Atualizando a conversa( e os looks)

Desde que voltei da viagem ao Sul ainda não consegui me reorganizar( considerando-se que já sou bagunceira por natureza…). Muitas coisas pendentes, inclusive, mais de uma semana de “looks” acumulados. E o tempo ( ou, a falta dele) não ajuda. Como diz, naquela música do Claudinho&Buchecha:”…o relógio tá de mal comigo”.

Falando nisso, quem não está acostumado ao linguajar de backstage da moda pode achar, que: backstage, looks, blasé, tie dye, mullet e tantos outros termos do mundinho fashion( não dá pra evitar, percebeu?) é frescura, linguagem de gente metida. Mas afinal, ninguém chama “mouse” de “rato”( a não ser, em Portugal): são estrangeirismos, que acabamos incorporando ao nosso vocabulário.
Alguns podem estranhar, também, o fato de eu colocar nome de marca de roupa, bolsa e sapato em cada “look”: seria publicidade barata ou, esnobismo meu( embora, nem sempre use roupa de “grife”). Já expliquei o motivo faz um tempo mas, cabe relembrar: nem uma coisa, nem outra. Os créditos são uma prestação de contas a quem me acompanha. Assim como gosto de saber o que a Cris Guerra está usando( quando aparece, no Hoje Vou Assim), imagino que, quem fica do outro lado da tela e acessa o Sala da La deseje o mesmo. Espero, assim, informar e formar opiniões( mesmo que seja, mostrar a cara de uma certa marca).
E já que que o clima é de esclarecimentos, ainda: não sou modelo, não tenho a desenvoltura de uma, minhas poses por vezes são toscas e as expressões, repetitivas, mas não tenho falsas pretensões: a mulher que posa para fotos não é tão desinibida, nem a profissional, que muitos conhecem, tão séria quanto parece. São apenas formas e linguagens diferentes de se expressar.
( Outro dia comprava entradas para o cinema, em Vitória, quando fui reconhecida por uma moça que estava na fila. Deve ter ficado decepcionada ao perceber que não sou tão efusiva e falante mas sim, um tanto retraída, até sem graça…rs)
Independente da personagem nas fotos, a mulher é real: visto-me assim, no dia-a-dia e, quem me encontrar por aí, no hospital, numa rua de Santa Teresa ou, Vitória, não se sentirá traído( assim, espero…rs).
Talvez quem acesse o blog eventualmente, num post como este, por exemplo, possa julgar-me uma dondoca exibicionista. Todos são bem-vindos mas, não preciso provar o que sou, ou não, a esses. Tenho, sim, apenas que agradecer o carinho e respeito que recebo de quem me acompanha, nessa estrada virtual. Algumas companheiras fiéis há quase tanto tempo quanto o blog, mais de 3 anos.
Feito esse preâmbulo, vamos aos looks( sem preconceitos, ok?)?

Saia lápis e scarpin é uma dobradinha clássica, capaz de deixar qualquer mulher com cara de rhyca, phyna e poderosa! Duvida?…
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Blusa e bolsa: ELLUS
Saia lápis
Scarpin: Capodarte

Noutra versão, mais fresh e primaveril:
PrimaveraPrimavera
Regata: DTA
Saia lápis
Peep toe: UZA
Bolsa: ELLUS

A saia de veludo cotelê usada num sábado pela manhã é bem cara de outono, mas a estampa floral, nova estação:
PrimaveraPrimavera
(Reparou no rabo da gata? Com todo o respeito…rs)
Blusa: Maria Filó
Saia de veludo cotelê: Cantão
Sandália: Schutz
Clutch: Melissa, Isabela Capeto

Vestidinho vichy, de alcinhas: mais verão, não verão!
PrimaveraPrimavera
Vestido vichy: Leeloo
Sandália: Schutz
Bolsa: Quilts são eternos

Mais saia lápis, agora, estampada:
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Regata: ELLUS
Saia lapis
Scarpin: Capodarte
Bolsa: TNG

