"Ordem e Progresso"

A frase, tão conhecida nossa, parece deslocada no centro do maior símbolo nacional.
Em contrapartida, a minimalista bandeira japonesa( comparada à loquacidade da nossa!) parece resumir melhor o povo que representa: o japonês é tradicionalmente de poucas palavras, mas, “é gente que faz”.
Tenho acompanhado as últimas notícias, entre assombrada e apreensiva. 
Ontem, o que mais me chamou a atenção foi a descrição de como os japoneses têm enfrentado a crise( e preparando-se para uma outra, potencialmente pior: um possível desastre nuclear): 
Embora uma parte do país tenha sido arrasada( e arrastada!) pelo terremoto e tsunami, eles tentam manter a tradicional calma e ordem. A imagem do homem catando 1 bolinha de papel com uma pinça, num chão impecavemente limpo é a tradução disso.

Grandes tragédias, pestes, guerras, ameaças de morte iminente são situações de crise, capazes de fazer aflorar o pior das pessoas(ou, o seu melhor)! Nessas ocasiões, princípios podem ser deixados de lado, propositalmente “esquecidos”, enquanto os mais primitivos instintos de proteção ditam as regras: as da sobrevivência.

Não foi o que se viu, pelo menos até agora, entre os japoneses: todos respeitam a fila, na porta de mercados desabastecidos, sem balbúrdia, sem elevação da voz, além de não haver registro de saques. 
Ninguém parece fazer grande esforço para cumprir a lei e seguir a ordem: seria o normal, o que se espera de cada um.
A frase: “ordem e progresso” não está escrita na bandeira deles. Está escrita no coração. 

Enquanto isso, num país tão, tão distante do Japão( na geografia e na ética!):
“A cantora Maria Bethânia conseguiu autorização do Ministério da Cultura para captar R$ 1,3 milhão e criar um blog.” 
Mais detalhes, aqui e aqui.

O blog (que chique, e que “progresso”!) terá inclusive “assessor de imprensa”!
( Aproveitem, então, enquanto podem “falar” com a autora deste blog-aqui nos comentários, ou por e-mail-antes que se modernize e contrate um “assessor de imprensa”…)

Como o blog da Bethania é para divulgar poesia, sugiro uma humilde contribuição, de inspiração modernista:
Quanto vale a voz de Bethânia?
Não tem preço.
Não tinha…  

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