Herchcovitch, no “The Selby”

Não faz muito tempo a Vivianne Pontes, Dcoração, fez uma série interessante de posts discutindo, se: “Gosto se Discute” parte I, II, III, com direito a desdobramento em comentários, na parte IV. Só para constatarem que o assunto rende e, muito provavelmente, nunca chegaremos a uma conclusão definitiva( ainda, bem!)…
Foi o que lembrei, quando vi o apartamento que o estilista Alexandre Herchcovitch divide com o antiquário Fábio Souza, em São Paulo.
Para retratar um artista, outro, não menos: o fotógrafo americano Todd Selby, mais conhecido pelo site The Selby is in your place. Mais que retratar casas, Selby retrata estilos de vida de pessoas criativas ao redor do mundo. Ano passado, em setembro, ele visitou o Brasil para participar de um evento organizado pela Casa&Jardim, ocasião em que foram feitas as fotos.

O tour pelo apartamento de Herchcovitch a princípio poderia causar uma certa estranheza: “será, que isso funciona?” Uma mistura de vintage e kitsch que, com certeza, foge ao lugar comum: questão de treinar o olhar, para encontrar o belo nas entrelinhas? Pois, como escreveu Exupèry: “O essencial é invisível aos olhos”.

Eu, por exemplo, jamais imaginaria instalar uma barbearia num dos cômodos da casa:

Mas amei a hortinha de temperos cultivada por ele, na varanda:

A cozinha pareceu-me clean, mas o detalhe fofo da lixeirinha “Hello Kitty” denuncia um algo mais( além da roupa do “cozinheiro”, nada convencional!)…

Teto trabalhado e cadeiras “Chair”, do designer francês Xavier Pauchard para Tolix, na sala de jantar:

Isso é que é “pisar no tapete vermelho!

Um charme, essa porta vai-e-vem que separa a copa:

A sala é dramática, superlativa, “over”, com paredes desgastadas, quadros e cheiro de museu; mas a casa deve reproduzir a personalidade de seus moradores, então, o que poderia nos parecer “estranheza” caberia muito bem na rotina de outro, diferente de nós!

Achei interessante essa mistura eclética de peças de design, como a poltrona “Mole”, de Sérgio Rodrigues, convivendo pacificamente com peças vintage, obras de arte, cartuns…

Uma tradicional poltrona capitonê, o ícone do “fast food” americano e um lustre, estilo “art nouveau”:

Uma miscelânea de estilos, origens e épocas diferentes que se repete no quarto:

Gostei da ideia da sobreposição de espelhos, ampliando e enfeitando o banheiro:

Só como curiosidade, para provar que paixão por sapatos não é “coisa só de mulher”, o armário dele:

Caso a apreciação não tenha sido unânime cito Alain de Botton, em “A Arquitetura da Felicidade”(Ed. Rocco, 2006):
“Stendhal propôs a expressão mais cristalina da íntima associação entre gosto visual e os nossos valores quando escreveu: ‘O belo é a promessa da felicidade’.”
E completa outro parágrafo, com o mesmo escritor francês:
“Existem tantos estilos de beleza quanto visões de felicidade”.

Então, se a casa é o palco para exercer com maestria essa “felicidade”, palmas para Alex!

Selby costuma fazer anotações usando canetinhas coloridas, no rodapé do post: é um “quizz” divertido, retratando os hábitos e preferências dos moradores.
Ele pediu a Alexandre uma receitinha brasileira, que pudesse ser feita em casa.
Nada mais típico que o nosso brigadeiro. Até aí, nenhuma novidade: todo mundo conhece a tradicional receita com leite condensado e chocolate, mas o estilista costuma acrescentar mel à sua.

Se tiver de responder a um “quizz” sobre meu filho mais novo perguntando qual o doce preferido dele, tenho certeza que acertaria: brigadeiro ganha de “lavada”, talvez, seguido por pudim de leite. Resolvi, então, testar a dica do Hertchcovitch e, surpreendi-me com a cremosidade e maciez deste docinho!
Brigadeiro com mel
Reparem, na qualidade do “puxa”:
Brigadeiro com mel
Vamos à receita?:
Brigadeiro com mel( by Alexandre Herchcovitch)
-1 lata de leite condensado
-4 colheres de sopa  de chocolate em pó
-1 colher de sopa de manteiga( ele usa a Président, com sal, mas, como “nóis é mais povão”, vamos substituí-la por outra marca porque, deixar de fazer não pode, né?)
-1 colher de chá de mel
Misture tudo numa panela e leve em fogo brando, mexendo sempre até desgrudar do fundo.
Deite sobre um prato, untado com manteiga, e espere esfriar para enrolar os docinhos( dá pra esperar, por favor?!…).
Coma!
Brigadeiro com mel

Esse, não há o que discutir: é beeem gostoso! Um brigadeiro com assinatura e estilo, pra chamar de seu!
Sejam felizes!

