Comida de "preguiçoso"

Minha mãe costumava ter umas cartas na manga, quando recebia alguma visita inesperada. Uma delas, era a “pizza de preguiçosa”: tratava-se de um lanche rápido, que preparava cobrindo bolachas de sal com tomate, queijo, orégano; depois, levava ao forno quente para derreter. Lembro desse gostinho, até hoje.
O nome é meio injusto, porque minha mãe nunca foi preguiçosa. O que não tinha, era tempo, por isso, inventava.

Mal do mundo moderno: tiraram nossas mamães de casa e as crianças, estão esquecendo o sabor de um delicioso pão caseiro ou, de comidas mais elaboradas, que exigem um tempo maior de preparo. Hoje em dia, isso tem nome chique: slow food. Eu, chamaria, de: a tradicional comida caseira.
Antes de apelar para arroz parboilizado, nuggets, batata congelada para fritar e comida enlatada, é bom conciliar a “fome com a vontade de comer”: apesar da correria, todo mundo precisa comer, e bem. Com certeza, cada um tem a sua carta na manga, assim como a minha mãe, para dar conta do recado direitinho.
Então peço licença aos chefs de plantão, para dar uma diquinha; os adeptos do slow food que me perdoem mas, agilidade na cozinha, é fundamental nos dias de hoje.
Eu sempre achava que risoto era uma comida muito chique, elaborada, demorada até, porque em todas as receitas que eu via, o “pulo do gato” era a “barriga no fogão”, acrescentando os líquidos aos poucos e, mexendo o arroz sem parar, até dar ponto ( al dente, certo, chefs?). Errado! Descobri que o risoto pode ser meu aliado, numa hora de sufoco na cozinha: a minha “pizza de preguiçosa”, na manga.
Não farei um PAP porque receitas boas, há muitas por aí. Apenas mostrarei um, express, sem muita complicação, ok?
Para o risoto, precisarão de: arroz arbóreo, vinho branco seco, caldo de legumes, manteiga, queijo parmesão.
Fiz este com aspargos frescos, pré-cozidos e salteados na manteiga, mas também gosto de usar tomate seco e mussarela de búfala. Este ingrediente final pode variar, conforme o que tiverem na geladeira.
Agora, é a hora dos chefs taparem os olhos e ouvidos (calando a boca, para não me entregar), porque eu costumo fazer um pré-cozimento do arroz: cubro o arbóreo com água, espero começar a ferver e, desligo.
Perto da hora de servir, reiniciar o preparo: fritar a cebola na manteiga, acrescentar o arroz, que ainda deverá estar meio cru, a xícara de vinho e mexer; conforme o líquido evaporar, acrescentar 1 a 2 conchas de caldo de legumes fervente, aos poucos, sempre mexendo. Acertar o sal. Quando estiver al dente, acrescentar os ingredientes do recheio escolhido, no caso: aspargos pré-cozidos e passados na manteiga. Noz moscada a gosto e queijo parmesão ralado, dão o toque final.
Cada um já deve estar no seu lugar à mesa, aguardando: risoto, assim como vingança, é “um prato que se come quente”:
Buon appetito!

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25 Comentários

  1. Hum adoro risoto, parece muito bom esse seu! Preciso achar o arroz arbóreo (achar barato rs) Comprei funghi pra fazer um risotti de funghi que minha mãe faz, maravilhoso, e é facil. Aqui slow food é só de fim de semana, mentira: é só as vezes de fim de semana rs…
    beijos

  2. Laely, que prendada você! A pizza de preguiçosa que faço é no pão de forma, fica um pouco maior e disfarça mais pra visita, rsrs.
    Valeu pela dica do risoto aliado!
    Bjokas!

  3. Ahh, deve ficar uma delícia!!! É verdade… eu mesma sou uma que sempre tem uma caixinha de nuggets ou bolinho de batata para fazer quando chega alguém… Acho que ando precisando de mais receitinhas rápidas (e fáceis, pq eu sou um desastre!!! rs!)
    Bjs!!!

