Aristogatas

Hoje passamos boa parte do dia sobressaltados: Chanel fugiu pelo quintal, assustada, sumindo no meio do mato. Revezamo-nos nas buscas( eu, marido e o filho mais novo), sem sucesso.
Faltei compromisso à noite pra ficar em casa, consolando o filho. Com o coração apertado, afinal, sofremos muitas perdas seguidas, nesses últimos meses…
Uma sensação de impotência amar um bichinho que pode agir tão estupidamente.
Finalmente, o alívio na hora da janta: Chanel foi encontrada, escondida sob o sofá da sala.
Mas o susto fez-me questionar, se teria coragem de adotar outro gatinho. Não sustentaria a dúvida por muito tempo: ter a companhia deles compensa qualquer percalço…
Chanel e eu!
(Trato feito: Chanel fica com as caixas, eu, com os sapatos!)

O que me fez buscar um texto da Marta Medeiros, tentando explicar essa atração que os gatos provocam.
Compartilho com vocês:

Aristogatos

Nunca imaginei ter um bicho de estimação por uma questão de ordem prática: moro em apartamento, sempre morei. E se morasse em casa, escolheria um cachorro. Logo, nunca considerei a hipótese de ter um gato, fosse no térreo ou no décimo andar. Quando me falavam em gato, eu recorria a todos os clichês pra encerrar o assunto: gato é um animal frio, não interage, a troco de quê ter um enfeite de quatro patas circulando pela casa?

Hoje, dona apaixonada de um gato de cinco meses (e morando no décimo andar), já consigo responder essa pergunta pegando emprestada uma frase de um tal Wesley Bates: “Não há necessidade de esculturas numa casa onde vive um gato”. Boa, Wesley, seja você quem for. Gato é a manifestação bíblica da elegância, é uma obra de arte em movimento. E se levarmos em consideração que a elegância anda perdendo de 10 x 0 para a vulgaridade, está aí um bom motivo para ter um bichano aninhado entre as almofadas.

Só que encasquetei de buscar argumentos ainda mais conclusivos. Por que, afinal, eu me encantei de tal modo pelo bichano? Comecei a ler outras frases irônicas e aparentemente pouco elogiosas. Mark Twain disse que gatos são inteligentes: aprendem qualquer crime com facilidade. Francis Galton disse que o gato é anti-social. Rob Kopack disse que se eles pudessem falar, mentiriam para nós. Saki disse que o gato é doméstico só até onde convém aos seus interesses. Estava explicado por que gamei: qual a mulher que não tem uma quedinha por cafajestes?

Ser dona de um cachorro deve ser sensacional. Lealdade, companheirismo, reciprocidade, eu sei, eu sei, vi o filme do Marley. Cão é boa gente. Só que o meu cachorro preferido no cinema nunca foi da estirpe de um Marley. Era o Vagabundo, sabe aquele do desenho animado? O que reparte com a Dama um fio de macarrão, ambos mastigam, um de cada lado, e mastigam, mastigam até que (suspiro… a emoção impede que eu continue). Eu trocaria todos os príncipes loiros e bem comportados da Branca de Neve e da Cinderela pelo livre e irreverente Vagabundo, que foi o personagem fetiche da minha infância. E lembrando dele agora, consigo entender a razão: aquele malandro tinha alma de gato.

Imagino que, com essa crônica, eu esteja revelando o lado menos nobre do meu ser. Pareço tão sensata, tão bem resolvida, tão madura – quá! – tenho outra por dentro. Que vergonha. Levei mais de 40 anos para me dar conta de que não faço questão de uma criatura que me siga, que me agrade, que me idolatre, que me atenda imediatamente ao ser chamado, que me convide pra passear com ele todo dia. Sendo charmoso, na dele e possuindo ao menos alguma condescendência comigo, já tem jogo.

Cristo, um simples gato me fez descobrir que sou mulher de bandido.

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14 Comentários

  1. Bem isso mesmo, né? Não conhecia essa crônica da Martha – que amo de paixão!

    Isso de perdas… com gatos nosso coração parece viver em desassossego permanente: na época que o seu sumiu, eu perdi, duas gatinhas, uma morreu nos meus braços na clínica veterinária, a outra sumiu.