You may also like

13 Comentários

  1. Laély, como vai?
    Realmente o que causou-me estranheza foram estas paredes da sala, faço de tudo para manter as minhas tão bonitinhas…
    O brigadeiro nunca imaginei com mel, vou testar pra ver, deu pra perceber que ficou uma delícia.
    Beijinhos.

  2. Oii La, não sei… eu posso estar indo no sentido contrário da galera, mas eu adoro o diferente, o inusitado, entretanto, contudo, toda via rsrsrs, vi uma arte individualista nestes espaços q p/ mim na verdade juntando, não sobra arte, tah me entendendo?!(Não sei se consegui explicar exatamente o q estou querendo dizer). Agora uma coisa é certa, p/ um bate papo a respeito do tema” Gosto se discute?” Este imóvel é um prato cheio!!! Bjs, Mylla.
    http://www.dojeitinhodelas.blogspot.com

    1. Mylla, acho que a função da arte é justamente despertar sensações, até de desconforto, se for o caso!
      Para mim uma casa como essa não faria sentido mas, analisando o trabalho do Herchcovitch, sim.
      A casa deve adaptar-se a seus moradores, não, o contrário.

  3. Vou testar também essa receita.
    Disse no post da Vivianne e repito,Herchcovitch não é nada convencional,nos causa aquele desconforto quando tendemos a usar apenas o gostei e não gostei.
    Prefiro olhar para as coisas dele,roupas,casa,conceitos e experimentar um novo olhar,assim como esse receita,
    bjs

    bjs

  4. Agora sei que eu e Alexandre só temos em comum o brigadeiro, que minha mãe sempre fez com mel e realmente fica bom demais.Quanto a decoração, respeito o gosto de cada um , mas para ser honesta acho que é tão mais agradável aos olhos a beleza das coisas e quando elas combinam.Não precisa ser o tradicional, o esperado , mas quando dá ideia de conforto e seja acolhedor.Não senti isso vendo as fotos, parece mais uma vitrine de uma loja americana.Algumas peças são legais, bonitas , mas por exemplo um “corpo humano” na mesa da sala com paredes descascadas é o que?Achei que fosse um lugar chic e glamuroso , mas ele não é decorador, né.?rsss.Bom , mas como diz o velho ditado : o que seria do branco se todos gostassem do preto.Abraços.

    1. Passa uma impressão de “instalação”, não é?
      Muitas das peças devem ser da loja do Fábio Souza, companheiro do estilista.
      Há estranheza, inclusive, no cachorrinho de estimação, reparou? Muito “feinho” mas, como diz o ditado: “Quem ama o feio, bonito lhe parece!” rsrs
      Cada qual, com seu cada qual…rs
      Beijo!

  5. Se ele fosse pobre, seria chamado de esquisito, mas como tem dinheiro, então é excêntrico. E se a intenção era ser excêntrico, parabéns. Mas, o brigadeiro eu vou experimentar. E vou fazer com a Président, pois aí vou poder servir meu brigadeiro para as visitas: Já provou “brigadeiro excêntrico”?

  6. É a tal coisa: eu não gosto, mas a casa deles é um reflexo da personalidade deles.
    E a Kátia falou bem, se fosse um qualquer, seria esquisito, mas em se tratando de quem é, é exótico, excêntrico, ou simplesmente classificam como coisa de artista. Questão de gosto… e personalidade.

    Parabéns pelo Dia da Mulher!
    Beijos

  7. Oi, La,

    “Mais vale um gosto do que dinheiro no bolso”, diz o ditado e eu sou totalmente a favor de as pessoas se cercarem daquilo que gostam. Mas eu, pessoalmente, não me identifco com muito do que vi, como a “barbearia”, a sala envelhecida e outros. Todavia, não há como negar que a casa tem personalidade.

    Um beijo!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *