a inocência dos respectivos filhos antes que ela fosse provada. Pode ser que a inocência seja mesmo provada, em um ou em ambos os casos, mas nenhum deles poderia tê-la garantido antes de a investigação ser concluída.

    Vivemos numa época em que se acredita que, ao dar limite para um filho, estamos comprometendo seu projeto de felicidade. E o que é entendido como felicidade? Ter tudo, ter gozo ilimitado. Qualquer imprevisto nesse percurso deve ser apagado, custe o que custar, para não virar trauma – e, assim, comprometer o futuro do filho, que deve passar pela vida sem ser marcado pela vida. Deve fazer marca na história, mas não ser marcado por ela. Neste cálculo, não são admitidos erros, covardias, irresponsabilidades, deslizes, excessos…. máculas.

    Na biografia futura de Thor Batista, que, como seu pai já disse, espera-se que supere a sua em feitos, as máculas devem ser apagadas. Se existirem máculas, é necessário “ligar o dispositivo de administração de crise” – e eliminá-las da linha do tempo. Se alguém errou, foi sempre o outro. Para ter certeza disso não é preciso nem apurar os fatos: o filho de um superpai é automática e previamente inocente. E não acho que essa mentalidade pertence apenas aos mais ricos, apenas que eles têm recursos para garantir essa inocência – e os mais pobres, raramente.

    É legítimo fazer algumas perguntas – que podem ser propostas tanto para Eike Batista como para nós mesmos. Se seu filho já atropelou uma pessoa, será que o melhor é emprestar a ele um dos carros mais velozes do mundo? Se seu filho tem 11 multas e 51 pontos na carteira de habilitação, será que você deveria permitir que ele dirigisse o seu carro, mesmo que o Detran não tenha cumprido seu dever e suspendido a licença? Se seu filho atropelou alguém e essa pessoa morreu, não seria o caso de silenciar até que os fatos fossem esclarecidos, ainda que fosse por respeito à enormidade do que é a morte de um ser humano? O que cada um de nós faria nessa situação? E por quê?

    Acho que é uma situação muito dura para qualquer pai – ou mãe. É duro dizer a um filho que ele errou. Em qualquer escala – e muito mais em uma escala dessa envergadura. É duríssimo. Mas é necessário. Não é fácil ser pai ou mãe exatamente porque a educação se dá nas escolhas difíceis. Educar é, em grande parte, ensinar aos filhos que eles são responsáveis pelos seus atos, dos mais simples aos mais complexos – e devem responder por eles. Mesmo que tudo o que gostaríamos, como pais amorosos, fosse voltar no tempo e apagar o passado.

    Penso que um pai ou uma mãe deve se colocar ao lado do filho não para absolvê-lo, mas para apoiá-lo enquanto ele assume as consequências dos seus atos. Você errou, vai responder por seus erros, e eu vou estar ao seu lado. Ou: não sabemos se você errou, então vamos aguardar a apuração dos fatos. Se for concluído que você não errou, ótimo, mas mesmo assim uma pessoa morreu e é preciso lidar com essa tragédia. Ou: se for concluído que você errou, você vai responder pelos seus erros como a lei determina e um cidadão decente deve fazer, e eu vou ajudá-lo a seguir em frente apesar e a partir disso, aprendendo com a tragédia e não a esquecendo.

    A revolta da opinião pública levou a muitas ironias – entre elas, as com o nome de Thor, o deus nórdico do trovão. Eike Batista seria uma versão contemporânea de Odin, o pai de Thor na mitologia, já que em nossa época é o dinheiro que concede algo próximo a uma divindade terrena. Nesse sentido, é curioso lembrar que nas histórias em quadrinhos inspiradas na mitologia nórdica, Odin expulsou Thor de Asgard. Thor, então um jovem arrogante e impulsivo, em uma de suas aventuras adolescentes invadira o reino dos gigantes de gelo, rompendo o tratado selado por Odin. A honra do pai e sua autoridade entre os deuses dependiam de punir exemplarmente o filho, que com suas ações havia prejudicado a todos e comprometido a segurança de Asgard.

    Thor foi enviado para a Terra – um exílio que significava punição e aprendizado. Ao expulsar Thor, Odin disse a ele: “Tu és o filho favorito de Odin! Além de valente e nobre, tua alma é imaculada! Mas ainda assim és incompleto! Não tens humildade! Para consegui-la deverás conhecer a fraqueza… sentir dor! E para isso necessitas deixar o Reino Dourado e despir-te de tua aparência divina! A Terra, lá aprenderás que ninguém pode ser verdadeiramente forte se, em realidade, não for humilde! Por  um tempo não mais serás o Deus do Trovão! A tua memória também tirarei! Agora, vai! Uma nova vida te espera!”. Thor transformou-se então em um mortal chamado Donald Blake, médico talentoso mas manco. Até que aprendesse o dom da humildade e estivesse apto a cumprir seu destino.