O top de algodão parece básico…
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Top de algodão e couro
Calça encerada
Scarpin: Capodarte
Só parece…
O detalhe de couro vazado e tachinhas, nas costas, faz presença!
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O azul royal já foi tendência forte, na última estação. Continua…
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Vestido: Cantão
Sapatilha e bolsa: Dumond
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Detalhe bordado:
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Começando a semana apaixonada por estampa:
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Regata: Maria Filó
Saia: Dimpy
Rasteira: Luíza Barcelos
Bolsa: Dumond
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P&B, com ousadia:
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Camisa: Richards
Calça encerada
Peep toe: Luíza Barcelos
Bolsa: ELLUS

Dia cinza:
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Tricô
Saia lápis
Scarpin: Dumond
Bolsa: ELLUS

Dia de folga:
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Camisa: Colcci
Bermuda: Dopping
sandália: AREZZO
Bolsa: Cantão

Mais comportada:
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Camisa: AD Life Stile
Calça: Sacada
Sandália: UZA

Estampa tropical é outra aposta para a nova estação. Nada mais tropical que araras, palmeiras, orquídeas:
TropicalTropical
Tubinho de seda estampada: DTA
Scarpin: Carmen Steffens

A seguir, cenas do próximo capítulo:

Torta de ricota com geleia de morango…

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A casa da Sandra

Quando publiquei o texto da Martha Medeiros, “Seu apartamento é feliz?”, a portuguesa Sandra Rodrigues escreveu-me, entusiasmada. Mantemos contato através do Facebook e, pra minha surpresa, descobri a “casa feliz” da Sandra, no Casa de Valentina. Gentilmente ela me enviou algumas novas fotos e, embora já publicado, vale a pena ver de novo.
Certamente, seria exemplo de uma casa com alma.

A Sandra não é designer de interiores, nem arquiteta, mas provou competência, ao decorar a própria casa com a maestria de um profissional experiente .
Optou por uma cartela de cores neutras( branco e cinza) como pano de fundo para pincelar de verde e tons naturais. O resultado? Uma casa arejada, iluminada, alegre, com uma pegada retrô.
A estante acomodou livros, vasos esculturais, plantas, uma TV antiga e até um mini-bar, organizado numa bandeja:

O sofá de linhas retas perdeu a sisudez com almofadas coloridas.

Não lembra uma casa nórdica?

Fibras naturais acrescentam calor à sala.

Amei o tapete com estampa retrô!
Uma parede de lembranças em P&B, contrastando com o cantinho verde:

O banheiro também ganhou atenção especial:

Tom vibrante na cozinha, pra deixá-la alegre e aconchegante:



No quarto do casal predominam cores sóbrias, mas a cabeceira amarela e as almofadas estampadas apimentaram o ambiente:


O quarto do filho já foi azulão( vale conferir, no Casa de Valentina) mas, para acompanhar o gosto do pré-adolescente, ficou branco:

Prateleiras sobre a cama, para deixar os objetos de estimação em destaque:

Jovialidade e humor com pop art:

Puxadores fizeram toda a diferença, na cômoda branquinha.

Não parece uma casa feliz?

Gostou da participação da Sandra?
Que tal, você, também?
Se tiver algo bacana para mostrar, entre em contato através do e-mail do blog. Quem sabe, não é o próximo?…

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“A raiva constroi”

