"Hedonismo egoísta"

Neste fim de semana houve festa, em Santa Teresa: a “Festa da Cerveja”.
-Ôbaa!
-Oba, nada! Pelo menos, pra mim.


Primeiro, porque não bebo nada.
Segundo: não querendo parecer arrogante ou santinha por ser abstêmia*, respeito quem escolhe beber mas, em contrapartida, deveria ser respeitado meu direito de não gostar de quem enche a cara e dá vexame.
*Isso não atesta excelência de caráter. Se fosse assim, poderíamos considerar o assassino de Realengo alguém muito nobre, afinal, era um jovem que não tinha vícios, nem se “contaminava”, praticando atos libidinosos.
É uma opção pessoal, assim como ser ou não vegetariano. 
Não bebo, porque pra mim isso é o normal: meus pais não bebiam, seguindo o exemplo dos meus avós, e espero que meus filhos mantenham a tradição.
Terceiro, que: só quem trabalha em serviços de urgência/emergência(hospitais, delegacias…) tem noção das consequências desastrosas, muitas vezes literal, desses excessos alcoólicos.


Dar plantão em dia de festa regada à bebida é estar preparado para um incremento nas encrencas.


Nunca cheguei a fazer uma estatística séria a respeito, mas afirmo, com a experiência de mais de 15 anos trabalhando em emergência: 90% dos alcoolizados que terminam uma noitada num pronto socorro são jovens.
E é justamente o que me assusta!


Alguém poderia dizer que isso é “coisa normal”. Outros até, que consideram como um “rito de passagem”. 
Passagem para onde?… 


Antes, atender casos de bebedeiras protagonizadas por jovens deixava-me aborrecida. Hoje em dia, mais experiente e com filhos maiores, costumo colocar-me no lugar dos pais: esperando ansiosos em casa, pelo filho que não chega nunca.


Sem falso moralismo. Estatísticas comprovam: as pessoas estão começando a beber, cada vez mais cedo. Na maioria das vezes o primeiro contato acontece em casa, em festinhas familiares, sob os olhares dos pais.
Não estou afirmando que “todo adolescente que bebe será um alcoolista quando adulto, mas, deve-se pensar nos riscos, pesar as consequências: a curto, médio e longo prazo. 
Aliás, essa palavra parece ter sido riscada do dicionário de muitos jovens: consequência.

Ninguém gosta de pensar muito nisso. É chato. É desmancha prazeres! Mas consequências têm uma função educativa:
-Comer desregradamente e não praticar exercícios=>engorda.
-Ter hábitos saudáveis à mesa e praticar exercícios regularmente=>sem problemas com peso.
-Não ligar para o estudo=>abdicar de boas notas.
-Ser um diligente e disciplinado estudante=>sem problemas, em relação a isso.
-Brincar com fogo=>grande risco de queimaduras.


O problema é que, anulando-se a lei das consequências naturais mudam-se paradigmas, sem necessariamente substituí-los por outros melhores. 
Alguns exemplos:
-Se o casamento não der certo: é só separar.
-Se praticar sexo irresponsável: é só tomar a pílula do dia seguinte.
-Se adquirir AIDS: é só tomar o coquetel.
-Se engravidar: é só abortar.
-Se usar droga: é só parar, quando quiser.
-Se beber até cair: é só levar ao hospital.
-Se atropelar alguém, porque dirigiu embriagado: é só dar uma carteirada no guarda.
-Se morrer num acidente…(Ops! Para isso não há uma segunda via.)


O que importa é o prazer, a qualquer custo! Ainda, que este seja pago por outros.
Ninguém quer se privar de nada e o Hedonismo é adotado como filosofia de vida.


“O prazer não é um mal em si; mas certos prazeres trazem mais dor do que felicidade.”
(Epicuro)


Entender porque os jovens tomam atitudes arriscadas é emaranhar-se numa discussão filosófica, tipo “quem surgiu primeiro: o ovo, ou a galinha?”


Nelson Rodrigues contemporizou. Segundo ele, “o jovem tem todos os defeitos do adulto e mais um: a imaturidade.”
Resumindo: faz parte.
No entanto:
“Os desatinos da juventude são conspirações contra a velhice; pagam-se caro, ao anoitecer, as loucuras da manhã.”
(Francis Bacon)


Enquanto isso, no Reino Mágico das Cervejas, a Nova Schin estreou há pouco sua mais nova campanha, com um elenco estelar!
O maior desafio é descobrir os artistas, entre os figurantes. 
Não por coincidência, “elas” são todas mulheres jovens e bonitas: Ivete Sangalo, Débora Secco e Cléo Pires. 
Enquanto “eles”, não necessariamente tão jovens, nem tão bonitos, mas todos, artistas de sucesso: Carlinhos Brown, Zeca Baleiro, Samuel Rosa, Bruno Gagliasso, André Ramiro. 
Àquele que não teve o “privilégio” de ver esse “micão”, de dimensão estelar…

Posso ser uma chata, mas acho que propaganda de cerveja deveria ser mais inteligente. 
Se eu bebesse não tomaria Schin, só de raiva! As campanhas são, na maioria, machistas e de mau gosto. 
Nesse caso ainda prefiro a Brahma, quero dizer: A propaganda, com Zeca Pagodinho( aliás, a barriguinha de cerveja dele é mais verossímel).

Nada contra o Hedonismo. Aliás, até o defendo! 
Não estou sendo incoerente. Explico:
Embora o título possa ter parecido redundância, foi apenas contraponto ao Hedonismo proposto pela Vivianne Pontes: o solidário. Este sim, eu sorvo, como uma boa taça…de Coca-Cola(Zero!).
Tim-tim!

You may also like

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *