O “feminismo” do Facebook

Rendi-me à facilidade e rapidez de comunicação do Facebook.
Reitero o convite àqueles que quiserem acompanhar a extensão do blog por lá, com a Láely Fonseca.
Mas, como toda ferramenta, precisa ser bem usada para render bons resultados.

Sou contra formatações e estereótipos, mas o artigo a seguir não pretende estabelecer regras-o que fazer, ou não; é apenas um ponto de vista, que merece análise:

A derrota do feminismo no Facebook
(Por: KATIE ROIPHE)

Se, do além-túmulo, Betty Friedan fosse analisar como as mulheres acima dos 30 se comportam no Facebook, temo que ficaria muito decepcionada conosco. Eu me refiro especificamente à tendência de as mulheres usarem fotos de seus filhos em vez de suas próprias nos perfis do Facebook. Você clica no nome de uma amiga e o que aparece na tela não é o rosto dela, mas a foto de uma lourinha de quatro anos dormindo ou de um garoto de boné, correndo na praia. Inofensivamente embutido em um dos nossos métodos preferidos de procrastinação está um poderoso símbolo do novo século. Onde foram parar todas essas mulheres? Um historiador perspicaz pode muito bem perguntar no futuro: o que todas essas crianças em nossas páginas do Facebook dizem sobre “a construção da identidade de mulher” nesse momento específico?

Muitas dessas mulheres trabalham. Muitas fazem parte de clubes de leitura. Muitas são militantes de determinada causa ou têm interesses que vão além de suas casas. Mas é assim que elas preferem se representar. Essa opção pode parecer trivial, mas a ideia do Facebook é criar uma persona social, uma imagem de quem você é projetada em centenas de quartos, cafés e escritórios em todo o país. Por que então essa imagem seria a de qualquer outra pessoa, não importa o quão ligada ela seja a você, geneticamente ou por qualquer outro laço? Essa escolha parece um retrocesso a uma velha forma de identidade, a uma época em que mulheres eram chamadas de “Senhora John Smith”, em que meninas saudáveis saídas de Vassar enlouqueciam entre aspiradores de pó e caixas de areia. Não que eu não entenda a tentação de botar no Facebook fotos de seus lindos filhos. Eu entendo. Afinal, assim ficamos livres do peso de nos arrumar para aparecer minimamente decentes numa foto e sobretudo nos livramos de todo o trabalho excruciante que envolve sermos nós mesmas. E seu filho de três anos gosta de posar para a câmera. Mas mesmo assim.

Essas fotos do Facebook sinalizam um autoapagamento mais amplo e ameaçador, um estreitamento de horizonte. Lembre de um jantar ao qual você foi há pouco tempo, e de sua amiga, que na faculdade escreveu um trabalho de conclusão de curso sobre Proust, a mesma que aos 20 anos bebia até as cinco da manhã, uma mulher brilhante e bem-sucedida. Lembre de como, durante todo o jantar, das azeitonas à musse de chocolate, ela só falou dos filhos. Você foi paciente, e porque você ama essa mulher ficou esperando que ela conversasse sobre… o quê? Um livro? Um filme? O noticiário? É verdade que ela fala sobre os filhos com riqueza de detalhes e impressiona pelo rigor, profundidade analítica e graça com que trata o tema; ela poderia mesmo, é inevitável pensar, escrever toda uma dissertação sobre o efeito preciso do estilo pedagógico de um determinado professor sobre seu filho de quatro anos. Mas mesmo assim. Você percebe que do outro lado da mesa, um lado mais animado, estão os homens, falando sobre algo que não são modelos de carrinhos de bebê. Esta cena poderia estar num romance de Jane Austen ou Anthony Trollope, em que os homens se retiram para uma outra sala para beber brandy e falar sobre política ou os acontecimentos recentes. E você volta a prestar atenção na conversa, e a mulher está contando como prepara a merenda do filho. Todas nós, em algum momento, somos esta mulher? É claro que não há nada de errado com um pouco desse papo de criancinha. Mas não chega uma hora em que nos interessamos, também, por outra coisa?

