Gostaria que estivessem aqui…( 1° capítulo)

Diálogo entre mãe e filho :
-Eu não consigo entender como Fulano* pode ser amigo de Cicrano*; um é “tão assim” e o outro é “tão assado”!…
-As pessoas não precisam ser parecidas pra se tornarem amigas.
(*Os nomes são fictícios mas a história, real.)
A primeira afirmação denota imaturidade e preconceito. Se alguém aqui achou que foi o filho que a fez, caiu na mesma cilada que condenou, pois foi ele quem deu o puxão de orelha na mãe, no caso: eu.
Colocando em prática a lição aprendida, esta semana acolhi amigas de sotaque, estado e história de vida bem diferentes da minha.
Quando contei a alguns que receberia pessoas que não “conhecia” na minha casa, devo ter causado estranheza: “Mas, como assim?!”…
Lancei descompromissadamente uma isca nesse mar virtual, há algum tempo: a promoção “Que cara tem a sua casa?” . Para minha surpresa, pois sou pescamadora(pescadora amadora), pesquei “peixes grandes”: pessoas especiais, que me acompanharam desde então. Assim foi com a Rosana Sperotto.
Começamos a tocar uma amizade pelos bastidores, como numa orquestra afi(n)ada: muitas vezes eu pensava uma coisa e ela complementava; noutras, era o contrário.
Houve sincronicidade, até na hora de nos conhecer: tivemos a mesma ideia, ao mesmo tempo.
Combinamos mostrar o encontro fazendo posts irmãos, não gêmeos, pois cada uma o descreverá do seu jeito.
A Rosana é mestra em contar histórias, vocês entenderão. Ela é jornalista, e faz parte da profissão dela saber usar bem as palavras. Além disso, o plus: é uma pessoa com mel, um docinho suave, nada enjoativo. Ainda como prêmio acabei conhecendo a Jane, também jornalista e amiga de muitos anos da Rosana, que a acompanhou nessa aventura pelas terras capixabas.
O trio, “armado”…
Confirmada a vinda, mudei minha área de atuação para guia turístico e tracei toscamente uns roteiros, para que voltassem ao RS com uma boa impressão do ES. Uma semana é pouco; alguns programas acabaram ficando de fora, por absoluta falta de tempo.
No primeiro dia, demos uma voltinha pela orla de Vitória e Vila Velha. Pra que possam entender melhor: Vitória é uma ilha, unida ao continente por pontes. Vila Velha é uma das cidades mais próximas, do outro lado da ponte.
Aqui, a praia de Itaparica, em Vila Velha:
(Para ampliar, clique na imagem)
Já era final de tarde na terça quando rumamos para um dos poucos lugares públicos abertos num dia de feriado: o shopping. Resolvemos fazer um programinha imperdível: assistir ao filme Julie&Julia, motivo inclusive de uma promoção aqui no blog.
Fazendo uma horinha, enquanto aguardávamos a sessão pipoca( sem pipoca):
A paisagem que serviu de moldura para o encontro-Terceira Ponte e ao fundo, o Convento da Penha:Algumas risadas e lágrimas depois…Meryl Streep ganhou (mais) um Globo de Ouro por sua atuação impecável: parece ter crescido uns 20cm para interpretar a Julia Child, no filme.
Gostei tanto que fui dar uma olhadinha na cozinha de verdade de Julia Child, doação que ela fez ao Museu Nacional de História Americana, em Washington, antes de trocar sua casa por um asilo, já velhinha.
A cozinha foi projetada e adaptada para que essa grande mulher
( literalmente: Julia tinha 1,88m) pudesse trabalhar em casa e gravar os programas para a TV americana, depois que o casal voltou da França e se estabeleceu em Cambridge.
No filme vemos Paul, o marido apaixonado e dedicado, montando pessoalmente um quadro para organizar as panelas da mulher: numa cena que demonstra essa ternura e cuidado, ele se debruça sobre o painel e desenha o contorno de cada panela, facilitando o armazenamento.
Analisando as imagens, percebi que já havia mostrado o painel-paneleiro em um post antigo sobre organização,
aqui : Apartment Therapy
No link acima, podem encontrar o tutorial para esse painel. Falta arranjar um Paul, disposto a executar o projeto.
Aqui, a cozinha em exposição permanente no museu, onde Julie Powell foi fazer uma reverência à sua guru:
Gastronautas amadores

