Gentileza

“Do tempo somos.
Somos seus pés e suas bocas.
Os pés do tempo caminham em nossos pés.
Cedo ou tarde, já sabemos, os ventos do tempo apagarão as pegadas.
Travessia do nada, passos de ninguém? As bocas do tempo contam a viagem.”
(“Tempo que diz”-Eduardo Galeano, em As Bocas do Tempo)
E quero contar a viagem que fiz, antes que o tempo a apague da memória, começando por outra viagem, no tempo:
O ano era 1930.
Meados de março.
Um homem de 61 anos é acompanhado por outros 78, todos dispostos a caminhar 400Km até o litoral da Índia, num ato simbólico de protesto, contra o monopólio do império britânico sobre comércio de sal no país.

Bobaginha tanto esforço, por algo achado em qualquer mercearia de esquina, pelo qual pagamos valor ínfimo; mas, naquele tempo, naquele lugar, sob àquelas condições, um indiano precisava batalhar muito para ter direito ao “sal nosso, de cada dia”: eram obrigados a comprar o produto industrializado da Inglaterra, quando o tinham em abundância ali mesmo, a seus pés, no mar Arábico.

O homem de aparência frágil, mas espírito inquebrantável, pregava e praticava a “batalha da não-batalha”. O princípio do satyagraha( não confundir com a confusa “Operação Solta&Agarra“, no Brasil!) norteava a revolução não-violenta, liderada por Gandhi.

A “Marcha do Sal” avançava em direção ao litoral da Índia e, durantes seus 25 dias, ganhava milhares de seguidores ao longo do caminho. Assim também, a opinião pública mundial.
Ao final, milhares de indianos foram presos sem esboçar reação, incluindo Gandhi.
Entre solta-e-agarra e agarra-e-solta, depois de muitas idas e vindas à prisões locais, uma II Guerra Mundial no meio, Gandhi finalmente viu seu país declarado independente em 1947, 17 anos após à famosa marcha que liderou.
Não havia muito o que festejar e sim, um abismo de diferenças a transpor, num país dividido entre hindus e muçulmanos.
Gandhi foi assassinado a tiros, 1 ano depois. Nem seu último pedido foi acatado: a não-punição do assassino. O radical foi
julgado, condenado e enforcado.
Bem feito, pra ele! ( E não venham me dizer que não pensaram como eu!…)

Muitos tempo depois, em algum coletivo carioca…
Um homem de meia idade fala exaltadamente com outro, a seu lado, que parece ser o seu pai. Nem se preocupa em esconder a falta de respeito, a falta de vergonha, por se dirigir a alguém, tão avançado no tempo, daquela forma, tão violenta em palavras.
A vergonha, sobra pra quem foi testemunha muda dessa falta de educação e amor. “Sabe-se lá, como esse pai tratava o filho quando pequeno?!” (Uma voz, tenta aplacar a consciência…)

Há bem pouco tempo, noutro coletivo do sul do país…
Uma mulher miúda sobe as escadas do ônibus com certa dificuldade. Uma das pernas, diminuída pela pólio, é compensada, na raça e no braço, pela muleta.
Como os primeiros bancos estão ocupados e, nessas horas, todo mundo fica mais limitado(de ouvidos e visão) que ela (em pernas), resolve ir mais para o fundo até que para, diante de uma adolescente, já acomodada.

E abro aqui um parêntese para, numa licença poética, devanear e tentar imaginar o que teria se passado na cabecinha daquela mulher, para eleger aquela menina:

Siim! O futuro do país! Os responsáveis por mudanças de comportamento, aguardadas desde a época em que o homem magro, de óculos redondos e nenhum cabelo na cabeça, marchava pacificamente para o litoral. Desde quando John Lennon compunha Imagine, ficava pelado na cama com Yoko e pedia paz no mundo. Desde do tempo em que o 14 Bis cantava, romanticamente:”dias melhores virão“…

