A vida em ciclos

“A mãe de hoje será a ‘filha da mãe’ de sempre”. 

Com o perdão do trocadilho, o termo define bem minha situação atual: mãe de 3, mas ainda “filha da mãe”, da minha.
Esta semana saí com ela e com o filho mais velho. 

Enquanto ele estudava, nós “batíamos perna”. 
E eu, que um dia fui carregada por ela no colo, agora a carrego no meu carro. 
Vrruuum! 
“Acelera, Ayrton!”

(Minha mãe, eu e meu irmão)
Só não acelero mais, que o crescimento dos filhos… 
Primogênito
(Filho mais velho, recém-nascido)

Algumas coisas ainda se repetem, como num déjà vu: o primogênito, que há 19 anos atrás mamava e comia papinha…
A primeira refeição...
(A primeira refeição dele)

…Perdeu o “siso”(logo os 4, de uma só vez!) e voltou a comer…”papinha”!

A avó e mãe, preocupadas com o menino que acabara de perder os dentes, mas não o siso, querem saber como ele está:
“Quer comer alguma coisa?”, pergunta a mãe.
Tá sentindo dor?”, a vó emenda.
“Que tal um sorvete?”, a mãe insiste!
“Agora não, que ele não pode!”, explica a avó.
Com uma bolsa de gelo no queixo e a boca cheia de curativos ele tenta acalmá-las, balbuciando entre os dentes que lhe sobraram:
“Eu só extraí uns dentes, não o cérebro!”

Tudo bem. “Não priemos cânico”, como diria Chapolin Colorado.
Ao menos agora, sem o(s) siso(s), ele seria mais confiável àqueles que, como na música dos Titãs, não confiam em ninguém com mais de 30…com mais de 32 dentes”. 
Na verdade, aos pais não interessa o número de dentes na boca dos filhos, afinal, se isso fosse imprescindível à aceitação deles, não nasceriam banguelas.

Banguela
(Filho do meio: sem dentes, mas sempre simpático!)

E não há pai que não ache uma gracinha, quando o bebê lhe arreganha a boca “careca” numa risada gostosa. 
E mãe, que não fique embevecida ao ver que o filho, antes desprovido de dentes, agora é provido de muito mais: além de gentil e bem-humorado, ele até filosofa
E quando nos damos conta, eles já cresceram. 
Levei um susto esta semana, ao rever fotos recentes do mais novo: 
Pose(?!)
Em menos de 1 ano, como espichou! 
As calças da escola, a mãe distraída não percebeu, estavam no meio das canelas dele e ela, não comprou maiores para o novo ano letivo! 
O tempo resolveu dar-me uma rasteira.
Mas a vida é assim, em ciclos: numa hora, os guiamos pela mão, noutra, somos guiados por eles.
E quando vejo minha mãe, que um dia foi menina como eu( já fui!)


( Minha mãe, aos 15 anos)

Até entendo porque, depois de tanto tempo, voltei a usar chapéu, não tão menina assim:

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( A última vez que usei, eu era aquela menininha da primeira foto.)

Mas ao ver minha mãe, antes menina agora uma avó, ainda se preocupando comigo, antes menina agora mãe de três, e eles, os filhos, antes meninos e agora rapazes, fico me imaginando daqui a algum tempo: eu como avó, a embalar os netos que virão…
Diz a lenda, que aquele que dobrar 1000 tsurus(a ave que representa longevidade e felicidade no Japão) mentalizando algum desejo, este será realizado…
E eu, só teria um: que os filhos cresçam como Jesus cresceu, “em sabedoria, estatura e graça, diante de Deus e dos homens”. Que sejam elevados, mais que os próprios pais, em espírito e em princípios.
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Então poderia dizer que cumpri, a mais importante e difícil tarefa que me propus fazer. 
Na vida, algumas fases se repetem: 
“Das fraldas vinhemos. Às fraldas voltaremos.”
( A frase poderia ser de Benjamin Button, mas é minha, mesmo.)
Cuidemos bem, de quem um dia trocará nossas fraldas…


Vale a pena  ouvir de novo:
 
Créditos das imagens dos quartos infantis:
Primeiro e segundo-Remodelista

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