Em busca da felicidade(?)…

Hoje o plantão foi “heavy”. Daqueles dias em que a gente cansa de ver gente pela frente.
Queria mais era “fugir pra outro lugar, baby”…de preferência um, onde pudesse ficar isolada!
Mas há outras formas de fugas…

Numa semana em que a força da natureza rendeu tristes manchetes, a primeira frente fria do ano chegou por aqui, despedindo finalmente o calor do verão. Este, parece ter saído de cena, não sem antes fazer um baita estardalhaço pelo Rio.
Mas não vamos culpar a natureza, nem nos deter nas possíveis causas da magnitude dessa tragédia urbana. Sobre isso, há especialistas no assunto escrevendo mais apropriadamente,
como aqui.

Frio e natureza, não necessariamente nessa ordem, acabaram “refrescando” minha memória sobre um tema que planejo escrever há mais de um ano.

Porém, antes de embarcarem nessa aventura radical, recomendo preparo físico e psicológico para enfrentar situações extremas: espingarda em punho para enfrentar feras, GPS( alguém aí, saberia usar esse instrumento? Sou capaz de me perder, com e apesar dele!…), um canivete suíço-faz-tudo, galochas e roupas pesadas para enfrentar um inverno eterno, incomparavelmente mais rigoroso que o nosso!
Apesar da polêmica em relação à seriedade do programa À Prova de Tudo(Discovey Channel), poderíamos fazer uma “vaquinha” e contratar a assessoria do apresentador-aventureiro Bear Grylls. Um breve curso sobre técnicas de sobrevivência seria muito útil.
Imagino que, à esta altura, alguns já tenham desistido. Compreendo. Melhor pensar bem antes de prosseguir nessa viagem, em busca de auto-conhecimento e liberdade. Desprendimento e coragem são necessários. Vamos, para “onde os fracos não têm vez”…( com todo o respeito à liberdade de escolha)
Avisados todos, então: “que a força esteja com vocês”*, pois daqui para frente “não existe tentar, apenas fazer”…
*(Star Wars)
**(Mestre Yoda para Luke Skywalker, em “O império contra-ataca-Star Wars”)

Já falei aqui da minha admiração pelo trabalho de Sean Penn.

O ator-diretor aguardou pacientemente 10 anos para concluir “Into the Wild“, trabalho que passou injustamente despercebido do grande público.
Tanto tempo de espera deveu-se, não à ineficiência do diretor, mas à necessidade de aprovação da família para que o filme fosse rodado, baseado na história real de Chris Mclandless.

Aviso aos de “coração fraco”: não é um filme leve, fácil de assistir. Não que seja enfadonho, ao contrário: a história prende, do início ao fim, tem direção segura e irrepreensível, conta com ótimas atuações*, locações de tirar o fôlego e trilha sonora perfeita!(*Emile Hirsch, que interpretou Chris, perdeu 18 kg para compor o personagem. Hal Holbrook, que fez Ron Franz, recebeu indicação ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante)
Não estou falando como simples expectadora, mas como mãe de 3 filhos: imaginar que essa história aconteceu, exatamente como no filme, pode fazer arrepiar os cabelinhos de qualquer pai, até dos mais calvos!
Um detalhe a se lastimar foi a tradução que o título ganhou no Brasil, de sonoridade horrorosa: “Na Natureza Selvagem“. Tudo bem. Não chega a comprometer. Relevemos.

