O eterno “bom garoto”

“Os dias da nossa vida chegam a setenta anos, e se alguns, pela sua robustez, chegam a oitenta anos, o orgulho deles é canseira e enfado, pois cedo se corta e vamos voando.” (Salmos 90:10)
Talvez o salmista estivesse melancólico, ou sofrendo as dores da velhice ao escrever esse versículo.

A verdade é que, até bem pouco tempo atrás, a expectativa de vida( sem falar de qualidade) não ia muito além dos 50 anos de idade.
Porém a Medicina, Ciência e Tecnologia possibilitaram grandes avanços nessa área. Fala-se até, na possibilidade do homem viver 1000 anos!

Arnaldo Antunes teve uma visão mais real e otimista sobre o assunto ao escrever Envelhecer, às vésperas de completar 50 anos:
“A coisa mais moderna que existe nessa vida é envelhecer…”

Certamente, uma das maiores vantagens da maturidade é a liberdade: liberdade para escolher exatamente o que quer, ou não fazer, sem deixar-se cercear pela opinião alheia, apenas, pelo bom senso.

Coincidência, ou não, Paul McCartney, que em breve completará 70 anos, sentiu-se à vontade para fazer um trabalho, diferente de tudo que já tinha feito até agora: comparando grosseiramente, seria como se o vocalista do Metallica resolvesse cantar bossa nova!
Quem já escreveu o nome na história da música não precisaria provar mais nada. Mas em vez de se aposentar e viver das glórias do passado ele continua por aí, namorando, cantando, compondo, fazendo shows e, o que mais lhe der vontade.

É a impressão que se tem ao ouvir o repertório escolhido para “Kisses on the Bottom”, último trabalho de Paul lançado recentemente.
Até o título, de duplo sentido(além da carinha de levado, na capa do cd), parece ser uma grande pegadinha( de gente grande!): algo para ser curtido, sem grandes expectativas. Mas, nada de desleixo!

A maioria das músicas são conhecidas da década de 20-40, aprendidas na infância de Paul e, com certeza, influenciadoras do seu trabalho na juventude. Exceção para 2 delas, inéditas, compostas por ele.

As interpretações são intimistas, contidas, parecendo de alguém que acabou de estrear no ramo, o jazz. Nem por isso, mostrou-se inseguro.
Paul McCartney Kisses On The Bottom Album
Diana Krall tocou piano e fez a maioria dos arranjos rítmicos para ele, além das participações de Eric Clapton e Stevie Wonder.
As gravações dividiram-se em diferentes estúdios: Londres, Los Angeles e Nova Iorque.
Resumindo: não é trabalho de amador!

Já que o último post lembrou o “dia dos namorados”, uma outra dica para ser ouvida a dois, de rostinho colado.

Neste singelo clip, com Natalie Portman, é apresentada oficialmente uma das músicas inéditas de Paul, “My Valentine”( com a guitarra inconfundível de Eric Clapton):

Em clima de romance: bom fim de semana!

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