Crumble de maçã, a coruja e o coração…

Quer daquelas receitas práticas e certeiras?
Vai de crumble de maçã, dica da Rita Lobo.

Como sempre, faço minhas adaptações: por não gostar de chocolate branco suprimi esse ingrediente. Em vez disso, reguei as maçãs com mel e suco de laranja.
A Rita usou bananas( e deve ficar tão bom, quanto), mas a maçã tem crocância e acidez ideais pra combinar com a doçura e cremosidade do sorvete, indispensável acompanhamento para essa sobremesa. Indico a marca Häagen-Dazs, menos doce e enjoativo.
Deve ser consumido, de preferência, no mesmo dia em que for preparado( de um dia para o outro continua muito bom, mas já não fica com casquinha tão crocante).
A calda de caramelo é a cereja do bolo: não deixe de fazer!

Falando em acompanhamentos trouxe de Porto Alegre alguns novos cds, todos, com boas parcerias:
Gambito Budapeste, de Nina Becker com o marido baterista Marcelo Callado.

O casal gravou no próprio apartamento e levou o tom intimista, mas dançante, para o cd.
Interessante é que, enquanto o trabalho era gestado, também, a primeira filha do casal. Fofos!

Fernanda Takai continua Pato Fu, junto com o marido, o guitarrista John Ulhoa, mas toca trabalhos paralelos como este, em parceria com o ex-guitarrista do The Police( lembram do Sting?), Andy Summers: Fundamental.

Cara de bossa nova, com pitadas de new age, enfim, não é exatamente o melhor trabalho de Fernanda, nada “fundamental” mas, gostoso.

O que me fisgou, dos 3, e não consigo parar de ouvir é o segundo álbum da cantora paulista Tiê, “A Coruja e o Coração“:

Pode não ter ouvido falar nela mas, com certeza, da música que embala os sonhos da romântica Maria Aparecida, em Cheias de Charme, irá se lembrar: “foi só piscar o olho e eu me apaixonei…”
Tiê é assim: só piscar o olho, embalar em sua doce voz e, apaixonar!

Essencialmente acústico (com: piano, violão, violoncelo, banjo, acordeon, bateria e percussão), Tiê também traz boas parcerias:
” A Coruja e o Coração traz participações do uruguaio Jorge Drexler, Marcelo Jeneci, Karina Zeviani e Hélio Flanders em composições autorais, além de parcerias e versões de músicas de Thiago Pethit, Dorgival Dantas e Tulipa Ruiz. A produção é de Plínio Profeta – que tocou todos os instrumentos com a cantora em seu disco de estreia, Sweet Jardim (2009).”( Revista Rolling Stone-9 de março, 2011).
É de Marcelo Jeneci*, por exemplo, a dramática sanfona de “Só sei dançar com você”, uma das mais belas faixas do cd. A música é conhecida na voz de Tulipa Ruiz, outra cantora nada Efêmera.
*Já falei dele, aqui, lembra?

Começamos com doçura do crumble de maçã, terminamos com a doçura da música e voz de Tiê:

Boa semana!

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Feitos pra ouvir!

Nunca tive a pretensão de ser crítica musical, mas indico aqui o que gosto de ouvir; apenas, uma opinião pessoal, que pode ser levada a sério, ou não.
O que tem tocado no meu radinho de pilha ultimamente são dois cantores e compositores nacionais.
Arnaldo Antunes sempre surpreende, estética e sonoramente.
Em 2010, comemorando 50 anos, convidou amigos e parentes para um show, ao vivo, num palco armado no teto de sua casa. A festa rendeu o cd e DVD “Lá em Casa”.
Gravado em dezembro do ano passado, o show Acústico MTV comemorou 30 anos de carreira do artista. Lançado em maio desse ano, contou com participações especiais e uma banda da pesada: Edgard Scandurra, Curumin, Marcelo Jeneci, Betão Aguiar e Chico Salem.

Como o palco montado no telhado de sua casa, esse, não foi menos original: giratório, como um carrossel, iluminação especial, cavalinhos e clima lúdico.

A maioria das músicas já é conhecida, tanto de trabalho solo anterior, quanto na voz de outros artistas, todas, composições de Arnaldo e parceiros( da época dos Titãs e Tribalistas). Mas há duas inéditas: Dentro de um Sonho” e “Ligado a Você”.

O show está em turnê pelo país e, sorte de quem puder acompanhar, ao vivo!

