"O preto que satisfaz"

Hoje em dia a gente pode fazer tudo e, ao mesmo tempo, quase nada, repararam?
Na era do “politicamente correto” a expressão que nomeou o post, por exemplo, poderia ser malvista.
Porém os mais antigos, como eu, devem se lembrar da música de Gonzaguinha, abertura de uma novela da Globo no final dos anos 70, com as Frenéticas cantando:
“Dez entre dez brasileiros preferem feijão…”
Não é desse tempo? Então, confira:
A música é tão gostosa quanto o grão-tema, mas, se alguns consideram Monteiro Lobato racista, o que diriam de Gonzaguinha?
Enquanto isso, a Rihanna compete com outras dublês de cantoras rebolativas para ver quem choca mais: seja com letras de músicas e/ou performances sensuais no palco. Pra mim isso não faz diferença alguma: tenho a opção de não ver, não ouvir, não indicar, não comprar e, pronto!
Mas, comparando-se com o patrulhamento citado, acabo achando tudo uma grande hipocrisia!


Falando em patrulhamento, em “pode-não-pode”, nos comentários do post de ontem a Izabelle Costa me fez uma pergunta, curiosa:
“…você não está comendo nem pão integral? Nem mesmo o que você faz?”
Para quem ainda não sabe, estou de dieta. A nutricionista restringiu( bastante!) carboidratos, nesse primeiro mês: “boazinha”, permitiu-me comer 1 fatia de pão integral( com queijo minas) no meio da manhã, e 1 torrada( com cottage) no meio da tarde( mais: 2 cs de arroz integral, no almoço)Confesso que esse é o momento mais esperado do dia. 
O pão caseiro, que costumava acabar em pouco tempo, agora, duuura!…
Apesar de, em algumas refeições eu ter trapaceado e saído da dieta, tenho me patrulhado. Mas não é fácil resistir. Principalmente, se for este pão preto( ou: “pão afrodescendente”?!), tão macio e fofinho:

Pão australiano

O pano, com biquinho de crochê e bordado com meu nome também é fofo! Presente do RS, feito pela amiga Rosana Sperotto. (As abelinhas devem ter sido atraídas pelo mel.)

Essa é uma adaptação à receita de “pão australiano” que já dei aqui. 
Mas agora descobri, que a máquina pode fazer todo o trabalho duro por mim enquanto saio para a corrida, queimar as calorias que tanto preciso( Ah, se existisse uma máquina que fizesse isso por mim!…).
Fiz pequenas modificações à receita original, substituindo a margarina por óleo de canola, acrescentando fibra de trigo e outros detalhes, que ajudam a dar essa maravilhosa cor e textura ao pão:
Pão australiano

E se eu, que estou de dieta, posso, muito mais, vocês!
Para quem não tem máquina de pão é só fazer artesanalmente, no “muque”, que também dá certo.
Vamos às dicas:
-Programe sua máquina, na função: “8-bater massa”.
(Acho melhor bater a massa na máquina e, depois de crescida, retirar, moldar os pães, deixá-los crescer novamente nas fôrmas para depois, assá-los em forno comum. Mas isso é uma opção pessoal.)
-Coloque os ingredientes líquidos primeiro, depois o sal, os trigos e, por último, o fermento biológico.
-Acompanhe os primeiros momentos da máquina funcionando, ajudando, se necessário, a juntar os ingredientes em volta do batedor, com uma espátula. Se estiver grudando nas laterais, polvilhe mais trigo até formar uma bola homogênea no centro, como aqui:
-Gosto de bater 2 vezes, portanto: reinicie o programa, se preferir.
-Depois de terminado o tempo de crescimento, retiro da máquina, moldo os pães e coloco-os para crescer nas fôrmas, por aproximadamente 30′. 
Polvilho fubá sobre eles.
-Pré-aqueço o forno em temperatura média e asso-os, por +/- 30′.

Vamos à receita, então?:
Pão australiano
( Rende 2 pães médios)
-1 e 1/2 xícara de água morna;
-1/2 xícara de mel;
-1/2 colher de chá rasa de sal;
-1/4 de xícara de óleo de canola;
-3 colheres de sopa de açúcar mascavo;
-2 colheres de sopa de cacau em pó;
-1 colher de chá de canela;
-1 colher de chá rasa de café solúvel granulado;
-1 xícara de trigo integral;
-1 xícara de farelo de trigo;
-3 xícaras de farinha de trigo( geralmente acrescento mais um pouco na hora de sovar a massa, até que desprenda das mãos ou, da vasilha da máquina);
-2 colheres de chá, cheias, de fermento biológico seco.

Acrescento os ingredientes, pela ordem acima. 

Para fazer à mão, no primeiro post sobre esse pão tem PAP, com fotos. Se, na máquina, proceder como explicado.
Na hora de moldar os pães, polvilho fubá sobre eles.
Espere esfriar, para fatiá-los.
 Pão australiano

Fica até melhor, que o do Outback!

Pão australiano

A  minha fatia, do lanchinho de amanhã, já está separada. 
Não é, mesmo, um “preto que satisfaz”?

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10 Comentários

  1. Olá,
    Não consigo abrir o link com o passo a passo pra fazer o pão na mão. Pois não tenho máquina de fazer pão. Adoro suas receitas! Abraços.

  2. Olá,
    Fiquei encantada com essa receita, parece q fica muito bom mesmo! Mas tenho uma dúvida: se eu quiser fazer a receita toda na máquina (inclusive assar), qual ciclo devo escolher? A minha é da Britania.
    Abraços!

    1. Oi, Andrea!
      Esse pão realmente é um dos nossos preferidos, aqui em casa!
      Pra ser sincera eu nunca assei pão na máquina, mas acredito que deva ser na função 1, ou 2. Consulte o manual da sua máquina, que vai esclarecer isso, sem dificuldades.
      Abraço!

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