Todo mundo odeia…

…Ser odiado. Especialmente, adolescentes.
Não uso Orkut, mas sei que há comunidades para todo gosto possível! A maioria têm título bastante passional, do tipo: Amo…Odeio…
Se bobear, deve haver alguma: “Odeio Orkut!”
Normal exagerar, certas fases. Meu filho de 11 anos é expert nisso: coisas que não gosta, quase sempre ganham uma descrição de dimensões dramáticas, digna de um Oscar!
O problema é que tem gente que cresce mas a cabeça, não. Segue pela vida afora, rotulando tudo: gosto, não gosto, presta, não presta, uso, ou descarto, merece, não merece…
No post anterior fiz minha ode à “Todo mundo odeia o Chris” e deixei no final, uma dica de que o assunto continuaria.
Já começou a render, logo nos comentários: a Fernanda, companheira lá de Portugal, chamou a atenção sobre cenas de racismo e bulliyng, presentes na série.
Finquei o pé, mantendo minha defesa apaixonada do programa mas, quem quiser, pode dar uma olhadinha lá, já que o post foi escada para este. Uma introdução para tocar num assunto que, embora espinhoso, não podemos ignorar…
Então, que tal responder sinceramente a um questionário informal?( Shhhii! Mas, quieto! Não pense alto! Não quero ser eu, guardiã de algum segredo de Estado!)
Acha normal, ou usual:
-Seu filho xingar?…
-Tratar mal um colega, professor, empregada, ou porteiro do prédio?…
-Colar na prova, se estiver em jogo: passar de ano?…
-Falar mal de um colega, gozar ou desdenhar, mesmo que não esteja na presença dele?…

Pelo que sei até hoje, a única mulher a “dar à luz”, no sentido literal da palavra foi Maria. Afinal, o próprio Filho dela, disse:
“Eu sou a luz do mundo”.
Admitamos: por mais angelical que nossos filhinhos possam nos parecer…passam, longe disso.
Mas, não os culpemos!
Ao contrário, façamos a “mea culpa“, aplicando-nos o mesmo questionário acima, com algumas adaptações:
É comum, ou usual para mim…
-Xingar?…
-Destratar meus filhos, colegas de trabalho e empregados?…
-Assumir os créditos por um trabalho que não fiz, se isso me trouxer alguma vantagem?…
-Falar mal do patrão com meus filhos, desdenhando e gozando dele, por características físicas que considero “defeitos”?…
Ok. Não nos martirizemos, tanto!
“Que atire a primeira pedra”, quem nunca se viu personagem principal de uma história dessas! Também não somos anjos.
Mas, não perdendo o mote,  já parou para pensar o quanto nosso exemplo como pais orienta a conduta dos nossos filhos?
Então, deixa eu falar…
Há tempos, venho com um comichão. Uma insatisfação com pequenas situações, ditas corriqueiras.
Devo considerar normal: ser o filho insistentemente provocado na escola, ter a mochila chutada à saída, ser “zoado” pelos colegas, deixado de lado?!…
Somente de 3 décadas para cá, o fenômeno bulliyng ganhou nome oficial e virou objeto de estudo sério. Chris desconhecia o termo dos especialistas mas sentiu na pele, e por causa dela, os efeitos desse mal.
Ser diferente, num mundo que acelera e superficializa as relações ao máximo, pode dificultar muito a vida de uma criança, ou adolescente, especialmente na escola.
Os pais devem ficar atentos à mudanças de comportamento dos filhos, queda no rendimento escolar, surgimento de sintomas inespecíficos que provoquem faltas escolares, retraimento…pode ser, que ele esteja sendo vítima de bulliyng.
Na outra ponta, embora mais difícil admitir tal comportamento em nossos “anjinhos”, podem ser eles os agressores, ou bullies.
Movida por interesses pessoais, procurei me informar a respeito.
Li o livro da psiquiatra Ana Beatriz Barbosa Silva:
Bulliyng: Mentes Perigosas nas Escolas

Recomendo-o a todo pai, ou professor: além de esclarecedor, é de fácil e agradável leitura.
Num ambiente onde passam boa parte do dia, é normal que as crianças brinquem e até briguem, na escola. Mas é dever, de professores e pais, prevenir e coibir possíveis abusos.
Uma brincadeira só é sadia, quando todos se divertem e não, quando alguns se divertem, às custas do sofrimento de outros. Lembram do exemplo do Chris e o Caruso?…

“…a expressão bulliyng corresponde a um conjunto de atitudes de violência física e/ou psicológica, de caráter intencional e repetitivo, praticado por um bully (agressor) contra uma ou mais vítimas que se encontram impossibilitadas de se defender.”

Ana Beatriz também é autora de mais dois livros( selo Fontanar), que tratam de psicopatia e TDAH( Transtorno do Deficit de Atenção e Hiperatividade).
Vale um pulinho neste link, aqui, para uma entrevista com ela.

“Pela cultura moderna, cada um de nós tem o dever, ou mesmo a obrigação moral de buscar tudo o que houver de melhor para si. E isso inclui, de forma explícita, uma tríade muito perigosa: poder, status e diversão”.

A sociedade é hipócrita e tenta compensar, com excessivas preocupações “politicamente corretas”: quer acertar na forma, mas peca no conteúdo.
Há contradições na educação moderna que podem deixar pais e filhos, completamente perdidos:
-Não pode usar arma de brinquedo, mas ferir com a língua pode…

-Não pode maltratar o planeta, mas a empregada pode.
-Não pode fugir aos padrões da maioria, mas discriminar minorias pode…

Só não pode a omissão: a nossa!
Ensinar aos filhos respeito, pelos outros e por si mesmo, não é tarefa das mais fáceis. Mesmo porque, exige exemplo e não aceita desculpas, tipo: “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”.
 
“Se correr, o bicho pega”-educar filhos sem limites ou regras é deixá-los por conta da sorte.
“Se ficar, o bicho come”-superprotegê-los e fazer o que só eles podem e devem é desprepará-los para a vida.
Na dúvida(já que sou uma “citadora oficial”), vale lembrar a “regra áurea”:
“Trate os outros, assim como gostaria de ser tratado”.
E vamos lá, tentar exercitar essa lição no nosso dia-a-dia, porque todo mundo ama ser amado e respeitado.

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27 Comentários

  1. puxa achei que tivesse milhoes de comentario em seu post e sou a primeira ..mas vamos la…tbm acho que nos pais temos que dar o exemplo sim, e na maioria dos casos onde as crianças gostam de tirar uma com a cara do amiguinho aprendem em casa…conheço pessoas que gostam de ironizar , apelidar muito as pessoas e se divertem muito com isso..feito pelos pais o que farao as crianças da casa????é so a minha opiniao hein amiga,posso ate estar errada……. adorei seu post hoje…bjosssss linda noite

  2. Oi, Rosana!
    Obrigada pela participação.
    Como escrevi, ninguém é tão perfeitinho: nem nós, nem nossos filhos. O que não pode é o mau exemplo ter caráter repetitivo, como no caso do bulliyng, pois acaba por se tornar referência errada e os filhos, achando que esse tipo de atitude é a normal.

  3. Oi Laély,

    Quando entrei nesta viciante atividade de leitora de blogs, um dos primeiros que conheci foi o "sala da la" e daí foi fazer desse espaço uma leitura obrigatória. Identifico-me bastante com o que você escreve, também tenho filhos adolescentes, um casal, de 14 e 12 anos. Acho uma responsabilidade muito grande essa de criar gente e passo pelas mesmas dúvidas e angústias de toda mãe ,que´é de errar, de falhar na educação, na formação deles. Meu filho de 12 anos é gordinho, até bem pouco tempo sofria com as brincadeiras dos colegas de escola mas como ele não é nenhum anjinho, as coisas se resolveram, sem que eu precisasse intervir. Infelizmente, as nossas crianças,também são vítimas desses padrões estabelecidos por nossa sociedade e como eles costumam ser menos hipócritas que nós adultos,suas atitudes podem parecer perversas. Enfim, cabe a nós,a difícil missão de transformar "nossos anjinhos" em pessoas melhores.
    Também assisto "Todo mundo odeia Chris" e confesso que me divirto com as agruras do Chris e o mau humor da Rochele.
    Tudo de bom pra você e para os seus meninos.
    Ah, eu acabei de "parir" um blog, é um filhotinho ainda, cujo objetivo é me aproximar e trocar idéias com pessoas com as quais tenho sintonia. Se deseja me seguir é:
    http://simmademoiselle.blogspot.com/

  4. Laély parece que o povo daqui está com preguicinha de ler. Hehehe

    Mais que post mais genial eim, sigo o seu blog tem pouco tempo (estou sempre por dentro das novas postagens com o google reader) e realmente não espera encontrar um post desses por aqui, não sei porquê, mas agora já fui até lá no seu perfil, já chequei tudinhooo. Rs… E poxa o bullyng é um problema tão antigo mas tão atual ao mesmo tempo, se é que você me entende! Eu passei por isso, mas não conhecia o termo na época – e com certeza muita gente também não. E é preciso, assim como tantos outros temas importantes, que o bullyng seja tratado com cuidado e o trabalho dos pais e dos professores deve ser tratado lado a lado devido a isso. Então, La parabéns por abordar um tema tão interessante.

    Bjo, Simonepin do palavrastraduzidas-pin.blogspot.com

  5. Simonepin, acho que deva ser, porque liberei o post só depois das 22h.
    O que importa é que as pessoas leiam e, quem se identificar, como vocês, que deixe aqui seu testemunho, afinal, isso é hábito antigo, com nome novo.
    O que desejei, foi alertar para a necessidade de cada vértice desse triângulo, cumprir bem a sua parte: pais, professores e alunos.
    Esse fenômeno é uma verdadeira epidemia, porque hoje, mais que nunca, é a época do "tudo-posso": filhos viraram deuses e, que "Deus nos acuda"!

    Yanne, esta semana precisei tirar a lente, que uso há anos, e o meu caçula estranhou:
    -Mãe, por que você está de óculos?- perguntou-me ele.
    -Meu olho estava irritado com a lente, por quê?-quis saber.
    -É porque você fica "meio feia"-respondeu ele, com toda a "delicadeza".
    Crianças são assim: espontâneas e diretas; cabe a nós, entender que isso é normal. Mas a intenção do livro da Ana Beatriz foi justamente nos dar suporte para discernir, no meio dessa "espontaneidade" juvenil, o que seria comportamento normal e o que seria crueldade injustificada.
    É preciso que demos um "basta", que cortemos o mal pela raiz para que esse tipo de comportamento seja mantido, sob o controle necessário do devido respeito.
    Como pais, não podemos fazer como naquela figura dos 3 macaquinhos: "não ouço, não falo, não vejo".

    Outro dia conversava com o meu menino do meio sobre esse assunto. O caminho do equilíbrio, sempre é o mais difícil:
    Quem é passivo, cala sem contestar.
    O agressivo se impõe, sem ouvir, ou respeitar.
    Já o assertivo consegue manter o seu espaço, sem necessariamente ferir o do outro, ou fazer concessões. Porém, este é o que mais incomoda, porque o passivo não oferece resistência e o agressivo, quem teria coragem de contrariar?!
    E é justamente esse caminho, mais difícil, que precisamos ensinar a nós mesmos e a nossos filhos a caminhar.
    Abraço!

  6. Laély, oi!! tenho três filhos, hoje todos grandes (21, 23 e 25). Então, em tantos anos de escola, colegas, amigos etc., já vi bastante coisa. Mas, ainda bem, nunca com os meus (nem impingida por eles, nem sofrida).Abomino maus tratos, abomino preconceito, imposição de força (de qualquer espécie) e, claro, violência, seja ela física ou moral. Mas tudo isso está aí. E, com a internet, com a globalização, uma onda virar um tsunami é fácil, fácil… Esse assunto é muito sério.
    Beijo, Marina

  7. Ficou excelente o texto. Se a intenção é nos levar a reflexão, acertaste em cheio. Com exceção da opção número um, todas a outras marcaria em letras garrafais um NÃO. Meus filhos não são anjos, mas se tem uma coisa que eles sabem e fazem é respeitar a todos e às diferenças. Talvez por terem vivido na Áfria isso tenha influenciado. O fato é que ambos eram os únicos alunos de pele mais clara numa escola com mais de 1300 alunos negros. Eles conquistaram cada um seu espaço, fazendo com que essa evidente "diferença" passasse o mais imperceptível possível. Elogios vindo da educação deles para com os professores e funcionários são comuns. Mas alguns palavrões cabeludos sai sim, em casa…a começar por minha mãe, uma boca suja inveterada. Obviamente os usamos em locais apropriados e entre nós e as pessoas mais queridas…rsrsrs. Beijocas!

  8. Faz-me imensa confusão as pessoas terem sempre de atribuir características a algo:
    – detesto aquilo
    – odeio aquela
    – aquilo é feio
    – fulano é gordo
    – aquilo é errado (quando nem é)

    – como eu faço é que está bem…
    – vou gritar para mostrar quem mando

    Desde que não se prejudique os outros acho que a vida deve ser vivida sem rótulos e todas as opiniões e decisões devem ser válidas…

    Apesar de ainda ser nova, cada vez mais e nos últimos anos nem se fala, apercebo-me que as pessoas se tornam umas criticas brutais em relação a tudo como se fossem poderosos no ser e no saber…

    Parece que os valores andam invertidos…
    As pessoas interessam-se mais pelos outros e pelo exterior do que por si próprios!