O mistério é que a mulher que botou a criança em seu lugar no Facebook certamente foi leitora de A mística feminina, O segundo sexo e O mito da beleza e dos blogs Double X ou Jezebel. Está em dia com o papo-cabeça sobre em qual onda do feminismo nos encontramos. E ainda assim assimila com naturalidade esse tipo de apagamento, essa voluntária perda de identidade. Parece dizer: aqui está minha família feliz, nada mais me importa.

A filha de uma amiga usou durante muito tempo aqueles tênis que apitam. Para um adulto, era inacreditavelmente insuportável o barulho que faziam a cada passo da menina. Uma vez perguntei à minha amiga por que ela não proibia os tais tênis, e ela respondeu: “Porque ela gosta deles!”. Imagine fazer parte dessa nova geração, descobrindo a cada alegre apitada de seus tênis que Galileu estava errado: é você, e não o sol, o centro do universo!

Não posso deixar de pensar que nossos pais jamais teriam suportado tênis que apitam ou conversas que giram inteiramente em torno de crianças. Eles nos amavam tanto quanto amamos nossos filhos, mas, até onde me lembro, tinham suas próprias vidas, e nós brincávamos em torno delas. Eles não planejavam fins de semana inteiramente em torno de teatro infantil, aulas de arte para crianças, aulas de piano e festinhas de aniversário. Por que, muitos de nós nos perguntamos, nossos filhos não brincam sozinhos? Por que eles não têm a vida interior que, ainda vagamente, lembramos ter em nossas próprias infâncias? A resposta parece óbvia: porque, cheios de boas intenções, nos devotamos excessivamente à educação, ao entretenimento e à formação em geral de nossos filhos. Porque deixamos de lado a ideia de uma vida adulta independente, por não permitirmos que nossos filhos imaginem um lugar para si em seus quartos, no tapete ou no jardim; em suma, por não permitirmos que tenham uma vida própria.

É claro que o Facebook passa pelo exibicionismo: é uma forma de transformar em espetáculo a sua vida, ou pelo menos a parte dela que você escolhe para mostrar ao mundo lá fora. Os filhos são uma importante realização na vida de alguém e, indiscutivelmente, a mais importante realização – o que não significa que eles sejam quem você é. Pode-se argumentar, é claro, que a vaidade das novas gerações representa um tipo de narcisismo ainda pior e mais sinistro, com as postagens sobre o tipo de chá que estão bebendo. Mas essa forma específica de narcisismo, a exposição destes querubins para criar uma imagem do eu, é para mim mais perturbadora pela verdade que revela. A mensagem subliminar é clara: Eu sou os meus filhos.

O Facebook sem dúvida facilitou a vida dos mais jovens, pois favorece naturalmente a aproximação de quem não se conhece em festas ou a paquera nos bares. É também perturbadora na troca das fotos dos perfis a clara e deliberada subversão dessa finalidade: essa geração abre mão da própria sexualidade ao substituir o rosto de uma mãe atraente pelo de uma criança inocente. Essa atitude sinaliza um incômodo em ter um mínimo de vaidade. Assim como só usar tênis ou esquecer de cortar o cabelo, essa é uma forma de se tornar desajeitada e invisível, refletindo uma espécie de mommy culture em que é ponto de honra mostrar quão pouco resta em você de uma mulher saudável, articulada, engajada e bem-vestida.

E se as páginas do Facebook forem apenas o começo? E se depois vierem os passaportes e as carteiras de motorista? E se subitamente as caras de uma geração desaparecerem e bebês radiantes tomarem seus lugares? Quem ficará de luto por essas mulheres desaparecidas? Quando Betty Friedan descansará em paz?

KATIE ROIPHE (1968) é escritora, jornalista e professora da New York University. Publicou quatro livros de não ficção, dentre eles The morning after: sex, fear and feminism on campus, e o romance Still she haunts me, inspirado na relação entre Lewis Carroll e Alice Lidell. Este artigo faz parte da antologia In praise of messy lives (2012) e foi cedido pela autora para publicação no blog da serrote.