Vivemos num país “cristão” de tradição católica e, de uns tempos pra cá, cada vez mais evangélico. Isso não significa que não haja hipocrisia: um certo discurso falado, que nem sempre é praticado.
Vendo a cascata de protestos furiosos de alguns radicais islâmicos provocada por um vídeo que atacava Maomé, pensei: mas que profeta e religião é essa, que precisa ser “defendido” com tanto ódio?
Não muito diferente da perseguição que houve na Idade Média, durante a Inquisição, engendrada por “cristãos”.
É a raiva a serviço da religião. Religião que prega a paz, que manda amar nossos inimigos e orar pelos que nos perseguem.
Isso é possível? E, quando não for? Alivia-me, um certo texto bíblico:
“Se for possível, quanto estiver em vós, tende paz com todos os homens.” Romanos 12:18
E um outro texto, dessa vez, de Danuza Leão, publicado na Folha de São Paulo, em 08 de julho de 2007 e republicado, na última revista Cláudia.
Defende a “boa raiva”.
Será possível?
Pensei em começar a semana falando em decoração mas, mudei de ideia. Quero tratar de raiva mas, com certa lucidez. É possível.
Quando se sentir culpado e curvado por esse “sentimento negativo”, pense que ele pode ser usado como uma força a seu favor.

“A raiva constroi”
Quando alguém nos magoa e nos faz sofrer, o que acontece? Ou se sofre, o que em grande parte das vezes termina em depressão, ou se fica com muita raiva, o que é bem melhor. Mas a raiva -foi o que nos ensinaram- é um sentimento feio, baixo, que pessoas superiores não devem ter. Mas vamos discordar: uma boa raiva com motivos é saudável, e faz muito bem à pele, ao coração e à alma, além de evitar o infarto. E quem está querendo ser superior?
Conseguir ter raiva é excelente para a saúde física e mental; a depressão nos leva para a cama e tira a vontade das coisas mais banais, como tomar banho, passar uma escova no cabelo, comer, ler, quem não sabe? Já a raiva faz com que se façam coisas, mesmo que sejam coisas erradas. Na depressão você não se levanta nem para ir a um cabeleireiro; já na hora da raiva você pinta o cabelo de vermelho, o que é muito melhor do que ficar prostrada olhando para o teto.
Exemplos são sempre ótimos: se uma mulher é abandonada por um homem, entre a tristeza e o ódio, o que é melhor? O ódio, claro. Por raiva e ódio as pessoas querem e devem mostrar que não é qualquer coisa que as derrubam.
A primeira providência de uma mulher (saudável) com raiva é pensar: “Como é que vou me vingar?”
Em primeiro lugar, mostrando que não está sofrendo. Para isso é preciso estar na sua melhor forma, razão mais do que suficiente para perder aqueles três quilinhos, comprar um vestido novo, pegar um sol, aposentar definitivamente o uniforme tênis e jeans e voltar a usar um bom salto alto. Parece bobagem? Pois não é. Dificilmente você vai ver uma mulher se equilibrando num salto oito com depressão. De salto, automaticamente se encolhe a barriga, se levanta o queixo, e os ombros ficam na posição certa, como se desafiasse o mundo. Se cruzar com ele, não é melhor estar maravilhosa do que arrasada?
Uma coisa leva a outra: por sentimentos nobres como o amor próprio, o orgulho, a vaidade e a raiva, não se deixa a peteca cair -em público, pelo menos-, e com isso vem o hábito de não deixar a peteca cair nunca, a não ser no divã do analista.
Pense um pouco: se você é normal, deve ter raiva de alguém. O que deve fazer para irritar esses alguéns? Ficar linda, maravilhosa, ter sucesso, ser vista sorrindo, vibrando, enfim, ser feliz.
Digamos que você seja uma desenhista de moda e que esteja sem a menor inspiração. Faz o quê? Pensa numa pessoa que detesta e imagina a glória de fazer um trabalho elogiado, que faça com que você se torne a melhor de todas. Só de pensar nesse delicioso prazer, é capaz de baixar em você o espírito de Balenciaga e o trabalho fluir fácil, só de raiva.
Quando for ao jornaleiro da esquina, pense que pode se encontrar com ele -aquele que fez você sofrer tanto-, e é claro que vai se realçar antes de descer. Se acontecer, não vai ser ma-ra-vi-lho-so ele ver como você está muito mais linda agora, sem ele? Deve estar sendo muito bem tratada, ele vai pensar. E pode ser ainda melhor: encontrar na esquina outro que te faça feliz para sempre por uns tempos -ou não?
Por isso, querida, quando vier aquela raiva cega, aquela vontade de gritar, de xingar, de matar, transforme toda essa energia a seu favor. Assim como o amor constrói para a eternidade, a raiva pode construir a prazo bem mais curto -e de superior e inferior, afinal, todos nós temos um pouco.
Uma delícia, ter uma boa raiva; e sobretudo, muito construtivo.
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff0807200706.htm

