Os gatos da nossa vida

Ontem aguardava no aeroporto minha mãe chegar de Belém, depois de mais de 2 horas de atraso no voo.
Entrei na pequena livraria procurando algo que distraísse meus pensamentos.
Localizei um livro em versão “pocket”, escondidinho entre os de autoajuda, com um título que me atraiu imediatamente:
Os gatos-Três histórias, três poemas e sete desenhos” é da escritora americana Patricia Highsmith, conhecida por seus thrillers psicológicos, como Pacto Sinistro, levado às telas por Alfred Hitchcock.
Fiquei alguns minutos folheando-o até levá-lo, meio que no impulso.

Reproduzo aqui, trechos de um dos ensaios:
Sobre Gatos e Estilos de Vida
Se me pedissem para completar a frase: “Eu gosto de gatos porque…”, duvido que ganhasse algum prêmio, mas sei o que gosto neles e porquê. Gosto de gatos porque eles são elegantes e silenciosos, e têm efeito decorativo; uns leõezinhos razoavelmente dóceis, andando pela casa.

Os gatos oferecem para o escritor algo que os outros humanos não conseguem: companhia que não é exigente nem intrometida, que é tão tranquila e em constante transformação quanto um mar plácido que mal se move. Meu siamês mais jovem é educado o bastante para responder quando lhe dirijo a palavra. Se pergunto se está tendo uma dia agradável, sua resposta pode ser; “Muito!”, ou “Não, só mais ou menos”.

Os gatos escondem um senso de travessura por trás da expressão serena. Já vi ambos os meus gatos procurarem o colo de um visitante que é alérgico, ou que detesta gatos abertamente. Os gatos se entediam com os amantes de gatos.

Os cães são fortes, e um doberman pinscher pode exibir uma aparência ameaçadora quando se precisa de algo assim em uma história. Mas as histórias que os escritores inventam são apenas isso: ficção, e não vida real – e acho que as mentes dos escritores são ativas ou perturbadas o suficiente para precisarem da aura calmante de um gato em casa. Um gato faz de um lar, um lar; com um gato, um escritor não está só e, no entanto, está sozinho o bastante para trabalhar. Mais do que isso, um gato é uma obra de arte ambulante, dorminhoca e em constante transformação.

Um cachorro pode ser utilizado ou comandado, mas um gato não obedece ordens. Na verdade ninguém faz uso de um bom quadro na parede, ou de um concerto de Beethoven, e, no entanto, eles podem ser uma necessidade na existência de um indivíduo.

Para ler o ensaio completo, clique neste link: “Adote um bichinho de rua“.

Sempre falo sobre gatos, os meus gatos, porque os amo, porque fazem parte da família, como filhotes peludos; afagá-los e afofá-los é tarefa rotineira, assim como comer, ir à academia, ou trabalhar. Nisso, não sou nada diferente de tantos outros amantes de animais.

Muitos acompanham minhas histórias felinas, desde o início do blog.
Hoje escrevo com o coração apertado, vazio da companhia do Chuvisco, sumido de casa há 2 dias. E, embora muitos tentem me acalmar, justificando: “gatos passeiam, mesmo”, não é o suficiente para ficar tranquila.
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E o Chuvisco, que chegou ainda um cisco, cresceu e tornou-se meu companheiro mais frequente: muitas vezes sentava no sofá para escrever, ou assistir à TV e ele, ao lado, marcando presença e tirando um cochilo.
Tô aqui, esperando que o desaparecimento dele seja apenas motivado por uma aventura amorosa. ( Mas, caso volte, marcaremos o mais breve possível a castração dele!)
Full contact no edredom
Clichê, ou não:
Chuvisco não está longe: está aqui, dentro do meu coração!

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Invasão de privacidade(?)

Há cerca de 2 anos escrevi um texto, aqui no blog, metendo-me à política e comentando “A vida dos outros“. Não se trata de fofoca: esse foi um filme alemão lançado em 2006, que levou o Oscar de “Melhor Filme Estrangeiro”, no ano seguinte.

Em tempos onde o tempo parece não andar, mas correr, 2006 parece uma data longínqua, já esquecida no passado. Porém, o tema abordado no filme é mais atual que à época de seu lançamento. Muito resumidamente trata-se, de: “invasão de privacidade” e no quanto podemos e, se devemos, interferir na “vida dos outros”.

