"We are the champions, my friend…"

FFFFOUND!


Não adiantou esquentar os pés com meias, para torcer pelos holandeses: tornaram-se vice-campeões, pela terceira vez.

Assisti à final da Copa ontem e, apesar do jogo não ter sido lá, grandes coisas, a Espanha mereceu ganhar. Isto sem falar, na beleza dos jogadores rubros( melhor não me deter muito neste detalhe, pra não criar problemas…).

Mas, não quero falar sobre os vencedores. Sobre eles, a imprensa já se encarregou de esgotar todas as manchetes do dia.
Minha atenção é toda para, os outros: os vices, os que chegaram muito perto, àqueles que, na cara do gol chutaram e, a bola decisiva, não entrou!…

O jogador holandês Sneijder e Robben eram a própria personificação da decepção laranja: sentados no chão, após o fim do dramático jogo, esbaforidos, inconsoláveis, por deixarem escapar, mais uma vez, a tão sonhada Copa!
Fiquei condoída, principalmente ao comparar à alegria dos espanhóis:
Ao contrário dos alemães, que festejaram com entusiamo o 3° lugar conquistado, este vice-campenonato teve sabor de derrota.

Mudando para o campo da vida real, tão competitiva quanto o esporte, todos desejamos estar no topo do ranking, obter o primeiro lugar, sempre!

Estimulamos nossos filhos à excelência, esquecendo-nos de prepará-los para enfrentar frustrações.

Nem sempre a vida é justa e o esforço, recompensado à altura. Nem sempre a competência, reconhecida.

Uma Copa ficou marcada na memória dos brasileiros: não, pela vitória, mas pela derrota em pleno estádio do Maracanã, recém-inaugurado.
Meu sogro costumava lembrar a final da Copa de 1950: O Brasil, considerado campeão por antecipação, precisava apenas do empate para levar a taça. Perdeu de 2×1, para o Uruguai. O Maracanã, preparado para uma grande festa, emudeceu.
A angústia que ele sofreu durante o jogo ensinou-lhe uma lição, jamais esquecida! Como bom professor que foi, a vida toda, passou-a adiante:

“Meu filho, não ponha o seu coração nessas coisas!”

Isto não quer dizer que devamos lutar, sem paixão. Que, à primeira dificuldade, ou derrota, devamos esquecer nossas metas e partir, para algo mais acessível.

A seleção da Espanha, a “Fúria”, como é chamada, é o exemplo mais recente de garra e controle emocional: estreou na Copa, perdendo para a fraca Suíça, não fez muitos gols, mas os que fez, foram decisivos. Eles ganharam porque, também souberam perder, administrando as dificuldades(algo, que nossa Seleção deveria ter aprendido).
Meu sogro era um homem corajoso e, apesar de franzino, crescia e impunha respeito, ao falar. O que ele quis ensinar ao filho e depois, aos netos mais velhos, com quem pôde conviver, foi: saber distinguir o que é realmente essencial na vida, que valesse investir seus maiores esforços.

Para o goleiro Bruno, talvez, manter uma “imagem de vencedor” fosse o mais importante. Ele, doentia e apaixonadamente, lutou por sua causa, errada.
A história terminou, como num roteiro de “O Massacre da Serra Elétrica” sendo que, pior: infelizmente, não é obra de ficção. Por não admitir “perder” um pouco, acabou perdendo tudo, inclusive, a liberdade.

Palmas, para a seleção da Holanda que, após receber sua honrosa medalha de vice-campeã, formou um corredor no campo e cumprimentou, educadamente, a seleção campeã: em matéria de elegância, a atitude da seleção laranja foi campeã.

Mudando de campo, mais uma vez, concluo com uma homenagem laranja-light:

(Aproveitando a chance, para alfinetar: que logo feinho esse, que fizeram para a Copa de 2014, hein?!)

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11 Comentários

  1. Laély, esse post está demais, uma obra-prima. Parabéns! Vc faz refletir, pensar. Nos faz aprender com seu sogro. Mil emoções passaram por mim ao ler seu texto de hoje. Obrigada por criar algo tão belo.
    Elisa

  2. Laély,vou de baixo para cima.Também odiei aquela tacinha com as mãos,horrendo!!!!
    O Bruno tinha muito mais coisa fedendo naquele tapete,nem vale a pena comentar,a sujeira é bem maior que uma pensão!!!
    A Espanha garante que uma equipe vive da união.Óbvio,não??Não exatamente,ficamos esperando um lance fantástico do Messi,KK,Cristiano Ronaldo e o que ganhou foi o coletivo,que é na origem um time de futebol.
    E o esporte é feito para isso,para aprendermos que no meio dele há muito mais perdedores e que temos que seguir adiante,pois a vida é assim,convivemos dia-a-dia com derrotas,tropeços e frustrações.
    E a copa de 50,meu pai estava no Maracanã,teve gente que até passou mal e desde aquela época nós ainda não aprendemos a admitir que perdemos porque fomos piores.Isso o futebol brasileiro ainda não conseguiu administrar,sempre acha um culpado,quando na verdade fomos apenas inferiores na partida.
    Bj

  3. Laely, to com teu sogro! A gente tem que saber separar o essencial do menos importante. Saber distinguir esses dois e saber onde botar o coracao!
    So queria dar um aviso aqui no meu comentario, se possivel?
    Amanha e o ultimo dia p/ entrar e participar no sorteio dos 3 colares que esta rolando la no meu blog.
    Biju feitas por mim. So precisa ser um seguidor p/ participar.
    Espero que suas leitoras tenham uma chance de dar uma paradinha e me visitar.
    bjs ate mais!

  4. Lá, acho que vc devia mudar de profissão (brincadeirinha!!!) ou então, acrescentar mais uma no seu curriculo! Menina, vc entrelaçou um assunto no outro, que a gente começa a ler e não quer que acabe!
    Começou de um assunto tão "batido" este mês, não é ? e não foi nadinha repetitiva.
    Quanto ao assunto Bruno, eu penso sobre a falta da estrutura familiar na vida de uma pessoa …
    Beijo
    Patricia Tedeschi

  5. Patrícia, acho que o caso, seria: um tolo, cercado por tolos, maiores ainda!
    Parece que há uma deturpação do que seja a imagem do sucesso, para homens como Bruno: para ele, homem de sucesso precisa ganhar muito dinheiro, ter muitas mulheres, meros objetos de status, "amigos", que tudo fazem por ele. Não lhe importam, as notícias veiculadas na imprensa sobre orgias, festas, surras em mulheres, mas, se uma dessas, resolve chantageá-lo, ou manipulá-lo, aí então, não pode! Porque, "homem que é homem, não leva desaforo pra casa"! Um exemplo vergonhoso, de "macheza"!
    É aquela coisa: a fama, o sucesso e o dinheiro precederam o bom senso e prescindiram o bom senso.

    Simony, obrigada pela participação. Suas bijoux são lindas!

    Milena, essa história da vaidade dos brasileiros no futebol é um problema sério: ficamos arrumando desculpas, dizendo que Kaká não jogou o que sabia, que fulano não estava bem…tudo! Menos admitir, que os outros jogaram melhor!
    O que você escreveu, tá muito certo: o que ganhou a Copa, não foi o talento isolado de um ou outro jogador, mas a interação e coesão da equipe espanhola.
    Quanto ao Bruno, já escrevi, acima.
    O logo, ficou parecendo trabalhinho de escola, sendo que, sem o traço original de uma criança.

    Elisa, eu sinto muito, meus filhos não terem tido tempo para um maior contato com o avô. Mas, enquanto ele estava vivo, os 2 maiores conviveram de perto, com ele.
    Obrigada e um abraço!

