"O Precursor das Águas"

Nem lembro quando ouvi aquele nome esquisito, a primeira vez. Lembro, que foi paixão “à primeira audição”: Yamandú e seu violão.
O virtuose trouxe no nome, tupi-guarani, a responsabilidade de ser um divisor de águas, ao menos na música: seu estilo de tocar o violão sete cordas tornou-se inconfundível!

Natural de Passo Fundo, RS, filho de músicos, começou a tocar aos 7 anos, com o pai, e não parou mais, aprimorando seus conhecimentos com o mestre argentino Lúcio Yanel.

Apesar de muito jovem, Yamandú já se firmou como um dos melhores instrumentistas da MPB dos últimos tempos, conquistando vários prêmios, nacionais e internacionais.

Difícil seria enquadrá-lo num estilo musical único pois interpreta música folclórica sulista, samba, choro, bossa nova, frevo, tango e ainda flerta com o jazz…enfim: música latina de raiz é o que faz a cabeça irrequieta do rapaz, que também é compositor.

Tem um jeito vigoroso e performático de tocar, mas a facilidade para o improviso e a forma como extrai o máximo de sons do instrumento, num mínimo de tempo, impressionam!
Há pouco tempo tive o privilégio de conferir tudo isso de perto: ao vivo, quando abriu um festival de Jazz, em Vitória. Na ocasião, estava acompanhado pelo também gaúcho, o contrabaixista Guto Wirtti, e o violinista francês, radicado no Brasil, Nicolas Krassik( já falei deste, aqui ó!).

Yamandú, além do sotaque carregado, faz questão de mostrar suas raízes, sempre em algum detalhe: um chapéu, caído nas costas, um lenço no pescoço, ou no violão, bombachas…É gaúcho, tipo exportação!
Outras parcerias: com o clarinetista e saxofonista Paulo Moura, Dominguinhos e, o mais recente, o violonista carioca Walter Silva, que também toca violão 7 cordas.

Neste último trabalho, resgataram sambas e choros mais antigos. Yamandú ganhou ar brejeiro, mas isso não é de se admirar: ele está sempre se redescobrindo, e cada vez, melhor!
Fiquei na dúvida, sobre qual música escolher: dentre suas várias composições, gosto especialmente de
Mariana, mas nesta semana muito gaúcha, deixo Ana Terra, inspirada no romance de outro gaúcho famoso: Érico Veríssimo.

E aguardem, que vêm mais gauchices por aí…

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10 Comentários

  1. Veja que engraçado. A primeira vez que eu ouvi a música dele foi em uma livraria… em Osaka! Eu não conhecia o artista e perguntei ao atendente.
    Tb sou fã dele!

  2. Olha só.. Sabia que dividíamos os gostos visuais, mas não imaginava que os auditivos também. Gosto muito do Yamandú. Adorei o post!

  3. Tb adoroo Yamandu e a contradição de sua serenidade ao falar e a explosão de acordes impossíveis no violão. Esses gaúchos são mesmo apaixonantes né rs? Tb adoro a safadeza em forma de poesia do Kleiton e Kledir, ouvia nas viagens no carro do meu pai qdo era pequena (sem censura rs), traz lembrança boa …beijo querida e bom domingo

  4. Meu marido ama Yamandu, tem os Cds e vai aos shows aqui no Rio. Gosta demais. Estudou violão clássico por mais de uma década, então ouve com atenção cada acorde.

    Beijos

  5. Fernanda, fiquei impressionada com a coragem do Yamandú, e da famíliam dele, em concordar: desde muito cedo, já sabia que era a música seu único caminho-largou os estudos, pra se dedicar exclusivamene ao violão!
    Realmente o instrumento, nas mãos dele, fala uma língua diferente.

    Cynhia, de Kleiton e Kledir conheço pouco: apenas, da época dos festivais. Mas isso de você gostar de poesia "safada", é novidade pra mim. rsrs

    Ôpa, Ana! Sinal, de que temos bom gosto! rsrs
    Mas sinceramente, admito: Yamandú tem um estilo tão rebuscado, que não daria pra ser muito popular, mesmo.

    Oi, Alexandre!
    Infelizmente ou, felizmente, muitos desses talentosos artistas acabam ficando mais conhecidos fora, que dentro, do próprio país.

  6. Como gaúcha e bem bairrista (no bom sentido) que sou, adorei o post. Yamandú, Kleiton & Kledir são tudo de bom. É uma pena (pra nós gaúchos) que eles tenham que sair daqui para alcançarem o sucesso. Alguns ótimos músicos optararam por permanecer aqui e são reconhecidos internacionalmente como o gaitero Renato Borghetti e o cantor e compositor Nei Lisboa (no site dele tem todos os discos disponíveis para ouvir). Mas é isso aí, é muito bom ver o reconhecimento dos telentos da terra… Beijo.
    Karin
    http://www.coisaetalartesanato.blogspot.com
    http://www.loja4fun.blogspot.com

  7. Lá, adoro Yamandu! Mas minha relação com os gaúchos vêm de longe, o post me fez lembrar de uma amiga gaúcha de infância, ia com ela a todos os festivais gaúchos no CTG, até dançar já dancei, com vestido e tudo, acredita? Af, imagina a japa!!! hahahah!! Bjo querida!

  8. Yamandu é um virtuose, melhor impossível! Já tive o prazer de vê-lo tocar no Festival de Inverno de Domingos Martins-ES, onde a moçada que participava das oficinas de música foi ao delírio!!!
    Além de tudo é uma pessoa que passa muita alegria de viver pela música e com muita humildade ao receber tantos elogios por seu talento!
    Bjinhos

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