Do que somos capazes…

Quando incapazes de lidar com nossas frustrações: Tá certo: há dias, não faço nenhuma postagem e devem estar esperando que eu mostre algum serviço, tipo assim:
“Acorda, menina!”
(Tá recebendo pra quê?! Afinal, isso aqui, não é Congresso Nacional!)
Mas, não queria falar de outro assunto, sem antes tratar de algo que considero importante. Então, vamos lá:
“Senta, que lá vem história!”
Estão a fim de um pouco de “filosofia barata”?
Barata, porque não lembro de pagar ninguém pra vir aqui, ler as minhas abobrinhas, certo?!
Então:
“Senta, que lá vem filosofia!”( e “de grátis!”)
Conforme escrevi no post anterior( e muitos, se identificaram!), vivemos de fazer malabarismos pra dar conta de tudo!
O mundo moderno exige que sejamos super-heróis : Tem de ser o mais bonito, o mais competente, o mais rico, o mais charmoso, o mais cheiroso, o “mais-mais” em tudo!
Normal que, como pais, sejamos cobrados da mesma forma. E, nem precisa que a sociedade faça isso. Encarregamo-nos de fazê-lo. Cobramos, de nós mesmos e de nossos filhos, afinal, queremos que sejam melhores do que somos!
Então, ouçam muito bem!
Ou melhor:
Abram bem os olhinhos: é necessário ler com atenção!Quem acompanha o blog há algum tempo, sabe que aprecio o filósofo britânico Alain de Botton. Um de seus livros foi até inspiração para um post, que gerou uma promoção animada.
Outro de seus livros, Consolações da Filosofia, serviu de base para uma série na BBC, que virou DVD, editado pela Abril: “Filosofia para o Dia a Dia”.

Há quem torça o nariz, dizendo que filosofia não é auto-ajuda, mas o que Alain propõe, é usar conceitos de filósofos famosos, de forma a ajudar as pessoas no seu cotidiano.
Faz algum tempo, assisti o primeiro DVD da série, que mostrava a ira, sob o ponto de vista de Sêneca. Eu, na minha “santa ignorância”, jamais li Sêneca.
Na visão dele, as pessoas ficam com raiva porque criam muitas expectativas:
“Um dos motivos para nossa raiva é imaginarmos que as coisas sempre têm de ser como queremos, que somos capazes de moldar o mundo segundo nossos desejos, mas não são.”
(Se quiserem ler um resumo de “Sêneca e a Raiva”, com Alain de Botton, clicar aqui)
Quarta-feira passada fui a Vitória. Dentre os muitos planos mirabolantes que sempre faço, os principais eram: deixar o carro na oficina, para um revisão que deveria ser rápida, e arrumar algumas coisas no apartamento do filho.
Mas, sabem quando as coisas não saem do jeito que planejamos?
O carro acabou ficando a tarde toda na oficina e eu, à reboque, não pude fazer nada.
E, se há uma coisa que me irrita, é perder tempo, especialmente, quando não tenho tempo a perder!
Fui encontrar o filho, no apartamento, já de noite. Precisava subir a serra, de volta à Santa Teresa, e a tarde fora perdida!
Pronto: a irritação, é sempre terreno fértil para que façamos e falemos coisas, com grande chance de que venhamos a nos arrepender, posteriormente.
O menino, que foi assaltado semana passada, já me recebeu todo assustado, perguntando se eu havia pago as contas de condomínio e internet(mas não havia me dito que estavam com o pai).
Irritação+pressão+cobrança, no que dá? Bobagem, na certa!
No pouco tempo que me restava, aproveitei para fazer um longo discurso, do apartamento até à garagem do prédio, listando minhas cobranças, muito “importantes”:
-Que ele tinha de ser mais responsável,
-Que precisava resolver essas coisas e não esperar por mim,
-Que o banheiro precisava ser lavado, pelo menos 1x na semana,
-Que era para deixar o apartamento arrumado,
-Que ele precisava cortar o cabelo,
-E, que história era aquela de descolorir o cabelo?!…
E foi assim que, em curtos minutos, mas looongos para ele, com certeza, o sepultei debaixo das minhas recomendações de mãe, preocupada em cobrar do filho, algo que ela mesma não dá conta! (Por que fazemos isso?!)
Certo, há coisas que precisam ser ditas, mas há um tempo certo e aquele, não era.
O ideal, seria falar a coisa certa, na hora certa.
Quando se fala a coisa errada, na hora errada e, às vezes, à pessoa errada, aí, o estrago é maior ainda!
Mas achamos que, por serem pessoas íntimas, não precisamos esperar a hora certa, nem procurar as palavras, a forma certa de falar.
Gastamos toda a nossa “fleuma britânica” sendo pacientes com o vizinho chato, o cliente chato, o vendedor de telemarketing chato, mas não economizamos palavras duras, justamente com quem deveríamos ser mais delicados!
“Tem problema, não: eles relevam”. ( Será?!)
Muitas vezes, somos as pessoas mais desagradáveis, justamente com os mais próximos! Aqueles que nos “aturam” no dia-a-dia.
Quando pensamos em prioridades, é necessário cortar um monte de coisas sem importância. Normal, que a lista diminua.
E a lista das coisas que eu realmente precisava ter falado, naquela quarta para o meu filho, seria:
-Que eu estava contente com as pequenas conquistas dele;
-Que aos poucos, ele aprenderia a se virar sozinho;
-Que eu não me importava com o tamanho, nem a cor do cabelo dele( o que vale, é o que está dentro da cabeça, não fora, ou em cima. Se não fosse assim, careca estaria perdido!);
-Ao me despedir: “Beijo e fique com Deus!”
Mas a nossa verborragia hemorrágica, nem sempre nos permite pesar e pensar tudo o que falamos.
Voltei pra casa arrasada e fui trabalhar no dia seguinte, pior ainda!
Melhorou, depois que ele me ligou, a cobrar( o assaltante havia levado o celular dele) e, aproveitei a chance para dizer, a única coisa realmente importante, naquele momento:
-Desculpa: pelas coisas que eu precisava ter dito e não disse e por aquelas que disse e não eram importantes.
Diz a música popular que “amar é nunca precisar pedir perdão!”
Quem inventou essa frase, não sabe o que é amor verdadeiro.
O que precisamos aprender, é que não somos “super-heróis”. Admitir fraquezas e pedir perdão a quem está, hierarquicamente abaixo de nós, não é sinal de fraqueza, mas de nobreza.
Drummond escreveu:
“No meio do caminho tinha uma pedra…”
Se desejamos que nossos queridos cresçam, sejam elevados em seus ideais e metas, não podemos ser pedras de tropeço no caminho, mas sim: rocha, escada, ponto de apoio para que subam.
Imagens:
( O galo já está quase cantando. “Vai dormir, menina!”)

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