Dividindo espaço(?!)

Geralmente, a chegada de mais um bebê na família é sempre motivo de alegria. Nem tanto, para o irmão, ou irmã, que terá de dividir o espaço e a atenção com o mais novo “rei” da casa.
Meu irmão e eu crescemos, dividindo o mesmo quarto e beliche.
Às vezes quando pequena, eu estendia lençóis para cobrir a parte inferior da cama e assim, brincava de casinha. Bem, esta é a recordação feliz.
Depois, na adolescência, quando as diferenças se acentuaram, a falta de privacidade e o conflito de egos, transformaram-se num sério obstáculo à nossa convivência pacífica. Fazer o quê? Na maioria das casas por aí é assim mesmo e, ainda pior: a “densidade populacional”, pode ser até maior que 2:1!
Às vezes, o problema não é dinheiro, mas: espaço.
Um casal, morando com a filha de 6 anos num apartamento em Paris, precisou pensar numa solução prática para abrigar mais um membro na família. Entregaram o projeto de reforma do quarto da menina, a um trio de jovens arquitetos franceses:
h2o architectes
Ao invés de construírem uma parede, dividindo o quarto em dois, fizeram uma transformação mais moderna: em diferentes níveis do chão, aumentaram as opções de espaço e não o contrário, como seria o mais comum.
Aqui, a pequena Eva( “E-VA! O nosso amor na última astronave…”) na sua cama de dormir, à noite, e de brincar, durante o dia:
Reparem os nichos, criados para abrigar os livros e brinquedos da menina.
A bancada, embaixo, pode tanto servir como mesinha para chá com as amigas, quanto local de estudo:

Uma escada interliga os dois níveis, e é um motivo a mais para brincadeiras:
Apesar das linhas retas, a cor azul claro ajudou a suavizar os ângulos( não é um paraíso mas é o “céu”, para Eva): Já ouviram falar sobre navios antigos, afundados propositadamente para se criar um recife artificial? Um novo ecossistema se forma, a partir do naufrágio. Por algum motivo, a comparação me veio à cabeça. Talvez, ao ver tantos novos nichos à imaginação, criados nesta reforma.
Finalmente, o irmãozinho de Eva ganhou seu espaço, sem tirar o dela:Ela pode chegar até o berço através da escadinha, separada por uma porta de correr: Só não consegui entender onde ele vai ficar, depois de crescer um pouquinho…
Talvez, o despachem para algum internato na Suíça… ( Perdão. Esta foi péssima! Talvez, “trauma de irmão” explique meu deslize…)
Concordam comigo, que ela parece bem satisfeita? dwell
Assim, é mais fácil…

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15 Comentários

  1. Alo,Laely!
    Engracada essa estoria sobre irmaos…Eu mesma cresci tendo de dividir o meu espaco com mais 2 irmaos meninos…Tivemos varias fases em termos de quarto de dormir.Teve um tempo em que precissavamos dormir os tres juntos em uma bicama,depois em 3 caminhas separadas ate chegarmos ao estagio de 1 cama e 1 beliche…Depois,ja com mais de 18 anos,finalmente tive 1 quarto so pra mim!Na epoca,me senti uma privilegiada…Mal podia acreditar…Um quarto so pra mim?Curti muito aquele espaco precioso…Fiz dele o meu refugio…Um pequenino recanto de felicidade!
    Deve ser por essas e outras coisas,que ate hoje valorizo os espacos que conquistamos na vida e me interesso em fazer deles o melhor possivel…
    Mas sabe de uma coisa?Mesmo tendo essas lembrancas de convivencia tumultuada entre irmaos(a maioria das pessoas que passam esta situcao sabem bem como e),ficam sempre muitas recordacoes boas e engracadas…Somente um arquiteto de alma de crianca podera achar o melhor jeito de projetar um espaco em que os irmaos possam "co-habitar",sem perderem os encantos de suas infancias… O seu post de hoje me fez recordar do meu tempo de crianca com os meus irmaos…As alegrias e dificuldades de uma familia dividindo o mesmo espaco e diferentes sonhos…Seja como for,todos precisamos usar a nossa imaginacao e os nossos coracoes,pra fazermos da nossa casa o melhor lugar do mundo pra viver!
    Um abraco da minha alma de crianca para voce,
    Teresa

  2. É, Teresa…Se fôssemos contar as nossas histórias…
    Considero que o período conturbado da adolescência, forçosamente dividido com o meu irmão( ele é apenas 1 ano mais velho que eu), foi um dos fatores que ajudou a nos distanciar. Não foi nada fácil, mas admito que não havia outra opção!
    Nossa atual casa não é uma mansão, mas há espaço para as individualidades:
    Antes, o filho do meio dividia o mesmo quarto com o irmão caçula, até começar a se sentir incomodado com isto.
    Respeitando o crescimento e necessidade de privacidade dele, transferimos o menor para um outro quarto, antes ocupado pelas eventuais visitas.
    "Cada um no seu quadrado", ajudou a não fomentar mais encrencas.
    O mais velho, agora fica em Vitória durante a semana, mas mantém o quarto exclusivo em Santa Teresa.
    Hoje, o convívio entre os 3 é civilizado.

  3. Querida Laély, com certeza foi o licor que "desandou" a receita, pois ele deve ser colocado junto com o leite e o café, na hora de umedecer os biscoitos! Que pena pois mascarpone por ai' é dificil de encontrar e caro, né?!

