“O dente mole de todos nós”

A gente se apega a tanta coisa que considera importante, indispensável, só por medo de  mudar.
Silmara Franco* tirou as palavras da minha boca. Fiquei sem, mas às vezes é preciso calar e pensar…

O dente mole de todos nós

Nina passou semanas com um dente-de-leite mole. Preso apenas por um fiapo, num cai-não-cai de dar aflição. Mas ela se recusava a deixá-lo ir. Não permitia que ninguém chegasse perto do dente moribundo. Enfrentou situações complicadas. O dente mole a atrapalhava para mastigar, beber, tomar sorvete, falar. Sem abrir mão dele, seu lema parecia ser: “Mais vale um dente velho, mole e conhecido que uma “janelinha” aberta para o (dente) novo e desconhecido.

Eu, encarnando a mãe-dentista, tentava persuadi-la, “Não vai doer nada”, “Vou bem devagar”. Nem. Ela travava os lábios, fazendo a guarda do dente frouxo.

Vaidade? Talvez. A Barbie nunca ficou banguela na vida.

Medo? Sim. De um possível sofrimento, de uma eventual dor. Medo do novo, enfim. Ou nem tanto, posto que não era o primeiro dente a cair. Mas o medo velhaco, às vezes, se traveste de novidade. Só para assustar quem não arrisca. Buuu.

***

Todo mundo tem um “dente mole” na vida. Ou mais de um. Vai dizer que não? Aquele incômodo – físico, mental, material – com o qual se aprendeu, ou se acostumou, a conviver. Aquele, tão de casa. Aquele, que passou da hora de ser resolvido. Aquele, que nem precisava mais estar ali, mas está. Aquele, que simplesmente vai ficando.

O MBA medíocre e sem sentido. O trabalho tedioso e o chefe massacrante. O namorado ogro e babaca. O apartamento mal iluminado e estreito, onde não cabe nem um sonho. A rede social viciante, sugadora de tempo e energia. A operadora de celular que age de má fé e a loja que atende mal. O excesso de peso e a falta de dinheiro. A dor nas costas, a enxaqueca, a alergia.

Tem pessoas que, tão logo a coisa fique antiga ou desconfortável, como um simbólico dente que começa a amolecer e implorar pelo caminho natural da renovação, o extraem, sem dó, nem piedade. Livram-se num piscar de olhos, sem dramas, sem delongas, sem chorumela. Xô!

E tem as que mantêm seus “dentes moles” ad aeternum. Numa espécie de validação do hábito, de apego à rotina, de receio do que vem depois. Ainda que seja um estorvo.

***

Acabou que o dente da Nina se foi. Estavam unidos por um breve fio de pensamento. Ela deixou, enfim, que eu o tocasse. O suficiente para que o pedaço de osso sem vida, ploc!, saísse na minha mão. Ela abriu um olhão deste tamanho, aliviada. Ela, que já tem outras janelinhas, agora exibe um sorriso-varanda.

***

Anda. Arranca você também o seu “dente mole”. Quem sabe a Fada, não a do Dente, mas a da Atitude, passe pela sua casa à noite e deixe um presente sob seu travesseiro.

( *Silmara Franco é paulistana, publicitária e escritora, autora do Fio da Meada.)

Leia Mais

Uma pitada de energia


(Foto, dAqui)

Final do mês passado, quando Cléo Pires completou 30 anos, concedeu entrevista ao site Extra. Perguntada se temia “envelhecer” deu uma resposta ambígua: primeiro, disse que, sim. Depois, que estava “gostando muito de envelhecer”.
Eu, mera mortal, sem nem metade da beleza de Cleo e, com muitos anos a mais( às vésperas de completar 44!) fiquei injuriada!
“Como, assim? A pessoa acaba de fazer 30 anos e diz que está ‘gostando muito de envelhecer’?!” É algum tipo de gozação conosco, mulheres normais?!…
Particularmente, acho que se envelhece quando se abdica dos sonhos, quando se desiste dos planos…
Por isso, embora o tempo aponte-me uma ruguinha aqui, uma flacidez ali sinto-me uma jovem empreendedora, no terreno dos grandes e pequenos sonhos.
Completar uma maratona é um desses.
É um caminho longo, que faz aos poucos.

Domingo passado: uma corrida intermunicipal saindo da minha cidade, Santa Teresa, e chegando em Santa Maria, 28 Km distante.