Vamos aos fatos…

Faz parte do processo natural de amadurecimento dos jovens, nutrir certa rebeldia contra os pais. Um período de tensão pode ocorrer na passagem da adolescência para vida adulta, o tão falado “conflito de gerações”, quando duas linhas de conduta entram em conflito: o que os pais querem X o que os filhos querem. Quando há diálogo e compreensão é mais fácil( Não simples!).
A vida do jovem de 22 anos, único filho homem numa família americana de clase média alta, dividiu-se num “antes e depois”:
Até se formar no colegial e faculdade ele era Chris Mclandless, filho obediente, irmão dedicado, aluno acima da média, com uma carreira promissora pela frente. Mas essa aparência de “vida perfeita” não lhe satisfazia.
Sem dar nenhuma explicação, logo após a formatura ele doa todo o dinheiro que tinha na poupança, 24 mil dólares, para uma instituição de caridade e some no mundo, literalmente. Deixa para trás a família, cartões de crédito, identidade e todas as referências à sua vida anterior, como um legítimo Mclandless. Renega o próprio nome e se auto-nomeia “Alexander Supertramp”, mais apropriado à sua nova vida: simplesmente, um andarilho.
Mas não pensem vocês que ele era um desvairado, um bicho-grilo, ou criatura anti-social.
À medida que imergimos na história de Chris e conhecemos sua natureza, nada selvagem mas, gentil e amável, é impossível não admirá-lo. A pergunta, é: qual o limite, onde fica a linha tênue, que separa persistência e empenho de obstinação e teimosia?
E Supertramp era um obstinado: planejava passos menores para dar, o maior de todos.
Ele viaja por 2 anos pelo interior dos Estados Unidos, de carona em carona, de cidade em cidade, de emprego em emprego; conhece pessoas, muda a vida de algumas, é influenciado por outras, mas não desvia sua atenção e energia da maior viagem, que ainda estava por fazer. Amadurece a olhos vistos, mas é movido por sua natureza indomável em direção à outra, mais ao norte: às terras selvagens e inóspitas do Alasca. The Call of the Wild, de Jack London, apela irresistivelmente àquele rapaz. Seria ele e mais ninguém, apenas a natureza, selvagem.
Uma viagem, com data para começar e acabar: enquanto durasse seu suprimento de arroz ele estaria garantido durante o inverno, até a primavera chegar. Registrava tudo, metodicamente, em seu diário. Como abrigo, improvisou uma casa dentro de um ônibus abandonado, no meio do gélido e solitário nada…

Primeiro trabalho solo de Eddie Vedder, vocalista do Pearl Jam, a trilha sonora não se faz de pretensiosa para competir com a grandiosidade da natureza retratada no filme, mas funciona como pano de fundo ideal.
Optou pelo som acústico, folk, onde predominam instrumentos de corda, tocados, na sua maioria, pelo próprio músico. Vedder usa sua voz, cristalina e forte como as corredeiras de um rio no Alasca, para fazer um trabalho “fenomenal”, que rendeu: 1 Globo de Ouro, como Melhor Canção Original – “Guaranteed”, 1 indicação, também no Globo de Ouro, como Melhor Trilha Sonora e uma indicação ao Grammy, como Melhor Canção Original – Filme/TV/Mídia Visual – “Guaranteed”.

Convenceram-se de que é uma dica musical imperdível?… Mais um argumento, musical:

O cd é tão enxuto que ao final de suas 11 músicas dá um gostinho de “quero mais”!
Magnífico, até para quem não é fã de Pearl Jam!

O filme, de 2007, foi inspirado no livro homônimo de Jon Krakauer, jornalista de aventuras. Ele mesmo um experiente alpinista, também escreveu “No Ar Rarefeito”, que teve bastante repercussão em 1998.
Jon esmiuçou a vida de Chris e pesquisou obssessivamente cada detalhe que poderia ter motivado o jovem a fazer essa viagem, solitária e perigosa.
A narrativa é tão arrebatadora e eletrizante que devorei o livro em 2 dias!

Para entrar no clima e na cabeça desses livres aventureiros, Jon também relata outras histórias de exploradores. Tudo verdade. Não é história de pescador, não.

Quando assisti pela primeira vez o filme de Sean Penn, sobrou um frio na barriga, no final.
Ventos, soprados do Alasca?…
Ou teria Chris aprendido, que:“de que adianta liberdade seguida de solidão? A felicidade só é real quando é compartilhada“?

Não conto, não conto, não conto!…
Melhor é a surpresa. Desequilibra.
Colocamo-nos, ora na pele dos pais, ora na pele do jovem.
É doído, como frio congelante na espinha…
Têm coragem? Arrisquem-se…

Fontes: adorocinema, Omelete, Calmantes com Champagne 2.0, Wikipédia

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20 Comentários

  1. Oi Laély,eu assisti esse filme e é realmente arrebatador,não há como ficar imune,é uma lição!!
    Só teve uma parte que eu não gostei,foi a minha sogra que ficou assistindo o filme junto e reclamando o tempo todo,ela não conseguia entender a essência e só criticava.Haja paciência!!
    Beijos
    Nani

  2. Laély, adorei a dica e vou tentar pegar o filme este fim de semana. Será que terei pesadelos depois? Ai, perco o sono pensando na adolescência do Bê, quando ele deixará de me achar tão bonita, inteligente, poderosa… Ai, já sei que vai doer… Mas sei que pior é quando o adolescente não se rebela nem um pouquinho, né? Importante é ele encontrar seu caminho… Tenho uns 10 anos para me acostumar? Será? Obrigada pela dica. Beijos.

  3. Nani, não quis que a sua sogra desse uma voltinha pelo Alasca, não? Aff! Ninguém merece. Não gosta, não assiste, ué! rsrs
    É que a gente tem de se deixar levar junto, na viagem.

    Tati, pode se acalmar que você ainda tem bastante tempo ainda, pra se adaptar!
    Antecipo: não dói, tanto…
    Acho importante que a gente, como pais, aprenda a ouvir os filhos, desde pequenos.
    Meu menino mais novo, de 10 anos, tá numa fase de perguntar. E faz as mesmas perguntas, "n" vezes! Ele tá obcecado com a ideia de derrubar o comunismo no mundo. Sabe aqueles planos mirabolantes, tipo "Pink e o Cérebro"? Pois, é. Cansa. Mas, na medida do possível, da paciência, da sapiência, a gente procura responder, sempre, mesmo que seja com um: "não sei".
    Acho que isso é investimento no futuro da nossa relação. Espero que, quando ele estiver maior, também pare para nos escutar.
    Mas não é simples assim, não, viu?
    A gente faz o que pode.
    Abraço!

  4. Laély, tô me preparando desde agora para assistir ao filme no fim de semana. Mas, olha, manteiga derretida que sou, não me responsibilizo se precisar de um socorro médico e te tirar da folga merecida (rsrs). Lá vai o mesmo refrão: Como escreves, menina! Das panelas à literatura, das coisinhas cute cute à música, dos gatos da casa à crítica de cinema…
    P.S: "Se eu fosse você", passaria nos Correios… (sou estômago frio também). Boa noite! Beijo

  5. Ei, Rosana!
    Hoje foi, realmente cansativo. Queria ir para o Alasca, esfriar a cabeça. ( Melhor: para alguma ilha do Caribe…rsrs)
    Um elogio desses, vindo de você…bem, mas você é amiga, né? rsrs
    Deixou-me curiosa…
    Depois, conto.

    Verônica, você é muito fofa! Obrigada, querida!
    Mas já deixei avisado que o filme não é para "corações de manteiga"…rsrs

  6. La, eu vi este filme pq meu filho mais velho amou e quando ele gosta de um filme a familia toda tem que ver, é lindo, mas só consegui ver uam vez, muito triste para mim que fiquei mesmo imaginando a vida dele e da familia, vale pela reflexão.( meu filho comprou o dvd e já viu muitas vezes)eu não tive mais coragem.

  7. Mara, que prazer!
    Eu tenho o DVD, o cd e o livro.
    Confesso que me faltou coragem extra, para voltar a assistir.
    Mas a trilha sonora é outra viagem, deliciosa!
    Abraço!

  8. Sua dica foi excelente.
    Eu li o livro, não conseguia parar de ler. Eh muito bom!

    E vi o filme, achei que ficou boa a adaptação.

    A trilha sonora é apaxonante.
    Deu vontade de reler o livro, vou criar coragem rs.

    Bjos e excelente indicação!

  9. Menina má…aqui não há locadora, nem livrarias, nem nada…snif. Mais um filme/livro acumulado para ser visto/lido em julho. Beijocas!

  10. Oi, La

    Este filme é um tanto perturbador e, talvez por isso mesmo, fantástico! Assisti já tem um tempinho… Confesso que o filme tem algo de melancólico demais para o meu gosto e sofrido demais (na parte final). Isso sem falar que o frio é algo que me entristece, me faz sofrer.

