Abrindo portas…

Sou do tempo em que Rin Tin Tin e John Wayne revezavam-se, nas tardes de aventura na TV( nem há tanto tempo assim, não é?…). O gênero faroeste, com seus tipos durões, não era exatamente o que agradava garotinhas como eu; mas as aventuras do cabo Rusty e seu esperto pastor-alemão eram acompanhadas, com fidelidade canina.
TV a cores, ainda era artigo de luxo. Talvez por isso, a lembrança que tenho dos filmes ambientados no faroeste americano, seja de um lugar solitário e cinzento.
Bem diferente das cores fortes e contrastantes que aprendemos a apreciar, nos trabalhos da mexicana Frida Khalo:
A “Casa Azul”, residência da artista, foi transformada em museu em Coyoacán, México:
Quando vi algumas fotos da Galeria ScenicSW, no Flickr, pensei que vinham da terra de Frida: retratos de natureza semi-árida, céu, pintado em tons quentes, cactos esculturais e flores, que impressionam pela beleza e exotismo. Mas, as aparências enganam…
Para minha surpresa, descobri que o autor das belas imagens era um americano: Bill mora em Tucson, Arizona, e fotografa por hobby.

A região de clima árido e semi-árido faz fronteira com o México. Era habitada por índios nativos, milhares de anos antes de chegarem os primeiros colonizadores espanhóis.
De 1821 à 1848 pertenceu ao México, sendo incorporada ao território americano após esse período, finda a guerra entre os dois países.
A cidade de Tucson, retratada pelo fotógrafo, possui verões menos quentes e invernos amenos, comparativamente à capital, Phoenix. Isto se explica pela maior altitude, da primeira.
E, se ainda não lhes parece região conhecida, é só lembrar que o Grand Canyon fica nesse estado.

O preâmbulo foi apenas para nos situar e fazer-nos compreender a riqueza cultural, geográfica e arquitetônica do lugar.
O que me chamou a atenção, além da exuberância das fotos de natureza, foram as belas e coloridas portas, clicadas por Bill. Tratei de entrar em contato com ele, usando o meu parco e limitado inglês.
Quando o pequeno cabo Rusty se via numa situação difícil, gritava: “Yo ho Rinty!”, para chamar seu cachorro. Eu não tenho cão, tão esperto; no máximo, um bobão como o Hulk, que não ajudaria a resolver meu problema de comunicação.

Melhor que cachorro famoso é poder contar com a ajuda do filho: meu pequeno foi quem corrigiu a primeira mensagem em inglês, enviada ao Bill. Tempos modernos…
O resultado desse intercâmbio de mensagens foram as fotos, mostradas a seguir:
Lembrando nosso nacional poetinha, emolduro as belas imagens do fotógrafo americano com um poeminha de Vinícius de Moraes, muito conhecido das crianças( pelo menos, daquelas que costumavam assistir Rin Tin Tin, na TV):

A Porta
Eu sou feita de madeira
Madeira, matéria morta
Mas não há coisa no mundo
Mais viva do que uma porta…
Eu abro devagarinho
Pra passar o menininho…
Eu abro bem com cuidado
Pra passar o namorado…
Eu abro bem prazenteira
Pra passar a cozinheira…
Eu abro de supetão
Pra passar o capitão…

Só não abro pra essa gente
Que diz (a mim bem me importa…)

Que se uma pessoa é burra
É burra como uma porta…
Eu sou muito inteligente!
Eu fecho a frente da casa…
Fecho a frente do quartel…Fecho tudo nesse mundo
Só vivo aberta no céu!
( Aproveito para agradecer ao Bill, que mui generosamente abriu as portas do seu Flickr, permitindo-me que expusesse aqui, esta sua visão privilegiada: “thank you, Mr. Bill!”)
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Ossos do ofício

(Não é papo de especialista no assunto, nem de alguém que descobriu a pólvora: apenas, uma reflexão para os que têm filhos, como eu…)
Galeria no Flickr de Pink Sherbet Photography

A escritora Lya Luft, num artigo publicado na última (ou, seria penúltima?!) edição da revista Veja, expressa sua melancolia em relação à forma como os adolescentes de hoje têm lidado com o sexo. Uma educação frouxa e pretensamente moderna, aliada à pressão do grupo para que assumam uma postura liberal, arrasta-os à práticas, nem sempre desejadas, e a comportamentos arriscados.
Etapas são “queimadas” e, muitas vezes, uma criança é catapultada à vida adulta, sem cumprir a fase de transição natural, que é a adolescência.
Esses mesmos adolescentes, poderão se tornar adultos infantilizados e imaturos.

Não parece um paradoxo?…Enquanto crianças, são tratados como os adultos, na relação familiar: ditam as regras, dominam os pais, desrespeitam professores, acreditam( e são estimuladas a isso!) ser os “donos do mundo”!
Na festinha de aniversário do coleguinha, a criança é mal-educada, atropela os outros e não escuta a reprimenda tímida, feita pela mãe:
“Ah! Esse menino tem uma personalidade tão forte!” justifica a responsável( pelo mau comportamento…), um tanto embaraçada mas, convencida de ter gerado um projeto de Einstein!

O “fofinho” cresce. E o que era interpretado como uma atitude “saudável e recomendável” de inteligência e auto-suficiência, passa a ser vista como sinal de descontrole emocional, incapacidade para assumir compromissos e responsabilidades, imaturidade…
Wikimedia Commons

É certo que os tempos mudaram e, da época do “papai sabe tudo” passamos à era do: “papais não sabem de nada!”
Essa geração de pais, na qual me incluo, ficou órfã de “certezas”; insegura, em relação aos seus deveres e direitos. A divisão foi parcial: parece que só nos restaram deveres, enquanto para os filhos, os direitos.
Vintage Family Project

Ficamos num vácuo de valores, onde a permissividade virou regra e o limite, conceito retrógrado(“diminui a criatividade e a auto-estima das crianças”, justificam alguns!).

“Quando as palavras saem da moda, as coisas que elas designam ficam boiando no abismo dos mistérios sem nome…”(Olavo de Carvalho, em O abandono dos ideais)

E assim, ficamos nós: boiando, num mar do “pode-não-pode”, enquanto nossos filhos crescem, embalados nessa marola.

De uns tempos(modernos) pra cá, houve uma progressiva psicologização e patologização das relações familiares, como se tudo o que os pais fizessem, ou deixassem de fazer, fosse responsável por tudo o que viesse a acontecer de ruim com os filhos. A culpa, passou a fazer parte do pacote da paternidade.

É necessário diferenciar poder, de autoridade. Uma autoridade tem poder, mas nem sempre o poder, autoridade.
Não somos “donos” dos filhos, mas temos a obrigação de exercer nossa autoridade, como pais. Isso inclui, impor-lhes limites.
Não é conselho meu: psicólogos, educadores(como Tânia Zagury), psiquiatras(como Içami Tiba) e até a escritora, citada no início do texto, alertam para a “importância de saber dizer não”!
Então, companheiros e companheiras, vamos para a frente do espelho, ensaiar um pequeno texto, de tão difícil interpretação, para aprender a dizer: “não, isso não pode!” Siim! Isso pode!
Só não pode falar “não”, por falar! Porque é mais cômodo. Porque a gente tá cansado e não quer parar e pensar nas consequências de um possível “sim”. Seria injusto. Bat-Blog

Outra dia, num plantão, fui chamada a atender uma adolescente em “crise”. De longe, escutavam-se seus gritos de choro, motivo de ter sido levada à emergência, pelos desesperados pais.
Não sou nenhum Dr. House mas, logo ao entrar no quarto, fiz um “pré-diagnóstico” da situação: uma descontrolada menina-moça de 14 anos, mal contida por um desconcertado casal, que pareciam ser os pais.
A menina havia acabado de deixar o consultório da psicóloga e estava indomável!
O excesso de maquiagem escondia o rosto perfeito da adolescente, mas era uma criança num corpo de mulher, ainda em formação: usava shortinho e um top, decotado e curto, revelando o piercing no umbigo.
Se o corpo fala, e eu acredito nisso, o que ela estaria dizendo?:
“Meninos, olhem pra mim! Eu já estou ovulando!”
Ou então, uma declaração desesperada aos pais, a quem acusava de controladores e insensíveis:
“Atenção, mamãe e papai! Eu não sou mais uma criança!
Respeitem a minha vontade e falem a minha língua!”

Não precisei de muita conversa, muito menos remédio, para que a menina, inicialmente incontrolável, levantasse do leito num pulo e, retomasse o “controle” da situação: de maneira ríspida, ordenou à mãe que a levasse pra casa e,”A-GO-RA!”, como tratou de esclarecer!
A mãe olhava pra mim, como se estivesse a suplicar que eu falasse alguma palavra mágica, ou prescrevesse algum remédio, capaz de trazer de volta a menininha dócil e gentil, que estavam acostumados a tratar…

Pobre menina, não tem ninguém“…a adolescente nem era nascida nessa época, mas parecia acreditar piamente no que diz a letra da música!
Argumentaria com uma outra, mais recente, não tão “recente” quanto nossa jovem rebelde:

“Você me diz que seus pais
Não entendem
Mas você não entende seus pais…
Você culpa seus pais por tudo
Isso é absurdo…”

Embora não tenha sido uma fã de Renato Russo, Pais e Filhos continua atual.

Pobres pais…

Pobre de mim, tão limitada: há certos remédios que não vêm em cápsulas, nem em vidros de xarope. Varinha de condão, também não resolve( nem tenho!): o conceito pode ser meio antiquado, mas o livre arbítrio ainda é coisa importante.

Quando acontece com os outros parece mais fácil, não é?
Todos nós, colocaríamos nossa bonita capa de super-pais e afirmaríamos:
“Isso nunca aconteceria comigo! Eu jamais agiria assim!…”

Ei!
Psiu!
Pode baixar a bola!
Antes que alguém se adiante, cautela é recomendável( e “colocar as barbas de molho”, também!): um julgamento superficial seria injusto, tanto em relação à menina, quanto aos pais.

Convivi com uma pessoa que se achava “dona da verdade” e gostava de ensinar os outros “como ser melhores pais”! Tão admirável!…Até que, as suas crianças, tão perfeitas, cresceram e começaram a ter problemas( como todos nós, pobres mortais!). Quem “ensinava”, aprendeu uma lição: a da humildade.
Há situações que fogem ao controle, mesmo…
Um Ser perfeito criou um casal perfeito, à Sua imagem, deu-lhes um lar perfeito e, de tudo que necessitavam. Mesmo assim, as coisas não deram muito certo…

É necessário que os pais cumpram seu papel, procurando agir com sabedoria, amor, paciência, coerência, justiça e humildade. Mas, sejamos honestos: quem consegue isso tudo, ao mesmo tempo, o tempo todo?!
Enquanto a responsabilidade nos impele à capacitação, a culpa nos paraliza.
“Dize-me com quem andas e te direi quem és” pode até expressar uma sabedoria popular, porém, é conclusão limitada e preconceituosa. Alguém mais esperto, lembrou: “Judas andou com Jesus e, vice-versa”.

Fiquei pensando: como poderia concluir este post e dar algum alento a pais que, assim como eu, “preocupam-se em ajudar a formar cidadãos, os filhos, aptos a transformar o mundo, num lugar melhor para todos”?
É um tipo de assunto que não se esgota, onde não caberiam palavras de efeito, tipo: “ser pai/mãe é padecer no paraíso”, por isso: “não entrem em pânico!”
Ou alguma outra vã filosofia, saída da boca de um “pai-guru”, como Hommer Simpson:
“Eu não sou um cara mau! Eu trabalho duro e amo meus filhos. Então, por que eu deveria desperdiçar meio domingo ouvindo sobre como eu vou para o inferno?”Mais uma dele, nosso “exemplo” de pai:
“Quando eu vejo os sorrisos nas faces das crianças, eu sei que elas estão aprontando alguma coisa.