Quem quiser conhecer mais sobre a história de Julia Child poderá saborear o livro “Minha Vida na França” ( está na minha cabeceira há uns 2 meses, aguardando uma vaga na minha agenda…). Como bônus, além da leitura há fotos maravilhosas como a que abriu o post, evidenciando a intimidade, bom-humor e diferença física entre o casal, a começar pela altura: Julia era maior que Paul. Mas como já demonstramos, é uma diferença irrelevante.
No Garfadas on line poderão conhecer a história dessa cozinha, famosa para os americanos.
Não têm uma coleção de panelas, tão digna quanto a de Julia Child?
“Invente, tente, faça alguma coisa diferente”…

( Perdi o link dessa empresa de adesivos gringa. Quem souber, pode informar.)
Quanto àquela outra história de encontro entre blogueiras, poderão acompanhar virtualmente por aqui. Mas isso, só nos próximos capítulos…

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20 Comentários

  1. Láely, que encontro legal, deu até saudades de ver Vitória!!! Agora que barato esse museu hein, fico sempre imaginando a pessoa ali, usando aquelas coisas todas, é bem legal!! Minha Mãe acabou de ler recentemente esse livro, ela amou e ia me contando de tempos em tempos, eu sinto que vou amá-lo tão logo ele chegue em minhas mãozinhas rsss, beijocas

  2. Láely,Chequei de Jacaraípe domingo,onde passei uma semana maravilhosa.Amo o ES praia dos mineiros.Sei que invadimos sua praia…mas sua terra e o mar são bons demais.Tenho muita vontade de morar em Guarapari.Sou de Belo Horizonte.Beijoscinaria.blogspot.comPostei fotos de Jacaraípe.

  3. Ah Lá, que post mais delicioso de ler. Não abri nenhum link (ainda) porque as fotos do encontro encontros, os programas, sua opinião sobre o filme (que tb. ainda não vi) a paisagem estavam perfeitos e fui até o fim.
    Dias atras recebi um e-mail de uma leitora de Porto Rico mais do que encantador sobre um post que fiz. Ela nem mesmo tem blog…blá, blá…Hoje recebo outro e-mail dela (que já sabe do meu amor pelos animais), compartilhando comigo a perda de sua amiga uma cã de estimação estimação.
    Senti um misto de tristeza e encantamento (amizades virtuais) lindas que jamais poderiamos sonhar não fosse a interenet.
    Adorei o post!
    Agora vou lá abrir os links.
    bjk e linda semana

  4. ô, que delícia de encontro, duas queridas!
    E sinceramente acho que sua cozinha não perde em charme e beleza para a da Julia child, que é um espetáculo com certeza.
    beijocas

  5. Roberta, quem sabe rola um encontro, agora em março?…
    Julia Child me parece ter sido uma figura tão exuberante e engraçada quanto Hebe Camargo. Tô querendo arranjar um tempinho para o livro dela. O de Julie Powell, já li.

    Oi, Janice! O legal é que dá pra esticar o assunto, com fotos e narrativa diferentes, no blog dela.

    Andrea, acho que pra quem mora em SP, um encontro seria até mais fácil. Beijinho!

    Cinária, os capixabas têm muito a agradecer aos mineiros por essa paixão que nutrem pelo nosso litoral: isto chega a influenciar positivamente a economia local. Além do que, o que é bom é pra ser dividido, não é? Afinal, Minas nos dá tanta coisa boa!…Abraço!

    Yvone minha querida, acredito que a identificação é percebida, inclusive virtualmente.
    Esses dias, acabei me sentindo uma turista, junto com elas: foi muito agradável!

    Ei, Cynthia! Vou responder o seu e-mail depois, tá?
    Daqui a pouco, seremos nós aqui…rsrs

  6. Oi, minha guia-cicerone preferida! Chegamos!!Estamos em casa depois de uma viagem super tranquila entre muitas risadas, balanços da aventura com direito a mais uma sessão das choronas, sanduíches da Gol (porque a maratona gastronômica precisava percorrer todos os capítulos), caloraço no Rio e chuvinha pra nos receber no RS. No meio da zonzeira do cansaço, vem aquela sensação "será que tudo isso foi verdade?". Aí abro teu post, lindo, e a história volta a ganhar realidade, uma realidade, com certeza, inesquecível, daquelas de contar pros netos cheia de orgulho. Vamos ver se consigo postar amanhã o segundo capítulo da nossa estada com vocês. Abraço beeem grande!

