Um mar de nuvens…

Pairava sobre minha cabeça, antes de viajar: TPM, ou Tensão Pré Moleza. Mal que sofro, sempre que decido viajar sozinha: muitos detalhes a resolver antes da partida e aquela dorzinha na consciência, por deixar a família e trabalho para trás, enquanto passeio.
A ansiedade foi compartilhada com a
Rosana, mas assim que o avião decolou, pude finalmente respirar aliviada: ou eu “relaxava e aproveitava”, como a nossa digníssima ex-ministra da terapia* “
sabiamente” havia aconselhado, ou perderia meu tempo.*Ops! Não era bem essa pasta que ela (des)cuidava…
Logo pude ter certeza de que, novos horizontes estavam se abrindo à minha frente, sob os meus pés…
Mar de nuvem
Lembrei daquela música, interpretada por Leila Pinheiro, e pensei que estava indo para a serra, não a do luar, mas a gaúcha, pra “afinar o instrumento de dentro pra fora”.
Então, procurei “manter a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranquilo…”
Pousei, nas nuvens…
Fim de tarde
Cheguei à noite em Porto Alegre e, apesar da chuva fina e fria, a recepção calorosa preparada por Rosana e família, dissiparam todas as eventuais nuvens de incertezas:
Mesa posta, ao lado de um foguinho na lareira, jantar especial, feito pelo chef Vicente Sperotto , a alegria do reencontro das amigas e uma fome de boas experiências fizeram-me esquecer o cansaço da viagem e o plantão do dia anterior.

Comi o melhor risoto de shitake e filé da minha vida!
De entrada, experimentei figos ao forno, com recheio de gorgonzola e nozes: uma delicadeza de sabor que explodia na boca, de tão macio!
(Quem disse que a maçã foi o fruto proibido e tentador, com certeza nunca saboreou figo, dessa forma!)

Acho que o chef acrescentou algum ingrediente secreto à comida: como resultado, sobrou energia e animação para estender a conversa em volta da mesa, até o início da madrugada.
Como costuma dizer minha sogra: “barriga cheia, coração contente”.

Manhã seguinte, o programa era subir a serra.
Sem pressa, fomos parando pelo caminho e aproveitando os ares e a paisagem bucólica:
Cena bucólica
E, como toda história que se preze tem uma trilha sonora de fundo, o fog cinza que dominou o dia anterior, sentiu-se envergonhado diante de nossa animação e tirou o time de campo. Em seu lugar…“Here comes the Sun” !
Nada de “inverno solitário”. O sol chegou, “os sorrisos voltaram aos rostos” e enquanto “o gelo derrete”, eu “digo que está tudo bem”…
Plátanos
Ao longo do caminho vi muitas casinhas simples, de lambri de madeira, coloridas, antigas porém, bem conservadas. Via a fumaça, saindo de suas chaminés. Casas vivas. Calor humano. Falhei, em não registrar.
Esta aqui é de inspiração alemã, mas não tinha mais ninguém morando ali:
Serra gaúcha
Em Nova Petrópolis, uma paradinha para um passeio pelos jardins da praça central:
Nova Petrópolis
E pelo labirinto verde:
( Não me arrisquei a entrar: havia esquecido meu novelo de lã, em casa…)
Nova Petrópolis
Chegamos à Gramado, final da tarde do sábado.
Não havíamos almoçado e estávamos famintas por boa comida!
Rosana sugeriu um café no
Hotel Ritta Höppner, no estilo dos contos de fada da Bavária:
Fachada do Hotel
Registrei a delicadeza desta pintura, emoldurando uma das janelas do hotel:
Janelinha decorada
À entrada do salão, que lembrava àqueles, de filmes de Hollywood da década de 30, uma plaquinha feita à mão:
Ritta Höppner
O lustre vintage reforçava o clima cinematográfico:
Salão de chá
O pendente com luz indireta dava um certo ar nostálgico e romântico:
Mesa de chá
Mas o melhor, ainda estava por vir…
Chá no Ritta Höppner
Saímos dali, sentindo-nos verdadeiras divas!
Mas acho que, diva que é diva, não se empanturra, de: chazinho, chocolate quente, leves e aerados wafles com cobertura de creme ou calda de morango, folhados e doces deliciosos!
No máximo, diva aceita um chá com torrada( e, sem manteiga!)!
Mas isso não é vida de diva!

Concluímos que a tal teoria, a da “barriga cheia”, é que estava certa:
Barriga cheia, coração contente
Deixamos o Ritta Höpnner e seguimos viagem até Canela, onde fomos recebidas numa Aldeia dos Sonhos
Mas, não era sonho?!
A mais pura realidade: um frio de rachar e nós, exaustas depois de um dia, cheio de novidades!