Outro mais recente, por quem me apaixonei:
A revista Rollng Stone considerou o disco de estreia de Marcelo Jeneci( cantor, compositor, acordeonista, pianista, guitarrista) “Feito pra Acabar” como um dos melhores de 2010.
O cantor Jeneci estreou há pouco, mas há mais de 10 anos tem carreira musical como instrumentista.
O pai dele, o pernambucano Manoel Jeneci, consertava eletrodomésticos e instrumentos musicais enquanto “Marcelo tocava piano e treinava nas sanfonas que os clientes do pai deixavam para consertar, mas não tinha seu próprio instrumento. O problema foi resolvido quando um dos habitués da oficina de seu Jeneci, Dominguinhos, resolveu presentear o menino com uma peça de sua coleção. Marcelo tirou passaporte e iniciou seu primeiro trabalho como músico profissional, com a sanfona do mestre, ao lado de Chico César, atualmente seu parceiro na faixa “Felicidade”, que, não por acaso, abre o primeiro disco do compositor.”

A doce voz feminina que acompanha Jeneci na maioria das músicas é da estudante de Psicologia, canto e violoncelo Laura Lievore. De timbre suave, quase infantil, Laura chega a lembrar Fernanda Takai.
Como definir o estilo de Marcelo Jeneci? Difícil.
As músicas são simples e gostosas como comida caseira, nem por isso, tediosas e pouco criativas. Não há graves, agudos, nem firulas que exaltem virtuosismo vocal dos intérpretes; o efeito colateral? Pode provocar desejo de acompanhar, cantando, todas as faixas, sem temer desafinos constrangedores.
Nota-se influência do pop-rock nacional, iê-iê-iê e até da música brega!
É o caso da quinta faixa, “Quarto de Dormir”: a música inicia em tom de Odair José e finda, com cara de rock progressivo do Pink Floyd. Uma das parcerias com Arnaldo Antunes.
Salada musical? Pode ser. Mas, salada boa!
O encarte do cd traz letras e ficha técnica escritas, cada uma, em cartões, como se fossem imagens de Polaroid: original e simpático.
Enfim, um disco para quem está apaixonado ou, querendo apaixonar, curtir.
A música “Pra Sonhar” foi composta para o casamento de Jeneci; ganhou clipe usando cenas reais, enviadas por casais do Brasil todo, inclusive, do próprio.
Pra sonhar…

Marcelo já tem o aval de artistas conhecidos, como Arnaldo Antunes, Chico César, Vanessa da Mata, Zélia Duncan…
Falta o seu…

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O eterno “bom garoto”

“Os dias da nossa vida chegam a setenta anos, e se alguns, pela sua robustez, chegam a oitenta anos, o orgulho deles é canseira e enfado, pois cedo se corta e vamos voando.” (Salmos 90:10)
Talvez o salmista estivesse melancólico, ou sofrendo as dores da velhice ao escrever esse versículo.

A verdade é que, até bem pouco tempo atrás, a expectativa de vida( sem falar de qualidade) não ia muito além dos 50 anos de idade.
Porém a Medicina, Ciência e Tecnologia possibilitaram grandes avanços nessa área. Fala-se até, na possibilidade do homem viver 1000 anos!

Arnaldo Antunes teve uma visão mais real e otimista sobre o assunto ao escrever Envelhecer, às vésperas de completar 50 anos:
“A coisa mais moderna que existe nessa vida é envelhecer…”

Certamente, uma das maiores vantagens da maturidade é a liberdade: liberdade para escolher exatamente o que quer, ou não fazer, sem deixar-se cercear pela opinião alheia, apenas, pelo bom senso.

Coincidência, ou não, Paul McCartney, que em breve completará 70 anos, sentiu-se à vontade para fazer um trabalho, diferente de tudo que já tinha feito até agora: comparando grosseiramente, seria como se o vocalista do Metallica resolvesse cantar bossa nova!
Quem já escreveu o nome na história da música não precisaria provar mais nada. Mas em vez de se aposentar e viver das glórias do passado ele continua por aí, namorando, cantando, compondo, fazendo shows e, o que mais lhe der vontade.

É a impressão que se tem ao ouvir o repertório escolhido para “Kisses on the Bottom”, último trabalho de Paul lançado recentemente.
Até o título, de duplo sentido(além da carinha de levado, na capa do cd), parece ser uma grande pegadinha( de gente grande!): algo para ser curtido, sem grandes expectativas. Mas, nada de desleixo!

A maioria das músicas são conhecidas da década de 20-40, aprendidas na infância de Paul e, com certeza, influenciadoras do seu trabalho na juventude. Exceção para 2 delas, inéditas, compostas por ele.

As interpretações são intimistas, contidas, parecendo de alguém que acabou de estrear no ramo, o jazz. Nem por isso, mostrou-se inseguro.
Paul McCartney Kisses On The Bottom Album
Diana Krall tocou piano e fez a maioria dos arranjos rítmicos para ele, além das participações de Eric Clapton e Stevie Wonder.
As gravações dividiram-se em diferentes estúdios: Londres, Los Angeles e Nova Iorque.
Resumindo: não é trabalho de amador!

Já que o último post lembrou o “dia dos namorados”, uma outra dica para ser ouvida a dois, de rostinho colado.

Neste singelo clip, com Natalie Portman, é apresentada oficialmente uma das músicas inéditas de Paul, “My Valentine”( com a guitarra inconfundível de Eric Clapton):

Em clima de romance: bom fim de semana!

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Sábado musical

Quando Freddie Mercury compôs Bohemian Rhapsody, em 1975, talvez nem imaginasse o sucesso mundial que faria com ela. Em 2008 foi eleita a melhor música pop de todos os tempos. Diferente de tudo o que se fazia à época(a começar pelo tempo de duração, de 05:26′!)as estrofes parecem ter vida própria, independentes uma da outra: balada, depois, solo de guitarra, em seguida ópera, hard rock e, finalizando, novamente balada. Certamente Freddie não pensou, na hora de compor, se seria algo comercial ou compreensível: fez, porque fez.



Música é assim: não é para explicar. É para sentir, com o entendimento e/ou as entranhas. Se somos movidos à raiva, tristeza, dor ou alegria, de certa forma ela atingiu o objetivo: o coração de quem a ouve, ou pelo menos, de quem a compôs.


Há pouco, na mesma semana em que adolescentes ensandecidas faziam plantão na porta do hotel onde estava Justin Bieber, outro astro da música( esse, não apenas um meteoro!) caminhava tranquilamente, quase anônimo, pelas ruas de Porto Alegre:

Imaginei eu mesma agindo como uma fã de Justin Bieber, se de repente topasse com Eric Clapton por aí, dando sopa nas calçadas…

(Blog do Amarildo: charge do dia 10/10)

Não pude ir ao show.  Mas, levei o mito para casa. Ao menos, no estojo com CD e DVD do último trabalho dele, Play the Blues, em parceria com Wynton Marsalis, considerado um dos melhores trompetistas da atualidade:
Marsalis também é o diretor artístico do Jazz at Lincoln Center, em Nova York.
Nesse show gravado ao vivo, com a participação de virtuoses do Jazz at Lincoln Center Orchestra, antigos blues foram selecionadas por Clapton e arranjados por Wynton. O resultado? Música para agradar a todos os sentidos, band-aid para doi-doi de coração! Para amantes do gênero e àqueles, nem tanto, tornarem-se!
Na verdade, em meio a tantos expoentes do jazz e música erudita, Clapton parece ser apenas um coadjuvante, o “garoto enturmado” e, muito bem!
São 10 músicas, em mais de 1 hora de execução: puro deleite! A mais longa delas, com de 12:20′ de duração, faz Bohemian Rhapsody parecer um jingle publicitário. Nem por isso, entediante: “Just a Closer Walk Thee”, tradicional gospel, é uma das mais comoventes do CD! “Careless Love”, sensual. E, não dirija depois de ouvir “Joe’s Turner Blues”: entorpecedora! “Layla”, sucesso de Clapton, ganhou reinterpretação “in blues” de Marsalis: ficou, ainda melhor!
Mas chega de escrever, afinal: “a gente tá aqui pra ouvir, ou pra conversar?…”
Deixo a primeira das músicas, “Ice Cream”, um refresco para o fim de semana: 
No site de Wynton Marsalis encontram-se aperitivos( trechos de todas as músicas do cd): ouça-as, sem moderação!
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A alma de Mônica

Já que dei algumas dicas de programa, produções e o que comer no último post, mantenho a linha pra falar de uma cantora que aprendi a admirar, há algum tempo.
Não é daquelas paixões avassaladoras, à primeira vista; pode demandar algum tempo até cair de amores mas, impossível não lhe ser fiel depois de conhecê-la!
E assim foi com “Iaiá”, de 2004. Depois, em 2007, com “Noites de Gala, Samba nas Ruas”, onde interpreta músicas de Chico Buarque.
Estou falando de Mônica Salmaso

cdAlmaLirica

Na viagem ao Rio adquiri o novo cd, fresquinho, na banca da gravadora Biscoito Fino: 
“Alma Lírica Brasileira” faz-nos sentir como numa sala de concerto, com direito à audição exclusiva.
E essa é a “alma” do cd: camerística!
É a voz da cantora, os sopros de Teco Cardoso
( também marido e produtor) e o piano de Nelson Ayres.

Mônica não é de fazer firulas, nem grandes peformances; domina o que faz, colocando a voz a serviço da canção: humilde instrumento, em busca da perfeição. E arrisco dizer: ela a alcança. Além de voz cristalina, acerta na escolha do repertório e dos músicos que a acompanham.
“Alma Lírica” passeia por clássicos do cancioneiro popular: de sambas a modinhas de viola, além de uma surpreendente e provocante interpretação, em clima completamente noir, de “A História de Lily Braun“, de Chico Buarque.
Essa capacidade de Mônica, de nos entregar músicas já conhecidas( outras, nem tanto), revisitadas e reinventadas é o que me faz amá-la, cada vez mais, como naquela propaganda de carro, cujo o slogan é: 
“Quanto mais você conhece, mais se surpreende!”
Conheça um pouco do último trabalho dela: 

Uau!
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