Cama de princesa

Num tempo em que existiam fadas, magos, castelos encantados e cavalheirismo, o príncipe de um reino muito, muito distante e, muito, muito rico resolveu casar-se. (Na verdade ele cedera à pressão do rei e da rainha, seus pais, que ameçavam deserdá-lo caso não se decidisse!). 
A fim de ganhar mais um tempo como bon vivant o príncipe aceitou a ideia, desde que fosse aberta uma concorrência pública para escolher a futura esposa. Ele fez exigências e impôs regras rígidas: não lhe serviria qualquer princesa; tinha de ser “a princesa”!
Os pais suaram a roupa real para atrair as mais belas e bem preparadas candidatas, de todo o reino! 
O príncipe, alegando ora um defeito, ora outro rejeitou, uma por uma.
Abriram concorrência para atrair princesas de outros reinos, então.( E, como naquele tempo não havia internet, nem tradutor Google, demorou-se muito, muito tempo até que a mensagem chegasse a reinos muito, muito distantes!…Mas o príncipe, “estranhamente” não se abalou.)

Certa noite já era tarde e chovia muito, os servos do palácio haviam se retirado para seus aposentos quando, misteriosamente alguém tocou insistentemente a campainha. O rei tentou usar o interfone real, mas a tempestade havia desligado a energia. A rainha, não querendo incomodar o sono real do marido, tranquilizou-o: “deixe que eu resolvo isso!”
Depois de descer os 300 degraus que separavam o quarto real da entrada, já que o elevador do palácio também estava desligado, olhou pelo “olho mágico” da porta e viu uma moça, toda molhada e descabelada do lado de fora: mesmo descomposta, parecia ser confiável; abriu-lhe a porta.
A moça, toda suja, batendo o queixo de frio, apresentou-se como princesa de um reino muito distante e explicou que sua carruagem ficara longe dali, encalhada na lama durante a chuva.
Um tanto insegura, a rainha resolveu dar um voto de confiança à moça descabelada: convidou-a a entrar, deu-lhe roupas secas e preparou-lhe um quarto para dormir.
Antes porém, teve uma ideia para testar a veracidade das informações que recebera: Empilhou vários colchões, muito macios e, sob eles colocou uma pequena ervilha. “Vamos ver, se essa moça é princesa de verdade…”, pensou a esperta rainha.
Pela manhã, curiosa, ela foi conferir como passara a noite, sua misteriosa visita:
-Dormiu bem, minha filha?, perguntou a rainha.
-Se não fosse por um caroço debaixo da cama, talvez dormisse melhor. Estou toda dolorida!, respondeu a delicada moça, segurando o bocejo.
A rainha chamou então a seu marido, o rei, o filho, príncipe, e apresentou aos dois a moça que seria a futura mãe dos herdeiros daquele reino. Finalmente, a procura pela “princesa de verdade” chegara ao fim…
(Livre adaptação da história de Hans Christian Andersen: “A princesa e a ervilha”)

(Do ilustrador francês Edmund Dulac)

Moral da história:
-As aparências podem enganar.
-Se for para ter frescura, ao menos que seja “frescura de princesa”!…

A primeira vez que ouvi contar essa história foi no de(couer)ção, da Vivianne Pontes, mas história boa é boa, em qualquer época.
Para os que gostam de viver um conto de fadas e têm príncipes e/ou princesas em casa, deixo duas releituras dessa história:
2010-12-01-princess.jpg
2010-12-01-princess2.jpg

You may also like

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *