Visita erudita

Ir ao Rio e não visitar o Cristo é como, estando em Paris, não ver a Torre Eiffel.
Ainda assim, nessa última viagem não conseguimos subir o Corcovado.
O Cristo acenou-nos de longe, como que dizendo:
“Perdão, mas a concorrência é grande e não vai ser, dessa vez.”

Só perdoo, porque já cumprimos o roteiro em viagem anterior.
Mas uma visita eu sonhava fazer, há tempos…
águia
O Teatro Municipal do Rio é uma construção magnífica, que se destaca na paisagem carioca!

Para comemorar seu centenário, passou por reformas que duraram mais de 500 dias e possibilitaram a restauração de sua beleza original, além da modernização de suas instalações. 

Um dos mais belos teatros da América Latina, foi reinaugurado com toda pompa e circunstância, em maio de 2010.
É passeio imperdível no Rio, tanto quanto cumprimentar o Cristo!
Tivemos muita sorte de conseguir uma visita guiada em pleno feriado de Corpus Christi, já que os agendamentos são feitos com 24h de antecedência.  
A construção do início do século XX fez parte de uma série de obras que visava mudar a cara da capital, da recém-proclamada república brasileira.
Era plano tornar o centro do Rio semelhante aos grandes centros da Europa, especialmente Paris, com seus amplos e bem projetados boulevards.
 
Foto de 1904 mostrando demolição para abertura da avenida Rio Branco
Largas e saneadas avenidas cortaram o local, antes ocupado por casarios e cortiços; imponentes prédios foram erguidos, incluindo o Theatro Municipal, compondo o que é atualmente a Cinelândia, descrita em post anterior.
(Ah! Bons tempos aqueles, em que políticos faziam obras que não duravam apenas até a próxima eleição!…)
Caricatura do prefeito Pereira Passos

Av. Rio Branco e Theatro Municipal, por ocasião da inauguração.
O canteiro central foi removido, posteriormente.
(Fotos antigas da Avenida: dAqui))

O projeto vencedor da licitação para o Theatro foi de Francisco de Oliveira Passos, filho do então prefeito do Rio à época, Francisco Pereira Passos. (Embora jurem de pés juntos que não houve favoritismo, nem nepotismo, pois os arquitetos que participaram do concurso usavam pseudônimos.)
O Teatro foi inspirado na Ópera Garnier, de Paris:
Ficheiro:Paris Oper um 1900.jpg
Desenho de 1900
O projeto de Oliveira Passos teve empate técnico com o de outro arquiteto francês: Albert Guilbert, o que explica a semelhança com a Ópera de Paris.( Pelo visto, naquele tempo não havia muita preocupação com processos por plágio.)
Compare as duas fachadas abaixo, da Ópera de Garnier e do Teatro Municipal, respectivamente, e tire as próprias conclusões:
Ficheiro:Palais Garnier.jpg
Ficheiro:Teatro municipal rio de janeiro.jpg
Puxando a brasa para a nossa sardinha( só porque sou bairrista e não conheço o original francês) eu diria que o nosso teatro é mais bonito, principalmente, depois da última restauração:
Durante o restauro, descobriu-se que a águia da cúpula externa do prédio era originalmente dourada.
Ela, assim como muitos outros detalhes do exterior e interior do Teatro, foram todos cobertos com folhas de ouro importadas da Alemanha. 
O folheamento perde a validade e beleza depois de 25 anos, necessitando de nova aplicação.
A cobertura, antes:
Imagens: dAqui
tour pelo interior do Teatro iniciou-se com um vídeo sobre as obras do restauro. E conhecer a história torna tudo mais interessante, não é mesmo?
Aqui, um exemplo do folheamento nas imensas colunas da varanda:
Teatro Municipal do Rio
Os detalhes em relevo colorido no teto também chamam a atenção:

Teatro Municipal do Rio

A visão da Cinelândia logo em frente, com o Pão de Açúcar ao fundo:

Teatro Municipal do Rio

No belo painel de azulejos é possível ver a águia, originalmente dourada:
Teatro Municipal do Rio
No canto superior E nota-se o cartão postal do Rio: o Corcovado, ainda sem o Cristo.
Detalhe de parede de azulejos
A elegante escadaria de mármore à entrada, adornada por busto em bronze:
Teatro Municipal do Rio
E a cúpula de vitral, logo acima, forma uma claraboia:
Teatro Municipal do Rio
Os vitrais das imensas janelas são belíssimos!
Teatro Municipal do Rio
Teatro Municipal do Rio
Enquanto andávamos pelos corredores era possível ouvir, ao fundo, o som de uma orquestra tocando “O Guarani”, de Carlos Gomes.
Em determinado momento, nossa guia convidou-nos a entrar silenciosamente em uma das galerias e ocupar as poltronas. E ali, de camarote, acompanhei emocionada parte da apresentação de jovens músicos de Campos dos Goytacazes, a Orquestra Sinfônica Mariuccia Iacovino:
O grupo é mantido pela ONG “Orquestrando a Vida“, tem direção artística e regência do maestro Luís Maurício Carneiro e direção geral do maestro Jony William Villela.
O projeto trabalha com crianças campistas( na maior parte, de baixa renda), na faixa etária de 11 a 18 anos. 
Justo nesse dia eles se apresentavam exclusivamente para os músicos da Orquestra Sinfônica da Juventude Simon Bolívar, regida pelo maestro Gustavo Dudamel( em turnê pelo Brasil, os venezuelanos fariam concerto naquela mesma noite)
Sorte nossa. 
Sorte minha, que realizei um sonho: ouvir uma orquestra tocar, no Teatro Municipal do Rio.
Confesso que precisei enxugar discretamente algumas lágrimas durante a empolgante apresentação, que teve coreografia com os instrumentos, dança de capoeira acompanhada de berimbau e, encerrando com chave de ouro, a execução de “Aquarela do Brasil”: bônus inimaginável, para o que seria uma simples visita!
Como tudo o que é bom dura pouco, logo tivemos de nos retirar para completar o passeio na sala assíria, com uma decoração bem diferente do restante do Teatro:

Teatro Municipal do Rio

A bela pintura no teto foi redescoberta, durante a restauração:

Teatro Municipal do Rio

Antigamente nesse salão funcionava um restaurante. 
Difícil acreditar, que até tradicionais bailes de carnaval eram realizados no interior do teatro.
Quer fazer um pedido e jogar uma moedinha na fonte? (O meu, acabara de ser atendido…)

Teatro Municipal do Rio

Nossa visita valeu a pena, assim como vale a pena uma viagem rápida através da história, desses 100 anos de Teatro Municipal:
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Premiações

Em junho de 2008, 3 militares pertencentes à tropa que ocupava o Morro da Providência no Rio de Janeiro detiveram 3 jovens moradores, suspeitos de portar armas e ter ligação com o tráfico local.
A “guerra urbana” não ocorre sem vítimas: ao final da “operação”, os 3 jovens foram entregues por um grupo de militares aos traficantes rivais do Morro da Mineira e, previsivelmente, mortos às costas daqueles que deveriam protegê-los.
O episódio ganhou a mídia como a “tragédia do Morro da Providência”, expondo a delicada relação entre os militares e a população do morro ocupado.
Pouco tempo depois o mesmo lugar voltou a chamar a atenção porém, de uma forma bem diferente, graças à intervenção de um jovem fotógrafo e grafiteiro francês( ele não revela o nome, preferindo ser chamado apenas de J.R.):
Da noite para o dia, encostas e fachadas de casas no morro foram ocupadas, não por militares mas, por imensas fotos em preto e  branco, no projeto intitulado Women Are Heroes” (mulheres são heroínas).
Uma das “heroínas” estampadas em uma escadaria do bairro foi Dona Sebastiana, 68 anos, avó de um dos jovens, assassinados no triste episódio:
retrato de dona Benedita
“A idéia por trás do trabalho é simples: retratar personagens que moram em áreas de conflito destacadas pela mídia e tentar mostrar o outro lado.”
“O objetivo secundário, mas não menos importante, diz J.R., é criar em lugares onde não existe arte.”
Trabalho do fotógrafo JR no Morro da Providência


Esta semana o fotógrafo francês recebeu um prêmio de US$100 mil dólares da
fundação TED (Technology, Entertainment, Design), não apenas pelo trabalho exposto no Rio mas também, em outras partes do mundo:
Intervenção do artista francês J.R. em casa da cidade suíça de Vevey
Trabalho de JR em Vevey, Suíça

Outras figuras de destaque receberam o mesmo prêmio, em anos anteriores: Bill Clinton, o cantor Bono Vox e o chef-celebrity Jamie Oliver.

Mais fotos do trabalho de J.R., aqui: JR Art.

A vida já é pesada demais!
A iniciativa de surpreender, desarmar e chamar a atenção através da arte é louvável.
Mas, não é preciso tanto pra mudar e melhorar um pouco o lugar onde moramos. Atitudes e ações mais simples podem fazer grande diferença!

O post de hoje começou heavy mas, aos poucos foi ficando soft, perceberam?
É que eu introduzi o tema, contextualizando, para dar a notícia desse interessante trabalho, digno de um importante prêmio.

Mas aqui, no Sala da La, o prêmio é outro: bem aquém, dos US$100 mil oferecidos pelo TED porém, não menos disputado.

Foi um recorde de participação, em promoções aqui no blog: 471, entre primeiras, segundas e terceiras, afinal, cada divulgação permitia nova participação, aumentando a chance de ganhar.