    Por que vale a pena lembrar esse episódio? Porque este é o Thor de Stan Lee, o grande criador da Marvel Comics. E Stan Lee é um homem nascido em 1922, que criou o seu deus do trovão no início da década de 60. Ao tecer o enredo, Lee revela a mentalidade da sua época. E nos mostra como a paternidade – e o que se compreendia como amor e como obrigação de um pai – já foi diferente. Nos lembra, portanto, que a construção da paternidade é cultural. E, portanto, mutante.

    Acredito valer a pena pensar sobre o que é ser pai hoje. E que tipo de consequências essa ideia de paternidade, tão bem ilustrada na relação de Eike Batista com seu Thor da vida real, acarreta para a sociedade como um todo. Este episódio nos leva a várias vertentes de reflexão – e uma das mais interessantes é a nossa relação com os limites na educação de um filho.

    Tenho muito cuidado em tocar em assuntos que envolvem tanta dor. Acho que testemunhar a morte de um ser humano – sendo ou não responsável por ela – é uma experiência devastadora, que deixa marcas profundas, para além da punição legal. Mesmo atropelar um homem de 80 anos e machucá-lo deve ser terrível. Não sei como é estar na pele de Thor. Tentei descobrir pelo twitter como ele se sentia em sua humanidade.

    Primeiro, percebi que Thor estava mais preocupado em garantir sua inocência, provar a culpa do morto e nos convencer da correção de seus atos, assegurando também o apoio material à família da vítima. Depois, na sexta-feira, 23/3, descobri que já tinha mudado de assunto. Thor estava dando a fãs no twitter o que chamou de “dica de endocrinologia do dia”: “Eu recomendo o uso da cabergolina (Dostinex) para baixar a prolactina. Comece com 0,25 mg por semana, por 4 semanas, e dose no sangue”, é um dos tuites. Na sexta-feira, copiei toda a página, como material de pesquisa para esta coluna. Pouco antes de publicá-la, voltei a entrar na sua conta de twitter e constatei que o post reproduzido acima havia sido apagado. Os demais permanecem lá.

    Depois de prescrever uma receita que só um médico poderia, sugerindo inclusive a dose, para seus milhares de seguidores, imagino que alguém o tenha alertado que a postagem era irresponsável e indevida. Thor então escreveu: “Meus comentários sobre endocrinologia são inúteis. Não sou médico, não posso recomendar nada. Apenas gosto de botar para fora conhecimento”.

    Em todo o episódio – trágico de várias maneiras, e de algumas outras que ainda vamos testemunhar – me chamou a atenção – positivamente – o silêncio de Luma de Oliveira, a mãe de Thor. Justamente ela, a celebridade, a ex-modelo, a musa do Carnaval, aquela que tudo expôs de si mesma. Procurada por repórteres, Luma pouco falou. Disse ao jornal O Globo, na sexta-feira 23/3: “Este não é o momento de dar entrevista. É o momento de sentimentos, de solidariedade”. Posso estar sendo ingênua, e a sobriedade de Luma seja apenas mais um cálculo, mas penso que a mãe de Thor estava sendo sincera.

    Thor afirmou no twitter: “A frase que mais admiro é ‘The truth sets you free’. Author: Jesus”. Imagino que a original tenha sido pronunciada em aramaico, mas a tradução da frase postada por Thor seria: “A verdade vos liberta”. É possível. Mas talvez pai e filho um dia descubram, ainda que em seus pesadelos noturnos, naqueles que não se pode controlar mesmo sendo um superpai ou um superfilho, que a verdade é uma criatura complexa e que pode levar a territórios imprevisíveis. Ela pode libertar, sim – mas dificilmente sem dor. E dificilmente sem um profundo e corajoso olhar para dentro.

    (Eliane Brum escreve às segundas-feiras.) 

     

      Uma questão de (des)educação

      Postado por Laély, no dia 21-02-2011 - Categoria: educação,filhos,textos - 0 Comentário
      (Extraído de “Toda Mafalda”, Quino)

      E se a Mafalda conhecesse a malfadada educação brasileira, quem a conteria?…



      Não tenho a inquietação política da Mafalda, muito menos do filho mais novo, porém, lendo algumas manchetes e notas publicadas no jornal A Gazeta dos últimos dias acabei juntando as peças…


      Conversando com minha mãe, que é professora desde os 15 anos e ainda trabalha com educação, discutíamos sobre a dificuldade que a maioria das pessoas têm de falar e escrever o Português, corretamente. Independente do nível de escolaridade, resvalam na hora de usar a língua materna: uns, com maior frequência e gravidade que outros, mas, todos pecam(os).