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Uma pitada de energia


(Foto, dAqui)

Final do mês passado, quando Cléo Pires completou 30 anos, concedeu entrevista ao site Extra. Perguntada se temia “envelhecer” deu uma resposta ambígua: primeiro, disse que, sim. Depois, que estava “gostando muito de envelhecer”.
Eu, mera mortal, sem nem metade da beleza de Cleo e, com muitos anos a mais( às vésperas de completar 44!) fiquei injuriada!
“Como, assim? A pessoa acaba de fazer 30 anos e diz que está ‘gostando muito de envelhecer’?!” É algum tipo de gozação conosco, mulheres normais?!…
Particularmente, acho que se envelhece quando se abdica dos sonhos, quando se desiste dos planos…
Por isso, embora o tempo aponte-me uma ruguinha aqui, uma flacidez ali sinto-me uma jovem empreendedora, no terreno dos grandes e pequenos sonhos.
Completar uma maratona é um desses.
É um caminho longo, que faz aos poucos.

Domingo passado: uma corrida intermunicipal saindo da minha cidade, Santa Teresa, e chegando em Santa Maria, 28 Km distante.

Esse é um tipo de projeto que exige preparo físico, mas também e, principalmente, preparo psicológico. É preciso ter confiança na sua capacidade, sem deixar de levar em conta as incapacidades e limites do corpo.

Citando uma outra frase de “Alice no País das Maravilhas”:
“A única forma de chegar ao impossível é acreditar que é possível.”

Mas não sou uma lebre. Só quero chegar ao fim, como a tartaruga…

E uma hora ele chega….

Outro dos pequenos sonhos é fazer Gastronomia…
Mas antes, um curso de fotografia…
(Peraí, que eu tenho de consultar minha agenda, no tópico: “Planos a cumprir, a médio e longo prazo”!…)

Talvez por isso tenha ficado encantada com o blog e me identificado com a autora, de: Suvelle Cuisine.
Mãe, escritora, bailarina, apaixonada por fotografia e pela boa cozinha:
“Acredito piamente que somos aquilo que comemos e encontro um prazer tremendo em procurar incessantemente alternativas deliciosas para que a minha família e eu possamos ter uma alimentação saudável e equilibrada.”

As fotos são simplesmente ma-ra-vi-lho-sas! As receitas, simples, mas que dão água na boca!
Querem uma prova?:

Quando vi os( poucos) ingredientes e a maneira( simples) de fazer esse pão tipo pita duvidei que desse certo. Mas, arrisquei. E fiquei feliz com o resultado!

É tão simples, mas tão simples de fazer, que também vai duvidar!

Mas é tão fofo, tão macio, que não vai se arrepender!
Usei a máquina de fazer pão, como o post sugere, mas quem não a tem pode fazer manualmente, também.
Pode acompanhar o lanche da tarde ou, como entradinha, servido com azeite, acompanhando um caldo, nessas noites frias.

Pão tipo pita“, receita, aqui!
Minhas dicas e adaptações:
-Usei 3 colheres de chá de fermento seco granulado para pão+1 colher de sopa de açúcar+1/2 colher de sopa de sal.
-Ela orienta que se assem os pães( depois de, novamente crescidos) em forno brando. Achei que os meus ficaram mais branquinhos que os dela por conta disso, além de demorar mais para assar. Próxima vez deixarei em forno médio a alto.
-Apesar de branquinhos ficaram muito bem assados e muito levinhos.

Falando em corrida e carboidratos( duas coisas que combinam muito bem!), minha próxima dica é um macarrão cremoso energético e aromático, superfácil de fazer, assim como esse pão pita, para salvar o seu (e o meu!) almoço de domingo!…

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Santa Teresa em revista

Desde os primórdios do blog, há mais de 4 anos, tenho divulgado, através de fotos e impressões, o quanto gosto da minha cidade, na região serrana do Espírito Santo:

Ontem, Santa Teresa ganhou destaque em matéria especial sobre “viagem”, no caderno de domingo do jornal de maior circulação no estado, “A Gazeta“:
“Foram três enquetes baseadas em pesquisas, na fanpage da Revista AG, com 10 destinos locais, 10 destinos nacionais e 10 destinos internacionais. Os três mais votados de cada um fizeram parte da publicação de domingo. E quem escreveu sobre eles foram os leitores. Afinal, nada melhor do que alguém que conhece o lugar para dizer o que ele tem – ou não – de interessante.”

