Que tipo de mãe é você?

“Maternal Caress”

A americana Mary Stevenson Cassatt(1844-1926) foi uma importante pintora impressionista. Morreu aos 82 anos, solteira e sem filhos. Suas obras registraram, com fantástico realismo, o cotidiano das mulheres de sua época, dando particular ênfase aos laços íntimos entre mães e filhos.
A seguir, algumas dessas pinturas temáticas, que parecem flagrantes da vida real:

” Jules Being Dried by His Mother” (1900) “Maternite” (1890) “Under the Horse Chestnut Tree”
The Child’s Bath

Vale a pena conferir estas, e outras tantas obras, no site da artista, aqui.

Mãe sempre foi uma figura mítica. Nome, que deve ser pronunciado com todo o respeito. Freud explica…

Xingamento, dos mais cabeludos, é mencionar a mãe daquele a ser ofendido. Chico fez disso motivo de gozação, na letra da música “Partido Alto“. O malandro discute até com Deus, mas sai do sério, se o assunto for a mãe:

“…
Deus me fez um cara fraco, desdentado e feio
Pele e osso simplesmente, quase sem recheio
Mas se alguém me desafia e bota a mãe no meio
Dou pernada a três por quatro e nem me despenteio…”

Figura retratada nas artes, na música, na literatura e na mídia, ora de forma caricata, ora de forma sentimentalista, mas sempre: reflexo da realidade. Acabamos por nos identificar, com esta ou aquela personagem.

Quem não conhece mãe como a Dona Nenê, da Grande Família: Protetora, mediadora, às vezes, acobertadora, mas sempre, acolhedora?Ou, quem sabe, uma Marge Simpson? Alguém, que precisa ser “o fiel da balança”, na família: aquela, que limita excessos e espeta a passividade?
Então, lembrei de outra figura materna: personagem, maravilhosamente interpretada pela saudosa atriz Miriam Pires, na novela ” Locomotivas. Ainda era uma criança e de pouca coisa me recordo, mas a figura controladora e maniqueísta daquela mãe de um único filho, no caso, o jovem galã e ator Dennis Carvalho, ficou marcada na minha memória, assim como a música de Erasmo Carlos, “Filho Único”:

“Ei, mãe, não sou mais menino
Não é justo que também queira parir meu destino
Você já fez a sua parte me pondo no mundo
Que agora é meu dono, mãe
e nos seus planos não estão você
Proteção desprotege
e carinho demais faz arrepender…”

Até “amor” em demasia pode ser sufocante e prejudicial, principalmente se desejamos filhos maduros e responsáveis.

O mesmo tema, do filho único superprotegido, é relatado em outra música mais antiga, de Adoniran Barbosa.
Adoniram vinha de uma família numerosa de 7 irmãos. Aos 10 anos, para ajudar financeiramente a família, teve sua certidão de nascimento adulterada para que pudesse trabalhar, constando a idade mínima, permitida à época: 12 anos.
Entendo “Trem das Onze” como desculpa de malandro que não deseja crescer, sair da barra da saia da mãe e assumir compromissos, mas não deixa de ser “meigo”, pensar que um filho se preocuparia com a preocupação de uma mãe:

“Não posso ficar nem mais um minuto com você
Sinto muito amor, mas não pode ser
Moro em Jaçanã,
Se eu perder esse trem
Que sai agora as onze horas
Só amanhã de manhã.
Além disso mulher
Tem outra coisa,
Minha mãe não dorme
Enquanto eu não chegar,
Sou filho único
Tenho minha casa para olhar
E eu não posso ficar.”

Apesar de não mais acompanhar novelas, a megera-materna do momento é a personagem Ingrid, interpretada por Natália do Valle, em “Viver a Vida”. Ao que parece, Maneco conseguiu elevar a superproteção materna à categoria de patologia.

De 8 a 80, há uma outra categoria de mãe, mais light, que embarca nas “paradas” dos filhos e é bem mais liberal.

Personagem inesquecível de Jô Soares na década de 80 foi Bô Francineide. Época em que Bo Derek estrelava o filme “Mulher Nota 10”, Bô Francineide foi a precursora das “mulheres frutas”, buscando sucesso a qualquer preço, mas sem deixar de ser uma “moça família”. Para todo lugar que ia, carregava à tiracolo a maior incentivadora e fã: sua “mini-porno-mãe”, interpretada pela pequena-grande-atriz Henriqueta Brieba. Bô, que gostava de “transar o corpo numa nice”, repetia um bordão, abraçada à pequena mãe:”E pensar que eu saí de dentro dela…”

É o ciclo da vida: nascemos, crescemos, aprendemos com a mãe (também, com os erros dela) a ser mãe. Não há estereótipos: dependendo do contexto da vida, podemos ser um pouquinho de cada uma dessas personagens da ficção.
Os filhos são nosso mais difícil e importante desafio, mas eles também nos ensinam. Como por esxemplo, a dar valor a pequenas coisas, mas não coisas pequenas. Simples presentes:
A entender certas mensagens, que só mãe entende…

Com este “filho adotivo” aqui, estou aprendendo a praticar o desapego:
A propósito: este post saiu atrasado, mas foi porque esta mãe aqui passou o domingo com o umbigo no fogão.
Abraço a todas as mães, incluindo a minha!