      Não tenho a intenção de me aprofundar ou chegar a conclusões simplistas, mas há 2 principais responsáveis pelo desenvolvimento do vocabulário da criança: 
      1°-Fluência e influência dos pais e familiares mais próximos( nível de escolaridade, cultura e estímulo à leitura);
      2°-Escola.

      É nesse segundo ponto que eu gostaria de tocar, superficialmente, tocada pelas últimas manchetes do jornal.

      A Gazeta(ES) do dia 19 traz a seguinte matéria:

      Indignadas. Iná Xavier e Marlúcia Leandro têm a mesma reclamação: os filhos não conseguem entender o que eles mesmos escrevem”

      A matéria pode ser lida na íntegra, aqui, mas trata de uma das consequências do descaso com a alfabetização e ensino fundamental nas escolas públicas: a proliferação dos “analfabetos funcionais”.

       ”A aprovação automática até o 3º ano – sugerida pelo Conselho Nacional de Educação (CNE) e seguida pelas secretarias municipais – parece ter virado sinônimo de falta de acompanhamento do desenvolvimento dos alunos, em algumas unidades.”

      “…Muitas mães, porém, reclamam do acompanhamento e afirmam que as crianças estão sendo aprovadas para as séries seguintes sem, sequer, saberem ler e escrever.”

      Não vou nem questionar a “lei da aprovação automática”, pois não cabe a mim parecer técnico.
      Mas, não há motivo para preocupação: nossas crianças serão salvas da ignorância com a construção de mais escolas…
      (Placa oficial, fotografada em Linhares-ES e publicada no jornal “A Gazeta” do dia 19/02)

      Esperando que tais “centros de educação infântil” não sejam centros de proliferação do “Seu Creysson”…
      Isso é apenas para dar uma pequena mostra de como anda a base da nossa educação.

      Mas, isso também não é motivo para preocupação!

      “Não contavam com a astúcia” dos burocratas do Governo! 
      Se a criança não tiver direito a ensino fundamental eficiente, se escrever, e não souber decifrar o que ela mesma escreveu, se ler, e não souber traduzir o que ela mesma acabou de ler, não há nada que não se remedie com muita “maquiagem”!
      Nesse ponto, não concordo com o sistema de cotas!
      Mas o Governo acha que assim vai resolver o problema da desigualdade social, criando um outro tipo: 
        
      (Matéria publicada no jornal, ontem)

      “O levantamento do perfil dos aprovados no VestUfes 2010 para Medicina, feito pela Secretaria de Inclusão Social e obtido com exclusividade por A GAZETA, mostra ainda que 16,6% dos aprovados não cotistas tiveram que fazer no mínimo quatro vestibulares até entrar na Ufes – índice que cai para 6,25% entre os cotistas.”

      O resultado não me surpreendeu. Embora seja uma pesquisa local, com algumas adaptações regionais poderia ser aplicada a qualquer universidade federal do país: está cada vez mais difícil passar no vestibular, um sistema que, por si só já é injusto!

      Acompanhei esse processo bem de perto, na própria família: minha irmã mais nova, só depois de tentar vestibular para Medicina por 4 anos seguidos conseguiu ser aprovada num vestibular fora de época, disputando uma sobra de vagas(concorrência 140:1), abertas, justo por quê?: 
      Seis alunos que entraram na Universidade pelo sistema de cotas, decobriu-se mais tarde terem burlado os critérios da seleção.
      Não fosse pelo atual sistema de cotas e ela teria conseguido passar antes. Mas o que lhe atrasou a conquista foi o que lhe proporcionou a chance de nova tentativa.

      Vejam o que disse o secretário de inclusão social da Ufes*, Antônio Carlos Moraes:

      “Em geral, quando o candidato pobre é reprovado no primeiro vestibular, a tendência é a entrada precoce no mercado de trabalho e a desistência. O rico continua tentando até dar certo. Nesse sentido as cotas cumprem sua função social’, diz.”

      (*UFES-Universidade Federal do Espírito Santo)
      Leia a matéria na íntegra, aqui na Gazeta.

      Não tenho a intenção de levantar polêmica, nem discutir a “lei das cotas”, mas a declaração do secretário foi infeliz, no mínimo, tendenciosa. 