  9. oi Laély
    pois é… vamos tentando, na base do exemplo, mas muitas vezes me pego com as palavras erradas na ponta da lígua, ou tentando segurá-las pelo rabo, mas escapam… ou as deixo escapar. Não são palavras das mais duras ou perigosas, mas são palavras que eu não gostaria de ouvir da boca dos meus pequenos… Sempre falo pra eles dessa que pra mim é uma lição pra vida: "não faça aos outros o que não gostaria que fizessem a você"… e isso falo também na catequese. Não só falo, como sigo isso no meu dia a dia… mas a minha meaculpa é quando fico brava com meus filhos, por uma arte, ou uma afronta, ralhar com eles, com minha mãe fazia comigo e eu detestava… acho que agora entendo quando ela dizia: um dia vc vai ter filhos… era quase como uma ameaça… e agora eu entendo, como eu era peralta!
    Na escola eu sofri na pele o que hoje ganhou nome. Naquela época não se preocupavam tanto com isso, mas a maldade era igual…
    É isso… não somos anjos, e longe de sermos perfeitos, mas todos sabemos o que é certo e errado, é só uma questão de saber ajir da maneira certa…
    um beijinho Laély
    bom fim de semana!

  10. Ó minha querida Laély! Agora é que estou mesmo a achar-me – e aos meus filhotes também- uns verdadeiros anjinhos!Não deveria ter colocado aquele inquérito! Ahahaha,…Brincadeira à parte, você termina o texto com a frase que é mote cá em casa: "não faças ao outro o que não gostarias que te fizessem a ti!". Desde pequeninos que eles a ouvem e creio que já a interiorizaram, pois por vezes ouço-a da própria boca deles.

    O respeito pelo outro cá em casa é grande; então regras de boas maneiras e educação, são exigidas e posso em consciência afirmar que nós damos o exemplo, sim!
    E acho que por isso os meus filhos têm imensos amigos, são extremamente populares na escola, são elogiados pelos professores e pais dos coleguinhas. Creio que isso me dá a certeza que estamos no bom caminho.

    Quanto ao bullying, sabe que no meu tempo de escola não existia? Talvez porque vivesse num meio pequeno, praticamente rural, as crianças eram muito puras. Creio que a tv veio corromper em muito a inocência infantil, acelerar o processo de falso amadurecimento, que se converte em comportamentos inadequados e incorrectos.

    Por último, vi que fui a única voz dissonante em relação à série do Chris; talvez aí no Brasil, haja uma outra mentalidade, devido à miscigenação? O que acha? Porque sinceramente cá em Portugal, a série foi cancelada, devido à baixa audiência.
    Então, fiquei a pensar: não sou apenas eu!
    Será a mentalidade europeia que faz a diferença entre nós?

    Bom, gostei imenso, e estou a gostar desta reflexão, a propósito deste texto!

    Beijos, Laély.

  11. Alo,Laely!
    Minha amiga…Realmente este assunto merece toda a nossa atencao como pais e educadores. Muito se tem falado ultimamente sobre isso, mas fico sempre com a impressao de que muito pouco tem sido efetivamente feito…
    Como mae, sempre fico observando as estorias que se desenrolam no ambiente escolar dos meus meninos. E constato, infelizmente, que existem varias formas veladas de "bullying". Sabe aqueles casos em que os meninos ficam pertubando um colega simplesmente por acharem ele "bobinho" demais? Muitas vezes, nem e preciso que haja a violencia fisica, mas as dores emocionais que isso acarreta afeta demais… Tem alguns casos desses onde os proprios pais desconhecem a gravidade do fato… Eu tenho ficado horrorizada com o crescimento disso! Fico sempre me perguntando sobre a verdadeira raiz de tudo isso… E verdade que o nosso bom exemplo como pais e uma boa vacina contra este mal. Mas a quantidade de pais ausentes e irresponsaveis que estao por ai, nos deixa todos vulneraveis… A propria sociedade em que vivemos, que estimula a competicao e o egoismo, contribui muito para agravar a situcao. A distorcao dos valores e incrivel… Uma crianca que possui valores positivos muitas vezes se ve em maus lencois… E uma especie de "lei da selva" impera em muitos ambientes escolares. E vejo muitas escolas e suas equipes pedagogicas totalmente despreparadas para resolver esse tipo de assunto…
    Sem duvida, ha muito ainda que se discutir e um longo caminho a se trilhar… Mas cabe a nos, como pais,estar bem atentos a tudo isso e tentar impedir que certas "maldades" se perpetuem ao nosso redor…E fazer a nossa "parte", como verdadeiros educadores, junto as escolas de nossos filhos… E nao desistir do direito de uma escola mais saudavel para todos!