Esse é um tipo de projeto que exige preparo físico, mas também e, principalmente, preparo psicológico. É preciso ter confiança na sua capacidade, sem deixar de levar em conta as incapacidades e limites do corpo.

Citando uma outra frase de “Alice no País das Maravilhas”:
“A única forma de chegar ao impossível é acreditar que é possível.”

Mas não sou uma lebre. Só quero chegar ao fim, como a tartaruga…

E uma hora ele chega….

Outro dos pequenos sonhos é fazer Gastronomia…
Mas antes, um curso de fotografia…
(Peraí, que eu tenho de consultar minha agenda, no tópico: “Planos a cumprir, a médio e longo prazo”!…)

Talvez por isso tenha ficado encantada com o blog e me identificado com a autora, de: Suvelle Cuisine.
Mãe, escritora, bailarina, apaixonada por fotografia e pela boa cozinha:
“Acredito piamente que somos aquilo que comemos e encontro um prazer tremendo em procurar incessantemente alternativas deliciosas para que a minha família e eu possamos ter uma alimentação saudável e equilibrada.”

As fotos são simplesmente ma-ra-vi-lho-sas! As receitas, simples, mas que dão água na boca!
Querem uma prova?:

Quando vi os( poucos) ingredientes e a maneira( simples) de fazer esse pão tipo pita duvidei que desse certo. Mas, arrisquei. E fiquei feliz com o resultado!

É tão simples, mas tão simples de fazer, que também vai duvidar!

Mas é tão fofo, tão macio, que não vai se arrepender!
Usei a máquina de fazer pão, como o post sugere, mas quem não a tem pode fazer manualmente, também.
Pode acompanhar o lanche da tarde ou, como entradinha, servido com azeite, acompanhando um caldo, nessas noites frias.

Pão tipo pita“, receita, aqui!
Minhas dicas e adaptações:
-Usei 3 colheres de chá de fermento seco granulado para pão+1 colher de sopa de açúcar+1/2 colher de sopa de sal.
-Ela orienta que se assem os pães( depois de, novamente crescidos) em forno brando. Achei que os meus ficaram mais branquinhos que os dela por conta disso, além de demorar mais para assar. Próxima vez deixarei em forno médio a alto.
-Apesar de branquinhos ficaram muito bem assados e muito levinhos.

Falando em corrida e carboidratos( duas coisas que combinam muito bem!), minha próxima dica é um macarrão cremoso energético e aromático, superfácil de fazer, assim como esse pão pita, para salvar o seu (e o meu!) almoço de domingo!…

Leia Mais

Ateliês inspiradores

Hoje é o “Dia do Artesão”.
Minha homenagem a esses dedicados e criativos profissionais. Alguns, tive o privilégio de conhecer pessoalmente, como a Ana Matusita( Ana Sinhana), a Ana Melo Cavalari, a Cecília e Helena( mãe e filha), do Quilts são eternos, e a gaúcha Lu Gastal: todas, artesães modernas e antenadas com o mundo virtual.
Falando nisso, nossa inspiração do dia é um ateliê muito fofo, da crafter Ayumi, do Pink Penguin:
sew8
Cada detalhe único e exclusivo:
sew12
Como este agulheiro:
sew13
Tutorial do siri, aqui (Craft Nosis).
O panô de patchwork é feito sob medida:
sew16
À medida do gatinho Oto:
sew19
sew26
sew32
Outro ateliê inspirador é o da Emy Kuramoto, do Tofu Studio:

Ela também ama gatinhos!

Na visita que fiz à casa da Ana Matusita registrei alguns detalhes do ateliê dela: aqui.

Parabéns aos artesãos! Obrigada pela inspiração.

Leia Mais

"Certinhos"

(Imagem, dAqui)
Texto de Silmara Franco:

Há algo de enfadonho e perigoso nas pessoas muito certinhas. Naquelas cuja fala não tem graves nem agudos, só médios. Nas que nunca desafinam, e ficam sem saber dos acordes interessantes que podem existir entre uma dissonância e outra.



Pessoas retas demais, dessas que parecem ter quatro lados idênticos, não encaram uma curva do meio do caminho. Mas também jamais derrapam. O que poderia, de vez em quando, levá-las a lugares inesperadamente bons.


É preciso cuidado com pessoas que nunca gritam. Que jamais arriscam um palavrão. Um bom palavrão na hora certa é bálsamo para o coração em ebulição.


