Passarinhos para impressão

Ainda tentando adaptar-me à linguagem do WordPress, como criança descobrindo as possiblidades de um novo brinquedo.
Para não passar em branco, descobri lindas aquarelas de passarinhos da artista Rebecca que poderão ser impressas e usados como enfeites de natal:

No blog dela.

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Simplicidade

José Ferraz de Almeida Júnior( 1850-1899), paulista de Itu, foi um dos primeiros artistas brasileiros a retratar o cotidiano de pessoas comuns, gente como a gente: 

Família reunida em casa do interior

Soube, como poucos, captar a alma caipira: 
Pescando-1894
O violeiro-1899

Fiquei admirando as pinturas, flagrantes de uma singeleza comovente, pensando que a gente complica a vida mais que o necessário. O caminho inverso, o da simplicidade, é que deveria ser trilhado.

Quando olho pelas janelas da minha casa e vejo o verde que nos abraça, tenho um desses raros momentos num dia.


Reação semelhante deve sentir a designer de interiores Neza Cesar quando se refugia na sua casa, no alto da Serra da Mantiqueira:
Destaque na revista Casa&Jardim e no próprio Blog da Neza, deixo algumas imagens do interior da casa, decorada com capricho e simplicidade( 2 coisas, não necessariamente incompatíveis) para inspirar o fim de semana:
casa da neza
Dá pra sentir o calorzinho do Sol entrando pelas janelas?…
casa da neza2
Adepta do “tudo junto e misturado”, ela sabe dominar as cores com maestria.
casa da neza4
casa da neza5

casa da neza6

Pertinente é esta música do John Ulhoa, cantada pela Fernanda Takai( que eu amo de paixão!) e Érika Machado:


” É na simplicidade que se encontra a felicidade. ”
 Neza Cesar


(Mais fotos, nos links acima)
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Aniversariantes importantes

“Mas é claro que o sol vai voltar amanhã
Mais uma vez, eu sei…”

A música do Renato Russo bem que poderia descrever minha quinta-feira.
Depois do “dia nacional da rabugice(criação minha) chegou o meu “dia particular da alegria”:
Há 17 anos, recém-formada e nada de experiência, nascia meu segundo filho, que levou o nome do avô materno, nome de diplomata e artista-Vinícius.
De tão agradável e ensolarado dia, obrigamo-nos a almoçar fora. Fora de casa, debaixo da sombra de uma árvore.
Só por causa da ocasião especial apresento a família toda, reunida nesta rara foto:
Aniversário-17 anos
No almoço teve frango no tucupi com farofa, torta de limão e brigadeirão de sobremesa( sem bolo e canção de parabéns, a pedido do aniversariante, avesso a festas e comemorações).
O tempo firme animou os meninos a uma ida ao clube, onde encontraram a piscina completamente vazia( de gente!) nessa época do ano:
DSC05000
A animação durou pouco, o suficiente para os dois saírem batendo o queixo de frio.

Já que falei de festa e crianças, se acessarem o Google hoje perceberão a imagem de um móbile, semelhante a este:
Imagem: dAqui
Homenagem ao 113° Aniversário de Alexander Calder, escultor e artista plástico americano.
Diz-se que ele construía seus próprios brinquedos, quando criança. 
Mas, ao que demonstra esta peformance, parece nunca haver crescido:
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Visita erudita

Ir ao Rio e não visitar o Cristo é como, estando em Paris, não ver a Torre Eiffel.
Ainda assim, nessa última viagem não conseguimos subir o Corcovado.
O Cristo acenou-nos de longe, como que dizendo:
“Perdão, mas a concorrência é grande e não vai ser, dessa vez.”

Só perdoo, porque já cumprimos o roteiro em viagem anterior.
Mas uma visita eu sonhava fazer, há tempos…
águia
O Teatro Municipal do Rio é uma construção magnífica, que se destaca na paisagem carioca!

Para comemorar seu centenário, passou por reformas que duraram mais de 500 dias e possibilitaram a restauração de sua beleza original, além da modernização de suas instalações. 

Um dos mais belos teatros da América Latina, foi reinaugurado com toda pompa e circunstância, em maio de 2010.
É passeio imperdível no Rio, tanto quanto cumprimentar o Cristo!
Tivemos muita sorte de conseguir uma visita guiada em pleno feriado de Corpus Christi, já que os agendamentos são feitos com 24h de antecedência.  
A construção do início do século XX fez parte de uma série de obras que visava mudar a cara da capital, da recém-proclamada república brasileira.
Era plano tornar o centro do Rio semelhante aos grandes centros da Europa, especialmente Paris, com seus amplos e bem projetados boulevards.
 