  4. Pois é, sou do tempo de tua mãe e a tal pizza preguiçosa, na falta dos biscoitos, era feita com fatias de pão italiano mesmo e regadas com bastante azeite extra virgem…
    Essa novidade que vc inventou para fazer un bel riso, já anotei vamos ver o resultado final. Aqui em casa substituo o vinho por caldo de carne ou legumes se o riso for de vegetais.
    bjs Dolly

  5. Você me fez voltar lá na infância. A pizza preguiçosa lá em casa era com as fatias do pão caseiro que sempre sobrava e fazia muito sucesso com as crianças. Sobre a cozinha, acho que temos que mesclar agilidade com curtição, porque senão piramos de vez.

  6. Lá eu também faço as bolachas no forno,rsrsrs
    qdoro comidinhas rápidas e práticas, pena que quando você veio eu não tive tempo de cozinhar, adoraria que você tivesse provado do meu tempero, seria uma honra.
    mas não faço nadas chiquis e elaborado assim,não.
    você é uma pessoa muito fina, arrasa.
    te adoro
    eu ando por aqui parece índio, nua pela casa, mas as portas fechadas, para não espantar os vizinhos, oh coitados. mas está mais quente do que nunca.
    um dia abençoado
    beijos

  7. Laély, adoro seus posts!!!! Também sou adepta da Slow food, de comer com calma, de saborear cada garfada, de dar o devido valor a cada prato… Seu risoto parece delicioso!!!! Beijos!

  8. Mamãe faz uma receita parecida com a da sua, só que ao invés da bolacha ela põe fatias de pão para misto quente. Acho bacana como sua prole come vegetais e os cultiva, aqui em casa diminuímos consideravelmente o consumo de carne vermelha porque filha mais velha não come. Faço a cada 15 dias porque eu continuo gostando, no mais é carne de frango, peixe e camarão. Bastante salada que a caçula adora e o tradicional arroz com feijão preto eventualmente trocado pelo feijão de corda. Gosto bastante de cozinhar, mas comidinha caseira mesmo sem grande refinamento. Amei a foto da sua casa no meio da mata e a de seus homens trabalhando no quintal. Beijocas!

  9. Podem anotar aí, porque este risoto, se deixarem os outros ingredientes separados e no ponto, não demora mais que 10' para ir ao prato.

    Costumo fazer um outro prato rápido para o almoço, que é maior sucesso com os meninos da casa: de inspiração mexicana. Qualquer dia, posto.

    Luísa, concordo com você: tem de ter "sazon" na cozinha, fazer com "amor". Desse jeito, até miojo fica bom, mas não dá pra ser todo dia, né?
    Eu gosto sempre de ter em casa, alguns enlatados para situações de "emergência" culinária: palmito, tomates pelados, azeitonas, atum light…ingredientes para dar uma incrementada em qualquer salada.
    O menino do meio optou por não mais comer carne: aceita peixe, de vez em quando, porque o salmão que faço é irresistível!

    Dolly, bem lembrado: o tipo de caldo, depende dos ingredientes que escolher para acompanhar o risoto.

    Sandra, eu gosto de pizza caseira, mas nem sempre dá pra deixar congelada. Dificilmente gosto de massas de supermercado e daquelas que já vêm montadas. Acho-as muito pesadas.

    Eliene, você é figura mesmo, hein? Imagina, se eu ficaria em casa, tão à vontade!…Mas eu adoraria ter ido pra cozinha com você, vestidas, de preferência. rsrsrs

    Taia, saladinha de feijão de corda é muito gostosa!

  10. Pode me puxar a orelha (ai, esqueci que posso sofrer isso na pele na próxima semana!rsrs). Mostrei tua técnica ao chef daqui e prepare-se: existem duas correntes (como em tudo) que defendem dois tipos de pré-cozimento do arbóreo. Uma faz esse primeiro cozimento já com os temperos, vinho e um pouco de caldo, e finaliza com o restante um pouco antes de servir. A outra, da tua escola, que cozinha apenas o arroz antecipadamente, é defendida por nada mais, nada menos, que o consagrado Gordon Ramsay (o "carrasco" dos chefs iniciantes e também o salvador de restaurantes falidos nos seus programas na TV). Então, querida chef, respire aliviada: processo mais que avalizado pela alta gastronomia!
    Como estou passando atrasada pelos últimos posts, fica o registro de puro encantamento pela foto da tua casa vista do alto. Digna de um conto de fadas… Mais notícias no e-mail, tá? Beijo