O que me leva a questionar: o que seria “privacidade”, hoje em dia?…
( Ainda cética acabo de ler uma “notícia”, no mínimo escatológica: Ke$ha posta uma foto dela no Twitter, fazendo xixi na rua!! O mais incrível é que a rapper americana tem mais de 3 milhões de seguidores, dispostos à bizarrices como essa!…)

Não sou uma especialista no assunto, mas interpreto essas atitudes( também, o cultivo de excentricidades e comportamento autodestrutivo) como um mecanismo de defesa: parece ser um paradoxo mas, quanto mais me exponho, mais invulnerável e intocável me torno! Adquiro os superpoderes de um ser “superior”, quase uma figura mítica.

Então o BBB tornou-se opção de programa-família e, falar da vida própria, e a dos outros nas redes sociais, rotina!

Demóstenes Torres, que o diga: “essa invasão é uma m…”
Ao menos tem servido para expor as entranhas fedorentas dos bastidores da política nacional! ( Anotem aí, minha dica de acessório “must” para a nova eleição: prendedor de roupa no nariz! Garanta logo o seu!)

Essa semana cheguei a um templo da vaidade feminina, o salão de beleza: e esse é um ambiente onde a perturbação “metafísica” mais desconfortável seria decidir, se a nova cor do cabelo combinaria com o seu tom de pele, se a atriz, ou grã-fina revelada em Caras exagerou, ou não, no botox e/ou nas cirurgias plásticas…mas era exatamente a hora em que a TV exibia um daqueles programas “jornalísticos”, especializados em mostrar o “mundo Ke$ha”(ops!), quer dizer: o “mundo cão”.

A “matéria” mostrava um video caseiro, flagrando um pai espancando a filha pequena.
E quando falo “espancar”, não estou dizendo: “tapinha no bumbum”! Estou dizendo: espancando, repetidas vezes e, com toda a fúria, uma criança indefesa!

Percebendo meu mal estar, imediatamente a atendente trocou de canal. Tarde demais. Estrago feito.
Lembrei do vídeo da mulher, maltratando o cachorrinho até à morte( que fiz questão de não ver!).
Lembrei da parábola do “bom samaritano”( daqueles, que passaram ao largo do homem caído e machucado)…
Lembrei do caso dos 5 jovens de Brasília, que atearam fogo no índio Galdino José dos Santos, em 1997…(Se é que mão tem boca podemos dizer que, caladas, coniventes, nenhuma daquelas 10 fez o que era necessário, àquela noite: “Não! Peraí! Não podemos fazer isso!”… 5 jovens, 10 mãos inertes, incapazes de se pronunciar a favor, contra…)

Mas, alguém aí filmou tudo isso?…
Apenas mais um detalhe.

O que realmente incomoda é me colocar no papel daquele que parou para gravar a cena, mas não acudiu, não impediu o ato!
Chego a refazer o passo a passo:
Percebeu, que algo de errado acontecia.
Correu, pegou a máquina, ou celular.
Ligou.
Fez  “zoom”.
Focou.
Ficou ali estático, vários segundos gravando já que, chacoalhar a câmera comprometeria o resultado final de seu “trabalho”.

E a vítima, enquanto isso?…
Se alguém ao menos pudesse testemunhar seu sofrimento e, ajudar…

Não discuto, que uma gravação como essa é prova inegável de culpa. Graças ao video aquele pai foi preso em flagrante, mas a criança não foi liberta antes de suas mãos insanas, porque outra não se levantou para impedir tamanho mal.

Millôr, totalmente avesso à exposição da sua figura em público, escreveu( na era pré-internet):
“Descobri afinal o que significa a sigla TV: Terror Visual.”

Mas, como cantaria Roger Waters, ou Fred Mercury:
“The show must go on”…

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Do fundo do baú

Diz-se que, “amar é nunca precisar pedir perdão”. Discordo: quem ama, mais vezes reconhecerá que errou e, pedirá perdão.
Então, começo apresentando minhas desculpas pelo atraso nos looks.
Como se acumularam muitas fotos, não seguirão uma ordem cronológica.

