"A Vida dos Outros"

A Vida dos Outros
Gerd Wiesler é um funcionário público exemplar: incorruptível, competente, cumpridor de suas obrigações e mais um tanto. Ele acredita no que faz (principalmente, no que o Governo manda fazer).
(Generalizar é um pecado que deveríamos evitar, mas nosso servidores públicos bem que poderiam usar Wiesler como exemplo.)

Há um “porém”, nessa história( nem tudo é perfeito!): o funcionário em questão é um espião da Stasi, o Serviço Secreto da Alemanha Oriental encarregado de espionar os próprios cidadãos alemães, “contrários ao Regime”.

“A Vida dos Outros” passou despercebido do grande público mas acabou levando o Oscar de “Melhor Filme Estrangeiro”, em 2007:

O “exemplar” Wiesler, interpretado por Ulrich Mühe, recebera a incumbência de vigiar os passos do diretor teatral Georg Dreyman e de sua namorada Christa-Maria Sieland, suspeitos de serem infiéis aos “ideais” comunistas. Isso, na Alemanha Oriental do início da década de 80, em plena Guerra Fria, onde o Estado não media esforços e/ou escrúpulos para obter informações, não só de seus oponentes estrangeiros, como também dos “camaradas” de seu país.
A Stasi era o “Estado dentro do Estado” e empreendia todas as tecnologias da época, bem como técnicas de cooptação e constrangimento das mais antigas para manter a máquina do Governo a salvo de possíveis “traidores”.
Cumprindo fielmente sua missão, Wiesler invadiu o apartamento de Dreyman( contando com a “discrição voluntária” dos vizinhos do diretor), instalou escutas nos ambientes e, de seu bunker, no outro lado da rua, controlava todo os movimentos do suspeito.

O espectador acaba tornando-se cúmplice desse voyeurismo.
Mas, à medida que o espião conhece a intimidade do casal(seus ideais, sentimentos e temores) desenvolve por eles verdadeira empatia. De vilão a anjo da guarda, Wiesler, assim como as suas vítimas, revela sentimentos, susceptibilidades: as primeiras dúvidas surgem…
Para entender nosso anti-herói, antes de justificar suas ações é necessário contextualizar suas motivações: fruto da educação e cultura do pós-guerra na Alemanha Oriental, o funcionário cumpria fielmente seu trabalho, por ideologia. A única visão que tivera do mundo até então era o que o Governo lhe oferecia; a única “verdade”, o que o Estado maniqueísta lhe apresentava. Wiesler realmente julgava “fazer a coisa certa”. Nem por isso deixou de agir contrariamente a tudo que cria anteriormente, depois de conhecer o mundo através dos olhos do espiado.

Para os que ainda não viram o filme, não seria eu estraga-prazeres de revelar aqui o fim dessa história. Mas o fim da outra História, todo mundo conhece:
O Estado totalitário, maniqueísta, controlador, onipotente e onipresente da Alemanha Oriental foi desmantelado em 1989 e a Stasi ganhou os porões do esquecimento, lugar para onde costumava mandar seus desafetos.
A queda do Muro de Berlim foi marco do fim de uma era e o início de outra história: de liberdade e desenvolvimento que a Alemanha tenta escrever, apesar de todas as dificuldades, desde a sua reunificação.

À exceção de algumas ilhas de paralisia social, política e econômica( como a Coreia do Norte, Irã, Cuba…)o mundo de hoje costura alianças, jamais imaginadas à época da Guerra Fria! Polarização, partidarização, radicalização cedem cada vez mais espaço à: globalização.

Na contramão da História, nosso atual governo parece querer implantar no país, um modelo que já se provou obsoleto até mesmo para os que dela mais se beneficiaram. ( Veja a declaração do jurássico Fidel, em entrevista a jornalista americano.)

Citando Mahatma Gandhi:

“Se queremos progredir, não devemos repetir a história, mas fazer uma história nova.”

Posando de “novo líder dos países em desenvolvimento”, nosso presidente envolveu-se em imbróglios internacionais, completamente desnecessários:
Quem justificaria essa estranha empatia do atual governo com o presidente iraniano? Ou, a vista grossa que se faz aos desmandos de Hugo Chávez, na Venezuela? E a condescendência com o presidente cocaleiro Evo Morales? Afagos e aproximações com ditadores, de Cuba e até da África?!…
Será, que é para aplicar aquele velho ditado: “dize-me com quem andas…?!”
Lembro do terror psicológico que rondou a primeira eleição de Lula, em 2002: havia um temor fundamentado de que a estabilidade econômica fosse ameaçada.