      Que o estudante do ensino público, ou de classe social mais baixa está em desvantagem, disso já tratamos no início do post. Não há o que discutir!
      Injusto é dizer que, todo aluno proveniente de escola particular é “rico”, portanto, merece sofrer espera e angústia maior para entrar na Universidade.
      Minha mãe é educadora e funcionária pública: Foi assim, com todas as dificuldades e limitações econômicas que educou 3 filhos em escola particular. Mas, classificá-la como “rica” é risível!

      Mas, isso também não é problema!

      Ainda sobre o jornal de ontem, minha mãe leu-me uma notinha destacando que o ex-presidente Lula  aproveitava a atual folga, “deliciando-se” com a leitura de um livro.
      ( Só num país como o nosso, para ser necessário publicar num jornal que um ex-presidente lê alguma coisa! Bem…antes tarde do que nunca!)

      Quando presidente, Lula admitiu não ter intimidade com livros. 
      Em outra ocasião, muito comentada, até bateu no peito, orgulhando-se de sua mãe ter “nascido analfabeta”. Leia-se, nas entrelinhas:

      “Atenção, crianças! Não se preocupem em estudar! Quem sabe ao crescerem, se souberem fazer política como eu ( ou o Tiririca, ou o Romário, ou o Franklyn Aguiar…) poderão se tornar ‘presidentes da República’?!”


      Enquanto isso, no país do mínimo-mínimo… 
      “O salário, ó!”
      Abrindo um parêntese:
      Falando em deseducação, filho do meio ontem viajou de ônibus para outro município, onde estuda. 
      À noite, quando me ligou, contou sobre a aventura da tarde: Sentara atrás de uma criança, acompanhada da mãe. 
      A certa altura da viagem, a criança simplesmente abriu a janela do ônibus em movimento e deu uma bela cusparada; os perdigotos, e outras coisas mais foram parar, sabem onde…
      Perguntei-lhe o que fez, se avisara à mãe da criança deseducada sobre o ocorrido( e será, que ela não viu?!…). 
      Respondeu-me que “não”; ficara chateado, mas não queria criar encrenca.
      Pelo visto esse filho( o meu) é educado(mas a mulher com a criança, não).
      Chamei-lhe a atenção pela inação. 
      Precisamos falar, mesmo que a verdade incomode outros. É ação educativa!

      Fecha parêntese.
       
      Hoje fugi ao assunto, sei; mas, como já expliquei outras vezes por aqui: é “ao gosto do freguês”, no caso, meu gosto.

        Todo mundo odeia…

        Postado por Laély, no dia 12-11-2010 - Categoria: dicas de livros,educação,filhos,textos - 27 Comentários
        …Ser odiado. Especialmente, adolescentes.
        Não uso Orkut, mas sei que há comunidades para todo gosto possível! A maioria têm título bastante passional, do tipo: Amo…Odeio…
        Se bobear, deve haver alguma: “Odeio Orkut!”
        Normal exagerar, certas fases. Meu filho de 11 anos é expert nisso: coisas que não gosta, quase sempre ganham uma descrição de dimensões dramáticas, digna de um Oscar!
        O problema é que tem gente que cresce mas a cabeça, não. Segue pela vida afora, rotulando tudo: gosto, não gosto, presta, não presta, uso, ou descarto, merece, não merece…
        No post anterior fiz minha ode à ”Todo mundo odeia o Chris” e deixei no final, uma dica de que o assunto continuaria.
        Já começou a render, logo nos comentários: a Fernanda, companheira lá de Portugal, chamou a atenção sobre cenas de racismo e bulliyng, presentes na série.
        Finquei o pé, mantendo minha defesa apaixonada do programa mas, quem quiser, pode dar uma olhadinha lá, já que o post foi escada para este. Uma introdução para tocar num assunto que, embora espinhoso, não podemos ignorar…
        Então, que tal responder sinceramente a um questionário informal?( Shhhii! Mas, quieto! Não pense alto! Não quero ser eu, guardiã de algum segredo de Estado!)
        Acha normal, ou usual:
        -Seu filho xingar?…
        -Tratar mal um colega, professor, empregada, ou porteiro do prédio?…
        -Colar na prova, se estiver em jogo: passar de ano?…
        -Falar mal de um colega, gozar ou desdenhar, mesmo que não esteja na presença dele?…
        