  11. Ai, mas que "mêda" do carrasco Gordon! Já pensou, se ele desaprova isso? Eu poderia levar uma "LeCreusetada" na cabeça! E essas panelas, são bastante pesadas…Ai! rsrs
    Pois é, preciso fazer uma faxina nessa casa, pra lhe receber, porque aqui no blog, a gente só mostra as partes bonitas, né? rsrsrs

  12. Pesadas e lindas, né? Sonho de consumo, infelizmente tão caro… Olha, vou chamar o Gordon! se começares com essa de faxinar e se cansar à toa com uma visita que tá longe, muito longe de ter olhos para isso, tá combinado? Ai Laély, ainda é estranhíssimo pensar que estarei "dentro das fotos" daí que há meses olho cada cantinho… Frio na barriga nesse calorzão, quer coisa melhor?

  13. Alo,Laely!
    Menina Laely,alta dica gastronomica,hein?
    Aqui em casa a gente tambem adora ficar na cozinha e inventar umas slow food com um jeito meio fast…Parece uma coisa meio contraditoria,mas na realidade,e uma forma de tentar fazer uma comidinha caseira, mais elaborada, com um jeitinho "meio rapidinho"! O negocio e saber usar a imaginacao e improvisar…Sempre que possivel,e claro!
    Mas o seu post de hoje me chamou a atencao pela lembranca das gostosas comidinhas do tempo da minha avo…Ela era uma mulher sempre bem disposta a fazer bem rapidinho as comidinhas que os netos gostavam…Ela era portuguesa e cozinhava que era uma beleza ( ate rimou! )…O engracado e que ela dizia que nao gostava muito de cozinhar,nao…Imagine se ela gostasse!Fazia a tal da slow food com a maior rapidez e desenvoltura…
    Penso em mim mesma e nas minhas primas,descendentes dela propria e de como tudo vem se transformando pelas geracoes…A minha vo era meio fada,meio anjo no meio de sua cozinha pequena…E o que somos nos hoje,no meio da turbulencia e correria do dia a dia?
    Obrigada por me trazer tao belas lembrancas…
    Um abracao pra voce!
    Teresa

  14. he he he!
    Rosana, eu não daria conta de arrumar toda a bagunça, mesmo!
    Mas é interessante isso! Meio psicodélico: este lugar, existe?! Sim, você estará no meio dele…rsrs

    Teresa, fico imaginando a minha avó, também portuguesa, mãe de 11 filhos! É preciso ser uma verdadeira adminstradora de pequena empresa, para gerir este "grande negócio". Acho que todas essas vovós, tinham muitas cartas na manga…rsrs

  15. Hummm! Acho que prefiro aquele outro prato que vi no post anterior: tomates grelhados, palmito, quiabo, arroz e a famosa taioba( que me lembra meu pai que adorava)
    Beijos
    Edilene

  16. Olá, Laély.
    Concordo, agilidade na cozinha é fundamental.
    Não dá para deixar a família se alimentar nos fast foods.
    Falando em alimentação achei linda a foto do teu filho com os "frutos" da horta.
    Parabéns pelo blog tão cheio de vida e delicadeza.
    Abraços.Sílvia.

  17. Edilene, simples, não quer dizer simplório, né? Ainda mais, comendo coisas que nós mesmos plantamos e colhemos. Antigamente, isso era questão de subsistência; hoje em dia, puro luxo.

    Oi, Sílivia! Obrigada pela simpatia. A casa está à sua disposição.

  18. Sua mãe é genial heim, qualquer dia vou tentar essa receitinha do bisoito de agua e sal… isso aí com um bom pão de ontem heim!!!???

    Você se referiu ao arroz parboilizado como um arroz mais fácil de fazer, eu não concordo, só faço dele e acho (quanto a forma de preparo) igual ao branquinho. Fiz um post sobre esse arroz uma vez: http://entrefotosebeijos.blogspot.com/2009/08/arroz-parboilizado.html
    Como e recomendo muito.

    Beijão!!!

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