A menina já teria ouvido falar do primeiro:”os Filhos de Gandhy, com certeza, seriam de um mesmo pai!…”.
Quanto ao segundo: o homem magro, de óculos redondos e muito cabelo na cabeça, a menina se lembrou que ele fazia parte daquele “conjuntinho” famoso, que se apresentava de paletó e gravata, balançando o cabelinho chanel…
Quanto ao último, citado: “teria algo a ver com Santos Dumont?!”…
Tudo bem. A mulher seria intolerante se não desse um descontinho, nesse caso, afinal o Zé Renato, apesar de enxutão, já está mais pra tio-avozão.
Então, resolveu dar uma segunda chance e modernizar a fonte. Com certeza a menina já teria cantado, até cansar, o refrão do Jota Quest: “
dias melhores virão“…
Fecha parêntese. Voltemos à cena, dentro do ônibus:
A
mulher em pé, diante da menina, pergunta se esta não lhe cederia o lugar, mais próximo à saída.
Se a garota se desse ao trabalho, ao menos de retirar um dos fones de ouvido para ouvir o apelo educado, talvez desse mais atenção e reparasse que a mulher, à sua frente, não lhe pedia nenhum favor. Era um direito dela, assegurado por
Lei. Em vez disso, fez uma cara de incomodada e, continuou ouvindo música, no seu aparelhinho de som moderno. Com certeza, não deveria estar escutando John Lennon, nem Paul, nem Zé Renato, nem Jota Quest! Tempos modernos…
A mulher, que apesar de gaúcha, está mais para a luta pacífica de Gandhi do que para a luta armada de
Bento Gonçalves, pediu desculpas, constrangida, e foi procurar o “seu devido lugar”, mais no fundo do ônibus.

A outra, que seguia logo atrás, testemunha das 2 histórias no coletivo, ficou injuriada! Mas sentou, no “seu devido lugar”, mesmo que bufando:
“Ah! Se essa menina fosse filha minha!”…
Por sorte, da menina, não é.

Parecem “histórias”, mas todas, reais.
A mulher-testemunha-muda, fui eu.
A mulher da muleta, Rosana Sperotto: jornalista, amiga, mãe, blogueira, artesã…
O que me fez pensar, no quanto estamos ficando cada vez mais casca grossa, a ponto de não olharmos para trás: para os que andam mais devagar que nós; para baixo: para os que são “menores” que nós; até para os lados: àqueles que consideramos nossos “iguais”! Talvez, cuidemos mais em olhar os que “estão por cima”, para nos proteger de eventuais cusparadas. Para isso, abrimos o guarda-chuva da alienação e nos escondemos, debaixo dele.

Contemporizando:
-Se o homem, que humilhava o próprio pai, se imaginasse dali a alguns anos, sendo ele mesmo espezinhado pelo filho, teria continuado a agir da mesma forma?
-Se a menina tivesse uma mãe ou avó, com limitações para caminhar, teria desprezado o pedido educado da mulher, à sua frente?
Acredito que a resposta, nos dois casos, teria sido: NÃO! Nem por isso, um sinal de civilidade. Até então, apenas instinto de preservação.
É porque, é: “comigo”, com a “minha” mãe, com o “meeu” filho, o “meeu” cachorro! Notaram o pronome, ditando a conduta?!

Gandhi, comparado aos seus compatriotas, era um afortunado: estudou na Inglaterra, formou-se advogado, trabalhou na África do Sul. Poderia ter ficado rico. Optou pela pobreza. Não, para dizer quão bom era, mas porque tinha um ideal por que lutar.
Não era rico. Mas era respeitado.
Não precisava ter percorrido a pé 400 km, e chamado a atenção para a injustiça que seu povo sofria. Podia ter ido de carro. Mas ele se importava, mesmo que o problema não fosse o dele: ao menos sal, poderia comprar. A confiança dos outros, não.
Este sim, era desprendido. E intrinsicamente gentil, até à morte!

Não deu pra me aprofundar na etimologia da palavra gentileza (e alguma professora de gramática poderia até nos fazer a gentileza de explicar). Faltou a teoria, mas tive muitas aulas práticas, durante a última semana.