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“Como escrever um bom artigo”

Geralmente deixo para publicar textos que aprecio no fim de semana, mas como o cansaço já é grande( ainda no início de uma), compartilho este artigo do Stephen Kanitz* porque acho de grande valia pra quem precisa escrever, e bem. São dicas úteis e as levo sempre em consideração.
*Stephen Kanitz é consultor de empresas, conferencista, articulista, escritor.
Embora antigo, o interesse é atemporal.

Como escrever um bom artigo
Escrever um bom artigo é bem mais fácil do que
a maioria das pessoas pensa. No meu caso, português foi sempre a minha pior matéria. Meu professor de português, o velho Sales, deve estar se revirando na cova.

Ele que dizia que eu jamais seria lido por alguém. Portanto, se você sente que nunca poderá escrever, não desanime, eu sentia a mesma coisa na sua idade.

Escrever bem pode ser um dom para poetas e literatos, mas a maioria de nós está apta para escrever um simples artigo, um resumo, uma redação tosca das próprias idéias, sem mexer com literatura nem com grandes emoções humanas.

O segredo de um bom artigo não é talento, mas dedicação, persistência e manter-se ligado a algumas regras simples. Cada colunista tem os seus padrões. Eu vou detalhar alguns dos meus e espero que sejam úteis para você também.

1. Eu sempre escrevo tendo uma nítida imagem da pessoa para quem eu estou escrevendo. Na maioria dos meus artigos para a Veja, por exemplo, eu normalmente imagino alguém com 16 anos de idade ou um pai de família.

Alguns escritores e jornalistas escrevem pensando nos seus chefes, outros escrevem pensando num outro colunista que querem superar, alguns escrevem sem pensar em alguém especificamente.

A maioria escreve pensando em todo mundo, querendo explicar tudo a todos ao mesmo tempo, algo na minha opinião meio impossível. Ter uma imagem do leitor ajuda a lembrar que não dá para escrever para todos no mesmo artigo. Você vai ter que escolher o seu público alvo de cada vez, e escrever quantos artigos forem necessários para convencer todos os grupos.

O mundo está emburrecendo porque a TV em massa e os grandes jornais não conseguem mais explicar quase nada, justamente porque escrevem para todo mundo ao mesmo tempo. E aí, nenhum das centenas de grupos que compõem a sociedade brasileira entende direito o que está acontecendo no país, ou o que está sendo proposto pelo articulista. Os poucos que entendem não saem plenamente ou suficientemente convencidos para mudar alguma coisa.

2. Há muitos escritores que escrevem para afagar os seus próprios egos e mostrar para o público quão inteligentes são. Se você for jovem, você é presa fácil para este estilo, porque todo jovem quer se incluir na sociedade.

Mas não o faça pela erudição, que é sempre conhecimento de segunda mão. Escreva as suas experiências únicas, as suas pesquisas bem sucedidas, ou os erros que já cometeu.

Querer se mostrar é sempre uma tentação, nem eu consigo resistir de vez em quando de citar um Rousseau ou Karl Marx. Mas, tendo uma nítida imagem para quem você está escrevendo, ajuda a manter o bom senso e a humildade. Querer se exibir nem fica bem.

Resumindo, não caia nessa tentação, leitores odeiam ser chamados de burros. Leitores querem sair da leitura mais inteligentes do que antes, querem entender o que você quis dizer. Seu objetivo será deixar o seu leitor, no final da leitura, tão informado quanto você, pelo menos na questão apresentada.