Acomodadas num chalé quentinho, entricheiramo-nos sob as cobertas, cada uma na sua cama, para um curto sarau. Jane, Rosana e eu, revesamo-nos na leitura de algumas crônicas de Eduardo Galeno: surpresa boa, descoberta nessa última viagem.
Pra fechar o divertido dia, optamos pelo alto-astral e alegria do musical Mamma Mia, que mereceria um post especial. Rosana entregou os pontos e não sabe como o filme terminou.
Mas esta nossa história, diferente do filme, ainda mal começou…

(Aproveitando a semana de gauchices, não poderia perder o mote e comentar a atuação pífia da nossa seleção, sob o comando do gaúcho Dunga, que está mais para o anãozinho Zangado…Acho que aquele casaco horroroso que estava usando é que não lhe caiu muito bem. Tudo bem, que ainda vem mais jogo pela frente. Quem sabe, ele mude o visual e a seleção, a atuação, para melhor?…Vamos torcer!)

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21 Comentários

  1. Oi moça! Que delicia de post. Hoje atualizei tudooooo. E que fotos dygnas hein?!Show mesmo. E que lugar super aconchegante com chá e docinhos hummmm.

    Beijocas enormes

  2. Ah que vida boa a nossa, Lá! Passadas (rapidamente) as tensões, de quem vinha e de quem recebia, foram mesmo dias iluminados, das manhãs às madrugadas… Nossos netos terão orgulho dessas nossas histórias (rsrs). Confissão: não lembro nem do início do Mamma Mia rs) e de raras crônicas do sarau do Galeano. É isso que dá diva de pança cheia. E, quanto à performance do Zangado, com seu modelito Alexandre Herchcovitch, fiquei impressionada: conseguiu calar as vuvuzelas! O orgulho gaúcho (e eta povo orgulhoso) tá abalado… Beijo!

  3. Ai, que vontade de me aninhar sob cobertas num chalezinho bem gostoso de Canela, tomando aquele chocolatinho quente, lendo um bom livro, perto de gente amiga…

    Vc me fez sonhar, Lá!

    Bjs

    Lu

  4. Bem… a seleção venceu e não convenceu rs.

    Que passeio maravilhoso. Amo o Sul do Brasil, lindas imagens das fotos. E foi muito bom o passeio e o encontro entre amigos, não é?

    Gosto de lugares assim. De temperatura bem fria no inverno, com mto verde… tranquilidade, paz.

    Achei uma graça essa casa de inspiração alemã. Está abandonada, então?

    Qual o nome desse "repolhinho colorido" rs. Aqui no Japão tem muito.
    Uma graça esse hotel, é lindo.

  5. Bela viagem, faz parte da natureza feminina ficar com uma certa dor na consciência quando viaja sem a família. O mesmo aconteceu comigo na ida para o Egito sem os filhotes. Mas sei que eles terão várias oportunidades. Amei a delicadeza da janela e a doçura da patisserie. Particularmente marido e eu gostamos do jeito turrão do Dunga, coisa de gente que prefere muitas vezes "cair do cavalo" à trair suas convicções. Achei também que ele abalou com o casaco do Herchcovitch. De diva não tenho nada, talvez o que me salve seja o bom humor…rsrsrs. Beijocas!

  6. Oi Lá…
    Que post incrível! Me senti sentindo as suas sensações. Que honra acompanhar uma viagem tão gostosa. Fotos lindas e um texto muito bem escrito por alguém que sabe aproveitar as pequenas (e as grandes) coisas da vida.
    Parabéns mesmo, deu até vontade de viajar e sair da rotina robótica que a gente vive e entrar em modo "slow".
    Bjs.

  7. Que bom não ser Diva e viver a vida com coisas boas,não é????
    Amigos+comia gostosa+lugares incríveis=alma renovada.
    E quanto ao Dunga,ele nem parece gaúcho,aliás ele nem parece brasileiro,com aquele mau-humor de sempre(desde jogador)e sinceramente,o futebol da seleção é igual ao dele.Ele perdeu uma Copa assim e ganhou outra,mas tínhamos alguém brilhante além dele chamado Romário,coisa que nos falta agora.Pena!!!
    Bj

  8. Oi Laély,

    Que delícia de viagem a sua…e a nossa, ao ler sua postagem.
    Me deu uma imensa vontade de retornar a Gramado e Canela e saborear todas as delícias que tem por lá.
    E suas fotos me deram mais vontade ainda!
    Sou péssima fotógrafa e nunca consigo registrar a beleza que meus olhos captam, mas você, ainda bem, não sofre do mesmo mal que eu.
    Quanto á seleção, vamos torcer para que no próximo jogo melhore. Acho mesmo que a má atuação se deve ao casaco horroroso do Zangado…ops…Dunga.
    Beijo,

