Um toque de cor

Já repararam como é comum fazer metáforas, usando cores para expressar sentidos e sentimentos?:
“Na hora H ele amarelou.”
“Ficou verde de raiva.”
“Tô azul de fome!”
“Vermelho de vergonha.”
“Hoje a coisa tá preta!”
“O branco da paz.”

Na animação Mary&Max, a pequena Mary usava um anel( brinde, vindo numa caixinha de cereais) que mudava de cor, conforme os sentimentos que tinha:
Se o anel realmente funcionasse, qual seria a cor que melhor representaria a tristeza?

Se usasse um desses nos últimos dias talvez ficasse cinza, marrom, ou até “cor de burro quando foge”…

Uma das cenas mais comoventes da animação é quando Max, que sofre de Síndrome de Asperger, confessa à sua correspondente, que gostaria de saber chorar, como todo mundo. 
Mary resolve enviar-lhe um presente único, prova de sua devota amizade: imagina uma cena bem triste, como um gatinho sendo atropelado e, sem muito esforço verte algumas lágrimas, cuidadosamente guardadas numa garrafinha e enviadas ao amigo, do outro lado do oceano.

Na vida real, nem sempre conseguimos segurar as lágrimas como Max, nem contê-las numa só garrafinha, como Mary.
Choramos quando sentimos dor(no corpo, ou na alma). E, por mais que seja difícil admitir, aceitar: A dor é um mal necessário. É um desconforto que nos obriga a reagir.

Os primeiros capítulos do livro de Gênesis narram a história da criação e queda do homem. 
Após a desobediência do primeiro casal, Deus então diz à Eva:
“…Multiplicarei grandemente a tua dor, e a tua conceição; com dor darás à luz filhos;”

Desde lá é a mesma história:
Já estreamos neste mundo, chorando.

Parir e nascer são atos dolorosos. Ao menos, compensadores. 
Mudanças de atitude e comportamento às vezes são gestadas, não sem um certo esforço; paridas, em meio à dor e choro. Ao menos, que a cada dia venha ao mundo um novo “eu”, melhor que o anterior.
Eu tô aqui, tentando equilibrar-me…

Blusa de malha e crepe: Farm
Cardigã de linha
Calça: Calvin Klein
Sapato de verniz: UZA
Bolsa: Cantão


E hoje disse à manicure que, para compensar o baixo astral, queria uma cor gritante nas mãos.
Coincidentemente, a mesma cor estava nos pés: 
Verniz&verniz
Esmalte: “Toque de Fúria”, Risqué
Sapato verniz cereja: UZA

Às vezes é necessário usar uma centríguga emocional para separar a essência, o que realmente importa, a verdade que move, do bagaço de ressentimentos e mágoas que devem ser descartados.
Não há receita pronta; cada um tem seus truques para driblar a tristeza.

Assistir a um bom filme e ouvir música pode ajudar. Se juntarem as duas coisas, melhor ainda!
Até deixei de lado a história triste do “gatinho atropelado” e sorri um pouco, assistindo a um episódio de Glee. 

Sem fazer feio, o grupo interpreta Somebody to Love, do Queen:

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