Amizade além da cerca…

Imagine se nossa vida fosse marcada por 2 linhas imaginárias, assim como é nosso planeta: a linha da realidade e da idealidade. Muitos, preferem a alienação e viver num “mundo de faz de conta” a ter de enfrentar a dura realidade: então, buscam fuga nas drogas, no álcool, na marginalidade…Outros, abandonam os sonhos, a perspecitva de melhora e se entregam ao desânimo; adotam a filosofia do Zeca Pagodinho e vão “deixando a vida levar”…Para se viver com equilíbrio é preciso ter um pé no real e outro no ideal. O real limita; o ideal liberta.
Muitas vezes, até conseguimos que o ideal “toque” o real e nos sentimos realizados; mas nos assustamos, quando o contrário acontece. Aqueles acontecimentos escabrosos que esbarram nosso cotidiano e nos fazem exclamar: “-Mas por quê?! Como isso é possível acontecer?!”
Até aquela fatídica manhã de 11 de setembro, a maioria dos americanos ignorava Osama Bin Laden. A maioria dos que o conheciam, achava que não passava de mais um louco extremista; um fanático religioso, que só poderia fazer mal a ele mesmo. A realidade foi mais feia do que qualquer escritor de ficção escatológica poderia conceber! Da indiferença, os americanos pularam ao extremo paranóico!
Tenho reção parecida quando o assunto é violência contra a criança. Confesso que prefiro nem me inteirar dos detalhes, porque isso me assombra!
Ontem assisti o filme “O Menino do Pijama Listrado” e senti algo parecido. A pergunta que não quer calar ao terminar de ver o filme, é : por quê?!
Não há nada de romântico na guerra. Em qualquer época, seja por qual motivo, em qualquer lugar, ela sempre será: triste, injusta, trágica! Feia, por natureza. O cinema a mostrou de muitos ângulos diferentes. Nunca é ideal, porque nesta situação de crise, instintos mais baixos e os mais elevados afloram! A crueza da situação fica ainda mais visível, quando contrastada à figura inocente e indefesa de uma criança. Isso não é o ideal. Crianças não combinam com guerra. Crianças precisam ser protegidas( e é por isso que os homens saem a lutar, não é?!). Mas há situações onde a linha do real cruza a ideal, como já falei.
Alguns filmes conseguem tratar desse assunto delicado, sem descambar para a pieguice.
Caso do italiano “A Vida É Bela”, que ganhou 3 merecidos oscars: Steven Spielberg foi injustamente “ignorado” pela Academia e não levou nenhum prêmio por “Império do Sol”: contando a história de um menino mimado que “cresce” dentro de um campo de prisioneiros de guerra( com o ator mirim, projeto de Batman, Cristian Bale):

Um de meus filmes preferidos, “O Labirinto do Fauno” tem como pano de fundo a guerra civil espanhola, nos tempos do facismo do General Franco. É uma fábula cheia de significados, onde o mal é personificado na figura do capitão Vidal, e o bem, numa menina de 10 anos-Ofélia: “O Menino do Pijama Listrado” é baseado no romance de John Boyne, também roteirista do filme.
Bruno, um menino de 8 anos, filho de um oficial alemão na II Guerra, é obrigado a abandonar sua casa em Berlim, quando seu pai é transferido para o interior, a fim de cumprir um “serviço importante” para o Reich.
Logo na primeira parte, o que mais me chamou a atenção foi a casa onde Bruno morava e o que esta significava para ele: é uma bela contrução, com sua escadaria clássica e seus corredores pintados de um azul celeste, exatamente como os olhos do pequeno dono.
Meio contrariado, ele deixa os amigos para trás e vai para a nova casa. Ao chegar, já se percebe a mudança: a construção cinza de linhas retas, sem vida, lembra mais uma prisão. Na verdade o é, pois o menino não tem amigos, não pode “explorar” o quintal em volta e vive entediado. Até que ele descobre uma “fazenda” perto, onde os “fazendeiros” vivem estranhamente de “pijamas”.
Desobedecendo as ordens da mãe, ele foge atrás de companhia e descobre a amizade no “inimigo”. Shmuel tem a mesma idade que Bruno e é um prisioneiro do campo de concentração, onde o pai do segundo é o responsável:Realidade e fantasia se cruzam o tempo todo na vida desses dois pequenos, que desconhecem o significado de preconceito.
O final é simplesmente perturbador, traduzido na face congelada do pai de Bruno: “O que que eu fui fazer?!”( O que somos capazes de fazer, movidos por ódio…)
Agora vou correr pra ler o livro. Espero que seja tão bom quanto o filme!
( Demorei a postar, porque os 2 PCs daqui de casa deram “tilte”. Precisei pedir licença ao filho mais velho para usar o dele)
Para assistir ao trailer do filme é só clicar.
Para mais informações a respeito dos outros filmes indicados, clique no pôster de cada um.

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