Gostaria de agradecer à companheira Ana, pelo prestígio da parceria: oferecer um produto com a marca e qualidade Ana Sinhana foi o principal fator de sucesso dessa promoção! E, em nosso nome, gostaria de agradecer o prestígio de todos os que participaram, ajudando inclusive a divulgar!
Àquelas que, aproveitaram para mandar um recadinho carinhoso, meu “muito obrigada”!

Mas, vamos ao que interessa:


Chamei até bandinha de música, pra animar o coreto e anunciar o(a) felizardo(a)…
Que rufem os tambores, senhoras e senhores!
E, quem vai rir à toa será…
Happy Kid
Fernanda Richetti, mais conhecida como Nana, do Manga com Pimenta!
( Pausa para risos, gritinhos e soluços…)

Fiquei especialmente feliz com o resultado, porque a Nana é companheira e parceira minha, praticamente desde o início do blog! Foi ela, inclusive, que ajudou a mudar a cara do Sala da La, montando o novo layout.

Apesar dessa nossa proximidade, deixo claro que não houve “jabá” mesmo porque, tanta gente que eu gosto participou que, seria difícil escolher quem mais merecesse ganhar: deixei por conta do sistema Contest Machine.
Apenas peço desculpas pois, não consegui salvar o quadro do resultado e o expor aqui( meu AAC, Assessor para Assuntos Cibernéticos não estava em casa, pra me ajudar).

Parabéns à Nana, que foi sorteada na sua segunda participação, já que a divulgou pelo Twitter.

Agora, pode correr pro abraço!…
"The Joy Of Life" - that's one happy kid!



Quem não ganhou, não precisa chorar!


Pode visitar a Ana e encomendar-lhe uma toalha, ou bolsa, ou carteira, ou coruja…
Continuem por aqui pois, além de informação, boas ideias, imagens, sons e receitas gostosas ainda teremos mais promoções, logo, logo!

Beijo e bom início de semana pra todos!

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Refúgio na mata

Não se fala em outro coisa, desde domingo: a (boa) surpresa de um segundo turno, revelada após a abertura das urnas. 
A “zebra” veio pintada de Verde. 

O clima do momento foi muito bem(-humoradamente) retratado, pelo chargista capixaba Amarildo, no jornal A Gazeta de hoje:

Blog do Amarildo

É tanto assédio que, talvez a candidata verde até desejasse fugir, “para outro lugar, baby
Na onda( verde!) do escapismo, tranquilidade e privacidade poderiam ser encontradas nesta casa, no norte da Califórnia:
 
Toda a face norte tem vista ampla, da mata em volta:
 
O piso claro de madeira e a luz natural, que entra por imensas janelas de vidro, ampliam a sensação de liberdade e contato com a natureza.
Mobiliário em tons neutros e objetos de argila e palha, complementam a decoração. 
A extravagância do lustre escultural faz um contraponto à estética minimalista.
Alguns candidatos, talvez não gostassem de passar suas férias pós-eleições numa casa assim, tão transparente. Mas, àqueles comuns mortais, como nós, quais desses se incomodariam em dividir a privacidade com pássaros, esquilos, raposas e cervos?!
Combinemos o seguinte, então: os políticos iriam para a “selva de concreto”, em Brasília, enquanto nós, fugimos( deles?!) para esta outra selva: verde, fresca e silenciosa( e, sem horário eleitoral gratuito!)!
O primeiro a pular na piscina, serei eu!( O último…é “mulher do padre”!…)
]
Mas, reitero: tudo isso é puro escapismo! 
Vamos ficar por aqui, pelo menos, até dia 31 de outubro. Quem sabe assim, se cumprirmos nosso dever cívico direitinho e, ajudarmos a mudar a cara do país, sejamos recompensados com um futuro mais tranquilo e promissor?!…

Conheça mais sobre esse projeto arquitetônico, da empresa Turnbull Griffin Haesloop: Sebastopol Residence
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Beleza engajada

Anda meio triste com essa sucessão de tragédias, por aí?
Então, senta que a gente dá um refresco, por aqui:
Rico, famoso, ótimo ator, casado com uma das mulheres mais desejadas do planeta, pai dedicado, de uma penca de filhos e…ops! Já ia me esquecendo de um “detalhe”: é “lindo de viver”, como descreveria Hebe Camargo!
São tantos predicados, que Brad Pitt nem precisaria fazer mais nada para que caíssemos apaixonadas aos seus pés ( ops! Se não fôssemos comprometidas!…)
.
Mas ele não parece se contentar em ser “apenas mais um rostinho bonito”: além disso tudo, ainda arranja tempo para se engajar em boas causas.
Arquitetural Digest