    Desde que sou criança, lá no Rio, ouvia as pessoas falarem que no frio todos ficam mais elegantes. Não entendia isso porque no Rio, talvez, não houvesse tradição de bem-vestir no frio. Mudei para o Sul de Minas, onde no inverno a tempratura chega com facilidade a 8 graus e em alguns dias a 1 ou 2 graus, e aí então eu compreendi…

    Compreendi que não há elegância que resista a um frio deste, porque acabamos por nos vestir como bruxinhas de pano, com uma roupa em cima da outra, engordando alguns quilos. Por conta desta frente fria, há dois dias tenho que dormir abraçada a uma bolsa de água quente e cheia de agasalhos. Ontem falei com o marido: "eu sofro muito com o frio, estou com uma angústia enorme, tenho vontade de gritar, sair correndo, sumir" E ele me respondeu: "o frio oprime". TAlvez seja isso… O paraíso, para mim, certamente tem um céu lindamente azul, um sol bem quentinho e é possível mergulhar em água e sair com uma sensação prazerosa de refrescância…rs

    Dica primorosa de filme, La!

    beijo

  11. La, assisti esse filme na TV, sem saber bem do que se tratava (adoro aventuras cinéfilas, em que começo a ver algo sem nem olhar a sinopse). Foi meio como um soco no estômago e logo pensei que meu filho iria gostar muito, mas não tive coragem de falar sobre o filme. Coisa de mãe…
    Bj

  12. Oi Laély!
    Finalmente uma crítica merecida desse estupendo filme, arrebatador! A trilha sonora acompanha o sentimento, e nos sentimos de fato, ora na pele do jovem, ora na pele dos pais! Acabei comprando o dvd, amo o cd, e acho que depois de ler o que você escreveu (muito bem escrito, diga-se de passagem), está na hora de assistir de novo!! E com esse frio, nada melhor que um sofá e um filme (bom)! Obrigada pelo excelente post!

  13. Oi Laély! Uma crítica merecida desse estupendo filme, arrebatador! A trilha sonora acompanha o sentimento, e nos sentimos de fato, ora na pele do jovem, ora na pele dos pais! Obrigada pelo excelente post!
    Passa lá no meu blog para um café.

    Beijoca!

  14. Laély, você foi magnífica falando do filme… Parabéns!!!!
    Quero assistir. Vou te falar, não gosto de filmes muito tristes, e nem com muito frio, sou como nossa amiga Claudia Mello, fico triste com muito frio,mas adoooooro um bom filme, e este com certeza o é, então vou assistir e depois te falo ds sentimentos que tive ao longo do filme
    Um beijão
    Telma

  15. Taia, vai ficar na vonatde, então. Anota aí, na sua próxima bagagem.

    Cris, obrigada!

    Cláudia, apesar de vir da linha do Equador, eu prefiro muito mais o frio, mas não o "FFRRRIIOO", né?
    Realmente, a gente parece se cansar menos, dá para se arrumar mais, aquelas coisas que a gente só faz no inverno.
    Mas já está provado que, em países muito frios, onde o inverno é muito longo, há uma tendência maior à depressão. Tem a ver com a incidência de luz solar por dia; altera o humor.
    Mas o frio, aqui de Santa Teresa, não é tão rigoroso, assim.
    Abraço procê!

    Ana, levei o mesmo "soco"!
    Assisti com o filho mais velho.

    Andreia, está entre os meus preferidos, também.

    Luciana, experimente ler o livro, então. O filme foi muito fiel, mas há mais detalhes. Também, muito tocante, questionador!

    Oi, Telma!
    Respire fundo e vá, até o fim!

  16. Nossa Laély…amo Sean Penn, assim como amo Pearl Jam ( fui ao show em SP!!!!).Já havia visto comentários do filme, mas ainda não tive oportunidade de vê-lo…a música é linda. Pelo jeito Sean Penn também é fã do Eddie Vedder, em um outro filme, em que ele é ator principal, "Os últimos passos de um homem", a trilha sonora também é made in Eddie Vedder. Você já assistiu…Um grande abraço…(Amo este blog,rsrs)

  17. Puxa, Melinha! Eu fiquei impressionada com esse outro filme do Sean Penn! Não sabia que a trilha foi feita pelo Vedder. Uma boa oportunidade para reassistir, mesmo porque, nem todo mundo viu, por aqui.
    Sobre Meninos e Lobos, também é fantástico! .
    A trilha do Into the Wild mereceria um Oscar! Sean Penn deu carta branca para Vedder trabalhar. A parceria então, deu muito certo!
    É uma filme pra viajar, com certeza!
    Abraço!

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