Portanto, o objetivo de um artigo é convencer alguém de uma nova idéia, não convencer alguém da sua inteligência. Isto, o leitor irá decidir por si, dependendo de quão convincente você for.

3. Reescrevo cada artigo, em média, 40 vezes. Releio 40 vezes, seria a frase mais correta porque na maioria das vezes só mudo uma ou outra palavra, troco a ordem de um parágrafo ou elimino uma frase, processo que leva praticamente um mês.

Ninguém tem coragem de cortar tudo o que tem de ser cortado numa única passada. Parece tudo tão perfeito, tudo tão essencial. Por isto, os cortes são feitos aos poucos.

Depois tem a leitura para cuidar das vírgulas, do estilo, da concordância, das palavras repetidas e assim por diante. Para nós, pobres mortais, não dá para fazer tudo de uma vez só, como os literatos.

Melhor partir para a especialização, fazendo uma tarefa BEM FEITA por vez.

Pensando bem, meus artigos são mais esculpidos do que escritos. Quarenta vezes talvez seja desnecessário para quem for escrever numa revista menos abrangente. Vinte das minhas releituras são devido a Veja, com seu público heterogêneo onde não posso ofender ninguém.

Por exemplo, escrevi um artigo “Em terra de cego quem tem um olho é rei”. É uma análise sociológica do Brasil e tive de me preocupar com quem poderia se sentir ofendido com cada frase.

O Presidente Lula, apesar do artigo não ter nada a ver com ele, poderia achar que é uma crítica pessoal? Ou um leitor achar que é uma indireta contra este governo? Devo então mudar o título ou quem lê o artigo inteiro percebe que o recado é totalmente outro?

Este é o tipo de problema que eu tenho, e espero que um dia você tenha também.

O meu primeiro rascunho é escrito quando tenho uma inspiração, que ocorre a qualquer momento lendo uma idéia num livro, uma frase boba no jornal ou uma declaração infeliz de um ministro. Às vezes, eu tenho um bom título e nada mais para começar. Inspiração significa que você tem um bom início, o meio e dois bons argumentos. O fechamento vem depois.

Uma vez escrito o rascunho, ele fica de molho por algum tempo, uma semana, até um mês. O artigo tem de ficar de molho por algum tempo. Isso é muito importante.

Escrever de véspera é escrever lixo na certa. Por isto, nossa imprensa vem piorando cada vez mais, e com a internet nem de véspera se escreve mais. Internet de conteúdo é uma ficção. A não ser que tenha sido escrito pelo próprio protagonista da notícia, não um intermediário.

A segunda leitura só vem uma semana ou um mês depois e é sempre uma surpresa. Tem frases que nem você mais entende, tem parágrafos ridículos, mas que pelo jeito foi você mesmo que escreveu. Tem frases ditas com ódio, que soam exageradas e infantis, coisa de adolescente frustrado com o mundo. A única solução é sair apagando.

O artigo vai melhorando aos poucos com cada releitura, com o acréscimo de novas idéias, ou melhores maneiras de descrever uma idéia já escrita.

Estas soluções e melhorias vão aparecendo no carro, no cinema ou na casa de um amigo. Por isto, os artigos andam comigo no meu Palm Top, para estarem sempre à disposição.

Normalmente, nas primeiras releituras tiro excessos de emoção. Para que taxar alguém de neoliberal, só para denegri-lo? Por que dar uma alfinetada extra? É abuso do seu poder, embora muitos colunistas fazem destas alfinetadas a sua razão de escrever.

Vão existir neoliberais moderados entre os seus leitores e por que torná-los inimigos à toa? Vá com calma com suas afirmações preconceituosas, seu espaço não é uma tribuna de difamação.

4. Isto leva à regra mais importante de todas: você normalmente quer convencer alguém que tem uma convicção contrária à sua. Se você quer mudar o mundo você terá que começar convencendo os conservadores a mudar.

Dezenas de jornalistas e colunistas desperdiçam as suas vidas e a de milhares de árvores, ao serem tão sectários e ideológicos que acabam sendo lidos somente pelos já convertidos. Não vão acabar nem mudando o bairro, somente semeando ódio e cizânia.

Quando detecto a ideologia de um jornalista eu deixo de ler a sua coluna de imediato. Afinal, quero alguém imparcial noticiando os fatos, não o militante de um partido. Se for para ler ideologia, prefiro ir direto na fonte, seja Karl Marx ou Milton Friedman. Pelo menos, eles sabiam o que estavam escrevendo.

É muito mais fácil escrever para a sua galera cativa, sabendo que você vai receber aplausos a cada “Fora Governo” e “Fora FMI”. Mas resista à tentação, o mercado já está lotado deste tipo de escritor e jornalista. Economizaríamos milhares de árvores e tempo se graças a um artigo seu, o Governo ou o FMI mudassem de idéia.
5. Cada idéia tem de ser repetida duas ou mais vezes. Na primeira vez você explica de um jeito, na segunda você explica de outro. Muitas vezes, eu tento encaixar ainda uma terceira versão.

Nem todo mundo entende na primeira investida, a maioria fica confusa. A segunda explicação é uma nova tentativa e serve de reforço e validação para quem já entendeu da primeira vez.

Informação é redundância. Você tem que dar mais informação do que o estritamente necessário. Eu odeio aqueles mapas de sítio de amigo que se você errar uma indicação você estará perdido para sempre. Imagine uma instrução tipo: “se você passar o posto de gasolina, volte, porque você ultrapassou o nosso sítio”.

Ou seja, repeti acima uma idéia mais ou menos quatro vezes, e mesmo assim muita gente ainda não vai saber o que quer dizer “redundância” e muitos nunca vão seguir este conselho.

Neste mesmo exemplo acima também misturei teoria e dois exemplos práticos. Teoria é que informação para ser transmitida precisa de alguma redundância, o posto de gasolina foi um exemplo.

Não sei porque tanto intelectual teórico não consegue dar a nós, pobres mortais, um único exemplo do que ele está expondo. Eu me recuso a ler intelectual que só fica na teoria, suspeito sempre que ele vive numa redoma de vidro.

6. Se você quer convencer alguém de alguma coisa, o melhor é deixá-lo chegar à conclusão sozinho, em vez de você impor a sua. Se ele chegar à mesma conclusão, você terá um aliado. Se você apresentar a sua conclusão, terá um desconfiado.

Então, o segredo é colocar os dados, formular a pergunta que o leitor deve responder, dar alguns argumentos importantes, e parar por aí. Se o leitor for esperto, ele fará o passo seguinte, chegará à terrível conclusão por si só, e se sentirá um gênio.

Se você fizer todo o trabalho sozinho, o gênio será você, mas você não mudará o mundo, e perderá os aliados que quer ter.

Num artigo sobre erros graves de um famoso Ministro, fiquei na dúvida se deveria sugerir que ele fosse preso e nos pagar pelo prejuízo de 20 bilhões que causou, uma acusação que poderia até gerar um processo na justiça por difamação.

Por isto, deixei a última frase de fora. Mostrei o artigo a um amigo economista antes de publicá-lo, e qual não foi a minha surpresa quando ele disse indignado: “um ministro desses deveria ser preso”. A última frase nem foi necessária.

Portanto, não menospreze o seu leitor. Você não estará escrevendo para perfeitos idiotas e seus leitores vão achar seus artigos estimulantes. Vão achar que você os fez pensar.

7. O sétimo truque não é meu, aprendi num curso de redação. O professor exigia que escrevêssemos um texto de quatro páginas. Feita a tarefa, pedia que tudo fosse reescrito em duas páginas sem perder conteúdo.
Parecia impossível, mas normalmente conseguíamos. Têm frases mais curtas, têm formas mais econômicas, tem muita lingüiça para retirar.

