Que cara tem sua casa?

Deixe-se levar pelo clima de Star Wars e imagine letras subindo e sumindo, universo adentro:
“Há muito tempo atrás, numa galáxia muito distante…”
…num lugar “Tão, Tão Distante”…

…Bem, não faz tanto tempo assim e nem fui tão longe, para abrir o blog, falando de casa e o que ela representa pra mim: aqui e aqui. Nesse último post, comentava sobre o filósofo Alain de Botton, que fez uma série para a BBC, que rendeu um livro:
Pois bem, há pouco tempo, comprei o livro e ao iniciar a leitura, tive uma boa surpresa: texto leve e envolvente, nem parece um intelectual, escrevendo sobre assunto indigesto, a princípio: arquitetura e filosofia. Nascido na Suíça, mas formado em Cambridge e residindo em Londres, ele conseguiu simplificar a Filosofia, abordando-a de forma prática e acessível, noutra série da BBC: “Filosofia para o Dia a Dia”.
Bem, eu só estou no início do livro, mas o autor levanta algumas questões sobre a estética das construções e o quanto isso pode afetar o cotidiano das pessoas.
O filósofo nos convida a pensar, no quanto somos influenciados por nossa casa e o quanto de nós, colocamos na construção delas.
Meu livro já está ficando todo marcadinho, pois a cada parágrafo, deparo-me com uma ideia a refletir e guardar na memória. Peço licença, pra transcrever aqui, apenas alguns que gostei:
“A casa se tranformou numa testemunha bem informada. Foi cúmplice das primeiras seduções, vigiou os deveres de casa sendo feitos, observou bebês envoltos em cueiros recém-chegados do hospital, foi surpreendida no meio da noite por conversas sussurradas na cozinha. Experimentou noites de inverno, quando suas janelas ficavam frias como sacos de ervilhas congeladas, e crepúsculos no auge do verão, quando as suas paredes de tijolos tinham o calor de um pão recém saído do forno.”

“Embora esta casa não tenha soluções para uma grande parte dos males que afligem seus ocupantes, seus aposentos são evidência de uma felicidade à qual a arquitetura deu a sua contribuição”.

E quem não tem recordação de um lugar, ou casa especial?! Chegamos a nos lembrar dos cheiros, de todas as sensações, boas e ruins, que tivemos ali: a casa da nossa infância, as brincadeiras na rua, a vizinhança…Infelizmente, a violência das grandes cidades roubou esse direito dos nossos filhos. Sinto-me privilegiada por morar num lugar, onde meu filho pequeno ainda pode andar pela rua sozinho e ir brincar com os amigos na pracinha, sem grandes preocupações. Tenho certeza, que ele guardará boas recordações desse período no tempo, desse lugar…Que isso contribuirá para que seja um adulto mais feliz e saudável, física e mentalmente.
Desdenhar a influência disso para nosso bem estar é ignorar o que o aconchego de um lar pode fazer. “A premissa para se acreditar na importância da arquitetura é a noção de que somos, queiramos ou não, pessoas diferentes em lugares diferentes-e a conviccção de que cabe à arquitetura deixar bem claro para nós quem poderíamos idealmente ser.” Mas, você é escravo da moda e estética? Sua casa, é um meio, ou um fim?

“No seu auge, a paixão pela arquitetura pode nos transformar em estetas, figuras excêntricas que precisam vigiar as suas casas com a atenção de guardas de museus, patrulhando seus quartos em busca de manchas, com um pedaço de tecido úmido ou esponja na mão. Os estetas não terão outra escolha a não ser se privarem da companhia de crianças pequenas e, durante o jantar com os amigos, ignorarem a conversa para se concentrarem na possibilidade de alguém inclinar-se para trás e, inadvertidamente, deixar uma marca na parede.” Credo!!

Semana passada, o marido mostra uma crônica do Arnaldo Jabor no jornal, que achei muito interessante: “Ser feliz é parecer feliz” . Vale a pena conferir o texto na íntegra, mas colo aqui, alguns trechos:

“Felicidade muda com a época. Antigamente, a felicidade era uma missão, a conquista de algo maior que nos coroasse de louros; a felicidade demandava o sacrifício. A felicidade se construía. Hoje, felicidade é ser desejado, consumido. Confundimos nosso destino com o destino das coisas. Uma salsicha é feliz? Os peitos de silicone são felizes?”
“Na felicidade industrializada, só o excesso é valorizado. Não há a contemplação elegante da delicadeza, nem a tradição de uma feliz sabedoria, de uma serenidade discreta. Nossa felicidade não é minimalista; está mais para uma imitação carnavalesca de Luís XIV.”
Muito importante é ver, nas fotos de milionários e colunáveis, a cenografia onde eles pousam como peixes em aquários de luxo, orgulhosos de seus tesouros: as casas e eles mesmos.Não se veem vestígios “dark”. Tudo é novo, tudo brilha, tudo é presente. Contra o decorrer do tempo, existem os “makeovers”, jorros de silicone e bochechas de botox. Para essa gente, não houve crises e mudanças no mundo. Não houve anos 60, nem guerras quentes e frias, nem fraturas ideológicas, muros caídos, fim de utopias, nada. Não aprenderam nada e não esqueceram nada, como disseram dos Bourbon.
Nas fotos, só aparecem gestos e coisas que gritam: lustres de cristal, galgos de bronze com olhos de safira, mármores falsos, ouro de tolos, ninfas de marfim, objetos no estilo catete-gótico, “barroco Teodoro Sampaio” ou “Early Lar Center”, atacando a arte contemporânea numa blitz feroz.
A decoração dos ambientes é para eles ou eles são para a decoração? As pessoas combinam com a casa. “

