Fuxico da mamãe

Continuando a série “mamãe que fez”, ela, que não perde um capítulo da novela internética “Sala da La”, mandou-me esta foto, meio atrasada, de uma colcha que fez para dar de presente a uma amiga( não sei se teria tanto desprendimento assim, por melhor que fosse a amizade!):
Bem que poderia ilustrar com honra, o post sobre colchas artesanais que fiz há pouco, não é?

Será que essas paixões se herdam?! Ensinam-se, ao menos.
Minha mãe trabalha desde os 15 anos. Começou, dando aulas. Aprendemos, eu e meu irmão mais velho, a ler e a escrever com ela. Vida corrida, sempre!
Mas lembro que, bem criancinha, não repetia um vestidinho na igreja. Sempre tinha um modelinho novo, que ela copiava das vitrines de butiques, discretamente, num papel que tirava da bolsa; comprava um tecido parecido, os aviamentos, costurava e, ninguém poderia dizer que não era o mesmo da loja!
Minha mãe não tinha muito tempo para ensinar a costurar e por isso, eu até hoje tenho medo de usar a máquina, que fica guardada no sótão, para ser acarinhada, azeitada e usada, apenas uma vez por ano, quando ela me faz uma visita. Aí então, a máquina trabalha o mês todo, para compensar o ostracismo do restante do ano. Acho que não a uso por ter complexo de “feia adormecida”…Pode ser que, perca o controle da máquina, a agulha penetre sem dó o meu dedo e então, eu caia em sono profundo e só um príncipe, como Jude Law, possa ser capaz de me acordar( o que nunca aconteceria, pois ele tem compromissos mais importantes e princesas mais bonitas para atender…)
Voltando a máquina do tempo, muito tempo atrás:
Minha mãe não tinha tempo.
Sentava, em frente à máquina( de costura) no domingo, e só levantava depois de terminado o trabalho: uma roupa nova pra mim, ou para o meu irmão( ela nunca foi muito boa com roupa de homem), alguma coisa para a casa, ou para ela, o que sempre vinha em último lugar.
O tempo passou e a menininha aqui, que só vestia o que a mamãe fazia, virou adolescente e, devo confessar: eu era muuuito chata( será que ainda sou?)!…Difícil de agradar( agora, que tenho 2 adolescentes, entendo minha mãe)! Não gostava da cor, não gostava do modelo, não gostava do tecido…A mãe, já perdendo a paciência, “ameaçava” não mais costurar para mim. Ainda bem, que não cumpriu a promessa e continua me agradando até hoje…
A colcha não é minha, mas bem que hoje em dia, eu saberia dar valor a ela:
Agora, minha mãe já sabe disso…

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