Santa Teresa ganhou em primeiro lugar, no gosto dos leitores capixabas. E é aí, que entra uma pequena contribuição minha: a representante local escolhida para dar dicas sobre a cidade fui eu.

E a gente começa a semana, com essa boa notícia!

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Tarteletes de limão e merengue com pimenta

Alice no País das Maravilhas, Gato de Cheshire
Gosto de repetir aqui, o diálogo entre Alice e o gato Cheshire( de Lewis Carroll):
“Podes dizer-me, por favor, que caminho devo seguir para sair daqui?
Isso depende muito de para onde queres ir – respondeu o gato.
Preocupa-me pouco aonde ir – disse Alice.
Nesse caso, pouco importa o caminho que sigas – replicou o gato.”

Clichê, ou não, sem metas e objetivos pouco se avança.
Cado um que responda por si e eleja suas prioridades e alvos.
Falando nisso, minha planilha de treinos para a maratona tem sido preenchida, a cada semana. Estamos no Km 28, dos 35Km a serem alcançados, até meados de maio.
E quando se abraça um projeto como esse, responsabilidades e compromissos( que envolverão não apenas o tempo empregado nos treinos, mas também, toda a sua rotina) fazem parte do pacote: alimentação, descanso, administração do tempo livre, tudo pode interferir na performance.

Um dos hábitos simples que resolvi assumir (pensando não somente na corrida, mas, na saúde) é a diminuição, até abolição total do açúcar na minha rotina. Tenho me saído bem, até agora.
Mas isso não significa que não caia em tentação. Faz parte do tempero da vida fazer certas concessões…

A Pequena Cozinha em Paris” estreou há pouco, no GNT, com a apresentação da chef e escritora inglesa Rachel Khoo, radicada em Paris há alguns anos.

A lindinha, de ascendência malaio-chinesa-austríaca, desmistifica a cozinha francesa em sua pequena e fofa cozinha, como sugere o título do programa.
Num dos episódios ela mostrou uma tortinha de aparência incrível! Apaixonei!

Era uma tortinha de toranja( grapefruit) e merengue com pimenta do reino.
Algumas semanas se passaram, mas não, minha vontade de testar a receita.
Acontece que meu fôlego anda comprido, mas meu tempo, curto.
Hoje decidi. E fiz!

E dei saltitos de alegria, ao conferir o resultado final!

E passei debaixo da mesa, e fiz: “Uuhmmm!”, depois de provar um pedaço!

E senti-me com superpoderes de uma chef experiente, estreando meu supermaçarico!