    Abraco grande pra ti!
    Teresa

  12. WOW!

    Sabe quando do nada vem alguém e fica na sua frente e te defende com unhas e dentes? ( Igual Jesus quando disse "atire a primeira pedra quem nunca pecou?) Assim foi você agora Laély.

    Lembra que eu falei a você que sinto muita falta de Manaus? o Motivo se chama XENOFOBIA, se você soubesse o quanto eu Sofro por ser nortista aqui em BH. você choraria comigo agora.

    Não Só Xenofobia, Mas Acredite eu passo por Bulling também e tantos outros preconceitos (ser gorda, ser pobre, ser ativa, até por ser pavio curto). O que resulta. Uma Moça extremamente cheia de amor pra dar, mas sem "amigos" por que não consegue fazer amizades, devido o fato de ter sido muito escurraçada, maltratada, ignorada, logo que chegou em BH. Isso também gera uma menina que antes não existia em mim, uma Menina depressiva, triste, chorona, que só da um sorriso verdadeiro, quando está ao lado do seu noivo (O LITERALMENTE ÚNICO QUE A QUER BEM EM BH). E nossa como fui traida por pessoas que se diziam meus amigos, e me denegriam pelas costas.

    Quanto as perguntas que você falou. Acredito que meus filhos serão educados como eu fui. A respeitar, e ignorar uma cor ou uma opção sexual e curtir o Ser humano fabuloso por traz disso. Foi assim que eu fui ensinada, será essa educação que passará adiante na minha familia.

    Mais uma Vez! Muito obrigada pelas palavras.

    Serviram e muito como Defesa dessa Moça/Menina Manauara, que ta sofrendo tanto, mais tanto, só pra ficar ao lado de quem ela ama.

    Beijos e ótimo final de Semana

    Suzan.

  13. Laély, quando tinha 6 anos de idade estava no recreio da escola brincando de cantiga de roda, a gente tinha que se dar as mãos em círculo e cantar as cantigas e entrei e dei a mão a uma amiguinha negra, quando de repente veio uma outra amiguinha lourinha e de olhos claros como eu e cochichou no meu ouvido: -Não dá a mão a ela não, ela é preta! Fiquei olhando ela sem entender e continuei com a mão da amiguinha negra na minha. Agora me diga;onde uma criança de 6 anos aprendeu a não dar a mão a um negro???? Só pode ser em casa, com os pais, pois eu fiquei sem entender porque nunca havia ouvido uma coisa dessas na minha casa! O seriado, que eu gosto muito, só fala a verdade, a real!!! Quando alguém diz que mora em um bairro violento e pobre a primeira coisa que se pensa é… será que é boa pessoa??? Negros então sofrem dobrado esse preconceito! O seriado só exagera em algumas coisas pela ótica do humorismo, Chris só está mostrando o que ele sabia o que as pessoas pensavam e falavam e pensam e falam ainda hoje!!! Graças à Deus eu não sofro desse mal, mas sofro com alguns preconceitos, como ser gordinha, as pessoas se dão o direito de falar e olhar a gente torto! Por ser extremamente verdadeiro é o motivo que gosto do seriado! Bjs

  14. Oi Laély,

    Para não fugir a regra, já que ainda tenho a cabeça meio adolescente, AMO como você escreve…rs
    Sério! Não tenho a mesma habilidade, e admiro quem a tem, como você.
    Concordo com tudo o que você disse.
    Só que a grande maioria, infelizmente, não tem esse discernimento.
    Ontem mesmo aconteceu-me uma coisa que eu considero chocante.
    E aconteceu na frente de crianças. Eu que ainda não tenho filhos, fiquei a pensar em como estas crianças serão daqui a um tempo.
    A culpa de tudo o que acontece no planeta é de quem vê a injustiça e se cala. De quem não educa. De quem acha que pode tudo.
    Em um episódio do Chris, O Dia da Terra, a turma teve que fazer um trabalho sobre ecologia/reciclagem.
    O trabalho do Chris foi o de pegar latinhas. Ele o fez, juntamente com seu pai. E o dinheiro arrecadado com a venda das mesmas, doou a um dos personagens.
    Quando foi perguntado pela professora sobre o trabalho, explicou o que fez e concluiu, que de nada adianta salvar a Terra se não salvarmos as pessoas.
    Chris também é cultura 😉

    Beijo,

    Andreia
    http://universoemcores.blogspot.com

  15. Laély, bom dia!
    Concordo com tua opinião e principalmente quando faz referência à nossa responsabilidade como pais.
    Sou mãe e passo por essas situações constantemente.
    Uma maneira de educar é estar presente, observar imparcialmente e fazer o filho entender que tem nosso amor, apoio e compreensão mas que isso não o torna imune e super protegido quando falta o respeito e responsabilidade.

