Ocupações da semana…

Postado por Laély, no dia 25-08-2011 - Categoria: charges,textos

Ando juntando peças, como num quebra-cabeças, depois de ver o quebra-quebra no interior de um Conselho Tutelar de SP provocado por “menores infratores”. Corrigindo, e usando a entonação grandiloquente que meu filho mais novo gosta de fazer: “menores, em conflito com a lei”!


Quem não viu a matéria, destaque no JH e JN do dia 23 poderá conferir, aqui.

Coincidentemente, o Estatuto da Criança e do Adolescente( uma sigla que, clama por trocadilhos!) completou a maioridade há pouco: em 21 anos poderíamos dizer que muita coisa mudou mas, para melhor?!…

Apesar de considerável avanço, uma lei de primeiro mundo, já não seria hora de fazer um balanço geral e ver o que poderia ser melhorado?

Dos 5 menores que, praticamente, demoliram o Conselho Tutelar em SP depois de tentar assaltar um hotel, 2 deles escolheram voltar às ruas. 
É um ciclo contínuo e autofágico: 
Abandono->drogas->infrações leves->retenção temporária->”liberdade”->abandono->mais drogas->infrações mais graves->morte?…cadeia?…

Que futuro terão, essas crianças sob a “proteção” do Estado e do ECA? 

“Ah! Mas depois dos 18( se chegarem a tanto!), isso já não é problema nosso! Garantias( quais?!), apenas enquanto forem ‘indefesas’! Depois, é cada um por si e o Estado contra todos!”

É tanta hipocrisia, fechar os olhos e achar que estamos fazendo nossa parte!
As crianças que voltaram às ruas, o fizeram de livre e espontânea vontade, porque a “lei não permite nenhum tipo de restrição à liberdade para menores com até 11 anos de idade. ”

E eu me pergunto, se isso não seria negar-lhes outro direito: o direito à uma casa, família, limites, possibilidade de recuperação e chance de reintegração na sociedade!…

Ou, na sua casa, é seu filho de 5 anos quem manda?… 
Ele estaria habilitado a dirigir? Decidir o que comer, que horas dormir, se vai à escola, ou não, se toma o remédio ruim que o médico prescreveu, ou não, o que vê na TV ou acessa na internet?…
Bem, em algumas famílias pode-se até dizer que são eles que realmente mandam; e “limite”, uma palavra que se encontra apenas no dicionário! Mas, acredito que esse não seja o cenário ideal para o desenvolvimento sadio deles( não apenas eu, mas a maioria dos especialistas, pedagogos e psicológos).

Por que então, “crianças em conflito com a lei” não teriam mesmo direito?


A mim parece que, uma política paternalista e permissiva com “pequenas infrações”, adotada não apenas em nosso país, venha trazer sérias e imprevisíveis consequências no futuro.


Impossível não linkar com os recentes episódios  de balbúrdia, depredação, saques e até mortes ocorridos na Inglaterra. 
O que começou com uma pequena “manifestação” furiosa, após a morte de um jovem em confronto com a polícia, acabou ganhando dimensões inimagináveis. 
Turbas de jovens encapuçados saíam durante a noite, aterrorizando a população de vários bairros britânicos. 
E, o que queriam? Lutar contra a mais tradicional democracia no mundo? Não. Apenas, locupletar-se com eletroeletrônicos, roupas de marca, bebidas e o que mais de valor pudessem levar das lojas destruídas. 
Jovens ricos estavam entre os saqueadores e vândalos, inclusive, um menino de 9 anos!


A polícia falhou em coibir precocemente o que seria “apenas uma legítima manifestação popular”. 
Logo essa massa de desordeiros mostrou ao mundo que, de movimento político e social não tinha nada! 
Faltaram limites: os limites da lei!


Os especialistas em educação ressaltam a importância de dar limites à criança e, deixar que aprendam a lidar com as consequências diretas de seus erros. 
Não foi assim que aprendemos de nossos pais?: 
“A sua liberdade vai, até onde começa a do outro”.


Nas páginas amarelas da Veja de 17/08 há uma entrevista com o psiquiatra britânico Anthony Daniels. Ele trabalhou por 15 anos com criminosos e viciados em drogas, no sistema prisional da Inglaterra. 
Considerado polêmico, critica intelectuais que defendem teses sociológicas e psicológicas para justificar comportamentos marginais:
“Negar sua( a dos infratores) capacidade de discernimento é o mesmo que diminuir sua humanidade.”


Em relação aos viciados em drogas que se envolvem com o crime para sustentar o vício, ele defende que, se houver recusa a tratamento numa clínica de reabilitação, que sejam presos.


“A maneira como vemos o vício de drogas é errada. Tratamos os viciados como vítimas, incapazes de ser responsabilizados por suas escolhas…Não existe droga tão viciante a ponto de ser impossível livrar-se delas.”

E na segunda-feira, 600 integrantes do MST ocuparam uma fazenda da Cutrale, no interior de SP. 
Em 2009, a mesma fazenda foi invadida por eles. Durante a ocupação que durou 9 dias, a sede foi depredada e destruída, pés de laranja( produtivos!) arrancados com trator, e ainda surgiram denúncias de furtos. Todas as acusações foram veementemente negadas pelos invasores, embora o vandalismo tenha sido filmado por policiais. 


Como num verdadeiro arrastão de manifestantes, o MST seguiu a semana ocupando rodovias federais e a sede de um outro tipo de “fazenda”: o próprio Ministério, em Brasília.


Ao contrário das invasões ocorridas há 2 anos, desta vez não se noticiou nenhum quebra-quebra, transcorrendo tudo, até agora, pacificamente.
O que mudou?…
Talvez o governo anterior tenha feito “vista grossa”, permitindo, digamos assim, “liberdade de ação” maior aos manifestantes. Não parece ser a mesma linha da atual administração. 
Dilma tem se ocupado em colocar a casa em ordem…

Charge do dia 19/08: Amarildo
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