        Pelo que sei até hoje, a única mulher a “dar à luz”, no sentido literal da palavra foi Maria. Afinal, o próprio Filho dela, disse:
        “Eu sou a luz do mundo”.
        Admitamos: por mais angelical que nossos filhinhos possam nos parecer…passam, longe disso.
        Mas, não os culpemos!
        Ao contrário, façamos a “mea culpa“, aplicando-nos o mesmo questionário acima, com algumas adaptações:
        É comum, ou usual para mim…
        -Xingar?…
        -Destratar meus filhos, colegas de trabalho e empregados?…
        -Assumir os créditos por um trabalho que não fiz, se isso me trouxer alguma vantagem?…
        -Falar mal do patrão com meus filhos, desdenhando e gozando dele, por características físicas que considero “defeitos”?…
        Ok. Não nos martirizemos, tanto!
        “Que atire a primeira pedra”, quem nunca se viu personagem principal de uma história dessas! Também não somos anjos.
        Mas, não perdendo o mote,  já parou para pensar o quanto nosso exemplo como pais orienta a conduta dos nossos filhos?
        Então, deixa eu falar…
        Há tempos, venho com um comichão. Uma insatisfação com pequenas situações, ditas corriqueiras.
        Devo considerar normal: ser o filho insistentemente provocado na escola, ter a mochila chutada à saída, ser “zoado” pelos colegas, deixado de lado?!…
        Somente de 3 décadas para cá, o fenômeno bulliyng ganhou nome oficial e virou objeto de estudo sério. Chris desconhecia o termo dos especialistas mas sentiu na pele, e por causa dela, os efeitos desse mal.
        Ser diferente, num mundo que acelera e superficializa as relações ao máximo, pode dificultar muito a vida de uma criança, ou adolescente, especialmente na escola.
        Os pais devem ficar atentos à mudanças de comportamento dos filhos, queda no rendimento escolar, surgimento de sintomas inespecíficos que provoquem faltas escolares, retraimento…pode ser, que ele esteja sendo vítima de bulliyng.
        Na outra ponta, embora mais difícil admitir tal comportamento em nossos “anjinhos”, podem ser eles os agressores, ou bullies.
        Movida por interesses pessoais, procurei me informar a respeito.
        Li o livro da psiquiatra Ana Beatriz Barbosa Silva:
        Bulliyng: Mentes Perigosas nas Escolas

        Recomendo-o a todo pai, ou professor: além de esclarecedor, é de fácil e agradável leitura.
        Num ambiente onde passam boa parte do dia, é normal que as crianças brinquem e até briguem, na escola. Mas é dever, de professores e pais, prevenir e coibir possíveis abusos.
        Uma brincadeira só é sadia, quando todos se divertem e não, quando alguns se divertem, às custas do sofrimento de outros. Lembram do exemplo do Chris e o Caruso?…

        “…a expressão bulliyng corresponde a um conjunto de atitudes de violência física e/ou psicológica, de caráter intencional e repetitivo, praticado por um bully (agressor) contra uma ou mais vítimas que se encontram impossibilitadas de se defender.”

        Ana Beatriz também é autora de mais dois livros( selo Fontanar), que tratam de psicopatia e TDAH( Transtorno do Deficit de Atenção e Hiperatividade).
        Vale um pulinho neste link, aqui, para uma entrevista com ela.

        “Pela cultura moderna, cada um de nós tem o dever, ou mesmo a obrigação moral de buscar tudo o que houver de melhor para si. E isso inclui, de forma explícita, uma tríade muito perigosa: poder, status e diversão”.

        A sociedade é hipócrita e tenta compensar, com excessivas preocupações “politicamente corretas”: quer acertar na forma, mas peca no conteúdo.
        Há contradições na educação moderna que podem deixar pais e filhos, completamente perdidos:
        -Não pode usar arma de brinquedo, mas ferir com a língua pode…

        -Não pode maltratar o planeta, mas a empregada pode.
        -Não pode fugir aos padrões da maioria, mas discriminar minorias pode…

        Só não pode a omissão: a nossa!
        Ensinar aos filhos respeito, pelos outros e por si mesmo, não é tarefa das mais fáceis. Mesmo porque, exige exemplo e não aceita desculpas, tipo: “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”.
         
        “Se correr, o bicho pega”-educar filhos sem limites ou regras é deixá-los por conta da sorte.
        “Se ficar, o bicho come”-superprotegê-los e fazer o que só eles podem e devem é desprepará-los para a vida.
        Na dúvida(já que sou uma “citadora oficial”), vale lembrar a “regra áurea”:
        “Trate os outros, assim como gostaria de ser tratado”.
        E vamos lá, tentar exercitar essa lição no nosso dia-a-dia, porque todo mundo ama ser amado e respeitado.