    Adolescentes vivem no superlativo, odeiam, amam…porém os pais tem que ser objetivos, éticos…existem pais mais perdidos que os filhos.
    Escuto todo dia frases assim:
    -meu filho vai ser reprovado, não sabia.
    -minha filha adolescente está grávida, como? não sei como isso aconteceu.
    -meu filho é drogado, como? eu nem notei deferença nele.
    Bjos, Laély.Bom fim de semana.

  16. Oi Laély.
    Acabei d ler a cartilha do Conselho Nacional de Justiça sobre o assunto e, em seguida, abro seu blog e "pans" seu post.
    Adorei o que vc escreveu e concordo em gênero, número e grau, principalmente com esta citação:
    "Pela cultura moderna, cada um de nós tem o dever, ou mesmo a obrigação moral de buscar tudo o que houver de melhor para si. E isso inclui, de forma explícita, uma tríade muito perigosa: poder, status e diversão".

    Grande beijo
    Karen
    http://potpourridakaren.blogspot.com/

  17. Nossa.. que horror né.. e esse tal de bullying aconteceu com meu sobrinho.. ele tem 8 anos e foi vítima na escola.. a diretora, o coordenador e os professores não tomaram nenhuma providencia.. resultado: minha irmã tirou meu sobrinho da escola a 2 meses atrás não achou vaga em outra e ele vai ficar atrasado 1 ano.. triste né.. mas é melhor atrasar um ano que ficar o resto da vida traumatizado por causa de meses e meses de mals tratos…

  18. Marina, uma espécie de bulliyng mais "moderno" e até mais terrível é o cyberbulliyng, porque os agressores se escondem sob a trincheira do anonimato e de lá, disparam sua metralhadora cruel. Ninguém está imune, infelizmente.

    Taia, eu estaria rotulando, se afirmasse que toda pessoa que xinga não poderia ser gentil ou educada, não é?
    É uma questão de costume, na verdade. Eu não ouvia meus pais xingando, em casa. A única vez em que proferi um "palavrão"( àquela época, porque nos dias do hoje, nem mais seria…rs) levei uma reprimenda, digamos…bastante enfática, feita pela minha mãe.rs Ficou claro demais, que aquele não era um vocabulário para ser usado. Assim, na família do meu marido. Normal os filhos crescerem, sabendo que não falamos dessa forma.
    A criança repete o que ouve, na escola e em casa. Talvez porque não fui acostumada com isso, ouvir na boca de crianças e adolescentes palavras e frases que parecem não caber na boca de ninguém, ainda me assusta.
    Mas, acrescentando mais um quesito às contradições da educação moderna, não dá para se escandalizar com palavrões e achar normal, humilhar pessoas. A segunda atitude é muito mais feia!

    GaSPaS, sei que é difícil fugir dos clichês pois a cada hora, flagramo-nos fazendo julgamentos e previsões, baseados muitas vezes em nossos preconceitos.
    Exercitar o desapego, inclusive de nossas próprias "certezas" deveria ser nossa tarefa diária. Talvez assim, esse mundo fosse mais tolerante, não é mesmo?

    Josi, se há uma coisa que as mães sabem fazer muito bem é "previsão ameaçadora", não é mesmo? rs
    Desvios pontuais, aqui e ali, não desabonam nossa autoridade como pais. Mesmo errando é possível voltar atrás, pedir desculpas e tentar consertar. O que não pode é ser incoerente: mudar de comportamento ou atitude, conforme o lugar, ou pessoas com quem tratamos. Seremos desmascarados pelos próprios filhos.

    Fernanda, eu preciso lhe dar os parabéns:
    Se os erros apontados na série( infelizmente não foram ficção, mas situações reais) foram tão evidentes pra você é porque realmente tem sensibilidade para perceber e ligar a "luzinha de alerta".
    É o que todos nós, como pais e educadores, precisamos também fazer: não, nos tornar pedantes patrulheiros do comportamento e brincadeiras dos filhos, mas, fechar os olhos a eventuais abusos é negar a realidade e perder a chance de atuar, impondo limites e mudando a situação.
    Bons tempos e bom lugar eram esses, em que viveu…

    Teresa, há pouco vivi uma situação difícil, quando o filho do meio quis desistir da escola e do ano letivo.