    Andreia
    http://universoemcores.blogspot.com

  9. Oi Laély, O RS é lindo, com paisagens deslumbrantes. Há oito anos fomos conhecer a serra gaúcha, num mês de julho num inverno como este e nossa trilha sonora ficou por minha conta, cof cof cof… mas mesmo assim foi uma das melhores viagens que fizemos. Um dia voltaremos mas vou tomar uma vacinas pra gripe, fortalecer minha imunidade tomar vitamina C, e é claro que vou consultar um médico antes, hehehehe … Beijinho Laély

  10. Naaaada, meninas… confiem no Dunga, ele sabe o que faz (espero não ter de engolir estas palavras kkkk). O bichinho é sério, deixou todas as "vedetes" de fora. E quanto à viagem… meninas, que lindas paisagens, parece sonho mesmo. Falando em sonho… sofro do mesmo "mal" da Rosana… durmo em filme! Dormi no filme do SuperHomem (no cinema!) inteirinho, só acordando de vez em quando para admirar a beleza do protagonista.
    Beijos
    Helena

  11. Olá Laély, não me confunda com o Blog Cecília e Helena, hein! hehehehe sou sua leitora há tempos, mas nunca deixei um comentário, hoje resolvi deixar por conta das belas fotos e relatos da viagem ao sul (um dos meus sonhos!). Que coisa mais linda aquela janela do hotel, ainda bem que vc fotografou de perto para a gente ver os detalhes e se apaixonar e as paisagens maravilhosas só fizeram com que eu fique mais tentada a me esforçar para realizar esse sonho de conhecer o sul! Dá uma colher de chá para o Dunga, ele está sendo muito pressionado, toda copa do mundo é assim, ninguém fica contente com a escalação, mas o casaco é mesmo de lascar, feio mesmo, sem falar que não combina nada com o estilo sério dele! Bjs

  12. Que visual ! A terceira foto parece uma pintura ! Cada vez mais, eu acredito que a felicidade tá nisso: na vida, na alegria simples de contemplar um visual desses !
    E que linda a "moldura" da janela do Hotel Ritta Höppner, não ?
    Minha mãe foi pra Gramado o ano passado e voltou embasbacada com tanta coisa linda que viu e viveu lá.

    Beijo
    Patricia Tedeschi

  13. ai, que saudades da serra gaúcha…(se bem que a última vez que eu fui fazia um calor infernal!)
    seu post está tão gostoso, que faz a gente viajar junto!!

    bj

  14. Morta de inveja.
    Claro, do começo ao fim do post , com água na boca, do inicio da viajem, no meio, Gramado..affe, que saudade..
    e os chalés…humm..aiaiaia..
    inveja pura..kkkk
    mulher que bom que vc aproveitou…
    (é o zangado, não estava tão lindo com aquele traje)..srsr

    beijos..e poderia passar em santa maria e vir aqui, se quiser..não tem todo esse glamour, que vc tem aí em POA, mas um caloroso aconchego sim..rsrsr ..

    flor, adoro como escreve, quando vai lançar um livros sobre viagens e algo mais..vc é incrivel nisso.

  15. Alo,Laely!
    Que post gostoso de ler,minha viajante amiga! Quando vi o tapete de nuvens…Flutuei tambem! E fui bem longe…Numa viagem do tempo…Pra ser mais precisa, voltei quase vinte e um anos atras…Era outubro de 1989,e estava la em Gramado junto com o meu marido…Em lua de mel!
    Dai vieram ao mesmo tempo,tantas recordacoes… A Serra Gaucha realmente e um lugar muito romantico e especial! E um lugar magico transbordante de poesia e encantos…Impossivel de se esquecer!
    E foi la no Ritta Hopnner que nos instalamos naquele outubro de ceus azuis,de manhas suaves e noites frias…Chegamos naquele hotel e logo nos encantamos com ele…Ficamos no quarto do anaozinho Dengoso ( Rs…Rs… ) e me lembro que havia ate uma pequena piscina de agua aquecida dentro do quarto…Tudo naquele clima de conto de fadas…Simplesmente uma beleza!
    E me fez tao bem lembrar de tudo isso de novo… E retorno ao presente com a bela sensacao de que a nossa estoria de familia comecou com chaves de ouro… Ali no sul do Brasil,tao longe de casa,mas tao perto do coracao de Deus!
    Agradeco a voce e a Rosana, minhas fadas madrinhas virtuais,que me fazem viajar pelos caminhos do ceu,rumo a sonhos distantes!
    Queria abracar as duas ao mesmo tempo…
    Teresa

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