Em dois meses aprendemos a ser mais concisos, diretos, e achar soluções mais curtas. Depois, éramos obrigados a reescrever tudo aquilo novamente em uma única página, agora sim perdendo parte do conteúdo.
Protesto geral, toda frase era preciosa, não dava para tirar absolutamente nada. Mas isto nos obrigava a determinar o que de fato era essencial ao argumento, e o que não era.

Graças a esse treino, a maioria das pessoas me acha extremamente inteligente, o que lamentavelmente não sou, fui um aluno médio a vida inteira. O que o pessoal se impressiona é com a quantidade de informação relevante que consigo colocar numa única página de artigo, e isto minha gente não é inteligência, é treino.

Portanto, mãos à obra. Boa sorte e mudem o mundo com suas pesquisas e observações fundamentadas, não com seus preconceitos.

Stephen Kanitz

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Crumble de maçã, a coruja e o coração…

Quer daquelas receitas práticas e certeiras?
Vai de crumble de maçã, dica da Rita Lobo.

Como sempre, faço minhas adaptações: por não gostar de chocolate branco suprimi esse ingrediente. Em vez disso, reguei as maçãs com mel e suco de laranja.
A Rita usou bananas( e deve ficar tão bom, quanto), mas a maçã tem crocância e acidez ideais pra combinar com a doçura e cremosidade do sorvete, indispensável acompanhamento para essa sobremesa. Indico a marca Häagen-Dazs, menos doce e enjoativo.
Deve ser consumido, de preferência, no mesmo dia em que for preparado( de um dia para o outro continua muito bom, mas já não fica com casquinha tão crocante).
A calda de caramelo é a cereja do bolo: não deixe de fazer!

Falando em acompanhamentos trouxe de Porto Alegre alguns novos cds, todos, com boas parcerias:
Gambito Budapeste, de Nina Becker com o marido baterista Marcelo Callado.

O casal gravou no próprio apartamento e levou o tom intimista, mas dançante, para o cd.
Interessante é que, enquanto o trabalho era gestado, também, a primeira filha do casal. Fofos!

Fernanda Takai continua Pato Fu, junto com o marido, o guitarrista John Ulhoa, mas toca trabalhos paralelos como este, em parceria com o ex-guitarrista do The Police( lembram do Sting?), Andy Summers: Fundamental.

Cara de bossa nova, com pitadas de new age, enfim, não é exatamente o melhor trabalho de Fernanda, nada “fundamental” mas, gostoso.

O que me fisgou, dos 3, e não consigo parar de ouvir é o segundo álbum da cantora paulista Tiê, “A Coruja e o Coração“:

Pode não ter ouvido falar nela mas, com certeza, da música que embala os sonhos da romântica Maria Aparecida, em Cheias de Charme, irá se lembrar: “foi só piscar o olho e eu me apaixonei…”
Tiê é assim: só piscar o olho, embalar em sua doce voz e, apaixonar!

Essencialmente acústico (com: piano, violão, violoncelo, banjo, acordeon, bateria e percussão), Tiê também traz boas parcerias:
” A Coruja e o Coração traz participações do uruguaio Jorge Drexler, Marcelo Jeneci, Karina Zeviani e Hélio Flanders em composições autorais, além de parcerias e versões de músicas de Thiago Pethit, Dorgival Dantas e Tulipa Ruiz. A produção é de Plínio Profeta – que tocou todos os instrumentos com a cantora em seu disco de estreia, Sweet Jardim (2009).”( Revista Rolling Stone-9 de março, 2011).
É de Marcelo Jeneci*, por exemplo, a dramática sanfona de “Só sei dançar com você”, uma das mais belas faixas do cd. A música é conhecida na voz de Tulipa Ruiz, outra cantora nada Efêmera.
*Já falei dele, aqui, lembra?

Começamos com doçura do crumble de maçã, terminamos com a doçura da música e voz de Tiê:

Boa semana!

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