    Podemos pecar, achando que seria superproteção, cobrar ações da escola.
    Podemos ser omissos, ao achar que "isso é assim mesmo", que eles "precisam aprender a se virar sozinhos"…
    Claro que a resiliência deve ser exercitada e, ensiná-los a não abrir mão de princípios, apenas para se sentirem aceitos é função nossa, mas é preciso ter sensibilidade para perceber até que ponto isso está sendo danoso à formação deles.
    Ver um filho chorando no final das férias, temendo o reinício das aulas( e de agressões, que nem sempre são físicas) é um alarme gritante de que as coisas já passaram dos limites.
    Infelizmente, há muitas formas subjetivas de se discriminar, inclusive, ignorando e isolando a criança, ou adolescente.
    Quando ele resolveu mudar de escola e, consequentemente de cidade, apesar de difícil aceitar a distância, acabei chegando à conclusão de que, mesmo muito jovem, "ele sabe muito bem onde o calo aperta".
    Ouvir um adolescente dizer, que ele não tem nenhum amigo verdadeiro na escola é algo muito triste.
    Mas, cada um acaba encontrando o seu nicho. E confio que encontrará o dele.

  19. Suzan, fofa XD, solidarizo-me com você, pois também sou de Manaus e sinto até hoje a diferença.
    Certa vez recebi uma pessoa em casa e fiquei surpresa com a maneira natural com que falou comigo, assim:
    "Puxa! Mas nem parece que você é do Norte!"
    Calei-me, tentando contemporizar: com certeza ela não deve ter percebido, o preconceito implícito naquela frase.
    Nosso país é muito grande e as diferenças culturais, enooormes!
    Sinto falta da espontaneidade do povo do Norte, da falta de cerimônia, da proximidade e calor humano.
    Mas, veja bem: que não se feche à novas experiências, tentando se proteger de possíveis rejeições.
    Voltando ao texto, não faça aos outros o que não quer que lhe façam, certo?
    É preciso se exercitar, na tarefa de tentar colocar-se no lugar do outro, pensar com a cabeça do outro, com todas as tradições do outro…então seria mais fácil compreender e aceitar, inclusive quando rechaçada.
    Creia-me: não é o lugar que faz as pessoas!
    Nos lugares mais imprevisíveis será capaz de encontrar pessoas incríveis, afinadas com você.
    Mas é preciso dar espaço ao conhecimento. É preciso declinar dos próprios recalques e se tornar acessível.
    Pode ser que você ofereça o outro lado da face e, ainda assim, receba mais um tapa. Isso pode ensinar a ser mais seletivo e saber, no meio de uma multidão, encontrar os verdadeiros pares.
    Não desanime.
    Não tenha medo de romper, se preciso, mas também, não tema marcar seu território. Pode demorar, mas será respeitada.
    Beijo!

    Cecília, qualquer um que não se enquadre nos padrões da maioria, acaba sofrendo mais. Mas, se sofre rejeição, preconceito e/ou perseguição, sofre de quem, não mereceria por quem sofrêssemos, não é mesmo?
    Era o que Chris fazia: ele não gostava de sofrer nas mãos do Caruso. Mas sua vida estudantil não se resumia a fugir das agressões. Ele fez pelo menos um amigo verdadeiro na escola e soube dar valor a isso.

    "Andreia também é cultura seriada!" rsrs
    Andreia, querida, que história linda, essa que contou! Não assisti a esse episódio, mas resumiu bem nosso tema: se um filho souber tirar uma conclusão como essa, então, já poderíamos nos sentir confortados de que estaríamos no caminho certo da boa educação.

    Sílvia, precisamos estar atentos.
    O que acontece é que, nessa correria, alguns pais acham que cuidar dos filhos é trabalhar e comprar um bom presente para eles, no aniversário e natal. E, quando passarem no Vestibular, comprar-lhes um carro novo…

    Ei, Karen!
    Podeia deixar o link, né? Seria mais uma fonte de pesquisa sobre o assunto.

    Apesar de ser mais trabalhoso escrever um texto como esse, faz-me muito bem ver a repercussão, aqui nos comentários. Sempre aprendo mais com vocês.
    Obrigada e abraço!