  6. Alo,Laely!
    E verdade, minha amiga… Lidar com as derrotas nao e coisa nada facil nao…Principalmente nas sociedades modernas, onde todos buscam o "melhor". Ainda acho que para as mulheres tudo fica mais dificil… Mesmo com todas as conquistas femininas, as dificuldades e o nivel de satisfacao buscados sao as vezes muito crueis…Muitas mulheres andam estressadas e frustradas tentando ser aquilo que a midia aponta como o ideal…E o pior,acabam ficando ate doentes! Se sentem derrotadas e inferiorizadas com seu jeito de ser! E neste jogo cruel da vida contemporanea, perdem sua essencia original pelos caminhos, e acabam trilhando atalhos obscuros..
    Falo isso, pensando nas agressoes e mortes das quais muitas mulheres ja foram vitimadas… Nao somos ingenuas de pensar que somos todas vitimas inocentes da sorte, mas sabemos o quanto e intoleravel a violencia praticada contra as mulheres…O caso do goleiro Bruno so vem nos assombrar de novo com a dura face dessa realidade tao vil!
    Meu Deus…Quando a sociedade vai se unir pra virar esse maligno jogo? Precisamos encontrar uma maneira de ganharmos a melhor das Copas Mundiais…A Copa da Dignidade! Tanto mulheres como homens precisam aprender,como seu sogro sabiamente disse, a "nao colocar os nosssos coracoes" em vaidades,que podem nos levar a destruicao… Precisamos buscar ser campeoes em ternura, solidariedade, afeto, companheirismo e uniao… Sei que estes requisitos, que muitas pessoas acham "piegas" sao bem dificeis da gente alcancar, mas sem duvida alguma , sao aqueles que nos levarao a um nivel melhor da nossa existencia… Quem sabe um dia o Brasil possa ser campeao nesta" Copa da Dignidade Humana?"
    Parabens pelo post de hoje e desculpe o meu desabafo…Mas estamos todos aqui muito chocados e tristes com este caso do goleiro… Mas tenho certeza que, tanto no futebol como na vida, a gente ainda tem chance de virar o rumo dessa estoria e ganhar este jogo!

    Meu abraco carinhoso pra ti!
    Teresa

  7. Laély, me acovardei para escrever meia dúzia de linhas depois do comentário iluminado da Teresa. Então, fica meu registro do quanto acho bonita a tua admiração pelo sogro, e do quanto somos privilegiados em ter sábios como ele em nossa história, que muitas vezes mudam até o rumo dela. Talvez se o personagem autor da barbárie tivesse tido a mesma sorte, poderia ter escapado da sua imensurável miséria. Beijo, querida

  8. Falou bem, Lá, um tolo cercado por tolos ! Pq homem acredita que esse tipo de amizade é verdadeira, mas tudo é um jogo de interesse mesmo (para a maioria deles). Vc chegou a ouvir/ver a tatuagem que o tal amigo fez em homenagem a essa amizade ?!
    Ridicula!!
    Beijo
    Patricia Tedeschi

  9. Concordo com você. O logo que criaram para a Copa em nosso país me traz a desconfortável lembrança de todo mundo "metendo a mão" no dinheiro público e guardando em malas, cuecas, meias, etc…

    Eneida

  10. É verdade.. como a tristeza aflige o coração dos que estão em segundo lugar… eu não fui uma pessoa preparada para a derrota.. estava sempre acostumada com as melhores notas, com os gol's feitos no time de futsal.. com o melhor raciocínio no tabuleiro de xadrez …

    Depois de um tempo comecei a ter tanto medo de perder que não gostava mais de competir… e sabe o que descobri?!

    Não vale a pena perder a diversão da participação por medo de não vencer..

    Hoje a gargalhada do mico vale mais que o sorriso de vitória.. pelo menos pra mim..srsrs

    Ou seja.. mesmo que não ganhe o fato de estar junto com amigos competindo e rindo das palhaçadas me faz bem..srsr

    Me faz uma visitinha depois e me diz o que acha das minhas pinturas.. ok? Bjo Bjo

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