Tendências mudam, mas isso não significa que devamos refazer o guardarroupa a cada estação.
Desde o início do ano estou me policiando mais: se posso controlar minha boca, o que como, posso também controlar meu bolso, o que consumo.
A ideia não é nova, nem original: valorizar o que se tem no armário é uma questão, não só de bom senso, mas de inteligência. Assim, tenho me esforçado a um consumo mais consciente, menos, de impulso.
A regrinha básica ainda vale: ficou na dúvida, não compre!

A maioria das roupas a seguir, por exemplo, são bem antigas, a começar pelo vestidinho “japa” mostrado no último post, (adquirido há mais de 10 anos). Isso prova que existe moda atemporal e que, certas peças, valem o investimento.

O chemisie usado com cinto ganha uma outra cara:
ChemisieChemisie
Chemisie: Totem
Anabela: Schutz
Bolsa: ELLUS
Anabela
O tomara que caia foi uma compra de impulso, admito. Resultado: ficou na gaveta por uns 2 anos.
Resolvi valorizar a compra e tirei o pó da peça acompanhando com a saia lápis antiga, aposta da nova estação:
Tomara que caiaTomara que caia
Tomara que caia: Colcci
Saia lápis
Bolsa: ELLUS
Scarpin: Dumond
Estampa
Apesar de ser um decote que não costumo usar, o que me seduziu foi a estampa tie dye.

Vermelho é uma outra tendência para o outono-inverno, além de rendas, brilhos e transparências.
A produção de fim de semana foi esta clássica mistura: vermelho e preto.
Preto e vermelhorVermelho e preto
Top de malha e miçangas
Saia de crepe evasê
Carteira píton
Sandália meia pata: Luz da Lua

O top de malha tem aplicação de miçangas, valorizando o decote em “V”. Tanto esse, quanto a saia são bem antigas no armário.
Decote com miçanças
Dia de folga e de repetir camisa vichy com oxford liberty superusado:
VichyVichy
Camisa vichy: Leeloo
Bermuda: Dopping
Bolsa de vinil: Cantão
Oxford liberty: Richard’s
Liberty
Brinquei com contrastes e listras tendo como base a blusa de malha, não usada há tempos:
Preto e brancoPreto e branco
Blusa de malha listrada: Enjoy
Calça: Cantão
Sapatilha: Melissa
Bolsa: Uncle K

Para quebrar a hegemonia do preto&branco, vermelho!
Preto e branco
O kaftan estampado é a cara do verão, mas o dia pedia uma peça mais leve:
Kaftan
Kaftan
Vestido: Farm
Sandália: AREZZO
Bolsa de vinil: Cantão
Kaftan
A blusa estampada de um ombro foi usada apenas uma vez:
EstampaEstampa e calça flare
Blusa: Colcci
Calça flare: Cantão
Bolsa: Dumond
Open boot: Jorge Bischoff

Apesar de coleção anterior, o destaque para os ombros é bem atual, como neste vestido usado por Patrícia Poeta, na capa da Estilo:

Estampa
Os tons terrosos estão em alta. A blusa em tricô de linha foi ressuscitada, depois que emagreci:
Tons terrososTons terrosos
Camisa de linha
Saia lápis
Bolsa de couro vegetal
Peep toe: Luíza Barcelos

A sandália tem o salto trabalhado, de inspiração tribal:
Peep toe
Este vestidinho fluido, também de ombro de fora, pediria uma sandália alta. Optei pelo salto baixo porque iria andar a tarde toda:
EstampaEstampa
Vestido de malha e seda: Cantão
Bolsa: Dumond
Sandália: Ferrucci
A única nova aquisição mostrada essa semana, confesso, foi a sapatilha bronze com ponteira de purpurina:
Azul e brilhosAzul e brilhos
Blusa borboletas: Colcci
Calça: Triton
Sapatilha chumbo, com ponteira de purpurina: Ferrucci
Bolsa: Dumond
Brilhos
Borboletas no ombro:
Borboletas
Brilhos
Chemisie xadrez velhinho e, de óculos:
XadrezXadrez
Chemisie: Calvin Klein
Oxford: Richard’s
Bolsa: Uncle K
Óculos: Chilli Beans

Acho que, de tanto que já apareceu por aqui, já deu pra perceber que este oxford é um dos meus preferidos:
Liberty
A calça branca é também uma das minhas preferidas, pela versatilidade:
Azul e brancoBranco e azul
Camisa: Calvin Klein
Tênis, calça e bolsa: Cantão
Tênis
Farei um esforço para postar os looks com maior frequência, senão aqui, no meu perfil pessoal no Facebook. Se quiserem me acompanhar por lá, também serão bem-vindos!