Contrariando todas as previsões pessimistas, incluindo as minhas, nesses 8 anos de governo o Brasil não apenas manteve a estabilidade econômica: também cresceu. Assim como, os tentáculos do partido dentro do governo.

A quem duvidar ou, aos opositores, o governo mostra incontestáveis números do crescimento ao mesmo tempo que, nos bastidores, promove uma progresiva “petetização” administrativa:
“Nunca antes na história deste país” criaram-se tantos cargos de confiança!
-Para quem?!
-Ora, quem! Para os camaradas do partido: lógico!
“Aos amigos, tudo; aos inimigos a lei”: é a política do atual governo.
Enquanto estamos aqui,”deitados em berço esplêndido”, balançando na rede da estabilidade econômica, o PT vai cultivando sua hegemonia no poder para se tornar o“grande Timoneiro” da nação!

É de se admirar que, em tão pouco tempo, uma candidata praticamente desconhecida do povão tenha se tornado unanimidade nacional, nossa mais nova “amiga de infância”, assim como o seu tutor!

Mais incrível ainda é a “teflonagem” da figura dos dois: nada gruda neles! Nem escândalos do mensalão, nem violação do sigilo bancário da filha de Serra…nada! Nada respinga nos “grandes líderes”!

“É tudo intriga da oposição!”
A relativização da verdade e a vilanização dos opositores são as estratégias usadas para desviar a atenção de fatos reais.
“A linguagem política dissimula para fazer as mentiras soarem verdadeiras e para dar aparência consistente ao puro vento.” (George Orwell)
Mas a maioria foge da realidade: ou porque concorda e obtém vantagens no engodo, ou porque acha impossível mudar alguma coisa, sozinho; acomoda-se.
Como diria Dr. House: “Everybody lies!” E ainda ele, com outra, melhor ainda: “A decepção é a raiva dos fracos”.
Meu pequeno não perde um programa eleitoral, na TV. Anda tão envolvido com política e eleições que, só fala nisso! Chegou a recusar sair de casa à noite, outro dia:
“Ah! Mas é bem na hora do Horário Eleitoral de Humor Gratuito!”
Eu fui. Ele ficou.

Enquanto preparava este post, completamente fora do tema do blog, ele se aproximou, leu um pouco e, preocupando-se avisou:

“Vai falar sobre política no blog? Então, tem de ser neutra pra não criar discussão…”
Sei, sei. Obrigada pelo conselho, meu pequeno AAP(Assessor para Assuntos Políticos). Prometo não reincidir. Mas é que, não é a “vida dos outros”:
É a minha, a sua…

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11 Comentários

  1. Oi Laely….obrigado pelas palavras …no meu blog….tb não criei o blog para discutir politica…mas frente ao que esta acontecendo…não da para ficar calado….é muito angustiante…ver o nosso país sendo conduzido para um lado sombrio..com tanta corrupção…descaso….impunidade…tem razão seu filho….o meu tb se diverti com o horario politico…mas tb ta preocupado do que vai ser dos jovens e seus futuro…Laely….por mais que a gente não queira se envolver…é dificil ficar apatica e ver que a falta de ética esta destruindo o nosso sonho de democracia…
    É tudo muito triste…
    Beijos e boa semana para voce…

  2. Laely,

    Também acho complicado falar sobre politica num blog (mesmo não tendo um!) mas fica dificil ver tantas coisas acontecendo e ficar parada olhando. Sendo sincera não gosto muito de politica, ainda mais quando eu vejo como o povo é manipulado, concordo com você quando disse que é de se admirar como a Dilma se tornou unanimidade nacional, as pessoas não param para anlisar a situação e são como fantochas fazem o que mandam fazer!
    Enfim, quero dizer que não votei no Lula e nem vou votar na Dilma e em ninguém não vou participar disso, meu voto vai ser NULO com certeza.
    Em relação ao filme achei bem interessante e vou procurar vê-lo.
    E to achando que esse post vai bombar…rsrsrs.

    bjus

  3. Oi Laély… causando ou não a discussão… continuamos a refletir sobre a falsa imagem… "sede é nada, imagem é tudo" e mudamos o bordão… "história é nada, imagem é tudo" que se prega na mídia nos nossos dias. Uma imagem distorcida, enfeitada da triste realidade que se desenha, seguindo o roteiro da América Latina (ou seria América Latrina??) Destino preferido do lixo vindo da Europa (lembra do caso dos navios que traziam lixo da Itália pra cá?) Agora, também pagamos pra espanhóis pra andar nas nossas próprias estradas, e vamos pagar mais ainda… entre outras coisas, a campanha luminosa e maternal da nova matriarca, companheira de luta do nosso bonachão e desinformado presidente… Se a decepção é a raiva dos fracos, estou quase sem vida… mas não me calo.
    Beijinho Laély e até mais!