Depois dessa tortura visual, tentação adocicada, a receita, no site do GNT:
Tortinhas de toranja e merengue com pimenta
Sugiro a quem não é muito experiente na cozinha ler todas as minhas impressões e dicas antes de aventurar-se e, garanto-lhes, é mais simples do que aparenta:
-Grapefruit é uma fruta difícil de encontrar por aqui. Substituí por um limão siciliano, suco e raspinhas+uma laranja, para o creme do recheio.( Usei raspinhas do siciliano na massa e no merengue da cobertura, também.)
-Depois de frio, achei que o creme ficou mais firme que o desejado. Misturei um pouco de creme de leite fresco e atingi a consistência desejada.
-Peneire todas as gemas, antes de usá-las: isso impedirá que fique com gosto, ou cheiro de ovo.
-Leva bastante açúcar, nas 3 camadas. Então, pegue leve! Prefiro usar metade do que pede a receita e, depois de provar, acrescento mais, se julgar necessário. Não gosto de nada muito doce e enjoativo.
-Susto grande, quando vi a quantidade de fermento químico para a base da torta( 2 colheres de sopa, segundo a receita!). Acho que houve um erro de tradução. Acrescentei apenas  1 colher de chá de fermento.
-Ela usou aros, para moldar as bases das tortinhas. Como não tinha muitos, substituí por fôrminhas de tarteletes, com fundo removível, de 10 cm. Não foi necessário usar saco de confeitar: a massa ficou macia, mas firme o suficiente para ser manipulada; pode-se polvilhar as mãos com trigo, assim fica mais fácil espalhar nas fôrminhas, sem grudar. Para coquetéis sugiro fôrminhas menores: renderiam mais unidades e ficaria uma apresentação bem mais delicada!
-Também absolutamente dispensável untar as fôrmas.
-A massa fica com uma consistência, entre biscoito e bolo. Se quiser manter a crocância da base pode-se fazer, biscoito e creme, separados e, com antecedência, deixando o merengue para a hora da montagem. Esse, em menos de 15′ estará pronto.
-O biscoitinho da base vai em forno baixo, por 30-35′, até corar.
-O creme deve estar frio, para ser usado. Logo depois de sair do fogo, cobri-lo com filme plástico, bem aderido, pra não criar película.
-Pra quem não termômetro, como eu, pra controlar a temperatura da calda de açúcar é só seguir as dicas da Rachel: mantenha uma pequena vasilha com água gelada à mão. Em menos de 10′, quando a calda estiver borbulhando, teste, pingando um pouco dela na água gelada: é em ponto de bala mole.
-Peça ajuda a alguém: enquanto um bate as claras, outro despeja a calda, ainda quente, nas beiradas da vasilha, em fio, até o suspiro esfriar.
-0 merengue é hidrófilo, por isso, se não quiser que suas tortinhas fiquem suadas, ou moles demais, o ideal é montar perto da hora de servir.
-Se não tiver um maçarico, leve ao forno, até corar o merengue.

Prepare-se para muitos elogios! ( Coisa chata, né?…)

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Tá rindo de quê?…

“Quando o gato sai os ratos fazem a festa”. No meu caso saiu a humana, assumiu a felina( ou, a felina que existe na humana)!
Fizemos uma DR( Discussão da Relação), com direito a muitas afofadas na barriguinha dela, amassar pãozinhos na minha e…decidimos, eu e Chanel, que ela poderá ser uma colunista esporádica do blog, talvez, como comentarista de moda, o que acham?
Mas, falando mais sério, vamos tratar de humor? Humor, com respeito e dignidade.
O assunto veio à tona, depois da polêmica cena da “mão boba” de Gerald Thomas subindo, invasivamente, sob o vestido curto e colante de Nicole Bahls, numa matéria para o programa “Penico”(ops!), quer dizer, “Pânico”. A cena repercutiu como uma bomba! Pra quem pegou o bonde andando, entenda, vendo as fotos, aqui!
A própria Nicole relevou o ato desrespeitoso do diretor de teatro( apesar de, visivelmente constrangida, como provam as imagens), justificando que o trabalho no programa exigiria tolerância à humilhações, inclusive(?!).
Já Gerald (Mãos de Machista) Thomas, contestador por natureza, comenta em seu blog:
“TUDO BRINCADEIRA, GENTALIA HIPOCRITA!”
Seu ato, portanto, deveria ser compreendido ( por nós, “gentalia hipócrita”) como algum tipo de performance contra a objetificação da mulher(?!).
Então, tá, senhor!
Deixo a(s) palavra(s) com gente mais sabida que eu, num post do jornalista e doutor em Ciência Política, Leonardo Sakamoto:

Achou normal o ato de Gerald Thomas? Saiba o que é machismo”

Tempos atrás uma jornalista levou, sem autorização, um bebê de uma maternidade para provar que o local não tinha segurança. Justificou-se que aquilo era uma reportagem. Não, não era. Era sequestro. Lembro-me dessa história quando li a justificativa do diretor de teatro Gerald Thomas para a cena que protagonizou enfiando a mão sob o vestido de Nicola Bahls sem permissão. ”A mulher não é um objeto. Mas não deveria se apresentar como tal”, escreveu em sua defesa. Justificou-se que era um alerta à hipocrisia da sociedade, uma performance intimidatória. Não, não era. Era violência.