Brad, que é sabidamente apaixonado por arquitetura, apoia um projeto para reconstrução da Nova Orleans devastada pelo furacão Katrina, em 2005:

Make It Right envolveu o trabalho de 21 profissionais, americanos e de outras partes do mundo, que doaram seus projetos de arquitetura e design verde para a construção de casas e apartamentos, a baixo custo:
“O ator Hollywoodiano quer reduzir as contas de energia da população, e acredita que apoiando as casas ecologicamente corretas dará um grande passo para o seu objetivo. Ao visitar a área devastada pelo furacão Katrina, a Ninth Ward, decidiu que lá seria um local perfeito para a implantação das novas construções.”
(Mais informações, aqui: Portal do Arquiteto
)

Coincidentemente, num dos filmes mais importantes para a carreira do ator, “O Curioso Caso de Benjamin Button”, a história foi ambientada em Nova Orleans: de 1918, até a passagem do furacão. Motivo para um post especial, aqui.

Fala sério: não seria possível existir um “homem perfeito” como esse!
Vai ver, ele ronca à noite, ou tira meleca do nariz, na frente dos outros!…
( O que não o desmereceria, na minha opinião. Poderia até, fazer um “esforço” para tolerá-lo…)

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De Zanine ao Caravaggio…( cap.III)

Cronologicamente pode parecer que me equivoquei, mas geograficamente entenderão o porquê…

O Espírito Santo é um estado pequeno, fácil de percorrer, de paisagens tão contrastantes quanto o mar e a montanha, o mangue e as cachoeiras, as dunas de Itaúnas e a Mata Atântica, o moderno e o antigo…e tudo ali, pertinho!

Depois de escalar o morro do Convento da Penha, rumamos com as nossas turistas gaúchas para o litoral: Jacareípe e Praia Grande ficam próximos de Vitória.

Sugeri uma paradinha imperdível no restaurante Ninho da Roxinha, em Nova Almeida. A comida é simples mas a casa de madeira e vidro, de forma circular, numa área verde, elevada, de frente para o mar…ah! Isso não tem preço! ( Nem cartão de crédito paga!)
Escolhemos uma das mesas da extensa varanda que circunda a antiga casa. E à nossa frente… Sempre gostei muito desse lugar e, para minha surpresa, descobri só agora que o projeto dessa casa de veraneio, que virou restaurante, foi feito por ninguém mais, ninguém menos que Zanine Caldas, o famoso arquiteto por quem a Vivianne já se declarou “apaixonada” em 5 posts!

A sala de espera do banheiro tem preciosidades expostas nas paredes:
“Zanini construiu no alto da colina, com vista privilegiada da Baía de Nova Almeida e Praia Grande, uma casa rústica inteiramente feita de dormentes retirados de estradas de ferro desativadas, utilizando alvenaria somente em sua base.” ( Informações colhidas no site do restaurante) Detalhe do teto em madeira, lembrando uma cestaria: A paisagem e a brisa do mar são o plus do lugar… Aqui, meu menino mostrando como era o irmão mais velho, na adolescência: ( Ainda bem que o outro não ouviu isso, se não, seria briga na certa!)
O restaurante oferece carnes exóticas:

( Só não vale fazer amizade com o avestruz do quintal, porque aí, já seria trair a confiança…)
Como costuma dizer minha sogra:
“Barriga cheia, coração contente”. Após isso então, rumamos para a pousada.
Deixei as meninas no
Canto da Lua, em Praia Grande, enquanto voltei pra casa com os meus outros meninos.
Fica por conta da
Rosana, tratar o capítulo “Aventuras na Praia”.
Combinamos nos reencontrar no sábado, durante um almoço na minha casa. Olhem a responsabilidade!…

Um pulo do litoral para a serra, já em Santa Teresa: Montamos a mesa no quintal, com céu ensaindo uma chuvinha de verão que não aguardou a sobremesa. Mas assim como chegou, foi embora.
Pingo fez tanto oba, oba com as visitas que foi correndo colocar sua fantasia de…capacho?!
O almoço foi simples. Se estava bom, sou suspeita pra falar: salada de grãos, quiche de cebola, suflê de bacalhau, arroz negro, purê de batata baroa. De sobremesa: açaí com sucrilhos, brownie com sorvete de creme.
Não tirei foto, pois a pressa não deixou.

Fim de tarde, fomos ao Vale do Caravaggio em Santa Teresa: A amplidão não cabe na foto…( Amplie, clicando nelas) Lá em cima venta muito e é mais frio, mas as gaúchas resistiram firme sem o agasalho: Dá vontade mesmo, de ser jogar na grama e ficar de cara para o céu… Mas a compenetração não demora muito tempo… Até me render, também… Pra desacelerar, porque a vida é tão rara…

To be continued…
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