Foto de 1904 mostrando demolição para abertura da avenida Rio Branco
Largas e saneadas avenidas cortaram o local, antes ocupado por casarios e cortiços; imponentes prédios foram erguidos, incluindo o Theatro Municipal, compondo o que é atualmente a Cinelândia, descrita em post anterior.
(Ah! Bons tempos aqueles, em que políticos faziam obras que não duravam apenas até a próxima eleição!…)
Caricatura do prefeito Pereira Passos

Av. Rio Branco e Theatro Municipal, por ocasião da inauguração.
O canteiro central foi removido, posteriormente.
(Fotos antigas da Avenida: dAqui))

O projeto vencedor da licitação para o Theatro foi de Francisco de Oliveira Passos, filho do então prefeito do Rio à época, Francisco Pereira Passos. (Embora jurem de pés juntos que não houve favoritismo, nem nepotismo, pois os arquitetos que participaram do concurso usavam pseudônimos.)
O Teatro foi inspirado na Ópera Garnier, de Paris:
Ficheiro:Paris Oper um 1900.jpg
Desenho de 1900
O projeto de Oliveira Passos teve empate técnico com o de outro arquiteto francês: Albert Guilbert, o que explica a semelhança com a Ópera de Paris.( Pelo visto, naquele tempo não havia muita preocupação com processos por plágio.)
Compare as duas fachadas abaixo, da Ópera de Garnier e do Teatro Municipal, respectivamente, e tire as próprias conclusões:
Ficheiro:Palais Garnier.jpg
Ficheiro:Teatro municipal rio de janeiro.jpg
Puxando a brasa para a nossa sardinha( só porque sou bairrista e não conheço o original francês) eu diria que o nosso teatro é mais bonito, principalmente, depois da última restauração:
Durante o restauro, descobriu-se que a águia da cúpula externa do prédio era originalmente dourada.
Ela, assim como muitos outros detalhes do exterior e interior do Teatro, foram todos cobertos com folhas de ouro importadas da Alemanha. 
O folheamento perde a validade e beleza depois de 25 anos, necessitando de nova aplicação.
A cobertura, antes:
Imagens: dAqui
tour pelo interior do Teatro iniciou-se com um vídeo sobre as obras do restauro. E conhecer a história torna tudo mais interessante, não é mesmo?
Aqui, um exemplo do folheamento nas imensas colunas da varanda:
Teatro Municipal do Rio
Os detalhes em relevo colorido no teto também chamam a atenção:

Teatro Municipal do Rio

A visão da Cinelândia logo em frente, com o Pão de Açúcar ao fundo:

Teatro Municipal do Rio

No belo painel de azulejos é possível ver a águia, originalmente dourada:
Teatro Municipal do Rio
No canto superior E nota-se o cartão postal do Rio: o Corcovado, ainda sem o Cristo.
Detalhe de parede de azulejos
A elegante escadaria de mármore à entrada, adornada por busto em bronze:
Teatro Municipal do Rio
E a cúpula de vitral, logo acima, forma uma claraboia:
Teatro Municipal do Rio
Os vitrais das imensas janelas são belíssimos!
Teatro Municipal do Rio
Teatro Municipal do Rio
Enquanto andávamos pelos corredores era possível ouvir, ao fundo, o som de uma orquestra tocando “O Guarani”, de Carlos Gomes.
Em determinado momento, nossa guia convidou-nos a entrar silenciosamente em uma das galerias e ocupar as poltronas. E ali, de camarote, acompanhei emocionada parte da apresentação de jovens músicos de Campos dos Goytacazes, a Orquestra Sinfônica Mariuccia Iacovino:
O grupo é mantido pela ONG “Orquestrando a Vida“, tem direção artística e regência do maestro Luís Maurício Carneiro e direção geral do maestro Jony William Villela.
O projeto trabalha com crianças campistas( na maior parte, de baixa renda), na faixa etária de 11 a 18 anos. 
Justo nesse dia eles se apresentavam exclusivamente para os músicos da Orquestra Sinfônica da Juventude Simon Bolívar, regida pelo maestro Gustavo Dudamel( em turnê pelo Brasil, os venezuelanos fariam concerto naquela mesma noite)
Sorte nossa. 
Sorte minha, que realizei um sonho: ouvir uma orquestra tocar, no Teatro Municipal do Rio.
Confesso que precisei enxugar discretamente algumas lágrimas durante a empolgante apresentação, que teve coreografia com os instrumentos, dança de capoeira acompanhada de berimbau e, encerrando com chave de ouro, a execução de “Aquarela do Brasil”: bônus inimaginável, para o que seria uma simples visita!
Como tudo o que é bom dura pouco, logo tivemos de nos retirar para completar o passeio na sala assíria, com uma decoração bem diferente do restante do Teatro:

Teatro Municipal do Rio

A bela pintura no teto foi redescoberta, durante a restauração:

Teatro Municipal do Rio

Antigamente nesse salão funcionava um restaurante. 
Difícil acreditar, que até tradicionais bailes de carnaval eram realizados no interior do teatro.
Quer fazer um pedido e jogar uma moedinha na fonte? (O meu, acabara de ser atendido…)

Teatro Municipal do Rio

Nossa visita valeu a pena, assim como vale a pena uma viagem rápida através da história, desses 100 anos de Teatro Municipal:
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Visita ao passado

“O respeito pelo passado, eis o traço que distingue a instrução da barbárie…”
(Alexander Pushkin)

Mas barbárie mesmo, parece ser o descaso com que o centro histórico da maioria das grandes cidades brasileiras é tratado.

“Se queres prever o futuro, estuda o passado”, alertava Confúcio.

Uma cidade civilizada é aquela que preserva sua tradição, incluindo patrimônio histórico, artístico, cultural e natural, sem deixar de incentivar inovações. Um espaço, onde passado e futuro convivem em harmonia. 
Utopia? 
Uma meta.
Para isso é necessária a “instrução”, que o poeta russo mencionou a princípio.

Mas, falando sinceramente: 
Quantas vezes descartamos móveis, objetos, estéticas e ideologias apenas porque são…”velhos”? Sendo que, beleza e saber não têm idade.
A parte mais antiga de uma cidade é prova disso. 
E o Rio de Janeiro continua lindo! (Apesar dos maus políticos!)
O mais interessante de um passeio pelo centro não é apenas observar os impressionantes prédios, alguns já degradados pelo tempo e ocupados por moradores não tão “nobres” quanto os de antigamente, mas, imaginar quantas histórias se passaram por ali. Esse olhar para o passado ajuda-nos a compreender o presente, o nosso.

Visitar museus é uma boa oportunidade para esse exercício.
No Rio não faltam boas opções. Você topa com a cultura ali mesmo, numa esquina( às vezes, com um bandido…)
O mais animador é perceber que há uma preocupação em preservar e restaurar. 
Seriam os primeiros reflexos da Copa e Olimpíada? Que sejam! Os jogos passam, mas as benfeitorias ficam.

A Cinelândia abriga no seu entorno vários prédios importantes como o do antigo STF, o Theatro Municipal, a Câmara Municipal, a Biblioteca Nacional…
Ficheiro:Cinelandia-CCBY.jpg
(Imagem: dAqui)

Viveu áureos tempos na década de 30, mas, à medida que os grandes cinemas e teatros migraram para bairros e shopping centers, a região perdeu o glamour de outrora.
Voltou a ser o centro das atenções do país quando foi palco de importantes manifestações políticas, incluindo o “Diretas Já”, mencionado no post anterior.

Foi para lá que nos dirijimos, no último feriado. 
Era início de uma ensolarada tarde. A luz natural, refletindo na imponente águia dourada sobre a cúpula do Theatro, recentemente restaurado, produzia uma visão inesquecível!

Antes porém, resolvemos visitar outro importante prédio, ao lado: o Museu Nacional de Belas Artes.
(Imagem: dAqui)

O edifício é do início do século XX e abrigava a antiga Escola Nacional de Belas Artes; mas o museu foi criado no final da década de 30, pelo ministro Gustavo Capanema.

Obras de artistas, nacionais e estrangeiros, divididas por temas e organizadas cronologicamente, contam um pouco da nossa história.
É possível conhecer algumas das mais famosas pinturas do século XIX, incluindo obras daqueles que integraram a Missão Artística Francesa, como Lebreton, Taunay e Debret.

No saguão principal, o piso de mosaico com desenhos geométricos chama a atenção: 
Museu Nacional de Belas Artes-Rio de Janeiro
E a escadaria aponta para o que nos espera, no andar superior:
Museu Nacional de Belas Artes-Rio de Janeiro
Sob os pés ou sobre a cabeça, nenhum detalhe deve escapar a um bom observador:

Museu Nacional de Belas Artes-Rio de Janeiro

Detalhes como a moldura em relevo no teto, e o lustre, que mais parece um conjunto de flores reluzentes:

Museu Nacional de Belas Artes-Rio de Janeiro

Neste grande salão, com luz filtrada pela claraboia central, estão obras dos século XIX:

Museu Nacional de Belas Artes-Rio de Janeiro
Museu Nacional de Belas Artes-Rio de Janeiro

Muitas peças eram da família imperial e da coleção pessoal de D. João VI, como este retrato do monarca, pintado por Debret:

Museu Nacional de Belas Artes-Rio de Janeiro

Como naquela música do Chico
“Procurando bem, todo mundo tem”…

Museu Nacional de Belas Artes-Rio de Janeiro

…Colonizador devastador.

Museu Nacional de Belas Artes-Rio de Janeiro

O desmatamento começou há muito, muito tempo atrás…

A pintura, tão conhecida dos nossos livros de História, finalmente materializou-se à nossa frente:

Museu Nacional de Belas Artes-Rio de Janeiro
“Primeira Missa no Brasil” (1860), de Victor Meirelles

E assim, tão grande, ficou mais fácil reparar detalhes que me passavam despercebidos:

Museu Nacional de Belas Artes-Rio de Janeiro

Mas, nada tão imenso quanto este, o maior já pintado no Brasil:

Museu Nacional de Belas Artes-Rio de Janeiro

A Batalha do Avaí é de 1874 e levou 26 meses para ser concluída.


Se Pedro Américo fosse homem de cinema, em vez de pintor, com certeza preferiria dirigir grandes filmes épicos, ou de ação.


Uma curiosidade a respeito: Américo autorretratou-se como um soldado combatente numa das cenas principais, no centro do quadro. 


No século XIX, a fotografia ainda engatinhava no Brasil. Com certeza, uma tecnologia ainda inalcançável à maioria! 
Imagino então, o quanto o trabalho desses artistas era importante!

Aos poucos porém, eles passaram a registrar não apenas eventos históricos e retratar a nobreza, mas interessaram-se pelo cotidiano e o popular, pintando cenas tão singelas quanto esta: 

Museu Nacional de Belas Artes-Rio de Janeiro
E esta eu registrei, pois achei curiosa:
Museu Nacional de Belas Artes-Rio de Janeiro
Reparem no olhar maroto do vendedor que expõe seus produtos à dona de casa, enquanto outro chega, já um tanto atrasado…
Se nos gabarmos que a tecnologia moderna permite-nos comprar, sem sair de casa, poderemos quebrar a cara ao constatar que esse costume vem de longe!

Adiantando-nos no tempo, passamos à outra sala, com as luzes de uma agradável tarde de primavera a nos receber para um chá entre amigas: 
Museu Nacional de Belas Artes-Rio de Janeiro
Quando chegamos ao salão dos modernistas, nosso tempo já estava se esgotando. Uma pena, pois não deu  para guardar o nome de todas as obras e artistas, como deste grande painel:
Museu Nacional de Belas Artes-Rio de Janeiro
Pelas cores alegres e pelo traço diria que seria obra de Di Cavalcante, mas não me arrisco a afirmar( quem for melhor conhecedor de arte pode matar a charada).

Alfredo Volpi gostava de pintar bandeirolas:

Museu Nacional de Belas Artes-Rio de Janeiro

E este, também me falhou a memória:

Museu Nacional de Belas Artes-Rio de Janeiro

Lembra Picasso.

Enfim, a visita valeu a pena, mas recomendo que seja feita sem correria. 
Dá para se passar uma agradável tarde por lá, pois, de arte estarão muito bem servidos:
Museu Nacional de Belas Artes-Rio de Janeiro
( Perdão pela demora na publicação e, se o post teve um certo tom professoral. Além da falta de tempo, o assunto exige alguma pesquisa. Bom, que eu aprendi um pouquinho. Abraço!)
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