Uma questão de (des)educação

(Extraído de “Toda Mafalda”, Quino)

E se a Mafalda conhecesse a malfadada educação brasileira, quem a conteria?…



Não tenho a inquietação política da Mafalda, muito menos do filho mais novo, porém, lendo algumas manchetes e notas publicadas no jornal A Gazeta dos últimos dias acabei juntando as peças…


Conversando com minha mãe, que é professora desde os 15 anos e ainda trabalha com educação, discutíamos sobre a dificuldade que a maioria das pessoas têm de falar e escrever o Português, corretamente. Independente do nível de escolaridade, resvalam na hora de usar a língua materna: uns, com maior frequência e gravidade que outros, mas, todos pecam(os).


Não tenho a intenção de me aprofundar ou chegar a conclusões simplistas, mas há 2 principais responsáveis pelo desenvolvimento do vocabulário da criança: 
1°-Fluência e influência dos pais e familiares mais próximos( nível de escolaridade, cultura e estímulo à leitura);
2°-Escola.

É nesse segundo ponto que eu gostaria de tocar, superficialmente, tocada pelas últimas manchetes do jornal.

A Gazeta(ES) do dia 19 traz a seguinte matéria:

Indignadas. Iná Xavier e Marlúcia Leandro têm a mesma reclamação: os filhos não conseguem entender o que eles mesmos escrevem”

A matéria pode ser lida na íntegra, aqui, mas trata de uma das consequências do descaso com a alfabetização e ensino fundamental nas escolas públicas: a proliferação dos “analfabetos funcionais”.

 “A aprovação automática até o 3º ano – sugerida pelo Conselho Nacional de Educação (CNE) e seguida pelas secretarias municipais – parece ter virado sinônimo de falta de acompanhamento do desenvolvimento dos alunos, em algumas unidades.”

“…Muitas mães, porém, reclamam do acompanhamento e afirmam que as crianças estão sendo aprovadas para as séries seguintes sem, sequer, saberem ler e escrever.”

Não vou nem questionar a “lei da aprovação automática”, pois não cabe a mim parecer técnico.
Mas, não há motivo para preocupação: nossas crianças serão salvas da ignorância com a construção de mais escolas…
(Placa oficial, fotografada em Linhares-ES e publicada no jornal “A Gazeta” do dia 19/02)

Esperando que tais “centros de educação infântil” não sejam centros de proliferação do “Seu Creysson”…
Isso é apenas para dar uma pequena mostra de como anda a base da nossa educação.

Mas, isso também não é motivo para preocupação!

“Não contavam com a astúcia” dos burocratas do Governo! 
Se a criança não tiver direito a ensino fundamental eficiente, se escrever, e não souber decifrar o que ela mesma escreveu, se ler, e não souber traduzir o que ela mesma acabou de ler, não há nada que não se remedie com muita “maquiagem”!
Nesse ponto, não concordo com o sistema de cotas!
Mas o Governo acha que assim vai resolver o problema da desigualdade social, criando um outro tipo: 
  
(Matéria publicada no jornal, ontem)

“O levantamento do perfil dos aprovados no VestUfes 2010 para Medicina, feito pela Secretaria de Inclusão Social e obtido com exclusividade por A GAZETA, mostra ainda que 16,6% dos aprovados não cotistas tiveram que fazer no mínimo quatro vestibulares até entrar na Ufes – índice que cai para 6,25% entre os cotistas.”

O resultado não me surpreendeu. Embora seja uma pesquisa local, com algumas adaptações regionais poderia ser aplicada a qualquer universidade federal do país: está cada vez mais difícil passar no vestibular, um sistema que, por si só já é injusto!

Acompanhei esse processo bem de perto, na própria família: minha irmã mais nova, só depois de tentar vestibular para Medicina por 4 anos seguidos conseguiu ser aprovada num vestibular fora de época, disputando uma sobra de vagas(concorrência 140:1), abertas, justo por quê?: 
Seis alunos que entraram na Universidade pelo sistema de cotas, decobriu-se mais tarde terem burlado os critérios da seleção.
Não fosse pelo atual sistema de cotas e ela teria conseguido passar antes. Mas o que lhe atrasou a conquista foi o que lhe proporcionou a chance de nova tentativa.

Vejam o que disse o secretário de inclusão social da Ufes*, Antônio Carlos Moraes:

“Em geral, quando o candidato pobre é reprovado no primeiro vestibular, a tendência é a entrada precoce no mercado de trabalho e a desistência. O rico continua tentando até dar certo. Nesse sentido as cotas cumprem sua função social’, diz.”

(*UFES-Universidade Federal do Espírito Santo)
Leia a matéria na íntegra, aqui na Gazeta.

Não tenho a intenção de levantar polêmica, nem discutir a “lei das cotas”, mas a declaração do secretário foi infeliz, no mínimo, tendenciosa. 

Que o estudante do ensino público, ou de classe social mais baixa está em desvantagem, disso já tratamos no início do post. Não há o que discutir!
Injusto é dizer que, todo aluno proveniente de escola particular é “rico”, portanto, merece sofrer espera e angústia maior para entrar na Universidade.
Minha mãe é educadora e funcionária pública: Foi assim, com todas as dificuldades e limitações econômicas que educou 3 filhos em escola particular. Mas, classificá-la como “rica” é risível!

Mas, isso também não é problema!

Ainda sobre o jornal de ontem, minha mãe leu-me uma notinha destacando que o ex-presidente Lula  aproveitava a atual folga, “deliciando-se” com a leitura de um livro.
( Só num país como o nosso, para ser necessário publicar num jornal que um ex-presidente lê alguma coisa! Bem…antes tarde do que nunca!)

Quando presidente, Lula admitiu não ter intimidade com livros. 
Em outra ocasião, muito comentada, até bateu no peito, orgulhando-se de sua mãe ter “nascido analfabeta”. Leia-se, nas entrelinhas:

“Atenção, crianças! Não se preocupem em estudar! Quem sabe ao crescerem, se souberem fazer política como eu ( ou o Tiririca, ou o Romário, ou o Franklyn Aguiar…) poderão se tornar ‘presidentes da República’?!”


Enquanto isso, no país do mínimo-mínimo… 
“O salário, ó!”
Abrindo um parêntese:
Falando em deseducação, filho do meio ontem viajou de ônibus para outro município, onde estuda. 
À noite, quando me ligou, contou sobre a aventura da tarde: Sentara atrás de uma criança, acompanhada da mãe. 
A certa altura da viagem, a criança simplesmente abriu a janela do ônibus em movimento e deu uma bela cusparada; os perdigotos, e outras coisas mais foram parar, sabem onde…
Perguntei-lhe o que fez, se avisara à mãe da criança deseducada sobre o ocorrido( e será, que ela não viu?!…). 
Respondeu-me que “não”; ficara chateado, mas não queria criar encrenca.
Pelo visto esse filho( o meu) é educado(mas a mulher com a criança, não).
Chamei-lhe a atenção pela inação. 
Precisamos falar, mesmo que a verdade incomode outros. É ação educativa!

Fecha parêntese.
 
Hoje fugi ao assunto, sei; mas, como já expliquei outras vezes por aqui: é “ao gosto do freguês”, no caso, meu gosto.

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