Cheguei à uma conclusão e, mesmo que a etimologia não o confirme: o que está no centro da palavra em questão é gente!
E apesar dos maus exemplos citados, melhor que qualquer viagem de turismo é poder sair por aí, como Colombo, porém, descobrindo pessoas. Afinal, o que faz o lugar ser especial são as “gentes” que conhecemos pelo caminho.
Perceber as diferenças, torna-nos mais “gente”, também. Espero: mais gente, gentil. Ao menos, mais sensível.
E percebi:
Que os gaúchos respeitam fila de ônibus.
Que falam cantando.
Que sentem orgulho da terra e de suas tradições.
Que dizem: “dez, com trinta”, em vez de “dez reais e trinta centavos”.
Que têm mulheres belas e elegantes.
Que o frio deles é cinza.
Que o chimarrão tem gosto de chá mate, sem açúcar( digo, isso, protegida atrás de uma trincheira: gaúchos chiarão! rsrs)

Declaro então aberto, o “turismo de pessoas”!
Para cada uma, um capítulo especial dessa história de encontros no Rio Grande do Sul, onde as paisagens são moldura e pano de fundo…
A Jane, colega de profissão e amiga da Rosana há anos, além de fazer a gentileza de nos servir de guia e motorista, tornou o passeio à serra muito mais divertido. Rimos muuuito! Já nos conhecíamos, quando ela acompanhou a Rosana na aventura por terras capixabas, em fevereiro.

Também encontrei criaturas domésticas que ganharam meu coração, como o bulldog Stanley. Aqui, “guardando” a porta de um dos chalés da pousada onde ficamos, em Canela: A empatia foi instantânea, principalmente porque lembrei da Susi, querida amiga virtual e “mãe” do bulldog Paco, lá na Itália.
Bem, bulldogs são bichinhos que têm uma forma muito “delicada e gentil”, de dizer:
“Ei, gostei de você!”
O Stanley até demonstrou intimidade, atacando minhas galochas com seus dentinhos pontiagudos, de filhote de 4 meses:
E retribuí a gentileza, não negando esse prazer ao animal de estimação, apesar das marcas dentais, deixadas na “galocha de estimação”…

(O Ricardo e o João, sócios responsáveis pela pousada, e pelo Stanley, foram de uma finura e simpatia sem igual! Pra frente, mostrarei mais detalhes…)


Sem falar no arisco Bibi, gatinho da Rosana.
Acostumada ao “dado” gato capixaba Pingo, estranhei um pouco a timidez desse outro gato gaúcho. Tanto, que nem está aqui, para fotos, mas foi gentil comigo e deixou que lhe acariciasse ao menos uma vez, antes de partir.

Toda a família da Rosana foi muito simpática e solícita com esta estranha maluca, que baixou do ES pra acampar na casa dela, no sul. Houve até almoço especial de “apresentação”, na mais tradicional cantina de São Leopoldo.
Aqui, uma parte da família que me abraçou, literalmente: Filho, mãe e padrasto da Rosana.

E eu, sempre acostumada a cozinhar para 4 homens em casa, saí de lá, “mal-acostumada”:
O chef-fofo( adendo meu, este último!) Vicente Sperotto, o “rapaz que toda mãe iria querer como genro”, fez o jantar especial, de recepção e despedida.

Fiquei meio constrangida de chegar e, logo de cara, ir pedindo para fotografar, mas o banquete de despedida foi devidamente documentado. Aguardem, com babadores…

Quem for tão curioso quanto eu, poderá dar uma olhadinha no Flickr do chef, aqui.