  20. Laély,
    Desta vez, ao menos, não vou falar de gatos…kkk
    Namoro há um ano um negro enoooorme, com quase 2 metros de altura, que adora a série do Chris. E é justamente porque vê nela muito da própria vida. Desde que estamos juntos, por exemplo: ele é maníaco por pontualidade, e por duas vezes se atrasou quando ia ao meu encontro, porque foi parado pela Rota… outro dia bateu (sem gravidade) na traseira de um carro; parou, desceu do carro e o motorista do outro carro, mesmo tendo razão, sumiu correndo; semana passada ficou sem celular e foi perguntar as horas para um japonês, que muito nervoso falou e saiu quase correndo; pouquíssimas pessoas sabem o nome dele: todo mundo o chama simplesmente de "Negão". E ele conta tudo isso dando risada; sabe do preconceito, sente literalmente na pele, mas consegue levar numa boa, com a mesma graça e bom humor do personagem do seriado. As denúncias podem ser feitas em tom sério, mas também podem atingir o alvo por meio da sátira. A coisa fica mais leve, mas faz as pessoas pensarem do mesmo jeito. A série pode exagerar um pouco para obter um resultado melhor na tela, mas o fato é que tudo aquilo existe de verdade…
    E quanto ao bullying, eu sempre fui forte candidata a vítima: feinha, de óculos, mal vestida, pobre, meio cdf… mas sempre me safei graças à língua afiadíssima e a uma capacidade absurda de captar os pontos fracos do candidato a agressor… eles morriam de medo das minhas respostas… kkk
    Beijo,
    Marta

  21. Laély,deixei um comentário,mas não sei onde foi parar…
    Eu sempre comento quando estou trabalhando e devo fazer alguma atrapalhada.Mas aproveitei para ler todos acima.
    Que bom ver um monte de gente escrevendo e pensando coisas legais.
    Bjs,

  22. Laély,
    Sobre isso de você "não parecer que é do Norte": vivo em São Paulo, e em janeiro recebemos uma nova colega, da Bahia. Branquinha como leite, cabelo liso, suuuuuper fina e bem-vestida. Nossa chefe, o preconceito em forma de gente, apresentou a nova funcionária comentando "nossa, nem parece que ela é baiana!!!". Silêncio geral. E eu, rapidamente: "não sei, ela ainda não falou nada. Fala aí alguma coisa". Ela falou, com o sotaque carregado, todo mundo riu e falou "parece baiana, sim". Depois que pegamos intimidade ela falou que foi a melhor coisa que já tinham falado numa hora dessas, porque ela sempre se constrange quando dizem que não parece baiana. Oras bolas, nada além do sotaque deveria ser considerado para achar que alguém parece ou não de algum lugar…
    Beijo,
    Marta

  23. Esse post me remeteu a um livro chamado As crianças aprendem o que vivenciam de Doroth Nolte , escrito a partir do seguinte poema
    Se as crianças vivem ouvindo críticas,
    aprendem a condenar.
    Se convivem com a hostilidade,aprendem a brigar.
    Se vivem com medo , aprendem a ser medrosas.
    Se convivem com a pena,
    aprendem a ter pena de si mesmas.
    Se vivem sendo ridicularizadas,
    aprendem a ser tímidas.
    Se convivem com a inveja, aprendem a invejar.
    Se vivem com vergonha, aprendem a sentir culpa.
    Se vivem sendo incentivadas, aprendem a ter confiança em si mesmas.
    Se a criança vivenciam a tolerância,aprendem a ser pacientes.
    Se vivenciam elogios, aprendem a apreciar.
    Se vivenciam a aceitação, aprendem a amar.
    Se vivenciam a aprovação, aprendem a gostar de si mesmas.
    Se vivenciam o reconhecimento, aprendem que é bom ter um objectivo.
    Se vivem partilhando,aprendem o que é generosidade.
    Se convivem com a sinceridade, aprendem a veracidade.
    Se convivem com a equidade, aprendem o que é justiça.
    Se convivem com a bondade e consideração, aprendem o que é respeito.
    Se vivem com segurança, aprendem a ter confiança em si mesmas e naqueles que as cercam.
    Se as crianças convivem com a afabilidade e a amizade,aprendem que o mundo é um bom lugar para se viver
    Não é fantastico?! O livro é muito bom!!!
    Beijos
    Ale ale@cemade.com.br

  24. Olá, Laély:
    As meninas do Quarteto Claudio Santoro são muito bonitas, realmente. E como tocam!!!!
    Hoje levei um susto. Meu filho, o Guto, teve uma crise de apêndice e foi operado hoje à tarde. Fiquei muito aflita. Felizmente ele tem a Norma, excelente companheira de vida e de trabalho. A Helena está lá com ele também.
    Obrigada pela visita.
    Um abraço da Cecilia.

  25. Acho q vou dar um exemplar p a professora do meu filho, ela é bem aberta e já conversamos mto sobre comportamento jovem. Adorei a dica, lindo blog! conhheça o meu: coisasbacanasdatelma.blogspot.com
    bjao

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