    Mas acho que é meio que nem os filhos, pra Vinicius, se não tê-los, como sabê-los?

    Beijocas, boa semana.

  2. Laély,
    Antes de terminar de ler o seu depoimento, pensei:”Meu deus! como ela consegue passar por essas torturas tantas vezes,mas….só passa por isso quem ama demais,sabe não fui criada com animais,hoje mesmo se tentasse ter um minha familia não deixaria, pq também os criei assim(acredito que coloquei uma coleira nas asmas e rinites e as tornei companheiras de longa data), mas amo sentir o seu carinho com seus bichinhos e me solidarizo com suas aflições, esta foto é tão expressiva este gato na caixa de sapato dentro deste retrato, sapato retrato gato, a foto virou um trava linguas e o seu amor pelo bichano está totalmente revelado.

  3. Ôh Lá!

    Você ja pensou em construir um Gatil? um Espaço beeeeeeeeeeemmmm grande, cheio de brinquedinhos no seu quintal (ligado a sua casa) ? Não é caro construir um gatil, você tem uma casa com quintal, certamente deve ter um espaço agradável, e é uma segurança para seus Gatos, ele poderão ficar no quintal, passeando e sem o risco de fugir ou serem assassinados por vizinhos FDP… Na internet você consegue varias dicas pra construir um gatil bem aconchegante.

    Pense nisso. ^^

    AMEI seu look hoje! Achei SUPER elegante e sexy também ;3

    Beijos

    Suzan Afonso.

    Ps: Telar das janelas e algumas portas (como os Americanos) seria legal também. Uma coisa que aprendi, gatos não não como cães, que precisam muuuuuiiittttooooo de um bom espaço pra correr e gastar energia… Gatos são Reis, gostam de Altos, quanto mais alto melhor, por isso não é a quantidade, mas a qualidade que agrada e satisfaz um felino… Meu Apê por exemplo esta sendo transformando no apê das prateleiras, quanto mais alto melhor! e as janelas estão todas disponíveis para elas, principalmente agora que estão teladas.

    1. Suzan, no meu quintal há um playground imenso para gatos, veja vem: tem árvore, para subirem, lago, para admirarem os peixinhos, passarinhos…O problema é que a Chanel é muito arisca e, mesmo depois de quase 3 meses em casa, continua fugindo da gente!

  4. Sugestão: florais. Funcionam muito com meus gatos. Hoje há florais específicos para animais e para cada sentimento que eles manifestem. É só por na água. Se o gato é daqueles que só toma água corrente, aí tem que dar com conta gotas ou colher diluído na água, logicamente pois tem conservante (brandy). Funciona!
    Boa sorte,
    Ana

  5. Oi Lá!! Que notícia boa saber que a Chanel (danadinha) estava dentro de casa! Mas gatos são assim, os meus costumam fazer passeios noturnos pela vizinhança e só voltam quando acham que tem que vir. E eu no maior desespero chamando, até que eles surgem na maior cara de pau, entram em casa, comem e se aninham no sofá. Apesar disso, não posso concordar com a Marta, porque nunca tive gato cafajeste. Os meus são companheiros, amorosos e entendem tudo o que falo. Bjks lindona

    1. Também concordo com você, discordando da Marta: não existem gatos cafajestes. Existe nossa incompreensão do que seja o comportamento de um felino. rs

  6. Ai que aperto que da quando um gato, aqui em casa, não volta a noite para dormir! Que bom que a Chanel apareceu, ela é linda!
    Adorei o texto da Marta Medeiros, adorei seus sapatos também :) Boa semana!

  7. Oi Lá!
    Cada vez que vc passa por uma agonia dessas com algum dos seus gatinhos, parec que sei o q vc sente….pq só quem ama de vdd o animal que tem sofre tanto quando algo acontece. Tenho 4 filhas caninas, e se acontece algo com elas, eu fico desesperada…choro a toa…coisa de mã sabe…. E sobre o texto..é exatamente isso mesmo… e o que gostei mais foi da frase – “Não há necessidade de esculturas numa casa onde vive um gato”. Boa, Wesley, seja você quem for. Gato é a manifestação bíblica da elegância, é uma obra de arte em movimento.” É exatamente assim que vejo um gato…

    Bjo querida..e como sempre arrasando nos look’s!!!

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