Já que estamos tratando de sabedoria, vale esta:
Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”( A. S. Exupéry)
E, lembrando Cazuza:
“O tempo não para…”
Conclusão minha: o trabalho de cuidar e educar nunca termina!
Baseado na experiência e consciência de cada um, qual seria então, o segredo para exercer uma paternidade, responsável e ideal?…
(Podem preencher os pontinhos, pontinhos, acima!)
Galeria no Flickr de Cristian Montone

Que a tarefa é árdua, isso não podemos negar! Mas, não resistindo aplicar aqui outra frase, de “sabedoria inquestionável”, proferida por uma de nossas damas na política:
Apesar de tudo…
“Relaxem e aproveitem!”

( E aproveitem, saboreando uma deliciosa leitura no Fio da Meada, da Silmara Franco, para exorcizar essas culpas com algumas boas risadas: “Segredos, mentiras e biscoitos recheados”)

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"Dia da toalha"

Não entendeu nada?…
“Não entre em pânico!” Eu também, não.
Meu menino do meio veio com essa conversa, no fim de semana: em tom de manchete de Jornal Nacional, anunciou que em 25 de maio é comemorado o “dia internacional da toalha”.
Duvidando da seriedade da informação e achando que havia entendido mal, pedi-lhe que me repetisse, pelo menos umas 3 vezes! Explicou-me que se tratava de uma homenagem a Douglas Adams, escritor da saga O Guia do Mochileiro das Galáxias, que inclusive rendeu um filme homônimo.
Como Sílvio Santos costuma falar: “eu não li o livro, mas o filho leu e disse que é muito bom! Eu não vi o filme, mas o filho viu e disse que era bom!”
Se ainda acha que isso é história minha, ou do filho, pode confirmar a informação na Wikipédia, que não nos deixa mentir.
Como nerd assumido e fã da série “mochileiro”, o adolescente foi para a aula hoje com uma toalha pendurada no pescoço, sem se importar muito com a “micagem”, diante da turma.
Joguei a toalha e o deixei à vontade: que prestasse sua inocente e bem- humorada homenagem.

Pegando carona nessa viagem, resolvi fazer um post especial sobre banheiros, “reconhecendo, indiretamente, a importância desse instrumento, tão pouco valorizado na sociedade consumista dos nossos dias: a toalha, nossa amiga, das horas certas e incertas! Anotem, aí: meu nome é La-ééé-ly!”

Exageros à parte, mostro alguns exemplos, exageradamente simpáticos:

Poderia ser apenas um banheiro, com sérias limitações de tamanho, mas a falta de espaço foi compensada com classe e glamour, de sobra:
Apartment Therapy

Lembrando nosso dia especial, dois projetinhos da “tia” Martha:

Martha Stewart

Tem gente que tem o mau hábito de rabiscar porta de banheiro. Coisa feia!…Mas aqui, isto é permitido:
Apartment Therapy
Um espelho valoriza qualquer ambiente, principalmente, ambientes pequenos como o banheiro:
made by girl

Pastilhas coloridas e arzinho vintage:
desire to inspire

“Ops! Cadê minha toalha?”

Amei o colorido deste aqui:
stevens accidents, no Flickr

…E
a simplicidade deste: Decor8

Talvez nosso mais memorável “representante da toalha” tenha sido o homenzinho azul, da propaganda dos cotonetes Johnsons, na década de 80. Mas deixo o irresistível banho do ratinho do Castelo Ra-tim-bum, como homenagem à nossa memória afetiva:

O dia já acabou mas a noite, não!
Ainda há tempo de sair por aí, enrolado na sua toalha. Só não me culpem, se o julgarem excêntrico: É culpa de Douglas Adams e suas viagens…

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Móvel grafitado

O artista Thiago Frias transformou uma cômoda antiga, herança de família, numa peça pra lá de moderna e surpreendente.
A grafitagem no móvel foi mostrada na revista Casa e Decoração deste mês:
Mais trabalhos do Thiago podem ser vistos na Galeria do Flickr.
Detalhe importante: a cômoda não está à venda.

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