    Uau, super arquitetura, muito criativo! A alegria esta' estampanda na carinha desta criança!

    Bjos
    Léia

  4. Oi, La!

    Pois então… Meu irmão é 7 anos mais novo que eu e, tirando um pequeníssimo período em que eu tinha uns 11 anos e ele uns 4 e que chegamos a brincar juntos, nossa relação era bem clara: eu tinha que tomar conta dele, colocá-lo para dormir e aguentar ele estragando meus brinquedos e, mais tarde, rasgando minhas revistas (em busca de mulheres de biquine)

    Relação conflitante, né? Além disso, personalidades totalmente diferentes e uma condescendência materna com o caçulinha de dar nos nervos. Na verdade, só conseguimos começar a ter um relacionamento mais decente quando ele se aproximou dos 30 anos.

    Primeiro, nosso quarto era enoooorme e dividir não era tão ruim. Depois, quando eu completei 13 anos, nos mudamos para um apartamento com quartos menores e a coisa ficou bem complicada. A solução foi a divisória de madeira, cada um ficando com uma cama, um guarda-roupa e uma escrivaninha. Bem apertadinho, mas bonitinho. O problema é que a divisória não ia até o teto e a minha porta logo parou de trancar (empenou, creio), então, privacidade ZERO!

    Talvez isso explique eu ter me casado logo com 22 anos…rs Parentes maldosos acharam que eu estava grávida, mas era só vontade de ter mais espaço…rs

    Eu AMEI a solução criativa dos franceses! Se tivessem feito algo assim no meu caso, talvez eu não tivesse ficado tão traumatizada.:-)

    beijão

  5. La, morro de rir lendo suas postagens!!!…rss
    Também tivo que dividir quarto com mais duas irmãs (mais velhas). Não vou me esquecer nunca da sensação boa qque senti, quando pela primeira vez pude ter um quarto (e um armário!!!) só p/ mim…durou pouco pq me casei logo em seguida, mas foi TUDO!
    Vou arquivar essas imagens porque sinto que vou precisar delas para me inspirar, estou prevendo que breve, breve, o filho do meio vai precisar dividir o quarto com o enteado (ambos com 23 anos)…já pensou??? Sai da reta!!!rsssss
    Bjs!!

  6. Oi Lá, só ficaria insegura sobre a criança maior pular da cama, pq tive a impressão que não tem segurança, parece que é baixa a lateral do nicho ao lado do colchão … mas achei a ideia muito boa !!! Ficou bem diferente.
    Bj
    Patricia Tedeschi

  7. Cláudia, me identifiquei com a sua história, apesar de meu irmão e eu, sermos quase da mesma idade. A disputa era acirrada.
    Acho que as meninas têm uma tendência a serem mais dóceis e acabar aceitando algo que não gostam, só pra não criar mais problema.
    Entendo bem essa história de "condescendência materna", porque sou "acusada" frequentemente disso…rsrs
    Quanto a ter se casado cedo, para ter mais privacidade, acho que ganhei de você: casei-me aos 19. Será que preciso de terapia para superar isso?…Vamos ter de frequentar uma, em grupo. rsrs

    Oi, Rosi!
    Quem pode, pode, né?

    Silvana, analisando com atenção todas as fotos, para ter uma noção espacial do quarto, acho que a divisão ficou, assim: meio a meio.

    Nárriman, acho que quando são da mesma idade e sexo, fica mais fácil de combinar.
    Olha, por menor e mais simples que seja, a sensação de liberdade de possuir um quarto individual na adolescência, é muito boa!

    Myrian, deixa ele crescer um pouquinho…

    Patrícia, a criança já é maiorzinha.

  8. Laely, achei que ficou lindo esse trabalho dos arquitetos, mas tb fico pensando na possibilidade de uma criança de seis anos despencar dessa altura! Imagino tb que não seria prático no caso da criança adoecer, ou ter uma febrezinha. Imagine a mãe ter que monitorar a saúde da criança durante a noite! Mas, enfim, o visual é lindo! bjs

  9. Oi Laely, legal a sua recordação e análise da situação agora com outros olhos e possibilidades. Assim como a outras leitoras eu também recordei dos tempos de infancia e adolescencia com os irmaos. Ai ai. Realmente se possível por que não dar um pouco mais de privacidade para cada um, nao?

    Agora quanto ao ambiente das fotos, não gostei nem um pouco. Deram um jeito e os nichos servem para organizar mas achei claustrofóbico, a cama do alto muito perto do teto, o berço lá perdido num canto que parece um corredor, ladeado de coisas muito altas. Aff, uma garatuja. Talvez uma questão de gosto pessoal, mas acho que uma cama alta bonitinha, com formas que lembrassem círculos coloridos e com nichos + escrivaninha embaixo, algo mais móvel e menos alvenaria, faria o trabalho melhor.

    beijos. Bia

  10. Ah, sim, Susi! Sei que na Europa e Ásia, espaço é algo de grande valor!

    Nanci, nessas ocasiões, é só levar a criança para o quarto dos pais. Qualquer colchãozinho extra, resolveria.

    Bia, claro que é uma questão de gosto e de analisar, se a solução se encaixa no perfil dos moradores. Não sei se aderiria à ideia, mas achei bem interessante.

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