  4. La, adorei ler tudo e acho que está coberta de razão. É complicado escrever sobre política, acho que é para poucos, pois quando não bem escrito dá margem a interpretações.Não foi o caso por aqui…também ando assustada pela falta de opções e projetos viáveis apresentados até agora…é de assustar também o patamar de comparação que temos com outras administrações, é sempre por baixo, o que é terrível…me assusta esta coisa silenciosa que vai se embrenhando até na mídia, na imprensa que sempre foi nossa bandeira nos anos duros da ditadura…muito triste tudo isso…derrepente ficamos como as tarjas pretas que colocavam no jornal, só que uma tarja que não conseguimos enxergar, nem definir … não se pode calar…bjo Lá!

  5. Laély, concordo com seu filho que discutir política gera polêmica, mas ao mesmo tempo se a gente não fala sobre isso dá margem para a ignorância e a manipulação de grandes cabeças interesseiras, não é? Não entrando no mérito de quem vou votar, acho impressionante assistir o horário político na Tv e ver como somos tratados como idiotas por algumas colocações, que são claramente mentirosas e sem noção da realidade! E ainda fica aquela sensação enorme de impotência… complicado viu!! Mas, precisamos continuar acreditando em dias melhores para a vida de todos nós!!! Vamos seguindo!
    Bjs

  6. Seu editor de texto se nega a seguir ordens!!
    La,nos bastidores(para usar a linguagem),já te disse o que penso.Mas política é para ser pensada e discutida e francamente,não vejo no povo,de maneira geral,formação e vontade de se discutir,pensar e se mover,politicamente falando.
    O homem é um ser capaz de mudar o que quiser,desde que saiba do seu lugar onde quer chegar.
    Outro dia ouvi a candidata do PT fazendo apologia a CPMF,dizia ela no discurso:não digo que o imposto tenha que voltar,mas os tanto bilhões arrecadados por ele fazem tanta falta a saúde!Como assim,cara pálida(interrogação).
    Era melhor a saúde na época da CPMF,onde,quando(interrogação).
    Sei lá,foi por isso que desisti de fazer jornalismo…imagina eu entrevistando essa cidadã(interrogação)-que também insistiu em se revoltar,foi dar uma volta e não o acho de jeito nenhum,credo!!!parece até político em Brasília no feriado.Todo mundo sabe que existe,só não sabe onde está,
    bj,bj,bj

  7. Como assim, CPMF para a saúde?!
    A ideia original( proposta por um médico sério) era para esse fim mas, mediante a lei do jeitinho, foi desviado para ser "usado", sabe-se lá onde!

  8. La,pois é,piada de mau gosto!!
    O lugar para onde foi eu até desconfio:várias cuecas,meias,malas e bolsas.
    Não é a toa que seu pequeno diz ser o horário eleitoral de humor gratuito,mas na nossa fase,já o acho humor negro.

    Bjs

  9. É Laély, pela primeira vez na história desse país temos uma eleição para presidente onde não se tem opção de candidato, nem pela ideologia, nem por paixão, nem pela beleza algum candidato (isto é comprovadamente um critério para um determinado nicho da população), nem no menos pior. A eleição presidencial não está despertando,ninguém está interessado.Você tem toda razão, parece mesmo que se tratar da vida alheia.Parabenizo este blog por levantar essa discussão.
    Um abraço,
    Ivanete

  10. Pesei muito se este seria o foro adequado para expressar minha opinião mas afinal de contas, o blog expressa um pouco de mim e estamos numa época onde só se fala nisso.
    Não podemos simplesmente dizer que não gostamos de política porque ela nos alcança, onde quer que estejamos. Muito mais para nós, que moramos em cidade pequena: a administração municipal interfere muito diretamente na qualidade de vida, para pior ou para melhor.
    Colocar-se à margem é uma forma de não se aborrecer, porém, é impossível ignorar tudo e, quanto mais detalhes conhecemos, maior a indignação.

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