“Essa imprensa careta de um sensacionalismo careta. A gente leva tudo da brincadeira e eles não”, reclamou após toda a polêmica levantada. O apresentador do “Pânico”, Emílio Surita, concordou: “estamos em um programa de humor e vamos fazer brincadeiras”.

Brincadeira, brincadeiras… Pedi a seis comunicadoras (para permanecer no mesmo campo de atuação de Gerald e Emílio) e militantes pelos direitos das mulheres explicarem o que é machismo para quem não vê problemas no comportamento do diretor de teatro. Seguem as respostas:

E se você, amiga jornalista, sentisse as mãos de um colega apalpar sua bunda enquanto vocês sobem o elevador de um prédio a caminho de mais uma entrevista? Putz, talvez você tenha engordado e aquela calça jeans tenha ficado muito apertada… mais atenção da próxima vez! E você, professora, o que acharia se, no meio de uma reunião com o diretor da escolar, ele espiasse o seu decote (que você jurava que era discreto) e, na sequência, arrumasse um jeitinho de roçar os braços nos seus seios ao se abaixar para apanhar uma caneta? Puxa, talvez você tenha exagerado… aquele decote não era tão discreto. Ou você, doutora advogada, que no meio da reunião sentiu os pés do colega sentado ao seu lado subir por suas canelas, e de repente as mãos dele já estavam nos seus joelhos… por que foi mesmo que você inventou em ir de saia a uma reunião? E você, estudante, que saiu da aula às 11 da noite e, naquela esquina escura, já perto de casa, foi surpreendida por um cara que tapou tua boca, levantou teu vestido, te segurou com força e meteu o pau na tua vagina? Quanta dor! Mas não importa, a culpa foi tua, que usava aquele vestido curto tão tarde… Machismo é muitas coisas. Mas é sobretudo uma violência apoiada na naturalização das desigualdades sociais entre homens e mulheres. É o machismo que, diariamente, tenta se apropriar do nosso corpo e nos subtrair algo que é caro a qualquer ser humano: a nossa autonomia.

Mariana Pires, jornalista

Machismo é pensar que o corpo feminino é um território livre para os homens se divertirem, que está à disposição sempre que quiserem entrar. É encarar que um vestido curto e decotado dá permissão para apalpar uma mulher. É se considerar esperto por supostamente estar invertendo a postura inconveniente e intimidadora dos apresentadores de um programa de TV, quando na realidade está reproduzindo a cultura do estupro, que lutamos para denunciar e eliminar. É achar graça de uma situação que invade a intimidade de uma mulher sem o consentimento dela, é considerar uma brincadeira válida “conferir” se a entrevistadora não é uma travesti, causando visível constrangimento a ela. É achar que foi uma ação contra a caretice dos dias de hoje, que fez uma grande performance artística, que abriu os olhos para a hipocrisia da nossa sociedade, quando o que fez foi simplesmente reiterar em frente às câmeras de TV, e banalizar ainda mais, a violência sexual que as mulheres enfrentam cotidianamente, nas ruas, no trabalho, dentro de casa.

Fernanda Sucupira, jornalista

O que Gerald Thomas e aquele babaca que passou a mão na sua bunda no ônibus lotado tem em comum? Fácil: os dois acham que têm o direito de violar o corpo da mulher da maneira como bem entenderem. A diferença é apenas o glamour com que tal ação é executada. No primeiro caso, o artista utilizou um argumento relativamente elaborado para forçar sua entrada embaixo da saia da entrevistadora. Segundo ele, o programa “Pânico” objetifica a mulher e, portanto, nada mais natural (?) que protestar contra isso fazendo exatamente a mesma coisa e sendo tão ou mais perverso. Mas, ao fim e ao cabo, o que ele fez não é diferente de todo assédio cotidiano que as mulheres sofrem porque parte do mesmo princípio: vou usar o corpo da mulher para provar meu ponto de vista, seja bulinando, estuprando, batendo ou torturando. E isso é machismo.

Maíra Kubik Mano, jornalista e cientista política

O comediante entra na livraria vestido como Adão – é assim que ele trabalha, dia após dia, no seu programa de humor. Usa apenas uma sunguinha cor da pele, com uma folha plástica de parreira cobrindo a genitália. A autora do livro, moça que gosta de fazer polêmica, faz pose de intellectual, mas fala uns palavrões (de nível aceitável, claro, que ela sabe bem como manejar a mídia), o recebe simpaticamente. De repente, Zaz!, ela enfia a mão por baixo da folha de parreira e lhe aplica um pouco gentil afago nos bagos. Consegue imaginar a cena? Não? E sabe por que não? Porque, no mundo este em que vivemos, determinado pela soberania do macho sobre a fêmea, é inaceitável que uma mulher exponha um homem a esse ridículo. Tão inaceitável que você sequer consegue imaginar que existe uma mulher capaz de dar um apertão no saco alheio em rede nacional de TV. Assim, só pra denunciar a cotidiana e dolorida violência contra o homem, não é?

Cristina Charão, jornalista

Machismo é um sistema de mentiras que enfraquece o senso crítico, fazendo com que você veja o “mal” em um lugar e o “bem” em outro, se tornando um consumidor-perpetrador que não questiona injustiças sociais. Vejo pessoas demonstrando isso no caso do Gerald Thomas. Dizer que não houve machismo na atitude dele não é dar uma opinião de autoria própria. Não se ganha nada em ver agressões misóginas como “normais”, ganha-se apenas um falso e frágil senso de pertencimento à nossa sociedade patriarcal. Por questões de sobrevivência, a maioria das mulheres é obrigada cotidianamente a transformar e quebrar as regras dessa mesma sociedade machista. É impossível conter essa força. Aos poucos, todos estão se dando conta que feminismo é também uma ciência econômica e social. Mesmo dando outros nomes a ele, o feminismo é praticado por todas as mulheres brasileiras.

Elisa Gargiulo, documentarista

O machismo se manifesta de inúmeras – e cada vez mais surpreendentes – maneiras. Mas, uma vez presente, nem o supostamente mais subversivo artista “escapa” de uma de suas formas mais tradicionais: a transformação do corpo da mulher em um objeto a ser utilizado e explorado pelo homem a seu bel prazer. Gerald Thomas pretendeu “responder” a um “jogo de sedução” de Nicole Bahls, mas o fez cometendo uma violência tradicional, no melhor estilo Idade Média, ainda em voga, e nada engraçada. Não ver problemas neste comportamento também não surpreende. O machismo é tão estruturante da identidade brasileira – de homens e mulheres, diga-se de passagem – que há quem veja só piada numa cena dantesca como esta. O humor, neste caso, é um aliado importante da perpetuação do machismo em nossa sociedade. Ele cria uma espécie de redoma de vidro dentro da qual tudo é permitido, inclusive enfiar a mão entre as pernas de uma entrevistadora contra a sua vontade. Não há como ser mais explícito e violento. Manter um sorriso sacana no rosto não muda a agressividade das mãos. E não enxergar isso também é uma manifestação de machismo. Quem não vê onde está o problema, é hora de revisitar seus valores e práticas.

Bia Barbosa, jornalista

(Post de Leonardo Sakamoto, em 15/04/2013)

O assunto renderia uma extensão pra discutir não apenas o machismo, como também os limites éticos do humor. Seria, mesmo, a atitude de Thomas apenas mais uma inocente “brincadeirinha”?
Pertinente é este documentário, de Pedro Arantes, com a participação de Laerte e do deputado federal Jean Wyllis, “O Riso dos Outros“( são 51′ bem empregados, podem ter certeza):

E que cada um tire suas conclusões…

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