  7. Re e Ju, podem assistir ao filme que é muito gostoso. Literalmente.

    Ei, querida Rosana! Que bom que chegaram bem. Sim, isso tudo foi meio surreal, mas real.
    Fazendo um balanço sucinto com a família hoje à noite, repassei o seu recado e aproveitei para agradecer-lhes a ajuda e compreensão. O marido só disse que vocês foram duas "pessoas muito simpáticas", o que ajudou a deixar todos muito à vontade.
    "E vamo que vamo", que tem mais aventura!…

  8. Na diferença pode estar a complementaridade, não é?!

    A minha família e amigos já não estranham que eu receba amigos que nunca encontrei antes fisicamente. Prefiro dizer assim, do que dizer que não conheço, pois isso seria incorrecto, Lá. Na verdade, é por conhecer que abro portas de minha casa. Em Novembro recebi uma amiga alemã e o marido, por alguns dias. Trocamos correspondência ( o meu hobby mais antigo), há vários anos, e sentia que a conhecia bem. A prova dos 9's é o "olho-no-olho" e correu muito bem.

    Ah, eu adorei esse filme, e a de facto a Meryl está um colosso, nesse papel! Eu só dizia: que pena esse filme ser dobrado em alguns países, pois as pessoas estão a perder um bom bocado da Meryl vocal! O sotaque dela, os sons…uma coisa!

    Beijinhos

  9. La, que coisa boa este encontro…às vezes parece estranho aos outro receber pessoas que não se conhece pessoalmente, ainda mais por estas bandas que até para ir À vizinha é preciso ligar antes…ainda não consegui ver o filme, mas adoro Meryl desde sempre…Bjo!

  10. Susi, tem muita coisa pra mostrar, que nem dá!

    Roberta, foi por isso que usei o "conhecer" entre aspas. Mas é claro que o "olho no olho" ainda vale muito!.
    A Meryl mudou completamente a voz nesse filme. Parece outra, a Julia Child!

    Cris, você lembrou um detalhe muito importante: realmente, visitar os outros hoje em dia, envolve toda uma logística! De tão complicado, acaba-se desistindo. Mas eu acho que isso é mais ameno lá pelo norte: as pessoas são mais desencanadas com isso.

  11. Eu amei esse filme, Laély!!!! E visitei a cozinha no museu de história americana em Washington DC, onde minha irmã mora! Acho que você tem toda a razão, não precisamos ser parecidos com nossos amigos, basta rolar uma afinidade e gostarmos uns dos outros. Conheço muitas amizades tão improváveis quanto verdadeiras! Um beijão pra você!

  12. Lá..que delícia ter encontros como esse!Eu tive o meu!e foi com a Lili, do blog lilimosaicos&artesasatos, já que moramos em municípios próximos e foi muito legal, pena que não fotografei!
    É incrível como nascem amizades neste mundo virtual e, as vezes, elas se tornam tão intensas que nos passa despercebido o fato de não conhecer as pessoas pessoalmente. A Narriman, que vc já teve a felicidade de encontrar, tornou-se uma grande amiga, e pra mim, parece que a conheço há muitos anos. bjs

  13. aaaahhhhh minha vitória que tanto amo! eu gosto muito de morar aqui. em que outra capital vc sai de uma cidade e vai pra outra em menos de 10 minutos no horário do rush????? só aqui!!!!

    muito bacana a sua iniciativa de receber quem você não conhece pessoalmente. também morro de vontade de fazer isso, mas mas tenho um mUrido muito chatonildo. vou ter que ir comendo pelas beiradas pra isso poder acontecer rsrsrsrs

  14. Ah, Carmem…eu ri muito do seu "marido chatonildo"! E, quem não tem um?! Antes porém, é necessário um "preparo" pra fazer com que eles se sintam fazendo parte do projeto, também. rsrs
    Vou mostrar mais coisas lindas!
    Eu também amo Vitória: tudo pertinho, mais tranquilo!
    Tô até dando umas dicas para outra amiga virtual que vem passear por aqui.
    Um abraço!

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