Na véspera da partida, o encontro com a Lu Gastal, que estava nos últimos preparativos para a inauguração de sua loja-ateliê, em Porto Alegre:

Ficamos como duas crianças, Rosana e eu, no meio de tanto trabalho lindo e, diante da personalidade faiscante da Lu: com belos olhos azúis, emoldurados por óculos na “discreta” cor vermelha, ela é daquele tipo de mulher bonita e charmosa, impossível de não ser notada! Uma bússola, como descreveria o escritor Galeano, do início do post; um Cruzeiro do Sul, a nortear navegantes na multidão: “é à D, ou à E, daquela loira vistosa, logo ali, de óculos vermelhos”…
Mesmo no meio da muvuca que é, a véspera de uma inauguração, foi muito atenciosa conosco, com direito a nos servir ainda, chazinho e doces tradicionais de Pelotas. Gentileza, espontânea e sincera.
Ao final de muita loucura de comprinhas fofas e bate-papo informal, o registro ficou bonitinho, assim: numa escadinha de mulheres.
Ao longo da semana, a gente vai esmiuçar melhor esse encontro, mostrando um pouco do espaço charmoso que a Lu criou, já à disposição dos gaúchos( “Báá! Que inveja!”).
Mas não perdi a chance de levar lindezas, costuradas em tecidos “coloridissíssimos”!( Báá! Invejem-me!)
Por enquanto, já tem alguma novidade no blog da
Lu Gastal.

Na última noite, jantar derradeiro( sniff!..’cabou vidão de comidão!), o encontro marcado pra conhecer a Helena, filha da Cecília, do blog à 4 mãos (prendadas) Quilts são Eternos:

Por coincidência a Helena, professora da UNB, estava apresentando trabalho num congresso na Unisinos, em São Leopoldo. Alto nível na roda de mesa, mas a conversa rodou mesmo em torno, de: felinos, comida, família, blogosfera…( Falou-se um pouquinho de trabalho, também. Mas, só um pouquinho!)

Ganhamos, eu e Rosana, almofadinhas feitas pelas mãos intelectuais da Helena. Uma gentileza de delicadeza.

E eu fico por aqui, mostrando que, por gentileza e respeito às tradições gaúchas, não poderia deixar o RS sem antes provar do pinhão cozido e chimarrão:

A Rosana nem se ofendeu por eu não ter conseguido sorver tudo, até “a cuia roncar!” Pura gentileza.

Obrigada pela companhia de todos que fizeram dessa viagem real, algo especial para lembrar e registrar aqui, nesta outra viagem, virtual.
Àqueles que tiveram pés, pra caminhar comigo essa “viagem pelas pessoas” e pelas impressões, deixadas em mim, meu obrigada, pela gentilza da paciência!( O post foi loongo, mas só o começo…)

-Ok, menina mal educada do ônibus: você não venceu!
Jota Quest tem razão:

“Vivemos esperando

Dias melhores
Dias de paz, dias a mais
Dias que não deixaremos
Para trás!

Vivemos esperando
O dia em que
Seremos melhores
Melhores no amor
Melhores na dor
Melhores em tudo

Vivemos esperando
O dia em que seremos
Para sempre
Vivemos esperando…”
Antes que o tempo nos esqueça, fica registrado.
Atualizando:
Minha culpa, sim!
Avisei que a autora do post Gentileza
era a Helena, professora de Português, citada e mostrada nesse post, mas quem o fez foi sua mãe, também professora na área de Linguística: Cecília.
Façam a gentileza de prestigiar e, por gentileza, também, comentem: aqui e lá!
( Sei: não sou de apelar, mas fazer um post como esse dá um certo trabalho…)

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35 Comentários

  1. OIiiii, querida Laély!

    Menina, que viagem linda….no tempo , nas lembranças ….e que viagem linda…..ainda não conheço o RS , mas tenho certeza quer amarei este povo tão acolhedor e este lugar tão europeu, né? Que delícia de viagem, conhecer lugares lindos, pessoas queridas e chegar a conchlusão que DIAS MELHORES VIRÃO !!! Esse é o meu lema de vida, sabia? Posso estar com "alguns" probleminhas, com algumas frustrações, mas quando me pegam de bem com a vida e me perguntam como consigo estar assim apesar de….eu sempre digo…que em adianta sofrer por algo que está fora do meu controle? Sofrer por que se tenho um Paizinho tão amoroso que cuida de mim e trabalha pelos meus sonhos enquanto eu durmo??? Ah,com Deus cuidando de mim e me carregando no Seu colo…tenho a certeza que DIAS MELHORES VIRÃO !

