A culpa da beleza

Ignorar ou desprezar os recursos estéticos disponíveis hoje em dia seria como não acreditar na ida do homem à Lua ou, no ataque terrorista às torres gêmeas. 
Mas, onde ficaria o limite “saudável” para a utilização desses? A linha tênue, que separaria cuidado e amor próprio de vaidade excessiva, doentia?   

Angela Bismarchi
(Ângela Bismarchi ou, algum fake dela mesma)

Vaidosa assumida, tento policiar-me para não perder a noção do ridículo: encarnar um tipo estranho e sair por aí botocada, cinturinha lipada, siliconada, com aplique no cabelo, sobrancelha pintada de henna, minissaia, barriga de fora expondo um piercing e salto agulha, tudo junto, misturado e num mesmo pacote, o da “superfêmea pasteurizada”!

Quase respiro aliviada, ao lembrar que tenho 3 filhos homens(o que diminuiria em muito minhas chances de cair em tais armadilhas!)Ufa!
( Embora tenha lá meus truquezinhos, para burlar a fiscalização!)

Em Fina Estampa há um claro confronto entre duas mulheres:
A sofrida e lutadora Griselda( Lília Cabral), mãe de família que, abandonada pelo marido, abdica de qualquer vaidade e convenção social para cuidar dos 3 filhos.
Já 
Teresa Velmont( Cristiane Torloni) não se preocupa com outro, que não seja ela mesma. Exibe, sem aparentar nenhuma culpa, a riqueza e beleza que tem. Seria um exemplo, de: “mulher bem resolvida”.


E se fosse possível fazer uma experiência genética com as duas? 
Talvez, chegássemos bem perto do ideal feminino de perfeição: o caráter de Griselda somado à esbelteza, beleza e altivez de Teresa. O contrário, porém, seria um desastre!
Pensando bem:
Vaidade e virtude são autoexcludentes?  
Ou seria apenas mais um clichê(como aquele a respeito da mãe: a boa é aquela que sofre, que sabe “padecer no paraíso”): mulher “virtuosa” é a que vive só para a casa e os filhos, a ponto de esquecer de depilar o buço, ou as pernas?( Nada contra quem opta pelo estilo mais “natural”, digamos assim. Estou apenas aproveitando o exemplo da novela.)


A “culpa” pode não ser de Griselda. Nem de Teresa. Mas, da simetria.
 

Explico:
Uma pesquisa feita por cientistas europeus “sugere que pessoas de traços faciais simétricos, consideradas mais atraentes, tendem a ser egoístas por acreditarem em sua autossuficiência.”
O assunto é matéria, numa das páginas virtuais da Veja: Diz o Estudo
Mas os pesquisadores pedem cautela; que não seja feita nenhuma análise superficial e generalizadora a respeito: não é prova, de que Brad Pitt é egoísta e o Tiririca, uma versão masculina de Madre Teresa de Calcutá. Nem tanto, nem tanto.
Mas, pensando bem(e, em frente ao espelho), acho que eu deveria aceitar melhor meu nariz grande, apontando para a esquerda…
Quanto à história de novela, já se espera pela “grande virada”: personagem boazinha, que começa pobre e descuidada, termina rica e glamourosa.

 

Ah, se na vida real fosse fácil assim…

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