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14 Comentários

  1. kkkk, Lá, eu tb passei o domingo em parte cozinhando, mas dessa vez foi por puro prazer, meus pais vieram passar o findi comigo e isso valeu demais, mas se é para definir um pouco como sou como Mãe, já falei, sou Mãenga, meio mãe meio galinha rss, beijos

  2. Lá, parabéns pelo seu dia de mamãe. Eu já sou grandinha, mas para minha mãe escrevi: obrigada por aturar minhas trapalhadas, meus resmungos, minha TPM e minha falta de jeito. Acho que ser mãe é parir diariamente um amor incondicional por seres imperfeitos como eu, como todos nós.

    Beijos

  3. hahahahaha Adoooro seu blog! Sei que preciso comentar mais! Mas sempre leio!!
    Fabulózissimas as pinturas!
    Uma mais linda que a outra!! Amo impressionismo! Fico fascinada! e as vezes até arrepiada!
    rsrs…

    Agora mamãe com umbgo no fogão foi demais!

    Um beijo La! E feliz dias das mães todos os dias!

  4. desapego, eita palavrinha dificil;
    de presente de dia das maes eu ganhei a fulga de Cleo: ela fugiu de novo e nao a vejo deste ontem… TEnho que aprender esse tal desapego (p.s: qd ela voltar eu a tranco dentro de casa, de novo, pra ela nao fugir, de novo)

    Feliz dia das maes!

  5. Laély
    as pinturas são maravilhosas. Não conhecia não. Valeu pela dica, conhecimento e beleza.
    Agora, os cartõezinhos!!!! Que gostoso. Tenho um monte deles guardados numa gaveta e de vez em quando releio.
    Boas lembranças
    abs

  6. Roberta, passar dia das mães com a mamãe é privilégio.

    Cris, você é tão novinha! Acho que não são do seu tempo, mas clássico da nossa múisca é atemporal.

    Juju, que coisa linda isso que falou sobre maternidade. Será que já passou pela experiência? Pois é isso mesmo: a gente cresce, mas continua sendo "filha da mãe", com direito a todos os defeitos, às vezes até amplificados; e ela, continua a nos amar. Não vislumbro nada diferente, em relação aos meus filhos.

    Mari, acho que o Impressionismo é o que mais me impressiona, de todas as escolas de pintura.

    Macá, não posso ter uma pintura impressionista em casa, mas a pintura do filho, expressionista, é "de grátis".

    Oi, Roberta!

  7. Hum que tipo de mãe seria eu? posso pensar rs…
    To aqui na casa de mamis passando a semana, vida de madame, rivotril em dia, me empanturrando e evitando a fadiga sempre!
    Sabe que vc me fez relembrar meus natais em família com esse seu post? Meu tio narciso cantava no demônios, trem das onze e samba do arnesto nunca faltavam no repertório no piano, muita eliz tb, bons tempos…
    beijos querida e parabéns atrasado pelo seu dia ( e irmã mais velha é meio mâe tb rs)

  8. Alo,Laely!
    Sabe,agora ja esta pssando da meia noite…Tive um dia meio atribulado,mas antes de dormir,resolvi dar uma espiadinha no PC e te encontro no meio dessas lindas pinturas e da musica do Adoniram Barbosa (Rs…Rs…)!
    E fiquei rindo…Sabe porque? E que na festinha do dia das maes aqui do meu pequenino,eu mesma tive de cantar a musica do Trem das Onze! Ou seja,"paguei o maior mico"na frente das outras maes e dos alunos! (Rs…Rs…)
    Ja imaginou? Eu la no patio da escola e cantando no microfone igual ao show do Chacrinha ! O que e que uma mae nao faz pela alegria do seu filho,ne? (Rs…Rs…}
    Mas sabe de uma coisa? No final das contas eu ate me dei bem,viu? A mulherada achou que eu levo o maior jeito pra coisa …Me deram os parabens e virei assunto na rodinha delas…(Rs…Rs…)
    Pois e,acho que sou artista e nem sabia…(Rs…Rs…}!
    Mas toda mae e meio artista,ne? E canto o Trem das Onze de novo pra quem disser o contrario!{Rs…Rs…}

    Meu abraco musical pra voce,minha amiga!
    Teresa

  9. Uau!!!
    Que foto super do Pingo!!! Que contorcionismo!! Nina (a gata) ainda não chegou neste estágio de poder sobre o corpo, mas dorme cheinha de charme também!!!

    Beijins!

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