    Querida, quando puder passa lá no blog…ontem deixei um posto que aparece uma linda mala de viagem sua…veja lá…
    Beijos , querida amiga e que Deus continue a te abençoar muito e te concedendo momentos tão maravilhosos e mágicos como este!
    Helena Garcia
    http://diaadiacorridinho.blogspot.com

  2. Meu-Deus-do-céu!! Post looooongo, mas lido de uma vez só, de "guti-guti". Maravilha de escrita e de experiências… ou melhor, de sensibilidade para absorver a beleza das pequenas coisas e ainda conseguir escrever, primorosamente, sobre elas. Adoro a história do Gandhi e ela se repete por aí, no protesto silencioso de tanta gente… o acontecimento no ônibus está aí pra mostrar. Com meu sangue quente (pode não parecer, pois este só se mostra de vez em quando) acho que eu teria partido pra cima da garota kkk Em e-mail, comparei a Rosana a outra figura especial indiana: a Amma dos abraços. Dizem que o abraço dela transmite uma paz indescritível. Senti o mesmo no abraço da Rosana.
    Vcs são especiais!
    Mil beijos
    Helena

  3. Laély, o que posso dizer sobre teu palavreado vai parecer repetição, sempre me emociono com a história de Ghandi que como tantas por aí, nos faz acreditar que dias melhores certamente virão…emociona-me tua história de amizade por onde passa, e a Rosana é de uma paz palpável…encontro de almas!! Aguardando próximos capítulos…bjinho!!

  4. Que passeio maravilhoso Laély! Não tem como não gostar do sul né? Ainda mais nessa companhia. Rosana exala gentileza e boas energias. E apesar de não gostar muito de Jota quest, essa música é linda, e sim, acredito que dias melhores virão, salve gandhi! beijos, saudades de vc.
    Cynthia

  5. Oi Lá, que delicia de passeio mesmo ! Quanta experiencia ganhou né ? não tem dinheiro que pague!
    Nas ultimas ferias assisti novamente o filme Ghandi, é incrivel a força desse homem.

    Beijo
    Patricia Tedeschi

  6. Laély, que delícia de viagem e mais ainda a delicadeza da sua pessoa, sua percepção de mundo e sua gentileza de compartilhar com a gente tudo isso! Que D+!! Você é especial! Parabéns pelo post! Cada dia eu conheço um pouco a lindeza de suas palavras e de sua cultura! Obrigada pela experiência de viajar a distância contigo! Espero mais novidades heim! Bjo grande!

  7. Esta viagem deve ter sido mesmo uma delícia!!! E com direito àquele show de cores que é o outono por lá…

    Quanto à gentileza (ou melhor, à falta dela), sinto na pele todo dia que quer dizer. Ontem mesmo quase fiz um post sobre isso, depois de tentar resolver um problema por telefone e ser hiper-mega-mal-atendida. Só desisti porque não quis desprender minha energia com aquele mala do outro lado da linha… rs

    Enfim, quando puder post mais fotos desse lindo passeio…

    Bjs, Lá!

    Lu
    http://decoresalteado10.blogspot.com/

  8. Terminei o post na madrugada de um plantão super cansativo e nem tive a chance de reler com calma, pela enésima vez, como faço sempre: o cansaço não permitia.
    Emocionei-me com as recordações. Emocionei-me com as palavras de vocês.

    Cris, você é tão querida, que ainda não me perdoo por não ter dado pra lhe conhecer, quando por aí fui.

    Oportunidades não faltarão, não é, Myriam e Patrícia?
    Dias melhores virão, se Deus quiser…

    Cynthia, minha querida e confidente virtual, tô com saudade dos nossos papos.
    Tudo deve voltar ao normal, em breve. Deixemos a poeira sentar. Ainda espero aquela sua visita…

    Helena Garcia, obrigada pelo carinho. Darei uma olhadinha, sim.