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Corrida de obstáculos

Há tempos ando ensaiando um post, para explicar meu recente sumiço da blogsfera. Não saiu, até agora, por duas razões principais, embutidas na primeira frase desse texto:
-Há tempos, que ando sem tempo.
-E, ultimamente, não ando. Corro!

Escrevi sobre “sonhos” recentemente e agora corro atrás de um outro, literalmente: participar de uma meia maratona.
Pode ser que uma ideia como essa comece pequena, como um devaneio ou, numa licença poética, questionemos: “e, se…”

Ano passado, quando estava acima do peso, resolvi que precisava mudar: queria chegar em melhor forma, na formatura do menino do meio. A história, vocês já conhecem: encarei dieta e, desde lá, uma puxada rotina de exercícios, aeróbicos e anaeróbicos.
Lá se vão 6 meses e, 8 kg a menos na balança, o que me encheu de ânimo para encarar mais um desafio, lançado por uma amiga: “e, se a gente participasse da meia maratona, no Rio?…”
Lançada a isca, o peixe aqui deixou-se fisgar, pois acredito que ninguém supera obstáculos, grandes ou pequenos, se não tiver metas, foco.

Os hiatos entre um post e outro não têm ocorrido por desinteresse, ou desleixo: boa parte do tempo livre tenho me dedicado aos treinos, afinal, julho está próximo. E eu, perto da minha meta, os 21 Km.
Fora a falta de tempo, muitas vezes, confesso, falta-me energia para escrever à noite( hoje, uma exceção).

Esse era um assunto que eu gostaria de ter trazido à tona antes, aqui no blog, porque muitos me acompanham há tempos e sempre me incentivaram, deixando um comentário carinhoso. Nada mais justo do que convidá-los a participarem comigo dessa empreitada, afinal, como cantava Raul Seixas aquela frase, adaptada de D. Quixote:
“Sonho que se sonha só
É só um sonho que se sonha só
Mas sonho que se sonha junto é realidade…”

Mistério do sumiço elucidado, “meus caros Watsons”, querem me acompanhar num dia de treino?
Calçem seus tênis, espalhem bastante protetor solar, coloquem seus bonés e curtam a estrada, num ensolarado domingo, como ontem:
Meu companheiro de corrida tem sido o Hulk. Certamente, o melhor programa do mundo para ele!
Vamos, no trote, usando a filosofia: “devagar, vai-se longe…”

Procuro escolher percursos onde encontre sombra e água fresca: o que não falta, aqui em Santa Teresa.
No meio do caminho não tem uma pedra mas, um bonito lago. E o espelho d’água espraia-se até a mata…
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Tantas vezes passando por ali, veio-me aquele pensamento: “e, se…”
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E se dermos uma paradinha, para um mergulho?…
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Hulk nem me deixou terminar, já pulou na água fria!

-E, se tiver jacaré nesse lago, Hulk?
-Eu me escondo dele!
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Ok, ok! Já me convenceu!
Também não resisti e, dei um pulinho pra me refrescar enquanto ele vigiava a estrada, pra que não nos pegassem em flagrante!
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Outro oásis à beira do caminho é a fábrica de biscoitos, à entrada da cidade:
Fábrica de biscoitos
A maioria para por aqui para degustar biscoitos com café, na ampla varanda. Tirar fotos…
Fábrica de biscoitos
Fábrica de biscoitos
Fábrica de biscoitos
Mas eu e Hulk procuramos por outro tesouro…
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Ouro líquido, para os corredores!
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A última visão da estrada: estamos quase lá!
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Descanso merecido à sombra, enquanto eu fazia alongamento:
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Registrando os atletas, depois de cumpridos 17 Km: de volta ao lar!
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Só pra registrar o resultado desse empenho e, adiantando os próximos looks, queria mostrar o que pra mim foi uma pequena vitória:
JapaJapa
Vestido de crepe: Laranja Lima
Clutch: Melissa, Isabela Capeto
Sandália meia pata: Luz da Lua

Entrar nesse vestidinho de crepe de inspiração japonesa, depois de tantos anos guardado, foi uma sensação muito melhor que comprar roupa nova!
Japa
Obrigada pela companhia!
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Uma semana colorida!

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