"É Coraline! Não Caroline!"

Eu bem que desejei.
Eu bem que me programei.
Eu bem que tentei…
Mas quem, na minha plateia doméstica, tão masculina, se disporia a me acompanhar, pra assistir uma animação( ‘coisa de criança!’), cujo personagem principal é uma menina( ‘coisa de mulher!’)?!
Pois, bem! Que quebrem a cara, quem se deixa conduzir por ideias preconcebidas! Eu, incluída.
Coraline não é nenhum lançamento, nenhuma novidade. Mas só agora, consegui assistir o filme, adaptação do conto de Neil Gaiman. Posso recomendar a todos: baixinhos, altinhos, meninos, meninas. É um conto infantil, mais adulto que se poderia imaginar!
Coraline( Caroline, não!) é uma pré-adolescente, filha única, que se muda com os pais para uma casa, longe da cidade, da civilização. Pelo menos, da civilização de pessoas ‘normais’, porque a vizinhança é composta de pessoas, pra lá de excêntricas!
A casa fica no alto de um morro, num lugar lúgubre, onde parece que só chove e faz lama, o tempo todo.
Os pais de Coraline não têm tempo para ela: satisfazer suas vontades, dedicar atenção, brincar?!…Só pensam em: trabalho! O que parece patente nas olheiras da mãe e na face cinzenta do pai, sempre escondido atrás de um computador. Mas, eles não são maus pais, certo?!…( Vamos! Vamos! Sejamos um pouco condescendentes com eles, afinal, um pouco da correria do mundo de hoje é retratatada no conto!) Apenas, são pais que trabalham em tempo integral! Não têm disponibilidade pra atender as exigências de uma garotinha, explodindo em energia e curiosidade.
Pais desatentos, criança entediada e o resultado disso, não poderia ser boa coisa. ( ‘Puxada de orelha’ em nós, adultos ocupados!) Interessante, é que a casa é desabitada de móveis, de cores, de vida, representado nas caixas ainda por arrumar, deixadas no chão desde a mudança. Os espaços vazios na casa, fazem-na parecer ainda maior; de uma solidão, que chega a ser opressiva e claustrofóbica. Lembra o menino do filme “O Iluminado”, andando sozinho no seu triciclo, naqueles imensos corredores inabitados do hotel assombrado. Aliás, a história de Coraline, parece lembrar outras, como “Joãozinho e Maria” e os filmes “O Labirinto do Fauno” e o “Menino do Pijama Litrado”. Em todas elas, há uma tentativa infantil de fuga da realidade. Mas, para por aí.
A menina, tentando driblar o tédio, põe-se a explorar o casarão. Descobre uma porta; uma passagem para uma vida paralela:Lá, descobre “sua nova mãe, “seu novo pai”, “sua nova casa” e tudo, é tão fantasticamente mais alegre, mais colorido, mais fantasioso! Psicodélico, até. Lá, papai e mamãe fazem todas as suas vontades, têm tempo pra brincar com ela, seu quarto, parece um quarto de princesa, seus brinquedos, têm vida própria…Enfim: “tuudo azul! Adão e Eva no paraíso!”…Mas, não se iluda. Nada é o que parece.Cada noite, ao deitar, Coraline é atraída para “se novo lar”. Não a condene, pois até nós, adultos, nos deixaríamos seduzir por ele.
Destaque para a apresentação, num mini-circo particular, dos camundongos saltitantes. É um encanto, de fazer babar gente grande! Que tal, poder comer pizza, e docinhos, e cachorro quente, a qualquer hora?!
Mas, isso tudo tem um preço. Esse mundo colorido, começa a se desmanchar sob os pés da menina. A narrativa e as imagens, começam a ganhar um tom de terror( nada, que uma criança de hoje não tolere) A história poderia ser analisada sob vários pontos de vista. Não creio que fosse a intenção do autor levantar esse tipo de discussão, nem sei se a história caberia num rótulo, tipo: ” e a moral da história é”…Seria oportuno, aproveitar a chance do filme, pra conversar com as crianças sobre drogas e todas essas ilusões, que o mundo lhes apresentará como fuga à realidade, nem sempre ideal. Enfim, aprendamos a dar valor ao que temos.
E, divirtam-se muito, principalmente!
Para mais detalhes do filme e do livro, clique aqui.

(Nota de esclarecimento: estou em falta com as minhas postagens e visitas aos blogs amigos. Estou me desdobrando ainda mais, pois tenho que arranjar um “cafofo” pro filho mais velho poder estudar em Vitória. Já conseguimos o apartamento, mas ainda está “sem forma e vazio”. Portanto, não me julguem inepta, inapta, amiga da onça pelas minhas faltas e, por favor: sintam a minha falta! Já pensou com que cara eu vou ficar, aqui me explicando, e alguém lembrar: “sabe que eu nem notei?!”… Se não notaram: omitam, relevem!)

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