    Helena Guerra, seu nome não nega fogo. rsrs Eu também fiquei muito esquentada com a menina, mas, diante da paciência e tolerância da Rosana, como reagir?!
    Adorei nosso encontro!
    Quando vier em Vitória, não deixe de me avisar. Vou lhe mostrar como o capixaba sabe ser gentil…rsrs

    Luciana, você sempre foi tão gentil e simpática comigo, assim: de graça!
    Um beijo!

    Berê, se emocionpu, é porque é um post do coração: do meu.]
    Abraços!

  9. Laely
    Ainda bem que não estou tão atarefada esses dias, assim deu pra ler sossegadamente o seu post.
    Que lindo. Nossa, arrepiou, sabia?
    Falar sobre Gandhi, sobre educação do povo nos dias de hoje, e viagem ao Sul!!!! É um lugar que adoro e já fui algumas vezes pra lá. Sabe como se sentir em casa? É muito bom.
    Parabens pela postagem
    um beijo

  10. Sempre vejo o Sala da La em outros blogs, mas hoje vim ver com meus olhos este blog famoso.
    Estava lendo o que a Cecilia escreveu em Quilts são eternos…: e não resisti.
    Agora estou eu apaixonada, fisgada por um único post.
    Vou voltar com calma e continuar lendo. Tenho certeza que tem muita coisa boa aqui!
    Obrigada.

  11. Karen, quanta gentileza (sem forçação de barra nenhuma, tá?)! Obrigada pelo "famoso"…rsrs
    Bem vinda e que se sinta à vontade, por aqui!

    Macá, obrigada pelo prestígio e respeito. É tudo isso aí, e mais um pouco, que nunca dá pra colocar em palavras.

    Helena, vou anexar seu post ao meu, tá?
    Obrigada, pela gentileza de da elucidação.

  12. Laély, realmente a falta de gentileza parece estar aumentando proporcionalmente com a modernidade. Já passei por uma situação assim em um ônibus. Eu com barrigão de 8 meses entrei e tudo lotado. Fiquei em pé e quando vagou um lugar um homem que estava em pé, do meu lado,simplesmente sentou e eu continuei ali. Não posso me conformar, vou sempre fazer a minha parte e ensinar meu filho que educação, respeito e gentileza não vão sair de moda nunca. Beijo.

  13. Foi longo mas valeua pena
    Quanta gente boa e deliciosa vc encontrou, qt vivencia! E o que mais me deixoumorrendo de inveja: esse chimarrao! Papai era gaucho, sempre tinha aqui em casa qd criança.
    Depois de burra velha ate tentei comprar erva mate e fazer, mas não é a mesma coisa.
    Que viagem maravilhosa!
    Bjs

  14. Ei menina…acabamos de chegar de viagem também. Ainda estou cansada. Seu post ficou ótimo. Também não sei se teria paciência em ver uma cria tão mal educada, bufar seria o mínimo que eu faria…rsrsrs. Saímos do Cairo na quarta de noite com um calor medonho, viajei de vestido…levei na bagagem de mão casaco e pashmina. Chegamos na África do Sul com 6 °C. Ao chegar no hotel em Johannesburg tivemos que esperar pois o quarto não estava pronto, tomamos café perto da calefação. Achamos que não ia demorar muito e decidimos aguardar na recepção. Estava prestes a virar picolé quando uma senhora observando tudo mandou o rapaz que a acompanhava pegar no carro uma pashmina. Fiquei envergonhada mas aceitei a gentileza. Quando chegou o momento de ir embora, fez questão que eu ficasse com ela. Fiquei envergonhada, mas ao meu tempo encantada com a gentileza daquela desconhecida que provavelmente nunca mais verei. O mundo ainda tem jeito, tem "gente" de verdade por aí que fazem a diferença. No decorrer da semana vou esmiuçar a nossa viagem…a minha e a sua. Beijocas!

  15. Olá, Laély:
    O substantivo gentil (= pagão)tem a mesma origem do adjetivo. Isso quer dizer que os dois se originam de "gente".
    O substantivo passou a ser grafado "gentio" a partir do séc. XIV.
    Quem fez o post foi a Cecilia, que prefere a Gramática Histórica.
    Um abraço da Cecilia (a mãe da Helena).

  16. Ô, Cecília, perdão pela gafe, mas vocês duas se fundem numa só pessoa, na minha cabeça, quando escrevem no blog. Preciso prestar mais atenção.
    Agora que atentei: quem gosta de elucubrações é você. rsrs
    Já consertei e dei os devidos créditos.

    Taia, que história mais simpática, esta sua!
    Realmente, às vezes estamos tão acostumados à falta de educação e delicadeza, que atos como esse podem desconcertar.

    Manuela, precisaria tomar mais vezes, pra acostumar.

    Miriam, conforme a história que a Taia contou, nem tudo está perdido, não é? Precisamos fazer a parte que nos compete, inclusive ensinando, com exemplo, os filhos também.

  17. Oi, La!

    O post está ótimo!!! Inda mais que foi "aberto" com um poema de Eduardo Galeano…
    Aproveite muuito o passeio e os amigos!!!

    Beijins!

  18. Amo Eduardo Galeano e As veias abertas da América Latina.Me fez voltar aos tempos de faculdade e de uma professora querida e amada,mestra que me ensinou a ver história e literatura juntas e que o ser humano é um ser modificador e portanto,histórico.Sendo assim,tudo a ver com Ghandi e a crença que somos capazes de melhorar e transformar e lutar para que realmente dias melhores cheguem.
    Bj

  19. Oi La apesar de nao morar em POA, moro pertinho viu? Se soubesse que virias teria te encontrado, que pena, fica pra próxima, eu também fui na inauguração da loja da Lu, tava linda mesmo, sua viagem foi bem divertida, aqui no inverno tem sempre lugares legais pra conhecer, bjs.

  20. Olá Laély…
    Gosto muito de ver o que tem pra contar…então dediquei um selinho pra você no meu Blog. Passa lá pra buscar.
    Beijos e um final de semana colorido.
    Lenita Vidal

  21. Depois de ler "noticias da fronteira" sabia que vinha prosa das boas.
    Que delicia de post e o paralelo com a história de Gandhy o Grande nos fazendo refletir…
    Gentileza gera genteliza – melhor ainda quando é espontânea, cheia de empatia e surpresas agradaveis regadas à gostosuras e sem frescura…

    Ótimas notícias amiga. Um brinde(debaixo de 5 graus) com meu chazinho quentinho do lado para que estes sejam apenas o inicio de muitos enocntros.
    bjus e lindo final de semana.

  22. Lá, antes que o dia acabe, porque ele começou aqui, me embasbacou, levou minhas palavras… Ainda não as recuperei, mas quero engrossar o coro: OK menina mal-educada, você NÃO venceu!Bem pelo contrário, sua insensibilidade foi transmutada num dos textos mais sensíveis que já li. No final, temos então que lhe agradecer, não é mesmo? Obrigada. Beijo

  23. La, ainda não li a postagem, mas vou dar uma de seo Silvio: uma amiga minha leu e gostou! haha
    Perdoe sua colega apressadinha aqui… mas olhei as "figurinhas" da postagem e já fiquei feliz de ver tantas rostos queridos!
    Tenho certeza de que vc voltou aquecida lá do frio do sul…
    Bjs,
    Ana

  24. Lá, "gentil" deriva do Latim "gentile", que por sua vez significa "próprio de uma família". Ignoro como o sentido foi tomado pela ideia de "simpatia" ou "amabilidade"; talvez porque dentro da família as pessoas se tratam bem, com uma certa deferência. Ou supostamente era assim.

    Permita-me discordar, mas o azar daquela moça é exactamente não ser sua filha! O azar dela é ser filha de quem não conseguiu incutir-lhe regras de boa-educação e respeito.
    Azar dela!

    Quanto à sua viagem, para um Brasil que eu desejo muito conhecer, e encontro e reencontro com novos e velhos amigos, gostei imenso. Pareceu-me que passaou realmente dias maravilhosos. Que sorte!

    Bom fim de semana.
    Bjosss

  25. Muito dez o texto. Tens uma sensibilidade incrível, traduzida muito bem em palavras. O post é muito lindo, a proposta ainda mais. Um texto que apazigua o coração e dá uma sensação muito boa de vida pulsando, sendo vivida. É muito bom receber amigos e compartilhar com eles o que vivemos. Muito obrigada por tudo. Jane Catarina de Oliveira

  26. Laély, esta é a melhor parte; quando voce volta. Post longo? Pois saiba que fui lendo devagarinho pra nao terminar rapido e ja na espera dos proximos capitulos,adorei saber de seu encontro com um bulldog, eles sao assim mesmo deixam marcas inesquecíveis,enquanto sua galocha existir você lembrará de Stanley.E a menina mal educada,o que dizer? Quer saber? Me junto à Rosana,"ela nao venceu".
    bjks e espero que agora de certo o meu coment.

  27. Adorei o relato. Bora fazer um livro de crônicas, Laély?

    Quando voltar a Porto Alegre, já está na minha listinha de prioridades fazer comprinhas na loja da Lu Gastal. Mas no inverno não vou, detesto o frio. A partir de setembro já dá para pensar, hehe.

    Cada semana que passamos em Porto Alegre/serra Gaúcha são 3kg a mais que trago para casa, de tanta comilança.

    Adorei o texto. beijos

  28. Obrigada, Fernanda Reali!
    Eu abri conta no Twitter, mas, que vergonha: larguei pra lá, por não dar conta!
    O que me "salvou", no sul: comia tão bem de manhã, que a fome só aparecia de novo, à noite!
    Eu, adoro frio!
    Vale a pena, dar uma passadinha pela loja da Lú: ficará encantada!
    Quanto ao livro…bem, há tanta gente melhor que eu na frente, mas, quem sabe um dia?…

    Susi, querida, o bulldog filhote fez-me pensar seriamente, na possibilidade de outro cachorro.

    Jane, obrigada a você, pela gentileza!
    Perdão pela demora em responder, mas este fim de semana está bem apertado pra mim.
    Um abraço!

    Priscila: você, como sempre, gentil.

    Mara, fiquei sabendo que também terá produtos seus, por lá. A Lu tem muito bom gosto!
    Quanto à Floripa, fica pra o futuro…

    Fernanda, obrigada. Mas, se não pensássemos num mundo melhor, como Gandhi, não nos importaríamos em educar os filhos para mudanças, não é?
    Como o próprio Gandhi falou: comece por você,a mudança que quer ver no mundo.

    Ana, volta com mais calma, então, mulher! rs

    Rosana, querida, nem precisa de assento: faço de minhas pernas, as suas.

    Yvone, obrigada e um brinde, com chá bem quentinho!

    Milena, descobri Galeano nesta última viagem e já devorei "As bocas do tempo", quase todo.´
    Suas crônicas são uma delícia!

  29. Adorei ler tudo…
    e vi que aprendesse direitinho..
    " sorver, fazer roncar" kkkkkkkkkkkk
    E compreendo o Não termino do chimarrão… heheheh
    Guria adorei teu jeito.. olha que uma hora dessas aterriso em Sta Tereza, hoje mesmo fomos em Domingos Martins tomar vinho… e tava BEMMMM freskinho lá… treinamento para Julho… kkkkkk
    Um beijão!

  30. Oi Lá! cheguei atrasadíssima prá ler o post (quase que expira a validade!!!!!), mas agora leio atentamente e tento fazer um revival daquele encontro ultra mega rápido e gostoso. quanta coisa eu gostaria de ter contado a mais, mostrado peças ainda guardadas em caixas… mas o tempo corria e foi bacana daquele jeito mesmo, no meio da muvuca e bagunça! Pena que a Ana não tenha vindo, mas fui privilegiada em receber pelo menos a "metade" da visita (a outra metade seguirei aguardando, viu sinhana!!!!).
    beijão, boa semana!

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