Levante a mão quem já foi assim.

Pessoas exageradamente arrumadas são viciadas no ton sur ton. Estão sempre a salvo, protegidas do erro. Contam com a aprovação do bando, mas acabam por se mesclar com qualquer fundo, qualquer estampa. Ficam invisíveis. E como geralmente não lembram onde puseram suas cabeças, precisam de alguém que as ajude a encontrá-las depois.


Dá vontade de suspirar ver sapato combinando com cinto. De desanimar de vez, se bolsa ou gravata entram no arranjo. Quem faz isso destoa é do mundo, incerto e múltiplo por definição.

Não existe graça alguma em quem não quis, ao menos uma vez na vida, morrer de amor. E não pode haver verdade em alguém que nunca contou uma mentirinha sequer.


Deve-se desconfiar de quem tem sala de estar igualzinha à da revista de decoração. De quem não tem pelo menos um armário bagunçado. De quem tem criança e não tem brinquedo espalhado pela casa. De quem faz tudo certo no trabalho.

Quem é assim, levante a mão. Se for capaz.


Divertido mesmo é quem divide, provoca, bota pra quebrar. Quem não vibra no uníssono do bom senso comum. Quem ama alto e chora mais alto ainda. Quem faz, todos os dias, alguma coisa de um jeito diferente.


Para ficar mais interessante (desde que não comprometa saúde, segurança ou sentimento dos outros), gente precisa ter, vez por outra, um quê de desatino, uma pitada de desequilíbrio, um desejo de contravenção, uma certa dose de malandragem. Senão, lá na frente, não terá valido a pena.


Agora, vamos lá. Levante a mão quem um dia quer ser assim.




Tive o prazer de conhecer pessoalmente a Silmara, quando fui à Campinas ano passado: mulher elegante nos gestos, assim como na escrita, de sorriso doce e fala mansa.

Já indiquei o Fio da Meada outras vezes por aqui, mas é um tipo de blog, que sempre “vale a penas ler de novo”.

Leia Mais

"Casa de gente maneira"

“Apenas algumas gotinhas de Chanel n°5.”
(Marilyn Monroe, em resposta provocante a um jornalista que quis saber o que ela usava para dormir, em 1955.)

Certas pessoas têm um charme, um algo especial, uma capacidade de impressionar e atrair inexplicável! Pode-se dizer que têm carisma, estilo, alguns, que têm “borogodó”; ou simplesmente, pode-se chamá-los de “maneiros”. 
Esses raros invejáveis( pois, se todos fossem “maneiros”, não seria nada cool!) conseguem fazer do simples, algo especial. Para eles o “menos é mais”, mas o “mais” pode ser ainda mais surpreendente!
Calvin, na sua perspicácia infantil conseguiu resumir a coisa, a seu jeito. Segundo ele: “Pessoas sofisticadas usam óculos escuros”.
Na dúvida, então, se quiserem parecer “cool” apareçam de óculos escuros( ou, com o corpo de Marilyn e Chanel n°5).


O conhecido site do fotógrafo Todd Selby mostra pessoas que fazem da própria casa um lugar único e especial porque, antes de tudo, o são.


Annie e Jonathan Zawada são exemplo disso: Artistas, designers e diretores de arte, o casal reside em Sydney. 
A casa deles-pop, colorida e com muitos toques de humor foi destaque no The Selby:

3_2_09_jonathan_annie_zawadaED5435
Uma bem dosada mistura do moderno com o clássico.
3_2_09_jonathan_annie_zawadaED5437
3_2_09_jonathan_annie_zawadaED5439
O “fofo” e o gótico.
3_2_09_jonathan_annie_zawadaED5450
A sala de jantar é minimalista mas, quem precisaria de mais detalhes, com essa mesa Saarinen e a vista ampla?
3_2_09_jonathan_annie_zawadaED5455
Selby registra detalhes da intimidade da casa e moradores que poderiam passar desapercebidos, o que seria uma pena:
3_2_09_jonathan_annie_zawadaED5474
As telas são a única referência de cor, no quarto do casal( além das flores na janela):
3_2_09_jonathan_annie_zawadaED5469
Também diferente, a forma como os quadros foram pendurados na parede:
3_2_09_jonathan_annie_zawadaED5471
Mas recomendo “beber” as fotos na própria fonte, no The Selby, porque lá estão em tamanho maior( É maneiro. É cool!).
Leia Mais