Sou da opinião de que a casa deve refletir a personalidade dos seus donos, e não, o contrário. Se precisamos mudar nossos valores, limitar nossa liberdade, pra servir a um conceito de estética, então, alguma coisa está errada!
Ter um castelo na Inglaterra, não fará de nós pessoas felizes, só por causa disso!
Voltando a citar o filósofo Botton:

“Como foram sensatos os antigos sábios ao nos sugerirem que deixemos de fora do nosso ideal de contentamento, qualquer coisa que um dia possa estar coberta de lava, ser carregada por um tornado, sucumbir a uma mancha de chocolate ou ficar suja de vinho.”
“A arquitetura mais nobre pode às vezes fazer menos por nós do que um cochilo ou uma aspirina.” “Deveríamos ter a gentileza de não culpar as edificações pelo nosso próprio fracasso em honrar o conselho que elas apenas sutilmente proferem.”
Há muitas canções populares maravilhosas, falando do significado de casa pra nós. Além daquela do Arnaldo Antunes, no post “A cidade e suas casas”, gosto muito de outras 2, da Marisa Monte.Vilarejo ( Infinito Particular-2006)
Há um vilarejo ali
Onde areja um vento bom
Na varanda, quem descansa
Vê o horizonte deitar no chão
Pra acalmar o coração
Lá o mundo tem razão
Terra de heróis, lares de mãe
Paraiso se mudou para lá
Por cima das casas, cal
Frutas em qualquer quintal
Peitos fartos, filhos fortes
Sonho semeando o mundo real
Toda gente cabe lá
Palestina, Shangri-lá
Vem andar e voa (3x)
Lá o tempo espera
Lá é primavera
Portas e janelas ficam sempre abertas
Pra sorte entrar
Em todas as mesas, pão
Flores enfeitando
Os caminhos, os vestidos, os destinos
E essa canção
Tem um verdadeiro amor
Para quando você for Cantinho Escondido ( Universo ao Meu Redor-2006)
Dentro de cada pessoa
Tem um cantinho escondido
Decorado de saudade
Um lugar pro coração pousar
Um endereço que freqüente sem morar
Ali na esquina do sonho com a razão
No centro do peito, no largo da ilusão
Coração não tem barreira, não
Desce a ladeira, perde o freio devagar
Eu quero ver cachoeira desabar
Montanha, roleta russa, felicidade
Posso me perder pela cidade
Fazer o circo pegar fogo de verdade
Mas tenho meu canto cativo pra voltar
E posso até mudar
Mas onde quer que eu vá
O meu cantinho há de ir
Dentro
E posso até mudar
Mas onde quer que eu vá
O meu eu cantinho há de ir
Dentro

E pra você? Que significado tem a casa e o quanto ela é capaz de interferir no seu estado de espírito, pra melhor, ou pior?

O tema, inspirou-me algo que nunca fiz aqui e que sei, me dará um trabalhinho! Mas, vamos lá, que o desafio será para todos: resolvi fazer uma promoçãozinha(Viche! Mas eu tô ficando metida!)

Negócio é seguinte: as 10 melhores respostas para essa perguntinha acima, ganharão um marcador de matrioshka, mostrado aqui. A melhor frase, ganhará um caderno de anotações, tipo esse aqui. Todas as frases, irão para sorteio, concorrer a um exemplar do livro, citado neste post. Valem apenas os comentários neste post.

Boa nova: mudei a forma de fazer comentários e agora, qualquer um pode fazer o seu, e não apenas os que têm blog. Então, todos podem participar, desde que tenham nome, e-mail e sejam residentes no país.

As frases podem ser mandadas até o domingo, dia 24/05. Até lá, definirei a data do sorteio e revelação dos ganhadores, ok?

Please! Nada de muita firula! Procurem ser concisos, do contrário, não dou conta nem de ler!

Lembram do Shrek, citado no início do post, no episódio em que vai para Tão Tão Distante, assumir sua missão de príncipe? Nada a ver com ele, né? Aquelas roupas, aqueles modos, aquele palácio… Muito mais feliz ficou, quando pode voltar para o seu pântano, com a sua feia Fiona e seus feios filhinhos, no meio da floresta. No final das contas, o que vale mesmo, é nos sentirmos à vontade, no melhor lugar do mundo pra se fazer isso: nossa casa!

Imagens: Desire to Inspire, Decorology , Apartment Therapy , FFFFOUND, Design Lovely

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